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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Tese Entre claro e escuro: uma investigação sobre o sistema de classificação de cores e ações positivas / Isabella Juliana Lopes dos Santos - 2020. Destaca-se a política de ações positivas para pessoas negras e a trajetória de aplicabilidade dessas medidas no ensino superior, onde o organização é abordada pelo sistema de classificação por cores no que diz respeito aos critérios utilizados para definir os beneficiários das políticas com enfoque racial.

Raça como discurso ideológico: A formação do povo brasileiro

A versão poligenística permitiu reforçar uma interpretação biológica na análise do comportamento humano, enfatizando a ideia de que diferentes raças humanas constituiriam espécies diferentes. O incentivo à imigração, além de excluir os negros dos empregos, estava diretamente relacionado à tentativa de embranquecimento da população.

Figura 1 - Modesto Brocos. “Redenção de Cam” de 1895.
Figura 1 - Modesto Brocos. “Redenção de Cam” de 1895.

Raça e a construção do mito da democracia racial

Não é porque as culturas afro-negras sejam inferiores às europeias na conceptualização do progresso ou na aplicação do individualismo; Não é, muito menos, porque as civilizações negras são civilizações “naturais”; Não foi inicialmente devido a qualquer inferioridade técnica, prática ou intelectual que os negros se viram desvalorizados ou socialmente limitados pelos brancos: foi simplesmente devido a uma superstição sobre a cor. Ao pensar no conceito de cor, Guimarães (in RIOS et al., 2016) parte da ideia de que os grupos de cores existem porque existem categorias de cores nativas, e estas são categorias de cores nativas. O autor destaca ainda que essas categorias e grupos de cores nativas escondem uma classificação racial, dizendo que a cor é uma categoria nativa e a raça não existe como tal.

A cor é apresentada como um sistema de classificação racial semelhante a outros na medida em que é igualmente racista; e que ao tentar reduzir toda a racialização que os negros sofrem a uma diferença de pele, de cor de pele, abre a porta para a bipolaridade. Guimarães (in RIOS et al., 2016) destaca que a forma popular como o preconceito racial é referido no Brasil é o preconceito de cor.

O sistema de classificação de cor/raça no Brasil

A PNAD, realizada a partir da percepção de cor e raça do entrevistado, apresenta números que mostram avanços no processo de ressignificação do negro na sociedade brasileira. O sistema de classificação de cores não segue nenhum padrão e é criado por cada sociedade com base na sua história. O modelo universal francês baseia-se no artigo 1º da Constituição Universal dos Direitos Humanos e não utiliza referências coloridas; o sistema de classificação é baseado na nacionalidade.

Diante desse cenário, Moema de Poli Teixeira (2013, p. 102) elenca cinco níveis possíveis de classificação: a visão que o indivíduo tem de si mesmo; a visão que o indivíduo tem de alguém próximo (por exemplo, um membro da família); a visão do indivíduo sobre um estranho, baseada apenas na aparência deste, a visão do indivíduo sobre como é percebido pela sociedade em geral e a descrição de como um indivíduo deseja ser percebido em um determinado contexto. O sistema brasileiro de classificação de cores é dinâmico e relacional, ou seja, depende das formas de classificação existentes e de quem está classificando de acordo com o contexto em que está implantado; que permite que a percepção de determinadas características físicas se constitua apenas como cor e seja revestida de significado, dentro de um contexto histórico-cultural específico.

Gráfico 1 - Divisão percentual (%) da população brasileira por cor ou raça. Desde 2015, pardos são maioria no  país
Gráfico 1 - Divisão percentual (%) da população brasileira por cor ou raça. Desde 2015, pardos são maioria no país

Os diferentes sistemas de classificação de cor que circulam no país

  • O mestiço como categoria de classificação
  • O sistema classificatório dos censos brasileiros - as cinco categorias de cor/raça
  • O sistema classificatório popular (múltiplo)
  • O sistema classificatório dual - Movimento negro, da academia e da mídia

Foi com a inclusão da categoria indígena a partir do censo de 1991 que a classificação passou a ser “cor ou raça”; obtendo suas cinco categorias atuais e completando assim o mito da origem da nacionalidade brasileira. É interessante notar que ao descrever o comportamento dos “outros”, os entrevistados relataram um número maior de critérios do que ao descreverem a própria cor ou raça. Isso mostra que a classificação de cor ou raça envolve um processo complexo onde uma única dimensão não pode fornecer uma definição adequada do seu significado, e isso é mais verdadeiro quando se especula sobre “outros”.

É legítimo questionar se a classificação “cor ou raça” do IBGE daria conta da riqueza do vocabulário utilizado pelos brasileiros para designar sua identidade racial. Para definir como pensam sobre a cor ou raça dos outros, as pessoas tendem a utilizar múltiplos critérios de marca e o critério de origem para informar a própria cor ou raça.

