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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Tais instituições e formas de expressão dificultaram o diálogo entre a ciência e outros saberes. Compreender Santos (2010) abre, portanto, perspectivas para identificar novos pensadores que possam contribuir para a pesquisa acadêmica. Na realidade, o poder colonizador emerge entre aqueles que se recusam a olhar para além do seu próprio espelho.

Quilombos

É muito comum encontrar no Brasil – mas também vimos isso em Angola – quilombos, localizados em planaltos ou morros, próximos a rios ou outros caminhos naturais, com um clima muito específico, onde as condições do sol e de outras estrelas criam uma sensação de espaço aberto, diríamos, oceânico e infinito. Segundo o autor “[..] os quilombos se afastam do modelo africano e buscarão um caminho que se adapte às suas necessidades no território brasileiro” (NASCIMENTO, B., 2006, p. 120). Os de grande porte foram encontrados em morros e periferias de centros urbanos, como Catumbi, Corcovado e Manuel Congo – todos localizados no Rio Imperial de Janeiro.

Para Campos (2010), na época imperial, a cidade do Rio de Janeiro era a mais populosa, e grande parte dela era formada por negros escravizados. Segundo documentos das autoridades policiais do Tribunal (CAMPOS, 2010, p. 34), existiam quilombos localizados no Rio de Janeiro próximos às matas da Tijuca, Andaraí, Inhaúma, Irajá, Engenho Velho e no distrito de Alagoa. O autor, com base na pesquisa de Algranti (1988), concluiu que muitos negros escravizados fugiram para a cidade do Rio de Janeiro, onde houve grande número de alforrias.

Permanecer na prisão foi a forma que encontraram para resistir e não serem deslocados da cidade do Rio de Janeiro. O crescimento da população negra no Rio de Janeiro também fortaleceu o crescimento e a expansão dos quilombos pela cidade que, além da resistência contra o regime colonial escravista, salvou o modo de convivência nas aldeias, semelhantes às aldeias da África , Como mencionado anteriormente.

Abolição

Os negros continuaram completamente abandonados, principalmente porque junto com a abolição veio o plano de embranquecimento da população, já que o número de negros no Brasil superava o número de brancos. Os negros pressionaram pelo direito de viver fora da casa do seu senhor, vendo essa conquista como um passo, pelo menos simbolicamente, no caminho para a liberdade (CHALHOUB, 2017, p. 33). Contudo, houve uma deterioração da habitação na cidade entre 1870 e 1880, devido ao número de imigrantes portugueses destinados ao setor comercial.

Com a imigração, aumentou o número de cortiços, cujos ocupantes também eram brancos, portugueses e negros, brasileiros e africanos. O poder político e a sociedade de classes dominantes tinham consciência de que os cortiços eram locais de residência dos negros da época: libertos ou escravos. Na verdade, o contexto histórico em que o conceito de 'classes perigosas' foi adotado no Brasil fez com que os negros se tornassem os suspeitos preferidos desde o início."

O anúncio dizia ainda que o governo estava preparado para utilizar “meios mais enérgicos” para cumprir as determinações do inspector. Chalhoub (2017) relata que, três dias antes do poder público agir para demolir o apartamento mais famoso, os proprietários receberam um telefonema da “Inspetoria Municipal” para providenciar o despejo dos moradores e a demolição do chamado “pequeno”. . casas".

Surgimento das favelas

Além disso, segundo o autor, “A forma de atingir esse objetivo foi por meio de uma ‘biblioteca ambulante’ e da formação de intermediários de leitura da própria população local – chamados de ‘agentes de leitura’, que atuavam de forma voluntária”. O trabalho incluiu a organização do acervo de livros, a gestão do espaço e a mediação da leitura (MACHADO, 2008, p. 81). Contudo, pesquisas destacadas por Machado (2008) mostram que outras ações contribuíram para a inauguração de espaços de leitura em diferentes partes do país.

