Rolink, "Reprodução do espaço na periferia da Grande São Paulo como meio de reprodução da força de trabalho", cit. Estudos recentes, para ser mais preciso, incluindo (re)organização ou (des)organização, "Rotatividade e flexibilidade no mercado de trabalho no Brasil”. Apesar de representar 3,1% da força de trabalho em todos os países, o Brasil tinha 6,6% do desemprego global.
A massificação do desemprego revela em grande parte algo mais amplo que resulta do movimento geral de destruição do mercado de trabalho no Brasil. Como resultado, o grau de insegurança da força de trabalho aumentou novamente a partir da década de 1990. Outra questão importante é a extrema rotatividade e flexibilidade do mercado de trabalho no Brasil revelada por estudos recentes realizados pelo DIEESE a pedido da Secretaria de Políticas Públicas e Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego.
A rotatividade como fenômeno cíclico no mercado de trabalho formal no Brasil confirma vários aspectos importantes destacados na literatura, difundidos na sociedade e. A elevada taxa de rotatividade é um problema grave, que afeta o funcionamento do mercado de trabalho. Portanto, os efeitos das demissões sobre o volume do balanço desses fundos costumam estar associados a altas taxas de rotatividade no mercado de trabalho formal.
Dessa forma, a taxa de rotatividade revela a utilização da força de trabalho, expressa em relação ao estoque (população excedente relativa), por meio do intenso processo de contratação e demissão (ou exclusão) de trabalhadores no mercado formal de trabalho. Essa profunda mudança do ponto de vista institucional teve consequências no funcionamento do mercado de trabalho brasileiro, especialmente na rotatividade de funcionários. Do ponto de vista teórico, os autores tentam avançar as causas da rotatividade de funcionários no mercado de trabalho brasileiro.
Isso aconteceria devido ao baixo nível geral de escolaridade da força de trabalho brasileira. As diversas medidas, apesar do caráter pontual, contribuíram para alterar a forma de recrutamento e a determinação do uso do tempo e da remuneração do trabalho no Brasil, promovendo a flexibilidade numérica e funcional no mercado de trabalho. A lei permite que os trabalhadores se organizem entre si para formar uma cooperativa de trabalho e prestar serviços a uma empresa sem caracterizar o vínculo empregatício.
A empresa pode organizar a utilização do tempo de trabalho de acordo com os seus ciclos de produção durante o ano. Não devemos esquecer que o processo de aumento da flexibilidade dos direitos e a perturbação do mercado de trabalho formal também podem ameaçar as fontes de emprego.
O processo de segregação das sociedades modernas – Estado e o Mercado
Existem também outras causas para a persistência das desigualdades raciais, como o passado de exclusão e invisibilidade da população negra, o seu estado de pobreza e, sobretudo, a negação dos seus direitos que superam as diferenças e as relações pessoais. Os processos sociais e as hierarquias historicamente construídos constituem “fatos sociais” que não existem independentemente das suas representações. Podemos compará-lo ao moderno “Homo Sacer”105 proposto por Agamben, um ser cuja vida não vale nada, uma vida matável, uma figura enigmática, que se tornou obscura porque está fora dos limites de um suposto pacto social foi localizado e, portanto, , fora de qualquer ordem social e política.
Os “posses” são múltiplos e os sujeitos, mesmo que se definam como membros de uma comunidade maior, fazem parte de grupos que se classificam de acordo com. Depois de muitos estudos, parece que o Banco Mundial “descobriu” os processos pelos quais os países devem inexoravelmente passar para cumprir os imperativos. As exigências sociais crescentes face à crise do capitalismo contemporâneo, combinadas com o colapso da Europa de Leste na década de 1980, abriram finalmente o caminho para o surgimento da tese neoliberal do desmantelamento do Estado, como exemplo mediador da universalização do Estado. direitos e cidadania.
O que se observa é que quase sempre substituem a questão social como dimensão importante da nossa dinâmica social. Entendemos a questão da pobreza, sua extensão, ela se apresenta como produto de uma sociedade dividida em classes que se apropria das riquezas produzidas socialmente de forma muito desigual e, no Brasil, tem fortes determinações históricas que foram forjadas na cultura colonizadora da escravidão estigma. Pelo contrário, os desafios aumentam à medida que os processos económicos e sociais que estão na origem da perpetuação e perpetuação da pobreza e da miséria permanecem inalterados, ao mesmo tempo que proliferam novas fontes de insegurança económica e vulnerabilidade social.
A política social universal, ligada à educação e à saúde, ainda é insuficiente no estágio em que se encontra o Brasil para iniciar uma estratégia sustentável de desenvolvimento social com igualdade. São eles que passam da zona de vulnerabilidade social para a inexistência social, são eles que são considerados “inúteis para o mundo”. Agamben explica que se uma pessoa fosse assassinada nestas condições, não haveria punição para o assassino; na verdade, nem seria possível classificar como assassino o autor do homicídio (AGAMBEN, 2002, p. 90).
Na verdade, o mundo do trabalho livre que estruturará a vida social do Brasil republicano será profundamente marcado por dois pilares que sustentam a nossa construção social e que permaneceram firmes ao longo dos séculos: relações de trabalho precárias e desprotegidas e propriedade da terra altamente desigual. .