Relação cor/raça na educação

Lia Vainer Schucman12 (Alma Preta, 2019) faz a seguinte reflexão: “Por que as cores da categoria racial negra são sempre questionadas?” Segundo o autor, a diversidade racial não se limita ao grupo negro, mas também pode ser identificada entre o grupo racial branco. Com base nos dados coletados pela PNAD, a tabela 113 apresenta a distribuição da escolaridade entre os anos de 1995 e 2015, com base na distribuição racial, lembrando que em todos os ciclos de ensino (1ª etapa do ciclo fundamental – 4 anos de estudo; ensino fundamental – 8 anos ; ensino médio – 11 anos; ensino superior – 15 a 17 anos) a presença da população branca é maior em relação à população negra.

Desde 2007, as faixas etárias do ensino básico e primário foram alteradas com base na lei nº. Ensino básico para crianças até 5 anos (0 a 5 anos); ensino fundamental de 6 a 14 anos; e foram contabilizadas no nível do ensino básico as crianças com idade igual ou inferior a 6 anos que frequentavam o ensino primário com duração de 9 anos.

Tabela 1 - Distribuição de escolaridade da população segundo cor/raça.
Tabela 1 - Distribuição de escolaridade da população segundo cor/raça.

O contexto das ações afirmativas

Ações Afirmativas para negros e seus diferentes critérios de acesso

Em 2001, quando algumas universidades públicas começaram a adotar o sistema político de reserva de vagas para negros, o processo seletivo para admissão de estudantes mudou. Em 2007, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) identificou 38 instituições públicas de ensino superior que tinham algum tipo de política de reserva de vagas para negros. Diferentemente do sistema de cotas, o sistema de bonificação não possui percentual de vagas a serem preenchidas: os candidatos que se declaram negros recebem uma quantidade de pontos que são somados à sua pontuação no exame de seleção.

Em 2017, a Lei nº. A Lei de Cotas – que torna obrigatória a reserva de vagas para estudantes negros, pardos, indígenas, de escolas públicas e de baixa renda nas instituições federais de ensino superior e técnico, foi atualizada com a Lei nº. modificando o desenho da política original (Figura 4). 1º desta lei serão preenchidos, por curso e turno, por pessoas autodeclaradas pretas, pardas e indígenas e por pessoas com deficiência, na forma da legislação, proporcionalmente ao número total de vagas, no mínimo igual à proporção pertencente aos negros. , pardos, indígenas e pessoas com deficiência.deficiência na população da unidade da federação onde está localizada a instituição, segundo último censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

Figura 3 - Mapa das Ações Afirmativas no Brasil.
Figura 3 - Mapa das Ações Afirmativas no Brasil.

O preconceito de Cor segundo Oracy Nogueira

Quando o preconceito racial é afirmado em relação à aparência, ou seja, quando toma como pretexto para suas manifestações os traços físicos, a fisionomia, os gestos, o sotaque de um indivíduo, diz-se que está carimbado; Nogueira (2006), após diferenciar os preconceitos sobre a marca e sua origem, aponta e descreve algumas diferenças entre os modelos segundo os seguintes critérios: segundo o modo de funcionamento; relativamente à definição de membro de um grupo discriminatório e de um grupo discriminado; Em termos de estrutura social onde o preconceito é uma marca, a ascensão social está inversamente relacionada às marcas que um indivíduo carrega e aspira ser.

A ideologia presente no viés da marca é ao mesmo tempo assimilacionista, pois “geralmente se espera que o indivíduo de outra origem, que não a luso-brasileira, vá abrindo mão gradativamente de sua herança cultural em favor da “cultura nacional” – língua , religião, costumes” (NOGUEIRA, 2006, p. 298) e miscigenação porque existe. Com base no estudo de Oracy Nogueira e no conceito estruturado do autor sobre preconceito de marca e origem, Moema De Poli Teixeira (et al. 2013) problematiza esse fato.

O mulato como obstáculo epistemológico segundo Eduardo Oliveira Oliveira

Quanto a nós, acreditamos que não se pode esperar que um afro-brasileiro pense como um europeu branco – uma questão de estilo. Como líder de massas, não se pode esperar expressar-se como um esteta. Recentemente, Luiz Augusto Campos (2013) destaca que, com a introdução das ações afirmativas raciais nas universidades brasileiras, a categoria antes vista como um “simples” obstáculo epistemológico para as ciências sociais tornou-se um dilema político para o Estado. Brasileiro.

Para alguns ativistas, esse dado comprova que os brasileiros que se declaram ‘pardos’ são percebidos como ‘pardos’ pelos outros. Ser pardo seria e ainda é visto por muitos como uma fuga, mas parece que as categorias preto e pardo compõem a categoria “preto” e, por mais expressivas que sejam as características, o racismo em algum momento irá atingir.

Colorismo, segundo Alice Walker

Dessa forma, a discriminação baseada nas diferentes cores de pele separa aqueles com cor de pele mais escura. Há resistência em chamar de preto quem tem pele mais clara devido ao racismo mais severo praticado contra indivíduos com fenótipo mais pronunciado. O branqueamento gera privilégios, mas é importante entendê-lo como um mecanismo criado por um sistema racista, o que não significa que o racismo não seja praticado também contra indivíduos de pele mais clara.

