Educação Quilombola e Contemporaneidade: um estudo em diálogo com a Escola Municipal do Quilombo do Campinho/Teresa Cristina Salles Santos. A toda comunidade do Quilombo do Campinho da Independência, pelo acolhimento, conversas e experiências nesta região maravilhosa. SANTOS, Teresa Cristina Salles Educação Quilombola e Contemporaneidade: um estudo em diálogo com a Escola Municipal Quilombo do Campinho.
O conceito de Quilombo em disputa
Enquanto antropólogos, cientistas sociais, ativistas e líderes de comunidades negras e de setores do movimento negro têm procurado desenvolver o conceito de quilombo contemporâneo, que abrange toda a comunidade rural com afrodescendentes e com direitos territoriais, culturais, sociais, econômicos e interesses culturais, para expandir e implementar. história relacionada à escravidão e à falta de políticas inclusivas pós-abolição. Enquanto antropólogos, cientistas sociais, ativistas e líderes de comunidades negras e de setores do movimento negro têm procurado expandir e implementar o conceito de quilombo contemporâneo, que inclui toda a comunidade rural de afrodescendentes e territorial, cultural, social, econômica e história cultural relacionada à escravidão e a falta de políticas inclusivas pós-abolição. Nesse processo de renúncia, segundo Fiabani, o passado é visto sob uma perspectiva diferente e utilizado para construir uma nova identidade – “um resquício de quilombo.
Disputa pela Terra
O trabalho livre que emergiu da crise da escravidão negra separou o trabalhador da sua força de trabalho, submetendo-se ao capital personificado do proprietário de terras. Depois, diversas organizações começaram a surgir em defesa da reforma agrária, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), as Ligas Camponesas e a Comissão Pastoral da Terra. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) foi criada em junho de 1975 com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para tratar da situação dos trabalhadores rurais e dos conflitos nas áreas rurais, especialmente na região amazônica;
Legislação em Disputa
Segundo Leonardo Boff (2016); “Somos herdeiros de quatro sombras que pesam sobre nós e que deram origem e continuam a dar origem à violência”. São eles: “nosso violento passado colonial, o genocídio indígena, a escravidão, a mais prejudicial de todas, e a constituição que excluía os pobres e os afrodescendentes do acesso à terra”. Ao delegar a expansão do capital aos grandes proprietários através de medidas que nada contribuem para a redução dos conflitos no campo, aliás, com base nos números apresentados, concluímos que esta realidade só avança. Inicialmente, a existência de populações quilombolas foi reconhecida na constituição de 1988, mas cerca de quinze anos depois, levando em conta o desenvolvimento da complexidade do debate, os quilombos ganharam um novo significado, com a promulgação do Decreto Legislativo nº. 4.887, de 20 de novembro de 2003, que dispõe sobre o artigo 68 das Leis de Transição sobre disposições constitucionais. 68 trouxe muitas polêmicas e foi durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que introduziu o decreto nº 3.912 de 10 de setembro de 2001, que com o art.
O Ministério da Cultura, na gestão do presidente Luís Inácio Lula da Silva, passou a ser o órgão responsável pela titulação das terras reivindicadas pelas comunidades negras por meio da Fundação Palmares. No mesmo período, o decreto nº. A Lei 3.912, que exigia que as comunidades negras tivessem ligações com os quilombos existentes em 1888, a pedido da Comissão Pró-Índio de São Paulo, anulou e transferiu ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) o poder de nomear essas áreas . Embora a possibilidade de títulos tenha sido oferecida a diversas comunidades rurais negras em todo o Brasil, sua implementação foi limitada a extensos processos regulatórios, resultando em pouco mais de uma dezena de títulos de terras em todo o território nacional.
