O ensino da leitura e da escrita a partir da leitura e do estudo de crônicas / Luciana Maria da Silva Alves. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Formação de Professores. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2016.
O presente trabalho teve como objetivo apresentar uma proposta de ensino da leitura e da escrita utilizando a sequência didática e o gênero textual crônica. Este estudo teve como objetivo apresentar uma proposta de ensino de leitura e escrita utilizando a sequência de ensino e o gênero crônica. Alguns autores, como Stella Maris Bortoni-Ricardo, contribuíram efetivamente para a proposta, a intervenção, a fundamentação teórica e a implementação da pesquisa.
It is expected that this work will contribute to the improvement of teaching in reading and writing, encouraging a reflection on the teaching practice as a whole.
Professor Pesquisador – Pesquisar e Reavaliar Práticas Pedagógicas
Tendo este horizonte de problema em mente, através de pesquisa qualitativa identifiquei os principais problemas de leitura e escrita e propus atividades que podem ajudar progressivamente a aprender a ler e a escrever nas turmas do nono ano do ensino fundamental. Através da leitura é possível fazer os alunos pensarem sobre a sociedade e seus problemas. Por meio da pesquisa, observei aulas de leitura e produção de textos, selecionei e coletei informações diversas: textos dos alunos e entrevistas com seus professores para descobrir quais eram os principais problemas de leitura e escrita da aula, bem como quais constituíam os possíveis motivos da dificuldade. resolver um problema relevante.
O trabalho de leitura e escrita em sala de aula deve ter objetivos claros, deve ser o ponto focal do ensino, pois fará com que os alunos saiam da escola ao final do ensino médio sabendo ler e escrever com proficiência. Ao pensar nessa perspectiva, o ensino da leitura e da escrita deve incluir essa visão da língua e trabalhar com as variações da língua, buscando junto com o aluno vivenciar o quanto ela é viva e mutável, sem sair da norma culta, que, segundo Bagno, é a ideologia linguística veiculada pela tradição gramatical normativa (BAGNO, 2015, p.197). Considero importante trazer para esta reflexão o conceito de alfabetização definido por Rildo Cosson, na alfabetização literária, teoria e prática, inclui todas as variedades da língua e valoriza o conhecimento prévio do aluno, pois: “Não se trata de adquirir habilidade na leitura e na escrita, como geralmente percebemos as habilidades de leitura e escrita, mas sim a aquisição da escrita e das práticas sociais a ela relacionadas.”(COSSON, 2014, p.11) Portanto, leitura e escrita estão conectadas e constroem autonomia. para a pessoa alfabetizada que será incluída na sociedade respondendo às suas demandas.
Portanto, o trabalho de alfabetização na escola atual precisa levar em conta o que os alunos vivem e aprendem fora da escola, para que sua aprendizagem seja significativa.
Concepções de Leitura e Aspectos Sociocognitivos e Metacognitivos da
A compreensão de um texto é um processo caracterizado pela utilização de conhecimentos prévios: ao ler, o leitor utiliza o que já sabe, o conhecimento que adquiriu na vida. Um dos pré-requisitos é o conhecimento linguístico, unidades menores que se combinam em um texto: “Quando percebemos palavras, nossa mente é ativada, engajada na construção de significados, e um dos primeiros passos dessa atividade é agrupá-las em frases.” ( KLEIMAN, 2013, p.17). O conhecimento de mundo também é considerado um tipo de conhecimento prévio, inclui conhecimentos adquiridos na vida e auxilia na compreensão dos fatos, e durante a leitura orienta o leitor a compreender o que leu.
Portanto, é importante que o professor analise se seus alunos possuem conhecimentos prévios para compreender os textos apresentados, para que possa, se necessário, desenvolver alguns desses conhecimentos. Este procedimento é extremamente essencial na escrita, pois neste caso o aluno deve ativar todos os seus conhecimentos prévios para poder escrever, caso contrário esta tarefa será praticamente improdutiva. Portanto, para desenvolver o trabalho com leitura e escrita em sala de aula, é necessário estabelecer objetivos e estratégias: por que e para que ler ou escrever tal texto, o que se deseja alcançar.
