Esse conflito ocorre com todos os professores e alunos, porém, quando o problema são os processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita de português para alunos com surdez profunda, usuários de Libra, a questão se torna ainda mais complexa. Esses estudos são conhecidos por desenvolverem uma reflexão sobre a questão do processo de ensino e aprendizagem da escrita do português como segunda língua (L2). O objeto de investigação e problematização desta pesquisa é o texto do aluno profundamente surdo que escreve em português como segunda língua.
No quinto capítulo são apresentadas as descrições dos textos que estão ilustrados na estrutura gramatical da língua portuguesa para Libra. A segunda seção discutirá como o ensino do português escrito para surdos está estabelecido na legislação brasileira. Contudo, a Libras não pode substituir a forma escrita da língua portuguesa (BRASIL, 2002), reforçando que o sujeito surdo tem a tarefa de aprender o português escrito como segunda língua.
A compreensão da estrutura gramatical do substantivo, nas línguas analisadas neste artigo (LP e Libras), é essencial para a construção de práticas escolares escritas em português para alunos surdos.
Formação da frase
Artigos indefinidos (um, um, um, um) apresentam uma relação mais geral, ou seja, o nome é menos específico, algo que não conseguimos identificar com exatidão. Esta análise será fundamental para definirmos a “função nominal”, nomeadamente “aquela que o locutor utiliza para atualizar o que será uma determinada unidade de comunicação” (SENNA, 1984, p. 18). Ou seja, a ‘função nominal’ possui duas categorias, onde na primeira categoria o leitor busca em seu arcabouço cultural a referência do nome que aparece na frase, ou seja, uma interpretação geral.
A função determinante [F (def)] pertencente ao campo de função falante – ouvinte refere-se a elementos externos à oração – ou seja, uma função situacional que define a situação do substantivo em relação ao contexto subordinado de falantes e ouvintes. O objetivo principal deste capítulo é apresentar a estrutura gramatical da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Este documento apresenta os “aspectos linguísticos da Língua Brasileira de Sinais”, ou seja, descreve toda a estrutura gramatical que compõe esta língua.
Estudar como funciona a lógica de construção da comunicação em Libras é fundamental nesta pesquisa para compreender, ainda que de forma geral, como se constrói e se desenvolve o pensamento de alunos profundamente surdos, usuários de Língua de Sinais. As línguas de sinais não são universais (GESSER, 2009), e certamente não são criadas em laboratório para uso em comunidades surdas11. Portanto, todo país possui pelo menos uma língua de sinais utilizada pela comunidade surda (PARANÁ, 1998).
Portanto, a comunidade Surda Americana possui a Língua Americana de Sinais (ASL), que difere da Língua Britânica de Sinais (BSL), a comunidade Surda Britânica, que por sua vez também difere da Língua Francesa de Sinais (LSF), e todas diferem em suas estruturas da Brasileira. Língua de Sinais (Libras), que também mostra variações regionais, sociais e mudanças históricas nos sinais no território brasileiro. Em outras palavras, as línguas de sinais, assim como as línguas orais, estão vivas e em constante mudança (PARANÁ, 1998). As línguas de sinais são linguagens visual-espaciais, são articuladas por meio das mãos, rosto e outras partes do corpo e todos esses articuladores são visuais (BAKER et al; 2016).
Principais parâmetros da Libras / Sinal: OBRIGADO
Por que o ensino do Português para surdos?
- A experiência com grupo de surdos: a origem do objeto de investigação
- Metodologia
Ou seja, aprendemos a língua portuguesa escrita, mas não nos tornamos um povo escritor e não deixamos de lado as nossas línguas naturais1. Por exemplo, participar de um projeto de início da docência no qual estagiei, quando era graduando em Pedagogia pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), intitulado “Curso de língua portuguesa para surdos como segunda língua – Nível 2”, o objetivo era ensinar português como segunda língua para usuários surdos de Libra. Este objeto identificado contribuiu para pensar e refletir sobre as dificuldades que sujeitos surdos profunda e bilateralmente, natos ou pré-linguais e usuários de língua de sinais, apresentam ao utilizar o português na forma escrita, uma vez que se trata de duas línguas com estruturas gramaticais completamente diferentes: Português (LP) e Libra. Portanto, o objeto de pesquisa proposto nesta dissertação é importante para o campo da educação inclusiva no Brasil, tendo em vista que marcará algumas discussões sobre a educação de surdos, que são: 1) a complexidade para tornar os alunos surdos capazes de compreender a organização estrutural da escrita alfabética e autônoma na produção de textos escritos na língua nacional; 2) a dificuldade enfrentada por muitos professores em compreender o funcionamento da Libras e identificar as intervenções didáticas adequadas para auxiliar no processo de ensino-aprendizagem do português escrito para alunos surdos como segunda língua.
