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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Para tanto, revelamos o contexto histórico da escravidão e da abolição em Cuba e no Brasil e traçamos a trajetória dos negros na literatura desses países. Grande parte dos estudos científicos sobre a figura do negro nos textos literários latino-americanos do século XIX versam, portanto, sobre a literatura em Cuba e no Brasil.

O estereótipo como estrutura ideológica de manutenção do sistema

A produção e a troca de significados entre os membros de uma determinada sociedade se dão por meio do que chamamos de cultura. Através do discurso do estereótipo, entendido como forma ambígua de conhecimento e poder, o processo de subjetivação é viabilizado no contexto colonial.

O emprego, a legitimação e a perpetuação do estereótipo nacional

A “naturalização” da diferença

Acredita-se que o discurso racial sobre os negros não surgiu entre os traficantes de escravos americanos e os seus defensores europeus até que a instituição da escravatura foi ameaçada pelos abolicionistas do século XIX. Se a diferença entre negros e brancos fosse “cultural”, seria possível superá-la ao longo do tempo, através de um processo de aculturação.

A legitimação dos estereótipos e sua função na política

Isto surge através da construção de imagens e muda através do contato com elas. Por meio de estereótipos, essas pessoas são abordadas e mobilizadas emocionalmente, podendo assim ser conquistadas para o próprio grupo (HAHN, 1995, p. 195).

A construção de imagens como fator indispensável na formação de identidades . 388

Os integrantes que se desviarem deste acordo, que não concordarem com as imagens por ele construídas, serão expulsos do grupo. Este foi o resultado de uma série de experiências sociais que mostram que as minorias tendem a adaptar as suas posições e concepções às do grupo dominante, que se torna o grupo de referência.

Os contornos da escravidão na América Latina

O comércio de escravos não era mais lucrativo para os africanos do que para os europeus. Contudo, com o tempo, os traficantes com bases comerciais na Europa deram lugar aos traficantes de escravos baseados na América Latina.

Sobre a escravidão e a abolição em Cuba

Dos primeiros escravos ao “boom” econômico

Cuba também foi um grande produtor de tabaco e café (MANZANO, 2005, p. 15), embora a exportação de açúcar e seus derivados sempre tenha sido a base da “riqueza fundamental” da ilha (BARREDA, 1979, p. 4). ). O trabalho rural era consideravelmente mais difícil do que o das cidades, fazendo com que as plantações fossem chamadas de 'prisões negras'15 (BARREDA, 1979, p. 2,9).

O fim do tráfico negreiro

A abolição da escravatura em Cuba ocorreu de forma gradual, começando com a proibição do comércio de escravos. Ele estava principalmente empenhado em alcançar a abolição do tráfico de escravos e o fim da escravidão, pois considerava o sistema escravista ultrapassado e prejudicial à economia do país.

Cuba e a abolição: campanha, motivos e acontecimentos

  • Por que abolir a escravidão?
  • A era abolicionista

Faziam campanha para acabar com o comércio de escravos e finalmente parar o fluxo de imigração africana para Cuba. A elite cubana culpou o sistema escravista pelo estado de opressão política em que Cuba se encontrava.

O panorama cultural no século XIX

O nascimento de uma comunidade letrada cubana

  • A tertúlia delmontina
  • La Comisión de Literatura Cubana

Com este decreto, a Comisión de Literatura tornou-se, em certa medida, independente da Sociedad Económica de Amigos del País. Enquanto a Sociedad Económica de Amigos del País era uma instituição formalmente ligada ao governo e aos interesses coloniais, a Academia de Literatura representava uma ameaça à coroa. Em 1833, Domingo Delmonte fez uma última tentativa de fundar a Academia de Literatura Cubana para substituir a Comisión de Literatura.

O romance abolicionista cubano

Representa, portanto, um quadro muito mais amplo da opressão racial e da experiência colonial cubana no início do século XIX (BERMÚDEZ, 2007, p. 49-50). É importante ressaltar: as obras abolicionistas escritas por intelectuais cubanos no século XIX eram antiescravistas e não pró-negros. Embora repletas de estereótipos e silêncios, estas obras podem ser consideradas verdadeiramente revolucionárias, não só porque procuravam uma mudança imediata na estrutura social, mas também porque representam um contra-discurso: a sociedade cubana do início do século XIX era, por em sua maioria, a favor da escravidão e posicionar-se contra o sistema escravista foi, no mínimo, um ato de grande ousadia (BERMÚDEZ, 2007, p. 54).

El negro Francisco e a tentativa de introspecção do Outro

Antonio Zambrana: dados biográficos e ideário estético

El rastro de sus luchas se expresa en su novela El negro Francisco, el significado romántico se evidencia en el tratamiento temático de la naturaleza, la esclavitud, la libertad, el amor, el dolor y la muerte. Francesco Zezake es un romance que sirve como evidencia de las injusticias practicadas por los scrawocrats en Cuba. Sin embargo, la peculiaridad de la obra El negro Francisco, como veremos a continuación, consiste en un intento del autor por captar y expresar la psicología de los afrodescendientes.