O foco em projetos de leitura voltados para jovens e adultos, segundo a pesquisa do autor, ficava em segundo plano. Criação e apoio de salas de leitura, bibliotecas circulantes e “pontos de leitura” (autocarros, carrinhas, vagões, comboios, barcos, etc.). O programa Mais Cultura, juntamente com a criação e expansão dos Pontos de Cultura, deu origem aos Pontos de Leitura.

Sobre o programa Prazer em Ler do Instituto C&A, Teles (2018) destaca o fato de ser uma fundação privada que atua em diversos municípios do Brasil e contribui com bibliotecas comunitárias e centros de leitura. Elisa Machado (2016) participou junto ao Programa na formação de mediadores de leitura e debateu em reuniões com representantes de bibliotecas de diversas partes do país.

Tabela 1 - Planos e projetos de incentivo à leitura no início dos anos 2000 no Brasil 4
Tabela 1 - Planos e projetos de incentivo à leitura no início dos anos 2000 no Brasil 4

O que diferencia biblioteca comunitária de biblioteca pública?

A coordenação entre agentes governamentais e não governamentais pode fortalecer a implementação de práticas de leitura, como é o caso das bibliotecas comunitárias. Este surgimento de bibliotecas comunitárias desviou-se do perfil tradicional da biblioteca pública e criou novas estratégias operacionais; atrair novos leitores nessas periferias e favelas como “resistência contra-hegemônica”, como aponta Machado (2008, p. 51). Esta citação delineia algumas diferenças entre bibliotecas comunitárias e bibliotecas populares de bairro localizadas em grandes cidades.

As bibliotecas comunitárias são, portanto, criadas de forma mais independente por indivíduos que vivem no mesmo local, sem necessariamente haver qualquer ato legal ou política pública que as incentive. Das bibliotecas comunitárias que visitei, percebi antes desta pesquisa que eram espaços abertos com disponibilidade de empréstimo e na maioria as atividades de mediação de leitura eram voltadas para crianças. Todos os livros foram colocados em círculo numa sala com mesas no meio; esses livros estavam à disposição das crianças, para que elas pudessem manuseá-los e escolher o que queriam; Essa organização sala-espaço era semelhante em outras bibliotecas comunitárias.

Este paralelo pode desvendar o desempenho das bibliotecas comunitárias em 2021 e o que os criadores mantiveram ou alteraram. Segundo pesquisa de Machado (2008), foram identificados vários caminhos que levaram à inauguração do projeto de bibliotecas comunitárias.

Tabela 2 - Comparativo entre bibliotecas públicas e bibliotecas comunitárias
Tabela 2 - Comparativo entre bibliotecas públicas e bibliotecas comunitárias

Os planos e leis de incentivo à leitura na atualidade

Falta-nos comunidade porque nos falta segurança, qualidade básica para uma vida feliz, mas que o mundo que habitamos é cada vez menos capaz de oferecer e mais relutante em prometer” (BAUMAN, 2003, p. 129). Porém, viveremos sempre em busca de uma comunidade para nos sentirmos melhor acolhidos entre as pessoas. “Comunidade” é hoje outro nome para o paraíso perdido – mas um nome que ansiamos recuperar, por isso buscamos febrilmente os caminhos que podem nos levar até lá” (BAUMAN, 2003, p. 9).

Contudo, Bauman (2003) indica o que queremos dizer quando pensamos em comunidade: “As palavras têm significado: algumas delas, porém, contêm sensações. Bauman (2003, p. 9) enfatiza que queremos vivenciar essa união, tipicamente de um “paraíso perdido”, mas que estaremos sempre nessa busca. Mesmo aquelas comunidades tradicionais e antigas devem passar por uma luta constante para que não haja nenhuma “invasão” externa que afete o que é vivido naquela comunidade.