Primeiramente foi necessária uma análise teórica aprofundada da estrutura gramatical das línguas analisadas: Português e Libra. As análises tiveram como objetivo avaliar a estrutura gramatical do português e da Libra, destacando as diferenças e semelhanças que unem essas línguas e, se possível, refletindo estratégias e possibilidades de ensino e aprendizagem de LP como segunda língua para alunos surdos.
O ensino da Língua Portuguesa para surdos, na legislação
Nos Estados onde existam minorias étnicas, religiosas ou linguísticas, as pessoas pertencentes a essas minorias não podem ser privadas do direito de ter, juntamente com outros membros do seu grupo, a sua vida cultural, de proclamar e praticar a sua religião e de usar a sua língua. Da mesma forma, a Organização das Nações Unidas (ONU) também prevê na resolução 47/135, a regulamentação dos direitos linguísticos das minorias como forma de respeito, igualdade e proteção a essas culturas, enfatizando em seu artigo as minorias nacionais ou étnicas, religiosas e linguísticas. (doravante "pessoas pertencentes a minorias") terão o direito de desfrutar da sua cultura, declarar e praticar a sua religião e usar a sua língua, privada e publicamente, sem interferência e qualquer discriminação.
No entanto, demorou algum tempo para criar leis e decretos voltados especificamente para a comunidade surda que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Um dos primeiros documentos e mais conhecidos entre a comunidade surda é o Decreto 5.626/2005 e a Lei de Libras, que reconhece a Libras como língua e a define como uma “forma de comunicação e expressão em que o sistema linguístico possui função visual-motora. de natureza, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de comunicação de ideias e fatos, originário de comunidades surdas no Brasil.”
Dificuldade de o aluno surdo tornar-se produtor de textos
Bruner dividiu as formas de pensar em três tipos: uma forma de pensar baseada na interação com o mundo; em representações icônicas e representações simbólicas. Contudo, Senna (2012), com base no trabalho sobre os custos da alfabetização e do letramento no processo de desenvolvimento da construção da escrita alfabética, conceituou e enfatizou apenas dois modos de pensamento, a saber: o modo narrativo de pensamento e o modo científico de pensamento. de pensamento, que pode ser assim definido: “1. Portanto, o aluno surdo passa a se tornar aluno e a compartilhar seus conhecimentos com a escola, ou seja, inicia um processo de pertencimento e de dar sentido ao processo de ensino e aprendizagem que a escola propõe.
Portanto, a dificuldade do aluno surdo em se tornar escritor gira em torno de dois pontos. A segunda dificuldade, e creio que seja a mais complexa e que inspirou esta investigação, é como o professor, depois de apresentar ao aluno surdo a importância do domínio do português escrito, efetivamente ensina o português escrito.
Síntese do capítulo
A falta de atividades significativas de escrita/fala impede que os surdos entendam o que é a língua portuguesa e, além disso, não conseguem perceber as diferenças entre a língua portuguesa e a língua de sinais. Portanto, não se pode iniciar um processo de ensino e aprendizagem de português como segunda língua para alunos surdos sem ao menos proporcionar a esses alunos o contato com pessoas fluentes em português e Libras, pois isso os impede de desenvolver atividades de significado em sua primeira língua ( Libras). Este tema é muito complexo e deve ser refletido com calma e por partes, por isso este estudo terá como foco apenas a compreensão da função lógica da representação mental do nome em LP e Libras e se ambas as línguas apresentam semelhanças e diferenças para desenvolver um estudo futuro que visa refletir a prática de ensino da estrutura gramatical do português como segunda língua a alunos surdos que desenvolvem o seu pensamento de forma global.
