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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Instituto de Filosofia e Humanidades, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013. O quarto e quinto capítulos são etnográficos sobre as experiências de vida de estudantes cabo-verdianos, primeiro em Lisboa e depois no Rio de Janeiro, respectivamente.

Apresentando Cabo Verde

No Relatório de 2011, Cabo Verde continuou a ser classificado entre os países com desenvolvimento humano médio. 23 Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), dados do Censo 2000, a taxa de analfabetismo em Cabo Verde era de 25%.

Os diferenciados processos de colonização e a especificidade de Cabo

79 A Direção Geral do Ensino Superior (DGES) anunciou através do site da instituição que o IPAD não iria disponibilizar bolsas de pós-doutoramento (mestrado e doutoramento) ao governo de Cabo Verde para o ano letivo 2012-2013. Isto enfatizou o sentimento de djuda e dhunta mon (ajuda e solidariedade), também entre os estudantes cabo-verdianos no Rio de Janeiro.

Os deslocamentos estudantis e os movimentos de indepedência

Independência e processo de democratização em Cabo Verde

O próprio Amílcar, embora nascido na Guiné-Bissau (filho de mãe guineense e pai cabo-verdiano), era considerado cabo-verdiano. Como já referimos, as diferenças entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau eram enormes e foram sobretudo incentivadas e criadas pelo próprio colonizador.

Cabo-verdianidade e dupla pertença: “Não somos portugueses, não somos

Segundo dados69 da Embaixada de Cabo Verde em Lisboa, existem 69 associações cabo-verdianas legalmente regulamentadas em Portugal. As universidades são: Universidade de Cabo Verde (UNI-CV), com sede em Santiago (Praia) e São Vicente; Universidade de Santiago (EUA), com sede na cidade de Assomada, em Santiago; Universidade Intercontinental de Cabo Verde (UNICA), na Praia, Santiago;.

Querer partir e ter que ficar; querer ficar e ter que partir”

As “diversas faces” da imigração e os processos transnacionais

Relativamente às práticas transnacionais entre os imigrantes de Cabo Verde para Portugal, Góis (2008) argumentou que por existir uma grande diversidade de grupos migrantes de diferentes contextos sociais e localizados em diferentes momentos históricos, esta imigração não poderia ser analisada mesmo através de um envolvimento total na destino. países, nem do transnacionalismo radical. Este tipo de análise separou a sociedade de origem da sociedade de destino em duas realidades independentes. Também do ponto de vista simbólico, não incorporam plenamente as referências culturais do país de destino, como assumiam as antigas teorias de aculturação, nem estão fechadas a elementos exclusivos da cultura de origem.

Na integração, têm plena consciência das suas raízes, origem (posição social) e cultura, ao mesmo tempo que renovam e atualizam diariamente a sua participação na sociedade de destino, o que para o autor é talvez a característica mais adequada socialmente. . Imigrantes do Cabo - Verdianos em Portugal.

Cabo-verdianos em Portugal: o que dizem os números da imigração

Segundo dados estatísticos oficiais do SEF, a “comunidade cabo-verdiana” ocupa a terceira posição mais importante em Portugal, com 43.920 cidadãos cabo-verdianos a viver em 2010. Trata-se de uma ligeira diminuição face ao ano anterior (-0,13%). Para se ter uma ideia, segundo o estudo de Grassi (2008, p.38), os dados de 2001 divulgados pelo Instituto Comunitário de Cabo Verde contabilizavam o número de cidadãos cabo-verdianos residentes em Portugal em 105.342 pessoas, sendo Santiago, São Vicente e Santo Antão são as ilhas de onde parte a maioria dos cabo-verdianos para Portugal. Segundo Fortes (2005, p. 1-2), mesmo em estudos comparativos entre cabo-verdianos e outros grupos, o carácter desfavorecido desta “comunidade” é fortemente enfatizado.

Os estudantes do ensino superior cabo-verdianos não podem ser caracterizados como parte da “comunidade trabalhadora imigrante”, nem como parte da “elite colonial cabo-verdiana”, como classifica Batalha (2008, p. 25).

A inserção dos estudantes cabo-verdianos no ensino superior português

As universidades públicas apenas oferecem vagas através da DGES portuguesa em acordo com a Direção Geral do Ensino Superior e Ciência (DGESC)74 de Cabo Verde. As universidades privadas oferecem vagas e descontos através de protocolos com as câmaras municipais de Cabo Verde. 74 O processo de seleção em Cabo Verde é realizado através da Direção Geral do Ensino Superior e Ciência de Cabo Verde (DGESC).

Inicialmente as bolsas eram de cooperação, depois transformaram-se em bolsas de empréstimo, financiadas pelo governo de Cabo Verde, com ou sem cooperação.

O Brasil é um “Cabo-Verdão”

Branqueamento no Brasil: uma história de esquecimentos

A alternativa seria a “salvação étnica” que se daria pelo branqueamento da população, pela mistura com os brancos, pela erradicação do tráfico negreiro, pelo contínuo desaparecimento dos índios e pela imigração europeia (SILVIO ROMERO, 1978, p. 55). O Brasil foi criado através de combinações estranhas e aparentemente absurdas de clientelismo e favoritismo com o capitalismo liberal. A partir de então, contrariando a visão inicialmente harmoniosa, o “problema racial brasileiro” foi formulado através da observação da desigualdade na relação entre brancos e negros.

