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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas) - Faculdade de Educação Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, 2017.

De Bitita à Elis: os cabelos como marcadores de identidade étnica

Segundo Seyferth (2002, p.17) “os sentimentos e práticas típicos do etnocentrismo e do racismo foram configurados no pensamento ocidental muito antes do conceito de raça e do evolucionismo cultural no século XIX”. Podemos, portanto, considerar que antes mesmo do surgimento do conceito de raça e racismo já existia a prática de categorizar e hierarquizar as pessoas pelas diferenças.

O cabelo crespo como marca positiva para a construção da identidade negra

Mesmo sendo tão pequenos, eles já estão ficando mais fortes.” O empoderamento coletivo presente na fala do afroempreendedor nos remete ao conceito de etnicidade, que por sua vez está relacionado ao sentimento de pertencimento a um grupo organizado por uma etnia. Essas ações são baseadas em qualidades semelhantes e no respeito por elas para criar um senso de unidade.

Políticas de valorização da diversidade, educação e novas TICs

Outros ativistas que utilizam as redes sociais como meio de divulgação de suas ideias e práticas voltadas para questões raciais também realizam atividades nas escolas. A Internet 2.0 ampliou as possibilidades de interação entre os indivíduos, com as redes sociais se tornando arenas de discussão, articulação e disseminação de ideias. Os movimentos sociais têm utilizado as redes como um meio adicional para amplificar e divulgar as suas reivindicações.

No nosso tempo, as redes de comunicação digitais, multimodais e horizontais são as ferramentas mais rápidas e autónomas, interativas, reprogramáveis ​​e amplificadoras de toda a história. Ao mediar interações que favorecem os movimentos de resistência, as redes sociais são muitas vezes colocadas num nível de resgate em que as hierarquias na comunicação e na informação se quebram.

Atuação por meio das redes

Nesse contexto, ganhou força o Movimento Negro Unificado, que tinha como estratégia a organização e articulação de unidades de combate antirracistas em nível nacional. Se comparado ao momento atual, existem indivíduos que são reconhecidos como parte integrante do movimento negro sem necessariamente participarem pessoalmente de reuniões, coletivos ou unidades. Existem pessoas que fazem parte de grupos antirracistas que usam a internet, escrevem blogs com conteúdos que visam valorizar a negritude, mas isso não significa automaticamente que essa pessoa participe presencialmente das ações do movimento.

O blog Cultura Upload

As novas tecnologias da informação e comunicação como ferramentas de

Quando se pensava que os grupos de mídia não resistiriam à popularização das tecnologias digitais e à liberdade de expressão na Internet, o contra-ataque veio incorporando as próprias estratégias que os ameaçavam: conteúdo gerado pelos usuários, serviços de comentários, retuítes, enquetes, blogs e tudo mais. sabores de "social". redes". Porém, o que os estudos mostram é que esse “escurecimento” ocorreu devido a um contexto em que foram criadas políticas públicas para valorizar a negritude da população afro-brasileira. Quando, por exemplo, partilhamos um passado, tradições, ascendência e cultura, um grupo cria laços e características comuns que os distinguem dos outros.

Desta forma, a etnicidade teria a função de fortalecer estes laços que mantêm os grupos unidos e que os ajudam a confrontar e fazer frente a outros grupos na esfera pública. O que observamos até agora é que os afro-brasileiros desenvolveram estratégias para superar as desvantagens que o racismo cria.

Das redes para espaços físicos

Os encontros são abertos a todos os interessados, embora a maioria do público seja feminina, talvez pelo fato de grupos de internautas estarem se formando em torno do tema cuidado e valorização dos cabelos cacheados. Não é incomum que membros de grupos de discussão do Facebook questionem se o ativismo nas redes é legítimo e se tem algum impacto real na comunidade negra. Estabelecem assim uma cultura participativa, em que todos contam e todos trabalham juntos, ou seja, uma cultura integradora, assimilativa, uma cultura de convivência que se desenvolveu de acordo com as exigências impostas pelos esforços dos participantes.

É uma cultura em que os seus membros acreditam que as suas contribuições são importantes e desenvolvem um certo grau de ligação com os outros, de modo que o que os outros pensam ou devem pensar sobre o que cada um cria é de grande importância, por mais trivial que seja. . As ferramentas de formação destes activistas também são um ponto a considerar, uma vez que as redes sociais também mediaram a sua aprendizagem através de posts em blogs, grupos de discussão e vídeos.