Sabemos também que quem tem cor de pele mais próxima dos polos mais escuros é mais afetado pelo racismo estrutural. Os movimentos negros quebram essas suposições racistas ao considerar negras tanto as pessoas de pele clara quanto as escuras.

A questão do passing: Oliveira & Walker

No Brasil, as tentativas de inferiorizar os negros a um ideal branco desejado ainda se refletem hoje na forma como os indivíduos percebem a si mesmos e aos outros e influenciam a vida social. A valorização do branqueamento populacional com a aceitação dos mestiços em relação aos negros de pele mais escura possibilitou novas formas de discriminação em relação à cor da pele.

A persistência das desigualdades raciais: racismo e colorismo

As ações afirmativas como política pública são de natureza social e servem como ferramenta de intervenção positiva para provocar mudanças. Na etapa de implementação, a política pública pressupõe a definição de seus beneficiários, no caso das ações afirmativas, um dos beneficiários no país são pessoas negras. Nesse contexto, o capítulo apresenta como as universidades federais e estaduais têm lidado com diferentes metodologias ao longo dos anos para reconhecer a população beneficiária de políticas de ações afirmativas para negros e para analisar casos denunciados como fraude.

O autor destaca ainda que “as diferentes formas de nomear os beneficiários das cotas raciais expressam diferentes visões sobre as desigualdades existentes no Brasil e, ao mesmo tempo, diferentes esperanças em relação às consequências das ações afirmativas” (CAMPOS, 2013, p. 83). Ressalte-se que o entendimento da categoria negra como a soma de pessoas pretas e pardas é utilizado pelo movimento negro, pela academia, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelas políticas de ações afirmativas.

Duas interpretações do Brasil

Diferentes critérios para a identificação do beneficiário

Comitês de verificação foram instituídos nos últimos anos como mecanismo de proteção contra falsas autodeclarações raciais, com o objetivo de garantir o acesso exclusivo dos povos Negros, Pardos e Indígenas ao ensino superior, utilizando o procedimento de heteroidentificação complementar à autodeclaração dos candidatos. . Segundo Vaz (2018), a autodeclaração não é absoluta; o critério é considerado o mais adequado para determinar a filiação racial de um indivíduo, mas não é absoluto nem impossível de ser verificado por terceiros. Apoiado no discurso de valorização da miscigenação, o racismo brasileiro silencia o cenário da população negra.

O objetivo da proposta do sistema de cotas raciais é garantir a justiça restaurativa, e a ocupação dessas vagas por pessoas não destinadas às políticas públicas não só vai contra o sistema em questão, mas revela ainda outra faceta. do racismo existente. As cotas raciais para acesso ao ensino superior têm se mostrado uma política pública indispensável para a inclusão social da população negra brasileira. No entanto, para realmente alcançar uma justiça justa, é necessária uma distribuição justa de poder, onde o privilégio de alguns não se transforme na falta de direitos de outros.

Os beneficiários em questão: supostos casos de fraudes

O caso dos gêmeos ainda hoje é referência quando o assunto é fraude no sistema de cotas raciais. X e N, gêmeos idênticos, candidataram-se para concorrer a uma vaga na universidade através do sistema de cotas raciais, que na época incluía apenas critérios raciais e nenhum critério socioeconômico ou de origem educacional. A matrícula do estudante foi cancelada e seu desligamento da universidade foi solicitado pelo Ministério Público Federal28 (MPF) de Uberlândia por fraude no sistema de cotas.

O jovem, branco e loiro, se declarou negro durante a inscrição no vestibular, fraudando o sistema de cotas raciais para ingressar no curso de Medicina da UFMG. F foi acusado de burlar o sistema de cotas de um concurso para técnico em previdência social, no qual foi aprovado em 2016. O funcionário foi demitido pelo INSS de Juiz de Fora por burlar o sistema de cotas em um concurso público. https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia server-e-exonerado-do-inss-em-.

Disponível em: https://veja.abril.com.br/educacao/fraudes-na-uerj-evidem-falhas-do-sistema-de-cotas/.

Figura 5 – Irmãos gêmeos que se canditaram a reserva de vagas para negros no vestibular da UnB
Figura 5 – Irmãos gêmeos que se canditaram a reserva de vagas para negros no vestibular da UnB

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Figura 1 - Modesto Brocos. “Redenção de Cam” de 1895.
Gráfico 1 - Divisão percentual (%) da população brasileira por cor ou raça. Desde 2015, pardos são maioria no  país
Gráfico 2 –  População declarada preta no Brasil. Desde 2012, aumenta a cada ano a declaração da cor preta no  país
Figura 2 - Diagrama comparativo – sistema americano e sistema brasileiro.
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Referências

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Caso o mesmo candidato seja aprovado nas vagas disponíveis para ingresso por meio do Vestibular Unificado e para ingresso por meio da nota do Enem, será considerada a aprovação para