Ser pobre ser cidadão – assimetria de posições no Brasil moderno
No centro de um Brasil que se autodenomina moderno, aparece essa pobreza excessiva, incivilizada, segundo TELLES (2013). É nesse horizonte que a pobreza brasileira levanta o enigma de uma sociedade que quer democratizar-se, recém-saída de um longo período de discricionariedade, mas que não consegue traduzir os direitos proclamados em parâmetros mais igualitários. O que vimos, dados os limites impostos no universo explorado, foram figuras de pobreza despojadas de dimensões éticas e transformadas em natureza (paisagem), o que sugeria uma sociedade em que, aos olhos, se aplicam regras.
Esta experiência particular de cidadania divorciada da liberdade política, como valor e como prática efectiva, que se confunde e se reduz ao acesso aos direitos sociais, só pode ser explicada pela persistência de uma percepção dos direitos como uma dádiva de um defensor do Estado. Nesta articulação da tradição tutelar e das características de uma sociedade hierárquica e autoritária, encontra-se um obstáculo à dinâmica igualitária típica das sociedades modernas. É precisamente aqui que se define a questão da justiça, como garantia de igualdade que a desigualdade de posições sempre compromete.
Talvez aí encontremos respostas para este devir de uma sociedade que quer democratizar-se – a ausência de um espaço público democrático que dê visibilidade e legitimidade à conflituosa diversidade de interesses de classe, especialmente na luta por direitos. A pobreza é retratada de uma forma ou de outra e é sentida por muitos como algo externo ao mundo social real e, quando necessário, deve ser isolada, pois a sua erradicação é impensável. Como dizia a letra da balada dos Engenheiros do Hawaií que ouvia quando adolescente, “entre nossos lábios há um muro de concreto; Há um Muro de Berlim em mim.”
De acordo com Žižek, os muros de hoje são um ícone da erosão da soberania do Estado-nação e da (re)emergência da mentalidade fascista e neofascista como resultado da globalização. Muros como resultado da colonização mortal do imaginário, que por um lado expressa o fascismo que permeia veladamente as políticas públicas de segurança e/ou controle e uso da terra por muitos governantes (e em alguns casos eles nem têm consciência disso). fascismo). Por outro lado, a perseguição política – explícita ou encoberta – que atinge os pobres e desafortunados é uma expressão dos muros que os fundamentalistas constroem persistentemente na nossa consciência com a ajuda dos meios de comunicação social, que se tornam cada vez mais reféns do mercado. .
Nossos muros sugerem um distanciamento de um critério comum que estabeleceria alguma regra de equivalência entre as diferenças na diversidade de modos de ser das contradições de classe, para que a exclusão da cidadania ocorra ao mesmo tempo em que expressa, renova essa impossibilidade.
Pobreza e a crise de alteridade – a interdição do Outro
As reflexões que aqui desenvolvemos baseiam-se no pressuposto de que a segregação – característica fundamental da produção do espaço urbano moderno – é o seu negativo fundamental da cidade e da vida urbana. Criada como produto histórico da reprodução social, que, segundo a lógica da acumulação, essa produção concretiza a acumulação capitalista, cujos objetivos são levantados e impostos à vida e aos modos de uso do espaço. A produção do espaço urbano baseia-se, portanto, na contradição entre a produção social da cidade e a sua produção privada.
Na maioria das grandes e médias cidades brasileiras, onde a segregação assume sua dimensão mais profunda, fica claro que a transição do mundo alienado dos objetos (o processo de produção de bens que direciona as relações sociais) para a reprodução do espaço urbano em fragmentos como uma expansão do mundo das mercadorias em todas as áreas da vida como condição para a realização da reprodução capitalista. A produção do espaço urbano envolve diferentes níveis de realidade com diferentes momentos de reprodução geral da sociedade: o da dominação política, o das estratégias do capital visando a sua reprodução contínua, e o das necessidades/desejos relacionados com a realização da vida humana . No capitalismo assume uma forma diferente: a produção do espaço – onde é o momento de realização do processo de acumulação.
No que diz respeito à produção do espaço urbano nas grandes e médias cidades brasileiras, a segregação se intensifica, aparecendo como um fenômeno natural, como forma lógica de separação dos elementos constituintes da cidadania relacionados ao capital, sendo hierarquizada e dividida como forma positiva de diferenciação . Por um lado, a produção do espaço urbano, controlada pelas necessidades cada vez maiores de concretização do processo de acumulação e generalização do mundo mercantil, tem o uso do espaço urbano cada vez mais dominado pelo valor de troca. Dessa forma, o significado do espaço é redefinido à medida que os lugares da cidade são produzidos por meio de um processo de trabalho que gera mais-valia.
A concretização da propriedade privada significa a divisão e fragmentação da cidade e com ela a desigualdade do processo de produção do espaço urbano, que pode ser observada de forma clara e inequívoca no plano, especialmente na maioria das cidades médias e grandes. Como sublinhamos anteriormente, a própria produção do espaço sob o capitalismo tornou-se uma mercadoria e, nesta condição, existe uma contradição entre valor de uso e valor de troca, acedido através do mundo das mercadorias. Em relação à mobilidade no espaço urbano, o controlo do tempo de viagem é a força mais poderosa que actua na produção do espaço urbano como um todo, ou seja, na distribuição da população e dos seus locais de trabalho, compras, serviços, lazer. etc.
Daí a grande disputa social em torno da produção do espaço urbano e a importância do sistema de transportes como elemento da estrutura urbana.