Figura 1. Encrespa Geral RJ – Dezembro de 2015. Fonte: Facebook 30
Figura 1. Encrespa Geral RJ – Dezembro de 2015. Fonte: Facebook 30

Ativismo digital para as ações educativas presenciais

Na Escola “Ubuntu”, por meio de discussões com professores, alunos e gestores, analisarei os avanços obtidos em relação à implementação da lei 10.639/03 e como esta lei tem afetado a dinâmica cotidiana da instituição. No dia 25 de junho de 2016, o jornal “O Extra”37 noticiou sobre uma escola que desenvolvia uma atividade onde os alunos pintavam o corpo com tinta preta, conforme texto divulgado na página da escola “para expressar a experiência da cor preta para vivenciar ". Antes de chegar nesta escola, houve diversas experiências de oficinas em escolas públicas, e me interessei primeiramente pela etnografia das oficinas da Escola “Paraíso” da cidade de Niterói, pois foi a primeira escola em que desenvolvi atividades relacionado à questão racial, e também, por criar uma relação afetiva com a escola.

No ano seguinte voltei à escola “Paraíso” para ministrar oficina de turbante e boneca Abayomi nas turmas do ensino fundamental. Os professores arrecadaram tecidos, alguns compraram e outros pediram doações. Neste ponto descreverei as oficinas de turbantes e bonecas Abayomi realizadas na escola “Ubuntu”. A escola “Ubuntu” está localizada no centro do concelho de Mesquita e oferece ensino pré-escolar e primário.

Em maio de 2016 retornei à Escola “Ubuntu” para desenvolver a oficina da boneca Abayomi com a turma da professora “Thalita”, ela deu continuidade à turma do ano anterior, o que foi favorável para a continuidade do desenvolvimento da observação das oficinas.

Figura 2. Imagem que associa o cabelo crespo à esponja de aço.
Figura 2. Imagem que associa o cabelo crespo à esponja de aço.

Lutas do movimento negro pelo direito a educação: nossos passos vêm de

As ações afirmativas no ensino básico

Em 1997, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) trouxeram a discussão sobre a valorização da pluralidade sociocultural brasileira para o campo educacional. Dado que a educação escolar tem esse potencial de transformação social, a política pública de educação focada nas questões raciais é uma forma de reverter o quadro de desigualdades historicamente construídas, por meio da educação ou da falta de acesso a ela. A Lei 10.639/03 assegura o ensino da história e da cultura afro-brasileira em todo o currículo escolar e altera a Lei de Diretrizes e Fundamentos da Educação Nacional.

Além disso, fazer da educação um instrumento para reconstruir a autoestima de indivíduos que historicamente conviveram com a exclusão e a falta de oportunidades devido ao racismo que conferiu à população negra uma posição de inferioridade. Com a implantação da obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira, a sala de aula passa a buscar alternativas para cumprir efetivamente a legislação.

O corpo negro no ambiente escolar: Ressignificar é preciso

Vemos que ainda hoje o corpo negro é apresentado de forma estereotipada no ambiente escolar, ou entendido como inadequado. A seguir, divulgo algumas notícias que, pela grande repercussão nas redes sociais, chegaram a portais importantes e mostram como se estabelece a relação entre o corpo negro no ambiente escolar. Associar cabelos cacheados com lã de aço reforça o estereótipo de que cabelos cacheados são “cabelos bombásticos”.

Este evento criou um grande burburinho na página da escola no Facebook, onde os internautas ficaram indignados e postaram sobre o ato de blackface38 da escola, que é uma prática. 37 http://extra.globo.com/noticias/brasil/escola-pinta-criancas-com-tinta-preta-em-atividade-e-acusada-de-racismo-na-internet-16549779.html.

Proposta pedagógica: oficinas de boneca Abayomi

A estética afro-brasileira

Proposta pedagógica: oficina de turbantes

1º momento: Exibição do vídeo “Meu cabelo é expressão do meu poder”48 (com alunos do ensino médio exibindo também o vídeo “Eles gritaram preto comigo”49). Há situações em que as escolas não possuem data show e isso altera o roteiro da oficina. Quando isso acontece, lê-se apenas a história: “Cabelo do Lelê”. 2º momento: Os participantes são motivados a se olharem no espelho e se apresentarem como se sentirem confortáveis.