Os pesquisadores neste campo identificam a subjetividade ou o que sabemos ou sabemos sobre nós mesmos como “regiões” desconhecidas, formas de pensar, agir e sentir que não conhecemos porque, talvez, a interação apropriada não tenha ocorrido.
Compreendendo o que é Texto, Tipos e Gêneros Textuais
Os critérios de textualidade auxiliam o escritor/aluno na criação de um texto, fornecendo pistas a seguir para construir todo o texto de acordo com seu significado.
O Gênero Crônica: Breve Histórico e Definições
Uma crónica, colocada entre a literatura e a notícia, pode mostrar um facto quotidiano aparentemente sem valor e dar-lhe uma roupagem metafórica, humorística, crítica ou filosófica: “A crónica oscila assim entre a reportagem e a literatura, entre um relato impessoal, frio e incolor. evento trivial e recriando a vida cotidiana através da imaginação. O gênero textual crônica tem como característica, que identifica assim que entra em contato com os leitores, a linguagem leve e informal; sua circulação começa em jornais, revistas e livros, tem caráter temporário, mas nada impede que ela passe por ela, pensando em diversos aspectos e dialogando com o leitor. Como quem não quer nada, a crônica se apresenta ao leitor e o estimula a pensar em aspectos que antes não havia considerado, e no diálogo com ele lhe mostra uma nova visão sobre determinado ponto.
O cronista é como um fotógrafo de circunstâncias que capta e torna visível um breve momento do cotidiano, fazendo o leitor parar e refletir sobre aquele assunto. A subjetividade da crônica, análoga à do poeta lírico, explica por que o diálogo com o leitor é um processo natural. Na verdade, trata-se de um procedimento dicotômico, pois o diálogo só é criado pelo leitor implícito: monólogo como autorreflexão, diálogo como projeção.
Nessa “conversa” aparentemente intransigente com o leitor, o cronista o faz refletir sobre fatos considerados triviais do cotidiano.
Trabalhar Crônicas no Nono Ano do Ensino Fundamental
Situado entre o jornalismo e a literatura, esse gênero permite aos alunos pensar sobre política, questões sociais e humanas, além de permitir o estudo da linguagem e sua estrutura. Através desta exploração, o dizer do mundo (re)construído através do poder das palavras, que é a literatura, revela-se como uma prática fundamental para a constituição de um sujeito escritor. Através da linguagem e da palavra escrita nos comunicamos, nos comunicamos com o mundo e construímos ideias sobre ele. Tornamo-nos seus agentes e transformadores.
Quando ensinamos leitura e escrita na escola, procuramos, portanto, criar autonomia sobre o uso da linguagem para nossos alunos. O processo de ensino/aprendizagem como empreendimento de correr riscos e não como evitar erros começa a fazer toda a diferença na forma como cada sujeito se posicionará no mundo. Nem existe vida se nos pouparmos de experimentar o caos e o risco que motiva novas possibilidades.
Por isso é importante encarar a aprendizagem como uma oportunidade de viver e trabalhar situações que nos marcam muito.
O Percurso e Seus Instrumentos
Apresentação do Ambiente de Pesquisa
A turma tem cerca de quarenta alunos, é participativa e interessada, com exceção de cerca de cinco ausentes. A maioria deles tem acesso à Internet, mas a utilizam mais para entretenimento e menos para aprendizagem. Possuem pouca experiência na leitura de textos literários, limitando-se a fragmentos de textos e interpretações de livros didáticos.