A disputa fundiária está sendo reclassificada em termos do agronegócio de grande escala e de sua representação política, perpetuando a concentração desequilibrada de terras no cerne do problema territorial histórico do Brasil15. A propriedade da terra quilombola em muitos casos envolve oposição aos interesses dos setores agrícolas e até mesmo do governo. Como não há emprego no campo, a população rural migra em busca de melhores condições de vida para os grandes centros urbanos ou para outras regiões do Brasil em busca de terra ou emprego para iniciar uma nova vida.
Disponível em http://www.mst.org.br do-latifundio-ao-agronegocio-a-concentracao-de-terras-no-brasil.html.
Trajetória Histórica
Seguindo o caminho da identificação, cabe-nos observar como se deu o reconhecimento do Quilombo do Campinho, como comunidade quilombola. Os moradores, principalmente os mais jovens, decidiram fazer uma limpeza e construir um campo de futebol separado do campo onde os adultos jogavam bola, e ficou conhecido como Quilombo do Campinho da Independência. A divisa fixa foi: a cachoeira Limeira, no sudeste, e o município de Patrimônio (bairro), que faz divisa entre o Quilombo do Campinho.
Quanto à trajetória do título do quilombo Campinho, é possível perceber características que destacam sua singularidade nesse processo institucional. Para evitar disputas e estabelecer acordos de convivência no território, os moradores do Quilombo do Campinho consideram que “todos os que se relacionam entre si, têm na posse da terra e nos assuntos de família, as garantias centenárias da existência do grupo". Outro fator que aparece nos relatos sobre a origem do povo do Quilombo do Campinho é a diferenciação entre os “dentro” e os “fora” da Casa Grande.
Não se sabe quem precedeu genealogicamente as três mulheres, não sabemos delas, só sabemos delas e que o terreno do atual Quilombo do Campinho lhes foi doado pelo patrão. Parece que na memória dos mais velhos do Quilombo do Campinho, os homens são os “pretos”, as mulheres não, a razão apresentada é a aparência dos cabelos, que não tinham cabelos “cacheados”, fator que , segundo os entrevistados, determina a negritude. No período em que as três mulheres herdaram as terras do Quilombo do Campinho, então Fazenda Independência, ocorreu um processo de transformação econômica.
Naquela época, o povo do Quilombo do Campinho se deparava com uma disputa por terras. Segundo Ronaldo dos Santos, líder comunitário do Quilombo do Campinho: “A luta pela terra começou para nós.
Trajetória Moderna
Eles realmente me aceitaram pela arte, porque me desenvolvi a cada dia com as crianças, passei a fazer parte da família e da comunidade artística. Silvio foi para Salvador a trabalho e a meu pedido ficou na casa do meu mestre Griot. A família do Silvio, que já me conhecia, ficou muito feliz por ele ter saído do quilombo e ter sido recebido pelo meu mestre em Salvador e recebemos a D'ollynda aqui, e lá eu morava, eu e minha filha, numa casinha na beira do rio com um fogão a lenha e uma tomada elétrica. Através da experiência da artista D'ollynda Brasil podemos perceber sua articulação com a concepção desenvolvida por BARTH, que substituiu a ideia estática de identidade étnica por uma concepção dinâmica;
A ponto de ele mesmo dizer que “só no quilombo aprendi a ser negro, aprendi que negro é lindo, que negro tem seu valor”. D'ollynda veio para São Paulo em 1998, morou na Vila Madalena e levou seus quadros para uma galeria francesa em Paraty-RJ, indo e voltando, até que em 2001 decidiu procurar uma casa e ficar lá. Em 2002, no dia 20 de novembro, a convite de Waguinho, o artista esteve pela primeira vez no Quilombo do Campinho, durante a festa que celebrava a consciência negra.
