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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Portanto, esta pesquisa situa-se nesta perspectiva sobre o enegrecimento do mundo e o agravamento da incerteza na contemporaneidade. Nem se trata de reduzir a condição e tornar a incerteza algo relacionado apenas a materiais e ambientes incertos.

Precariedade, perversidade e colonialidade(s)

Como observa, a globalização apresenta-se como o culminar de um processo que começou “com a Constituição da América e o capitalismo colonial/moderno e eurocêntrico como um novo padrão de poder global”75. E foi também a partir dessa ideia de raça que se desenvolveram as relações sociais na modernidade.

Precariedade e o devir-negro do mundo

O conceito de necropolítica inclui, assim, a ideia de poder soberano como um poder para construir guerra(s) constante(s), em termos absolutos. É a partir desta lacuna, entre o que se entende por democracia e estado de exceção, que Agamben e Mbembe tecem o seu pensamento.

Precariedade, vulnerabilidade e interdependência

Mas aquele rosto que me olha, na sua expressão – na sua mortalidade – me chama, exige, exige: como se a morte invisível que o rosto do outro enfrenta [...] fosse “meu problema”. 34;Responder ao rosto e compreender o seu significado”, argumenta Butler, “significa estar atento ao que há de precário na vida do outro, melhor ainda, à precariedade da própria vida” 113. A ideia de despossessão (despossuído ) por um lado tem um significado político no vocabulário dos direitos humanos, referindo-se àqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade e por outro lado está articulado com a categoria psicanalítica do desamparo, que também se refere à nossa condição que é inerentemente humana é.

Assim, após um percurso pela reflexão sobre o sujeito e seu desejo de reconhecimento, bem como sobre os problemas inerentes à definição de um sujeito ontológico, Butler interessou-se tanto pela ideia de reconhecimento quanto pela condição de possibilidade de reconhecimento; Foi interessante pensar não só na ideia de luto, mas também na possibilidade de uma vida ser lamentável. E a isto acrescenta tanto a insegurança de um corpo como o estado de insegurança que torna um corpo mais inseguro, ou seja, mais exposto à violência do que outros. Ou seja, não se trata mais do reconhecimento do sujeito, mas de quais são as condições de possibilidade para que esse sujeito obtenha reconhecimento, o que significa que o reconhecimento não vem apenas de.

É um projeto político e estético que fundiu questões e ideais nacionais com a esfera social, tendo o racismo como um dos marcadores – cujos desenvolvimentos, a partir da década de 1930, têm profundas implicações para o imaginário social brasileiro.

A precariedade como herança indesejada/imposta

No geral, o livro trata da relação entre escravidão e ciência, o que tem confirmado a objetivação de uma dinâmica mundial supostamente racional, que está interessada em catalogar/categorizar/hierarquizar tipos – pessoas, plantas, animais, etc. Na série Atlântico Vermelho, que faz referência ao livro Atlântico Negro de Paul Gilroy, o artista cria uma espécie de mosaico em que pedaços de tecido são unidos com o auxílio de costuras grosseiras, agora em escala maior. Aqui vale lembrar o importante papel do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) desde meados do século XIX na construção da história do Brasil e para ele, e a influência de Von Martius nesse processo.

Contudo, no Brasil houve uma espécie de reinterpretação especial das teorias raciais: “ao mesmo tempo em que se aceitava a ideia de que as raças representam realidades essenciais, negava-se a ideia de que a geração mista sempre leva à degeneração”136, no sentido de que, além de tais teorias, que ajudam a explicar a desigualdade como inferioridade, também enfatizaram a geração mista "positiva", especialmente com base nas políticas de branqueamento utilizadas neste mesmo período. Aos desafios de construção de uma identidade nacional ligada às questões étnico-raciais, somava-se a instabilidade política que permeia toda a história do país, que após vários séculos como monarquia estrangeira tornou-se uma república sob controle militar. Discursivamente, já foi mostrado aqui quais vidas (ou tipos sociais) é importante (não) levar em conta e representar no processo de construção de uma identidade nacional.

Foi assim que a história oficial do Brasil começou a se expandir: olhando de fora e inscrevendo uma suposta harmonia racial que ainda ressoa em nós.

Precariedade e brasilidade

O compromisso do projeto modernista com a tradição, que se baseia na ideia de que os motivos substantivos da cultura nacional devem ser buscados nas classes populares, é enfatizado por Moraes a partir da análise dos discursos de figuras-chave do modernismo brasileiro, como o crítico e escritor Oswald e Mário de Andrade. Assim, “na reivindicação de participação na ordem universal, estabelece-se a questão da brasilidade no modernismo”, ou seja, “no centro mesmo da definição do acesso à modernidade” 161, de modo que a brasilidade se destaca como um ponto de inflexão . Em geral, a crítica de arte desde meados do século XX categorizou os artistas ingênuos como artistas autodidatas que simplesmente pintavam a vida cotidiana e os arredores, cujas obras não eram complexas, quase como pinturas "antimodernas".

O desenvolvimento de novas/outras linguagens visuais foi uma das consequências desses contatos, que influenciaram a diversidade cultural que desde então se desenvolveu nas vanguardas brasileiras. A partir do projeto de desenvolvimento que se seguiu nas décadas seguintes e dos evidentes progressos no quadro industrial e institucional, a ideia do Brasil como um país do futuro183, que já estava implícita nos discursos modernistas anteriores, tornou-se mais enfatizada. Esse “certo desejo pelo Brasil”, impregnado de paradoxos característicos da história do país, orientou algumas das propostas modernistas e das chamadas vanguardas que se seguiram.