El negro Francisco e o afinco abolicionista de Zambrana

As imagens da escravidão que aparecem no romance se dividem entre os discursos antiescravistas do narrador e os discursos pró-escravidão dos personagens Dona Josefa e Dom Eulógio. Anteriormente, parece que a personalidade e as atitudes de Dona Josefa são atribuídas ao ambiente em que ela vive. Apesar da proclamação aberta da sua rejeição às massas presas, Dona Josefa não considera sensato libertá-las.

Os conflitos identitários do afrodescendente

Este indicador sólo pretende señalar todo lo que puede ser monstruoso en esa paternidad anónima, tan frecuente dentro de la esclavitud (ZAMBRANA, 1979, p. 29). Le hubiera gustado ser el ángel de las inmaculadas inspiraciones, y era el demonio de los sueños culpables; Habría querido ser imagen de la castidad y fue estatua de la tentación. Estaba en desacuerdo consigo mismo y no podía evitarlo, y cuando quería dar a su rostro la expresión de la pureza y a su cuerpo la actitud de la inocencia, había tal brillo en la dulzura de su mirada y tanto lujo de las formas. , tal vigor escultórico en sus contornos, que en lugar de ser una ninfa, era una bacante; y su gesto, destinado a producir nada más que piadosa dulzura, se convirtió en una emboscada, destinada a sorprender a los espíritus que lo rodeaban y precipitarlos en el shock del apetito (ZAMBRANA, 1979, p. 53).

A idealização do negro como “o bom selvagem”

Para Maria de la Regla, o verdadeiro martírio do escravo consiste na falta de poder para decidir sobre a sua vida. Maria de la Regla não reclama do trabalho nem dos castigos, lamenta profundamente a separação, há doze anos, do marido e dos filhos. A história de Maria de la Regla serve como elemento revelador da crueldade do sistema escravista cubano.

A imagem e o papel do afrodescendente

  • A reivindicação do negro e do mulato
  • A função da mulher afro-cubana

Desengáñese, señó Uribe, se os brancos estivessem satisfeitos com os brancos, os pardos não procurariam os brancos (VILLAVERDE, 1996, p. 132, grifo nosso). Em Cecilia Valdés, a mulher afrodescendente é geralmente apresentada como um ser volátil e indigno de confiança, pois “como de raça híbrida, não há razão para confiar muito em sua virtude” (VILLAVERDE, 1996, p. 464). Por isso, ela rejeitou as pessoas pardas por considerar um “retrocesso” ter um filho mais moreno que ela (VILLAVERDE, 1996, p. 277).

A questão da miscigenação e da identidade nacional

O tão esperado desejo de se constituir como uma nação branca é rompido diariamente pela presença de negros e mulatos na cozinha, nos bailes, nos ateliês de confecções, nas praças, nas ruas. Pelo contrário, ficcionalizar o mestiço significa exercer poder sobre ele, desconstruir uma imagem, como a do escravo carrasco por natureza, e criar uma nova, como a do mulato ambicioso mas controlável, como a do o mulato Pimienta. . Dessa forma, Villaverde, ao introduzir negros e mulatos em sua narrativa, confirmou o estereótipo de inferioridade dos afrodescendentes e ao mesmo tempo apontou para a necessidade de ratificar o lugar dos negros, mulatos e brancos. pessoas no projeto de construção de uma nacionalidade cubana.

O contexto histórico da abolição no Brasil

  • Primeiros passos rumo à abolição
  • O movimento abolicionista
  • Entre opositores e defensores, o debate continua
  • As últimas batalhas

Embora a proibição do tráfico de seres humanos tenha sido uma vitória importante para os abolicionistas, não anunciou o verdadeiro fim da escravatura. Os proprietários de escravos ainda tentaram responder criando uma organização paramilitar, mas os dias da escravidão no Brasil estavam contados (MOURA, 1997, pp. 14-15; COWLING, 2010, p. 286). O Brasil mudou, as lutas pela abolição dos crimes, as fugas em massa e a constatação de que o sistema escravista havia se tornado um anacronismo levaram à confirmação da Lei Áurea em 13 de maio de 1888, que determinou definitivamente o fim da escravidão no Brasil.

Sobre o futuro, o negro e a mestiçagem

O Brasil segundo os teóricos raciais

O Brasil forneceu o melhor exemplo de que a teoria de Agassiz era infundada, à medida que a população mulata aumentava persistentemente. Vemos na afirmação de Agassiz a divisão das pessoas em três classes: brancos, negros e índios. Teorias raciais como a de Agassiz seriam amplamente aceitas e amplamente disseminadas entre a elite brasileira.