A relação deles, segundo o artista, foi forjada através da arte e foi através da arte que ele permaneceu no quilombo durante quatro anos, onde foi aceito e reconhecido como quilombola pela comunidade do Quilombo do Campinho. As disputas e o reconhecimento de uma identidade quilombola são por vezes pressionados pela questão da terra no Brasil, que, como vimos, segue uma lógica de desapropriação e dominação, baseada em valores coloniais, de forma que a elite aristocrática daquele país continua privilegiado. país. Essa disputa permeia os valores identitários coloniais e de demarcação de terras e influencia o desenvolvimento de uma educação baseada no respeito e na afirmação positiva de uma identidade quilombola.
De acordo com a legislação que legitima essas comunidades, especialmente a comunidade Quilombola do Campinho, o próximo capítulo destacará as tensões que envolvem a luta por uma “outra” escola adaptada às demandas da comunidade por respeito e educação democrática de qualidade.
O que é uma escola quilombola?
O que desmente o argumento de que: “esta não é uma escola quilombola” que ouvi de uma funcionária da E.M. para Campinho em sua primeira visita à escola. Ele justificou dizendo que aceitar alunos de outras regiões e não apenas do Quilombo do Campinho não seria uma escola quilombola. Para começar, a escola quilombola deve ser um espaço democrático que permita aos alunos conhecerem suas origens e história.
Precisamos saber como será a implementação das diretrizes curriculares da educação quilombola na escola Campinho. Esta disputa parte, por um lado, dos representantes e professores da Escola Municipal do Campinho, por outro lado, da comunidade, representada por alguns membros da AMOQC. associação de moradores do quilombo Campinho), que exige a criação de uma escola de acordo com o currículo das comunidades quilombolas. Porém, o principal motivo do conflito é a transformação da Escola Municipal de Campinho em escola quilombola.
Para compreender essa situação, foram realizadas algumas visitas à Escola Municipal Campinho no decorrer da pesquisa. Essa é a base do argumento de Marli Veloso de que “não é uma escola quilombola”. Os profissionais da escola foram questionados pela Associação dos Moradores do Quilombo do Campinho (AMOQC), pelo Movimento de Pais, Parentes e Amigos da E.M Campinho, sobre as péssimas condições do prédio, desde pintura, merenda e até obras estruturais até o atendimento. vazamentos de água e reforma de forros.
No entanto, o atrito mais significativo entre a E.M. Campinho e o movimento criado pela AMOQC tem sido a questão de “transformar” a E.M. Campinho numa efetiva escola quilombola.
Roda de conversa: Memória e identidade no Quilombo do Campinho da
Iniciamos a roda com as crianças sentadas em círculo ao redor do pano com os objetos no chão. Conhecer as histórias que já aconteceram, as histórias do passado, significa para eles saber o que está acontecendo e o que vai acontecer na vida de quem vive o presente. Os príncipes Odu coletaram histórias de quem viveu no passado, cada uma delas sobre um assunto específico.
Nessa perspectiva, o outro é essencial na construção do nosso ‘eu’, a linguagem é percebida a partir de uma concepção dialógica. O que a Sônia fez agora foi nos contar uma história sobre contadores de histórias. Agora, eu queria que algumas princesas e príncipes desses dois grupos contassem uma história sobre esse lugar.
Contadores de histórias - Ele tinha a pele morena, meio branca (risos entre as crianças) Intervenção da professora - E o que ela descobriu com os cabelos cacheados. O cabelo de Lelê”31 é um livro infantil que foi trabalhado com os alunos em sala de aula. Por isso a professora insiste para que as crianças contem a história, que consiste em: uma criança Lelê. Mailsa – Agora vou ser o outro narrador e vou contar uma história para vocês.
Eu montava neles e sentava sempre que estava chateado ou quando alguém brigava comigo, o que não era difícil porque eu estava muito mal. É por isso que a educação é apenas uma das ferramentas para combater o racismo, mas não é a única, porque o racismo é, antes de mais, uma ideologia, e a ideologia não pode ser corrigida simplesmente através da educação. O segundo momento da Roda de Conversa e Contação de Histórias: criação de desenhos que contam a história do Quilombo do Campinho.