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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. Based on some late texts by Derrida – in which the notion of heritage is applied and/or challenged –, we try to emphasize its role as an action, an activity, that is, a contradictory task that requires us to choose, filter, select, etc.

A herança metafísica da desconstrução

Derrida resume os argumentos acima da seguinte forma: "O conceito de estrutura centrada [..] é contraditoriamente coerente." (DERRIDA, 2011, p. 408). O “acontecimento” inicialmente referido, nas palavras de Derrida, teria “[..] a forma externa de uma ruptura e de uma duplicação”. (DERRIDA, 2011, p.

Desvios estratégicos

Esse “texto em geral” desloca constantemente os signos limitantes do discurso logocêntrico, pois “[..] não se limita à fortaleza do livro ou da biblioteca e nunca é comandado por um referente no sentido clássico, por uma coisa ou por um significado transcendental que governaria todo o seu movimento”. (DERRIDA, 2001c, p. 51). Daí a polêmica afirmação, tão contestada por seus críticos, feita desde a Gramatologia: “Não há nada fora do texto” (“Il n'y a pas de hors-texte”).21.

Da destruição à afirmatividade

Com o passar do tempo, devido ao uso superficial excessivo, o termo “desconstrução” manifestou um distanciamento crescente do seu compromisso ético-político e filosófico para se tornar mero jargão, ou melhor. O objetivo desta carta enviada por Derrida, dirigida ao professor Toshihiko Izutsu, foi discutir a dificuldade e a possibilidade de traduzir o termo “desconstrução” para a língua japonesa, tentando retirar ao máximo uma conotação negativa, evitando se possível. 34 Ainda sobre o que comentamos no início desta seção: “É verdade que em certos círculos (universitários ou culturais, especialmente nos Estados Unidos) a ‘metáfora’ técnica e metodológica que parece necessariamente ligada à própria palavra ‘desconstrução’ poderia seduzir ou enganar." (DERRIDA, 2008, p. 4).

Apesar das restrições impostas ao curso de sua carreira como intelectual e filósofo profissional, Derrida não pôde evitar o uso forte do termo "desconstrução". A própria palavra “desconstrução” adotada por Derrida implica uma subversão dessa oposição binária entre construção/destruição, uma vez que a desconstrução não se configura como o oposto direto da construção. Como seu nome estava profundamente associado ao conceito de “desconstrução”, era praticamente impossível evitar perguntas que voltavam persistentemente a temas que ele havia respondido com mais detalhes em outras circunstâncias.

Há mais de trinta anos que existe uma história de “desconstrução”, em França e no estrangeiro.

A propósito de uma indecidibilidade da herança

É um processo que abstrai e apaga diferenças em favor da identidade de uma visão dominante. A vitalidade das ideias de uma tradição particular é mantida através da sua transmissão sucessiva ao longo da história. Neste trabalho interessa-nos o património reconsiderado numa perspectiva filosófica, melhor dizendo, desconstrutiva, que não pode ser posta em prática sem admitir um dos seus significados já consolidados, porque a compreensão de um património que pertence a cada tradição de pensamento , tem como base o seu significado figurativo e complementar – nomeadamente a herança como herança.49 Começamos por solicitar o núcleo de uma construção familiar e só depois procedemos ao seu deslocamento.

Do património como legado surge uma abertura para pensá-lo de forma desviante, uma vez que a ideia convencional de legado antecipa a ausência de positividade conceptual. 48 A utilidade da tradição não significa necessariamente a reprodução de uma atitude conservadora de apego ou nostalgia pelos hábitos e ideais do passado que foram aceites pela sociedade num determinado momento. 49 Segundo o já citado Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis, a palavra “legado” (do latim, legatum ou legatus) também contém mais de um significado: 1) disposição pela qual uma pessoa confia a outra, em testamento, determina benefício de natureza pecuniária; 2) na antiguidade romana, um legado poderia ser o comandante de uma legião, um funcionário do senado romano encarregado da administração das províncias ou qualquer indivíduo responsável por uma missão diplomática; 3) no contexto religioso, é a pessoa que desempenha a função de embaixador extraordinário da Santa Sé, um prelado, geralmente um cardeal, responsável por esta embaixada; representante eclesiástico nomeado pela Igreja Católica para os fiéis de um determinado Estado; 4) aquilo que é transportado concreta e simbolicamente de uma geração a outra, que é distribuído à posteridade.

Isto significa que a herança não se preocupa em preservar um passado estático, imóvel, petrificado, pelo contrário, inscreve-o de novo a partir do aqui e agora em termos de experiências de singularidade.

Différance, herança e rastro

Por outro lado, a mesma mudança escrita graficamente não se reduz à completude de um termo sensato, pois é mais do que apenas trocar uma letra por outra. Essa diferença, continua Derrida, nunca poderia ser exposta, pois somente aquilo que é dado à exposição é “[..] aquilo que num dado momento pode tornar-se presente, manifestar-se, aquilo que pode aparecer, ser apresentado como um presente, um ser”. presente em sua verdade, a verdade do presente, ou a presença do presente”. (DERRIDA, 1991b, p. 36, grifo nosso). Se houver algum erro no contorno da diferença, ela não segue mais a linha do discurso filosófico-lógico do que o seu oposto simétrico e sólido, o discurso lógico-empírico. (DERRIDA, 1991b, p. 37-38).

DERRIDA, 1991b, p. 39, grifo do autor), primeiro, a différance refere-se a si mesma sem depender de um contexto discursivo/interpretativo específico. Dentro da linguística estrutural, Derrida assegura a diferença com a qual se joga, “[..] não é mais, portanto, um conceito, mas a possibilidade da conceitualidade, do processo e dos sistemas conceituais em geral”. (DERRIDA, 1991b, p. 42). Como o traço não é uma presença, mas sim o simulacro de uma presença que se move, se transfere e se reenvia, ele não tem propriamente um lugar, o apagamento pertence à sua estrutura.