O segundo ponto é como o ensino da língua portuguesa para surdos é apresentado na legislação, para isso utilizamos uma série de leis (BRASIL para confirmar que independente de o aluno dominar Libra, ele jamais poderá substituir a escrita Português com Libra Essa é uma questão complexa e que não existe uma fórmula mágica para respondê-la, mas temos algumas ideias sólidas de que, para que a aprendizagem aconteça, é necessário que o aluno surdo veja sentido no conteúdo que a escola tem para lecionar, com outro ponto de atenção a formação do professor, que muitas vezes não abrange a complexidade da dinâmica estrutural apresentada pela LP e pela Libra, uma com estrutura bem subdividida e outra com representação global.
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO CONCEITO
- A definição de conceito
- A construção do conceito em Vygotsky
- O nome
- Síntese do capítulo
- A lógica ideal da frase
- Os aspectos do nome
- Os determinantes
- As funções dos determinantes
- F (def.) Função determinante
- F (adj.) Função adjetiva
- F (quant.) Função quantificadora: Aberta e fechada
- Síntese do capítulo
- Os aspectos linguísticos da Libras
- Estrutura gramatical
- Estrutura Sintática
- Pronomes na Libras
- Os verbos na Libras
- Os tipos de frases na Libras
- Noções temporais na Libras
- O que são classificadores?
- Análise dos textos em Libras
- Análise comparativa do nome no Português escrito e na LIBRAS
- Síntese do capítulo
A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural, visual-motora e, como qualquer outra língua oral, possui regras gramaticais de estrutura. Porém, a construção de signos em escalas ou a formação de palavras em escalas pode se desenvolver por meio de outras fontes, como o processo de derivação, composição e empréstimo da língua portuguesa (PARANÁ, 1998). A Língua Brasileira de Sinais possui alguns recursos gramaticais inspirados na língua portuguesa, como alguns sinais e o alfabeto manual, que são utilizados como recurso para ortografia (digitação) de caracteres que ainda não existem em Libra.
Verbos e pronomes são estruturados em um único recurso, ou seja, não utilizam grande flexão verbal, como é feito no português. Assim, enquanto uma língua de sinais tenta replicar a estrutura de uma língua oral no contexto em que é utilizada (por exemplo, o português brasileiro), por meio de gestos e sinais que imitam a estrutura dessa língua oral, uma língua de sinais o é. uma linguagem formal e independente que possui estrutura própria. As traduções realizadas neste trabalho respeitaram a estrutura da língua de sinais como língua independente e criativa que é.
Contudo, em determinadas situações a tradução de textos escritos em português para língua de sinais seguiu a mesma sequência da estrutura da língua original. No português escrito, os artigos definido e indefinido são responsáveis por alterar o significado do substantivo. O pronome “meu” em Libra possui um sinal, porém, quando você o interpreta em língua de sinais, esse sinal não precisa necessariamente ser acrescentado.
Observe a frase “Maria e Francisco, médicos, este é um ótimo médico, aquele nem tanto.”, em português ‘este’. Pode-se analisar que existem todos os tipos de sinais adjetivos ou de classificação nas Escalas e a informação é transmitida de forma completa sem comprometer a compreensão do conteúdo do poema. Nas análises realizadas na seção anterior podemos observar algumas semelhanças e diferenças na produção do nome em português e em Libras.
Pelas análises, ficou claro que em Libra havia ausência de caracteres que representassem determinantes, pronomes, preposições, locuções preposicionais e verbos de ligação ou não. A partir dessa problemática, este estudo foi estruturado para trazer uma reflexão sobre a escrita de alunos surdos profundos usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que estudam em uma instituição escolar com o objetivo de aprender a Língua Portuguesa como segunda língua. Porém, a falta de sinais em Libras que representem conectivos em português dificulta que os alunos surdos entendam como utilizar esses elementos na escrita de segunda língua, caso eles não existam em sua primeira língua.
Tradução e interpretação de língua de sinais (tils) na pós-graduação: conexão com o campo disciplinar da “tradução”.