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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Gênero, divisão sexual do trabalho e serviço social” o papel das relações de gênero no processo de institucionalização do Serviço Social Brasileiro. No terceiro capítulo, fazemos a mediação entre a compreensão das relações patriarcais de gênero e o Serviço Social.

A constituição da divisão sexual do trabalho

Ele argumenta então que devemos compreender a objectividade da divisão do trabalho por género nas formas de controlo dos instrumentos de produção. A tradição feminista materialista francesa compreendeu a base estrutural das relações sociais de género na divisão do trabalho por género.

A Divisão sexual do trabalho e o modo de produção capitalista

A relação entre o capital e o trabalho sob o modo de produção capitalista

Desconsiderando o valor de uso dos corpos de mercadorias, resta-lhes apenas uma característica: a de serem produtos do trabalho. Este não é um aspecto que possa ser reduzido à alienação dos produtores e do produto do seu trabalho.

Divisão sexual do trabalho e desenvolvimento capitalista

Mandel (1982) capta um duplo aspecto no processo de inserção das mulheres no mercado de trabalho. Desta forma, fica claro que a inclusão das mulheres no mercado de trabalho significou mudanças tanto no tamanho da força de trabalho como na dinâmica do exército industrial de reserva.

Tendências contemporâneas da divisão sexual do trabalho

Dadas estas considerações, a divisão sexual do trabalho pode ser vista como desempenhando um papel fundamental no capitalismo contemporâneo. Se a divisão sexual do trabalho é uma condição necessária para a sobrevivência das relações patriarcais de género, ela, por sua vez, não termina com esta observação.

A categoria gênero e suas implicações teóricas e políticas

Por outras palavras, assumimos que o estudo das relações sociais entre os sexos não pode deixar de explicar as relações de opressão entre homens e mulheres. Neste sentido, a compreensão das relações de género não se limitará a avaliações neutras e genéricas, pois está relacionada com a forma como se formam as relações de dominação/exploração.

Relações patriarcais de gênero: a construção de uma alternativa analítica. 61

Tendo em mente a relevância da divisão sexual do trabalho e da propriedade privada, é necessário rever algumas contribuições para compreender a sua relação como elementos básicos das relações patriarcais de género. Portanto, o trabalho e a divisão sexual do trabalho são categorias essenciais para compreender o debate sobre as relações patriarcais de género. Compreender a totalidade da realidade social requer, portanto, compreender as relações sociais de género (incluindo sexualidade), raça e classe.

Assim, ao definir alguns pressupostos para a compreensão das relações sociais entre os sexos do ponto de vista ontológico, estabelece-se que é necessário partir do desenvolvimento histórico do ser social e assim procurar conexões que traduzam a gênese da dominação relações - pesquisa. O heterossexismo organiza a forma como homens e mulheres vivem a sua sexualidade e é, portanto, um dos pilares fundamentais das relações patriarcais de género.

Perspectivas de análise da articulação das relações patriarcais de gênero,

Patriarcado-racismo-capitalismo: dinâmica da exploração/dominação no

Apesar dessa constatação, é indiscutível o pioneirismo de Saffioti na análise do patriarcado-racismo-capitalismo na realidade brasileira. Para Saffioti, gênero, classe social e raça/etnia são subestruturas de um “nó/cisão” formado a partir da conjunção patriarcado-racismo-capitalismo. Como podemos separar o patriarcado, o racismo e o capitalismo se na prática, na realidade quotidiana, na luta diária pela sobrevivência, não é possível a estes três sistemas de dominação-exploração que ao longo da história.

Na realidade concreta são inseparáveis, pois através deste processo simbiótico foram transformados num único sistema de dominação-exploração, aqui denominado patriarcado-racismo-capitalismo. Ou seja, o autor dá subsídios à luta social que visa a emancipação da humanidade, ao mesmo tempo que nos explica que, sem reconhecer a natureza deste nó, é impossível derrotar este sistema de dominação e exploração, uma vez que “a concepção de patriarcado-racismo-simbiose-capitalismo muda completamente a estratégia de luta da classe trabalhadora” (SAFFIOTI, 1987, p. 94).