Assim, “um tanto impotentes e sem escolha, assistimos à substituição do legado europeu, que se expandiu desde a colonização, pelo acelerado capitalismo norte-americano” 189.

Com(tra) a precariedade (pós-anos 1960)

Talvez valha a pena ressaltar que esse conceito de ‘para-europeu’ alude à ideia de ‘lateralidade’191, conceito que seria um dos paradoxos da posição do artista brasileiro contemporâneo, chamado à tradição de a história da arte moderna e um contexto social particular, para encontrar a medida compreensível desta relação através de uma perspectiva transversal192. Para levar em conta a multiplicidade cultural que se desenrolou na vanguarda brasileira naquele período, Hélio Oiticica sugere a “nova objetividade” como o termo que melhor traduziria a arte produzida no Brasil. A exposição Nova Objetividade Brasileira, organizada por um grupo de artistas e críticos de arte em abril de 1967 e realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), reuniu diferentes vertentes das vanguardas nacionais: arte concreta, neoconcretismo, nova figuração – em torno da ideia de “nova objetividade”.

E os parangolés expressam esse momento do artista, “o que implica uma nova definição da ideia de “obra”/ “objeto plástico””197. Em Aspiro ao Grande Labirinto, Oiticica afirma que “o ato de não criar já conta como uma manifestação criativa”, em que o pensar pode ser reduzido a um simples ato - “nada mais que um posicionamento do sujeito” 198. A partir da leitura de Frantz Fanon e a dialética entre o colonizado e o colonizador – neste caso o latino e o civilizado – o cineasta utiliza como base de seu argumento “os temas da Fome e da Violência, onde esta última está ao mesmo tempo. uma consequência e uma possibilidade de superar a primeira” 204.

Para Fanon, “no momento em que passa a trabalhar na criação de uma obra cultural, o intelectual colonizado não entende que está utilizando técnicas e uma linguagem emprestada do conquistador” 206.

Arte e precariedade: perspectivas globais/globalizadas

Em 2009, num pequeno artigo publicado pela revista Artforum, o crítico Hal Foster destacou a incerteza na definição da arte criada na primeira década deste século219. Um pequeno texto do poeta francês Manuel Joseph sobre o précarité “como aparelho político e estético”221 também foi importante para a sua argumentação. Deste ponto de vista, este estado precário não deve ser visto como um processo natural, mas como um estado político construído e produzido pelo poder, de cujo favor dependemos e só podemos implorar.

Foster aponta para uma mudança na concepção da realidade no final dos anos 1980 e início dos anos 1990: uma mudança do real, entendido como um efeito de representação (como na maior parte da chamada arte pós-moderna), para o real, visto como um evento de trauma, como na maior parte da arte abjeta. Associada a diversas formas de poder, a precariedade enquanto espectro atravessa a realidade, fomentando a fragilidade das relações e práticas sociais, transformando o seguro em instável, das tecnologias aos significados, do trabalho à arte, dos valores às verdades. Através dos trabalhos aqui apresentados, partimos do pressuposto de que a arte, mesmo enquanto expressão da cultura, reflete esta lógica de precariedade do mundo e, portanto, apresenta-se como uma ferramenta poderosa para uma compreensão crítica do contemporâneo tal como o partilhamos. Vilar: “A arte não é apenas uma espécie de espelho de um mundo em que a precariedade reina cada vez mais, mas é também um meio de refletir essas realidades.” 230.

A questão da incerteza regressa aqui como conceito ou atitude crítica, que nos obriga a pensar nos aspectos intoleráveis ​​da sociedade em que vivemos.

Arte e precariedade no Brasil: entre o local e o global

Atualmente, esta relação entre arte e política configura-se como uma questão para os artistas que se preocupam em “desenvolver um processo de contestação dentro de um sistema capaz de neutralizar e incorporar qualquer perturbação”232. Dos Anjos enfatiza que é possível participar de estruturas dominantes a partir de um lugar de submissão e questionamento, e a importância de tratar as propostas contra-hegemônicas não como reações, mas como respostas ou mesmo estratégias de resistência. De um projeto sobre pedreiros, Terrane se tornou um projeto com eles, baseado principalmente em aprendizados e experiências que transformaram não só o escopo do trabalho, mas também a própria obra de Ana Lira.

Ou seja, um pano, mesmo que rasgado, e um pé, mesmo que cheio de sujeira, já criam a força de um discurso. Ou seja, a ideia de uma realidade precária seria quase um pleonasmo, uma repetição dela. Caminhar não se limita a um movimento simples, ordinário ou banal nos caminhos do artista, é um gesto poderoso que desestabiliza as estruturas atravessadas pelo caminho.

Uma ação é revolucionária ou não pelo sentido que adquire no contato com o mundo; Não é a intenção do artista, mas a situação que determina o sentido de uma ação. Este é um embate que vemos na arte e que é urgente pela necessidade de corpos libertados do projeto normativo que faz parte do domínio dos corpos enquadrados para a morte em vida. Em última análise, promovem a reinvenção de um modo de ser e de existir, através de experiências ressignificadas na arte (e na prática cotidiana), potencial ético-político de emancipação e resistência.

Referências

Documentos relacionados

não apenas no Brasil, mas na América Latina como um todo 28 – encontra-se em estratégias de deslocamento do objeto de arte e do lugar e função do artista que, em casos exemplares