As diferenças das raças: positivismo, determinismo e darwinismo social

Outro movimento ideológico que recuperou “cientificamente” os valores do Iluminismo foi a escola determinista, a partir da qual se desenvolveram duas vertentes, uma de natureza geográfica e outra de natureza racial. Já o determinismo racial tentou explicar a “barbárie” de algumas civilizações por meio de parâmetros baseados em conceitos raciais. Pela seleção natural, os mais fortes sobreviveriam enquanto os menos capazes sucumbiriam na competição.

O que fazer com os negros? Em busca de uma solução brasileira

Já em 1888, como observamos na declaração de Romero, os intelectuais brasileiros viam seu futuro na mistura, através da qual emergiria o "verdadeiro brasileiro". Porém, se considerarmos que as identidades são sempre construídas em relação, ou melhor, através do contraste entre “eu” e “ele”, neste contexto não podemos falar precisamente de uma exclusão das pessoas negras. Na verdade, observamos que a moda científica entrou no Brasil não por meio de trabalhos científicos, mas por meio da literatura, que teve função educativa e moralizadora no século XIX.

O negro na literatura brasileira do século XIX

Notamos, portanto, que após o surgimento deste romance, a figura do escravo maltratado e do capataz cruel começou a abundar na literatura brasileira. É uma idealização do escravo que funciona como herói natural da trama (SAYERS, 1956, p. 75). Outro protagonista que personifica a ideia do escravo nobre é Raimundo, figura central do romance O mulato (1881) de Aluísio Azevedo.

O negro, o mulato e o futuro étnico do Brasil em A escrava Isaura

A natureza abolicionista de A escrava Isaura

Em outra ocasião, exalta a beleza da mulata e declara que Isaura é “bela demais para ser empregada” (GUIMARÃES, 1981, p. 33). O exílio é uma coisa ruim; Não foi Deus quem colocou tal coisa no mundo, não; foi invenção do diabo (GUIMARÃES, 1981, p. 39). Era preciso cortar “o mal pela raiz” (GUIMARÃES, 1981, p. 92), pois enquanto houvesse escravidão haveria abuso de poder.

Os (pre)conceitos sobre negros e brancos em Bernardo Guimarães

Em consequência da condescendência dos pais, Leôncio perde assim "alguns instintos bons e generosos de que a natureza o dotou" (GUIMARÃES, 1981, p. 15). Malvina, para lhe mostrar as vantagens de casar com o monstro, diz a Isaura: "é sempre algo sair do cativeiro e casar com um homem branco e livre" (GUIMARÃES, 1981, p. 119). Porém, a mulata só serve de exemplo de beleza porque ninguém dirá que corre em suas veias uma única gota de sangue africano (GUIMARÃES, 1981, p. 13).

Isaura: “uma perfeita brasileira”

Segundo Bezerra Júnior, O Índio Afonso (1873) também pode ser entendido como um protesto contra a idealização de Peri. Talvez ainda mais explicitamente do que em A escrava Isaura, Bernardo Guimarães em Rosaura: o Enjeitado buscava o combate aos preconceitos contra os mulatos que imperam na sociedade e os apresentava como elemento positivo e decisivo na construção da nação. Portanto, fica claro que a geração mista não é entendida por Bernardo Guimarães como um processo de transculturação, onde ambas as culturas contribuem igualmente para a formação de uma cultura híbrida.

O mulato ou a crônica de uma sociedade racista

São Luís do Maranhão: uma sociedade no banco de acusação

Raimundo é recebido pelo tio Manuel Pescada, que mora com a sogra Maria Bárbara e a filha Ana Rosa. O pai de Ana Rosa havia lhe prometido a mão da filha quando o mulato apareceu para atrapalhar seus planos. Na verdade, na figura do cônego Diogo vemos a concentração de todos os pecados do Maranhão, ele está envolvido no adultério de Quitéria, no assassinato de José da Silva e Raimundo e indiretamente no aborto de Ana Rosa.

É Raimundo quase “um tipo acabado de brasileiro”?

Na verdade, o protagonista não representa o protótipo de um mulato brasileiro, sua função não é ser real, é ser modelo, é representar o que pode ser real. Embora não aprove a posição e a atuação da Igreja em relação à escravidão, o protagonista reconhece a importância da instituição como “elemento regulador da sociedade” (AZEVEDO, 2004, p. 155). Ao descobrir o mistério sobre seu passado, Raimundo para diante de um espelho e se examina com muito cuidado “tentando descobrir em seu rosto pálido algo, algum sinal, que denuncie a raça negra” (grifo nosso) ( AZEVEDO, 2004, p. 181).

A questão racial na literatura abolicionista

Preto no branco: Auto e hetereoimagens nos romances abolicionistas

Referências

Documentos relacionados

Com o trabalho realizado, foi possível descortinar ideologias que eram obscuras aos participantes, conforme aponta Matos (2004) onde é notória a necessidade de