A perspectiva francófona da “consubstancialidade das relações sociais de

Exemplo disso são as indicações de Falquet (2008), que enfatiza a necessidade de repensar as relações sociais de sexo, “raça”/etnia e classe diante das condições impostas pela “globalização neoliberal”. As mudanças no mundo do trabalho são problematizadas não apenas como desdobramentos das relações entre classes, mas também a partir das relações sociais de sexo e “raça”/etnia. É nos termos apontados, especialmente por Falquet (2008) e Kergoat (2010), que a noção de cosubstancialidade das relações sociais pode ser compreendida.

Kergoat (1986) já notava os esforços do feminismo materialista francês para desenvolver novas (ou antigas) ferramentas/conceitos de análise, capazes de captar a dinâmica das relações sociais. Desta forma, entendemos que a perspectiva da consubstancialidade das relações sociais contribui para a recuperação, no plano teórico e político, da necessidade de relacionar género, ‘raça’/etnia e classe em processos que visam a transformação social.

Materialismo histórico dialético e feminismo: uma relação profícua

A contribuição de Lênin e o feminismo socialista

Em suma, a questão do lazer é essencial para pensar a libertação das mulheres da sua subordinação histórica. Lenine sublinha que os Estados democráticos europeus, considerados mais avançados e desenvolvidos, foram incapazes de fazer progressos nos direitos das mulheres. Para Lenine, a igualdade de facto é necessária, incluindo a participação das mulheres na gestão das empresas públicas e da administração estatal.

Lenin explica a necessidade de expandir a participação das mulheres na política, independentemente de pertencerem ao seu partido. O primeiro passo da Revolução Russa foi a revogação de toda a legislação que legitimava a subalternidade das mulheres.

A emergência do Serviço Social no Brasil

Determinações da divisão sexual do trabalho e o Serviço Social no Brasil

Feitas essas considerações, acreditamos que seja relevante na historiografia verificar o processo de inserção da mulher no mercado de trabalho. Mandel (1982) compreende o trabalho das mulheres após a década de 1950 sob dois ângulos: primeiro, ele observa grandes flutuações nas mulheres no mercado de trabalho. Em suma, a autora destaca que no Brasil o processo de institucionalização do serviço social envolveu uma estreita ligação entre o papel social da mulher e o papel da profissão na sociedade.

A mercantilização da força de trabalho das mulheres coloca-as num nível diferente daquele relegado ao espaço doméstico. Pelo contrário, a colocação priorizada das mulheres na esfera reprodutiva, particularmente no que se refere ao trabalho doméstico e à expansão do setor de serviços como alternativa de trabalho para as mulheres brasileiras a partir da década de 1930, pode ser uma chave de análise que explique os personagens do divisão sexual do trabalho no Serviço Social.

O Serviço Social como especialização do trabalho coletivo inserido na

Procuraremos então abordar a compreensão da ocupação como trabalho e a sua inserção na divisão social do trabalho. Assim, entendemos que esta interpretação da citação marxiana pode contribuir para a compreensão do Serviço Social (bem como de outras práticas profissionais) como uma especialização do trabalho coletivo inserida na divisão social e técnica do trabalho. Isto significa reconhecer a natureza coletiva e social do trabalho e, portanto, compreender como o Serviço Social se enquadra nos diferentes processos de trabalho.

Para isso, recria a concepção marxista do processo de trabalho e do papel do trabalho nos serviços. A proliferação do trabalho no sector dos serviços corresponde às necessidades do capitalismo monopolista, tal como a profissionalização dos serviços sociais.

Atual projeto profissional crítico e feminismo

A renovação do Serviço Social no Brasil

É importante notar também que a crise do Serviço Social na América Latina não pode limitar-se às fronteiras da profissão. Com este cenário, criam-se as condições necessárias para promover o desafio dos fundamentos do Serviço Social tradicional. A partir dessas duas condições mencionadas podemos compreender a erosão dos alicerces do Serviço Social tradicional no Brasil.