Bauman (2003) faz uma análise filosófica baseada em outros pesquisadores sobre o conceito de comunidade, enquanto Somé (2007) o faz com base em suas experiências em uma comunidade fora de Dagara. Para Bauman (2003, p. 9) a palavra comunidade é “[..] o tipo de mundo que infelizmente não está ao nosso alcance – mas que gostaríamos de viver e esperamos possuir”.

Coletividade: herança da ancestralidade

Acho que a espiritualidade presente nas comunidades tradicionais apresentada por Somé (2007) traz às pessoas uma forma de estar no mundo em meio à natureza e em conexão com os outros, como comunidade, aqui no Brasil e mais especificamente nas favelas, é reflete a prioridade da comunidade sobre a relação entre os sujeitos. Com base em Somé (2007), posso lembrar de comunidades em território brasileiro como as favelas. Fora da comunidade onde morava, conheci uma biblioteca que oferecia livros e obras para crianças e adolescentes e acolhia mulheres puérperas ou que enfrentavam falta de informações sobre saúde.

Aí ele falou: “por que, aos 40 anos, você não coloca o fato de que você já quer organizar, como coordenador de uma ONG, de um espaço assim, está tudo bem pelo Pitanguy e tal, mas continue e viva aqui onde você mora. O seu trabalho inspira os jovens e as crianças que visitam a biblioteca e apoia o que podem alcançar nas suas vidas, tanto no trabalho dentro como fora da comunidade. O objetivo de Tatiana era permanecer na comunidade; Outros tiveram o objetivo de deixá-lo para trás na vida e elogiá-lo em tudo o que vivenciaram, como foi o meu caso ao escrever esta dissertação.

Não foi algo que nos foi comunicado divinamente e que começamos a perseguir e que sentíamos de uma forma que tem pouca explicação. Se quiser haver uma comunidade no mundo dos indivíduos, ela só pode ser (e deve ser) uma comunidade tecida pela partilha e pelo cuidado mútuo.

Afinal, o que é mediação de leitura?

Por um tempo, em 2018, resolvi visitar toda semana a biblioteca do Morro Azul, pois queria acompanhar de perto o trabalho e ver como estavam acontecendo as mediações de leitura. Neste capítulo, delineio a concepção do que é a leitura mediadora naquele espaço, feita pelos agentes entrevistados. Segundo o autor, qualquer pessoa pode se tornar mediador de leitura em ONGs, escolas, hospitais e bibliotecas, inclusive nas regiões mais negligenciadas.

Para complementar a análise de Petit (2010), Rosa (2017, p. 31) aborda: “Os mediadores de leitura – bibliotecários, professores, pais e agentes de leitura – devem contar histórias para a alegria dos ouvintes, e a história como oferta de abraço fraterno. A tensão, muitas vezes vivenciada nos espaços escolares, criada pelos professores que desejam “manter” um livro sempre novo, aliada à tensão dos alunos em atender às expectativas curriculares, sufocam os afetos que estão naturalmente envolvidos nas práticas de leitura. Se a leitura, objeto livro, estimula a compreensão crítica e a imaginação nas crianças, como seria se tivéssemos políticas governamentais amplas voltadas para atividades de leitura criativa e criativa com crianças, jovens, adultos e idosos?

Como poderia ser realizada a mediação de leitura com adultos, o que incentivaria novos leitores e os estimularia a continuar o processo de formação retomando a educação que em muitos casos não possuem? A potência do afeto mobilizada pelo comunitarismo e que a biblioteca revela, além do valor da mediação de leitura que realiza, revela mais do que todos esperamos de um espaço forjado na luta, nas necessidades e no abandono da política de Estado.

Figura 1 - Biblioteca Casa das Letras
Figura 1 - Biblioteca Casa das Letras

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Tabela 1 - Planos e projetos de incentivo à leitura no início dos anos 2000 no Brasil 4
Tabela 2 - Comparativo entre bibliotecas públicas e bibliotecas comunitárias
Figura 1 - Biblioteca Casa das Letras
Figura 2 - Leitura da ilustração
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Referências

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