E depois de oferecidas as chicotadas, eles são incentivados a amarrar a cabeça dos demais colegas. Na maioria das vezes, os professores se dispunham a resolver situações e participar de oficinas e organizar os alunos em grupos quando as salas estavam lotadas.

Entre cores e tecidos: algumas experiências das oficinas

Cheguei a esta escola em 2014, através da coordenadora, que após ler meus textos publicados nas redes sociais e ver fotos da minha participação em eventos de valorização da estética negra, como o “Encrespa Geral”, me pediu para ir à escola . e converse com os alunos sobre “Beleza Negra”. Nesse momento da conversa houve muita comoção, os alunos levantaram-se curiosos para tocar no meu cabelo. Em outro momento, ela havia realizado uma atividade em que perguntava como os alunos se declaravam e apresentava mais de vinte variações de cores, algumas como: “marrom claro” e “chocolate” e relatou que durante a inscrição os pais são questionados sobre qual grupo racial onde os filhos pertencem e disse ter forte adesão à categoria parda, apesar de considerar muitos deles como negros.

Ao final da oficina, os alunos tocavam nos bonecos de pano e algumas meninas brincavam com eles. Os professores se mostraram muito dispostos a discutir o tema e, meses depois de eu ir para a escola, me enviaram fotos no Facebook da encenação do livro “Bela Menina com Fita” de Ana Maria Machado (1994), que fizeram com o estudantes.

A escola “Ubuntu”

Combinando as redes pública e privada, Mesquita possui 67 escolas primárias, 14 escolas secundárias e 44 escolas de educação infantil. Embora o questionário de matrícula inclua a autodeclaração racial, a secretaria nunca coletou esses dados. As turmas de educação infantil e primeiro segmento do ensino fundamental funcionam na instituição, organizadas em 8 turmas no período da manhã e 8 no período da tarde.

O primeiro contato com a escola “Ubuntu”

Gomes (2002) descreve que: “o cabelo carrega uma forte marca de identidade e em algumas situações é visto como sinal de inferioridade”. A consultora acrescenta que acredita que os professores não lidam suficientemente com as questões culturais afro-brasileiras devido ao medo de conflitos com os pais que associariam questões culturais à religiosidade de origem africana. A intolerância religiosa associada às doutrinas africanas também representa um desafio ao ensino da cultura afro-brasileira na escola.

Uma etnografia de cabelos cacheados como marcador de identidade étnico-racial entre crianças negras em idade pré-escolar.” descreve como pais, alunos e funcionários lidam com cabelos cacheados na creche. A autora afirma que: “A estruturação do racismo cria uma divisão social entre brancos e negros que acaba se arraigando na vida dos indivíduos.

Figura 9. Oficina de turbantes na Escola “Ubuntu”.
Figura 9. Oficina de turbantes na Escola “Ubuntu”.

Oficina de Abayomi na escola “Ubuntu”

Ao final da apresentação sentamos em roda e a professora perguntou o significado do nome “Abayomi”, expliquei que significava “encontro precioso” em algumas culturas. Abri a fala para que os alunos pudessem dizer o que acharam da oficina ou perguntar qualquer coisa. Para um trabalho conjunto eficaz, as ações devem ser combinadas com práticas escolares verdadeiramente comprometidas com a eliminação do racismo e a valorização da cultura afro-brasileira.

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação nas Relações Étno-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Sobre etnia, etnia e cultura afro-brasileira no sistema educacional brasileiro em educação e etnicidade: diálogos e repensamentos.

Figura 10. Alunas da escola “Ubuntu” com a boneca Aisha.
Figura 10. Alunas da escola “Ubuntu” com a boneca Aisha.

Imagem

Figura 1. Encrespa Geral RJ – Dezembro de 2015. Fonte: Facebook 30
Figura 2. Imagem que associa o cabelo crespo à esponja de aço.
Figura 3. Crianças se pintam com tinta preta para atividade escolar controversa.
Figura 4. Estudante reage à racismo e é obrigada a se desculpar.
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Referências

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Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ Doutor em Direito pela Universidade