60 Para citar Derrida: “Como o ser nunca teve um ‘sentido’, nunca foi pensado ou enunciado exceto ocultando-se nos seres, a différance de uma certa e muito estranha maneira (é) ‘mais antiga’ que a diferença ontológica ou a verdade do ser ." (DERRIDA, 1991b, p. 56).

O “princípio” de iterabilidade

Atualizar a cotação possível permite que cada legenda funcione sem necessariamente ser i. 68 Metáfora botânica que Derrida utiliza em mais de uma ocasião quando fala de uma abertura dividida, isto é, do florescimento ou do desenvolvimento natural positivo de uma questão ou situação analisada: "A deiscência (como reprodutibilidade) limita o que permite, faz o que faz rigor. ou pureza impossível. (DERRIDA, 1991a, p. 85). Partindo dessa compreensão da assinatura, Derrida observa que na prática, para que haja conexão entre a assinatura e sua fonte de produção, é necessário “[..] preservar a singularidade absoluta do evento da assinatura e a forma da assinatura: a pura repetibilidade do puro acontecimento.” (DERRIDA, 1991b, p. 371).

Para Derrida, toda leitura é, por definição, transformadora; Portanto, nenhum texto deve ser lido segundo uma metodologia exegética que acabaria por revelar algum significado final escondido sob a superfície do texto: "A escrita é lida, não deixa caminho, 'no final', para uma decodificação hermenêutica, uma decifração de um significado ou de uma verdade;" (DERRIDA, 1991b, p. 372, grifo nosso). A ideia de “ética da leitura” traduz-se como a avaliação da legibilidade das margens textuais a serem lidas e interpretadas. Para que algo permaneça ou sobreviva, por exemplo, um legado, um texto, o fenômeno da repetibilidade é uma condição de possibilidade, sendo a repetibilidade e a persistência “fatores” essenciais para garantir a persistência – ou sobrevivência – de uma determinada inscrição.

Esta é uma eventualidade que não podemos deixar de aceitar quando analisamos estas questões de perto.

Encenar e ensinar

A necessidade de crítica, para Krinein, tem uma história com a qual Derrida não desconhece totalmente, pois mesmo quando faz “a crítica da crítica” ele aprecia permanecer (in)fiel a certos legados importantes ao pensar sobre a crítica da atividade, como, por exemplo, a crítica da atividade. do que kantiano e marxista, por exemplo. Ao contrário do que acreditam alguns “críticos”, a desconstrução derridiana mobiliza legados, pois envolve linguagens, lógicas, perspectivas, sistemas, etc. herda e o traduz para sua (não)própria linguagem singular. Este capítulo não vai tratar de todas as aparições/inscrições do quase-conceito “herança” nos textos de Derrida, nem pretende dar conta de todas as suas implicações e/ou possibilidades de sentido – afinal, isso não corresponderia ao pensei na desconstrução para tentar apreender plenamente um conceito, que é um conceito fechado em si mesmo.

Estando cientes desta decisão – e dos riscos a ela associados – planeamos encenar certas formas deste quase-conceito82. A escolha desta palavra – “cena” – não foi feita por acaso, pois é importante para Derrida e desconstrução devido aos seus variados significados: em cenários de espetáculo, uma cena significa literalmente o lugar onde uma história é representada pelos atores. /personagens, ou seja, o cenário em que se desenrola uma trama; uma cena pode ser a ação ou fato que capta nossa atenção e interesse, ou simplesmente o conjunto do que é oferecido. Em alguns textos de Derrida encontramos cenas em que a herança está implícita, e a partir delas tentaremos compreender um pouco mais sobre essa experiência e sobre o que foi organizado como base para a reunião na forma de um quase-conceito.

Depois de entrar em cena, o património, já protagonista da sua história, passa a interpretar as suas características (não)próprias: ao criar e/ou “fazer cena”, o património impressiona, posiciona e representa o que nele tem de único.

Cenas espectrais

Tal como as imagens fantasmas, os legados são, de facto, sempre “mais que um” e ao mesmo tempo “menos que um”. 91 Como vimos, os legados são sempre “mais de um”, e este “mais de um” parece “original”. 97 A heterogeneidade radical de uma herança nunca pode ser unificada numa unidade; não há nada para herdar, mas há múltiplas escrituras – escritos, vozes – que se repetem: “Não há herança sem apelo a ela.

O património é sempre uma reafirmação da dívida, mas uma reafirmação crítica, selectiva e filtrante; É por isso que distinguimos entre diferentes espíritos." (DERRIDA, 1994, p. 124). Nesse sentido, é necessário passar por essa pré-herança para se apropriar de uma nova vida. A herança nunca é natural, pode ser herdada várias vezes, em diferentes lugares e em diferentes momentos, e decidimos esperar o momento mais adequado, que pode ser o mais prematuro - para anotá-la em diferentes linhagens e assim assinar. com mais de um alcance (DERRIDA, 1994, pp. 223-224, grifo nosso).

Também tentei – o que tento fazer cada vez mais – respeitar a linguagem ou a singularidade de uma assinatura. Na visão de Derrida, o património não pode ser entendido como um bem capitalizável ou rastreável; na verdade, é misturado como espectral no sentido de uma abertura ao reencontro. Afinal, há uma transição de uma geração para outra, de um lugar para outro, de um pensamento para outro: deslocamento, inovação, reinício, transmissão (2004b, p. 55).108.

Um trabalho (des)contínuo

Referências

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