O processo de secularização do Serviço Social assumirá assim particular importância no que diz respeito à renovação da profissão. Erodidos os alicerces do Serviço Social tradicional, Netto (2011, p.154) destaca três aspectos principais que se desenvolveram no processo de renovação da profissão.

O atual “Projeto Ético-Político” do Serviço Social: tensões e desafios

Assim, o Código de Ética de 1986 confirma o compromisso dos serviços sociais brasileiros com os interesses da classe trabalhadora. O atual projeto ético-político do serviço social tem sido geralmente analisado em termos dos seus pilares fundamentais. A abordagem do serviço social às lutas feministas é um factor importante a considerar.

Portanto, a década de 1980 é um momento privilegiado para refletir sobre a relação entre o atual projeto profissional de serviço social e o feminismo. Desta forma, pensar a relação entre serviço social e feminismo procura também identificar o papel que os ‘estudos de género’ desempenharam na década de 1990.

A produção do conhecimento no Serviço Social e suas particularidades

A interlocução do Serviço Social com o campo de estudos feminista

No entanto, dizer isto é também sublinhar que as relações patriarcais de género e a divisão sexual do trabalho são centrais para compreender a forte presença feminina na profissão, bem como as suas características subalternas. Para que a categoria profissional consiga avançar no seu cotidiano de trabalho, é fundamental conseguir desvelar a teia de relações patriarcais de gênero que muitas vezes são invisíveis no trabalho, nas políticas sociais e na vida singular de cada usuário. Se por um lado se sabe que não falta a discussão das relações de gênero no campo do Serviço Social, por outro se sabe que ainda há muito a amadurecer em relação ao tema.

De forma contraditória, a década de 1990 expressou um cenário de maior possibilidade de os Serviços Sociais compreenderem os problemas que se desenvolvem a partir das relações patriarcais de género. Além das imposições das relações patriarcais de género, existem também resistências explícitas e/ou silenciosas.100 Compreender este processo implica observar os elementos de continuidade e ruptura.

A construção teórico-metodológica da pesquisa

Para este estudo não utilizaremos os grupos de pesquisa vinculados aos programas de pós-graduação em economia doméstica da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco. A determinação de grupos de pesquisa vinculados a instituições de ensino com programas de pós-graduação na área de Serviço Social não foi acidental. Diante das questões levantadas, conforme mencionado acima, selecionamos grupos de pesquisa localizados em instituições de ensino que possuem programas de pós-graduação na área de Serviço Social.

Nesse sentido, optamos por realizar um estudo sobre as falas dos líderes dos grupos de pesquisa cadastrados no CNPq. Resultado da pesquisa Temporalis Famílias, política social e violência contra a mulher 2013 Travestis e segurança pública: atuação de gênero.

A produção do conhecimento a partir das áreas temáticas

  • Organização das mulheres e reflexões feministas
  • Trabalho
  • Família, políticas sociais e violência contra as mulheres
  • Sexualidade e identidade de gênero
  • Serviço Social

Na sua análise, a autora procura incorporar uma “perspectiva de género” que, por sua vez, permitiria que a história, a sociedade, a cultura e a política assumissem um novo significado a partir da perspectiva da mulher. Ao incorporar a chamada “perspetiva de género”, Lisboa (2002) procura especificar a análise do papel das mulheres nos fluxos migratórios. Portanto, o processo de emancipação das mulheres não termina na luta que se limita ao quadro da sociedade capitalista.

A autora busca evidenciar a forma como as mudanças no campo (com o avanço do agronegócio) interferem na vida das mulheres. Contudo, Coelho (2002) também observa que a inclusão das mulheres no mercado de trabalho representa um avanço importante.

Tabela 8 - Quadro de artigos selecionados por periódico e área temática
Tabela 8 - Quadro de artigos selecionados por periódico e área temática

A compreensão das categorias que subsidiam a discussão das relações

Divisão sexual do trabalho e patriarcado

Utilização das categorias gênero, relações sociais de sexo e/ou relações

Perspectivas de articulação das categorias classe, “raça”/etnia com as relações

A análise do Serviço Social a partir do “gênero”

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Tabela 8 - Quadro de artigos selecionados por periódico e área temática

Referências

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