A unidade de ensino possui uma biblioteca com diversas obras literárias, mas os alunos não a utilizam por ser fechada e não são desenvolvidos projetos de leitura para eles visitarem a sala. Os alunos utilizam o telemóvel para aceder às redes sociais e comunicar com os amigos, por isso praticam uma escrita informal, mais quotidiana, no entanto têm dificuldade em preparar textos mais formais que exijam alguma reflexão e formalidade na língua. Os principais problemas identificados após a pesquisa foram na escrita: coerência e coerência textual, além da dificuldade de organização dos parágrafos; e na leitura compreender textos mais longos e com linguagem mais elaborada.
O Trabalho em Sala de Aula: Começos
Sequência didática para o ensino de leitura e escrita através de crônicas
- Desenvolvimento das atividades da sequência didática
- Produção escrita inicial
- Módulos de ensino
- Módulo 3 – Capitalizar aprendizagens
- A produção final
- A revisão e a reescrita
Inicialmente falei aos alunos sobre a importância do domínio da linguagem escrita e falada na sociedade atual. A principal expectativa com a primeira atividade é que por meio da leitura, análise e discussão oral os alunos conheçam algumas características do gênero crônica e, com os conhecimentos que já possuíam, desenvolvam o texto introdutório. Nesta fase fizemos um estudo mais aprofundado do género e das suas características, para que os alunos tivessem um contacto mais frequente com a crónica.
Escrevi as definições e características do gênero no quadro, pois não havia disponibilidade na escola para imprimir exemplares para todos os alunos, pois a turma é grande. Observe algumas marcas que podem nos dizer o que é uma crônica:. É comumente publicado em jornais ou revistas, mas pode ser coletado em livros; relata de forma pessoal fatos colhidos nos noticiários e na vida cotidiana; consiste em um texto curto e leve que visa entreter e/ou fazer refletir criticamente sobre a vida e o comportamento humano; consegue apresentar elementos básicos da narrativa – fatos, tempo, personagens e lugar – com tempo e espaço ilimitados; Após a leitura, coloquei as questões abaixo no quadro para que os alunos identificassem as estruturas e características do texto.
Em seguida, leem a crônica “A Última Crônica” de Fernando Sabin, na qual o cronista revela que está procurando um motivo para sua última crônica e quando para em um restaurante pensa no tema de seu texto. A leitura e análise da crônica “A Última Crônica” de Fernando Sabin permitiu aos alunos aprender um pouco mais sobre o gênero. Após estudarem a estrutura e composição do gênero crônica, os alunos leram silenciosamente a crônica “Baile” de Luiz Fernando Veríssimo e em seguida discutiram com os colegas sobre as reflexões que ela traz sobre o modo de vida de crianças e adolescentes e sobre a estrutura e os objetos cobre.
Aluno 2 Resposta: Sim, porque o autor da crônica organizou as ideias que queria transmitir no texto para que os leitores tivessem uma boa compreensão do modo como os jovens vivem hoje. Porquê?, pretendia levar os alunos a pensar sobre o modo de vida dos jovens de hoje e o seu envolvimento com a tecnologia. A estudante 4 chegou a esta conclusão em sua resposta: “Sim, porque o autor da crônica organizou no tempo (texto) as ideias que queria transmitir para que os leitores pudessem entender como vivem os adolescentes hoje”.
Procurei trabalhar essas questões pelas dificuldades observadas durante a primeira produção e pelas dúvidas que os alunos faziam durante as aulas. Dando continuidade aos estudos, lemos a crônica “Uma bola”, de Luiz Fernando Veríssimo, observando o tema tratado, a coerência, a coesão e o tipo de palavras utilizadas. Essa atividade foi importante para que os alunos se posicionassem diante das falas do colunista e desenvolvessem o pensamento crítico.
A crônica também serviu para que os alunos organizassem todas as informações sobre o gênero, levando em consideração o tema, a linguagem e a estrutura do texto. A questão ii refere-se ao tema e, em relação à crônica de Martha Medeiros “O mundo não é da mãe”, questiona se o tema faz parte do cotidiano. Os alunos escreveram seus textos a partir da observação de fatos do cotidiano, que analisaram principalmente em termos de coesão e coerência, do uso de tipos de discurso e das características do gênero crônica.