Um país estruturalmente mestiço e negro, com história de colonização portuguesa, mas que ao mesmo tempo não se reconhece como negro, demonstrando que passa por novos e contínuos processos de reconstrução identitária, através da dinâmica política dos movimentos identitários étnico-raciais e políticas, em contraste com a ideologia da mestiçagem e da 'democracia racial', que anteriormente eram vistas e sentidas como os pilares da identidade brasileira.

Cabo-verdianos no Brasil: da imigração forçada à imigração espontânea

Devido à imunidade de Portugal às quotas, muitos imigrantes cabo-verdianos que chegaram a partir da década de 1950 entraram como imigrantes portugueses provenientes da província de Cabo Verde (BENTO, 2012) e, tal como a comunidade portuguesa, concentraram-se principalmente, no estado do Rio de Janeiro. Janeiro. No Brasil, os imigrantes cabo-verdianos se espalharam por vários estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia. Além deste acordo, os estudantes cabo-verdianos também são abrangidos por outros acordos celebrados diretamente entre as universidades privadas e o Ministério da Educação de Cabo Verde, à semelhança do PEC-G, e ficam dispensados ​​de exame de admissão.

Como resultado, alguns estudantes cabo-verdianos que transferiram os seus cursos para outras universidades e pagaram mensalidades mais caras não conseguiram manter o novo padrão e desistiram dos cursos para regressar a Cabo Verde.

Evódia e o processo de fazer escolhas

Para Evódia, conhecer estudantes cabo-verdianos na universidade, poder falar crioulo com eles, falar dos seus problemas, “foi como encontrar um pouco de Cabo Verde em Lisboa”. Ao falar sobre a procura do conhecimento e o valor da participação cívica, social e política dos estudantes cabo-verdianos em Lisboa, Evódia afirmou que desta forma os estudantes podem contribuir para o desenvolvimento de Cabo Verde no país e no estrangeiro. Destaco também o relato de Evódia sobre as diferenças culturais entre cabo-verdianos e portugueses (culturas abertas de maneiras diferentes, nem sempre contraditórias, deslocando-se e mostrando-se como situacionais e estratégicas (CUNHA, 1985).

Quando Evódia disse que os cabo-verdianos são “muito fechados na sua cultura”, deslocou um atributo originalmente atribuído aos estudantes portugueses, mas agora associado aos estudantes cabo-verdianos.

Max: “companheirismo cabo-verdiano” e a experiência positiva de

Na altura em que Max desistiu da Engenharia, alguns amigos de Cabo Verde aconselharam-no a continuar, alegando que com a Engenharia teria mais hipóteses de ganhar um bom salário. Até porque a ideia idílica, enraizada numa ideia lusotrópica do que seria Portugal, “uma extensão de Cabo Verde”. Estes alimentos representam mais que comida, representam Cabo Verde, a coisa da autenticidade, isto foi trazido de Cabo Verde.

O fluxo de pessoas, alimentos e objectos entre os países mantém os laços emocionais entre quem está dentro e fora de Cabo Verde.

Idyria e o sentimento de “rejeição” na universidade

Do lado paterno, Idyria tem quatro irmãos, três mulheres e um homem, e do lado materno, dois irmãos, um homem e uma mulher, todos nascidos em Cabo Verde de outras relações dos seus pais. Do lado materno, a irmã estuda o ensino superior em Cabo Verde, o irmão, que aos nove anos foi viver com a mãe para Lisboa, não conseguiu concluir nenhum curso superior, e hoje, aos 28, vive e trabalha na Espanha. Quando esteve em Cabo Verde, disse que com certeza conseguiria um emprego, mesmo que demorasse, porque "não conhecia nenhum estudante que tivesse estado em Portugal e ficaria sem trabalho para sempre depois de regressar ao país". "

No entanto, argumentou também que regressar a Cabo Verde pode já não ser a melhor opção.

Jay e o reconhecimento do “complexo” cabo-verdiano

146 Termo utilizado pelos estudantes cabo-verdianos para falar da identidade africana ou da sua reapropriação. Jay diz que os estudantes cabo-verdianos não assistem aos treinos porque “pensam que vão ser humilhados”, mas acontece que isso nem sempre é verdade. Aparentemente, em algumas situações, os estudantes são realmente humilhados, mas não só em Cabo Verde.

Migrações (OIM), que afirma que entre 2003 e 2005, 75% do pessoal cabo-verdiano não regressou a Cabo Verde.

Ema e o fechamento de um ciclo: “O Brasil é o país do qual eu vou levar

Por exemplo, Ema nunca teve qualquer contacto com imigrantes cabo-verdianos nas cidades onde viviam, apenas quando estes vinham participar em eventos organizados pela associação estudantil160 ou pelo consulado no Rio de Janeiro. Dos alunos que conheci no Rio de Janeiro, apenas um tinha parente morando em Mesquita. Além dessas viagens, durante o primeiro ano de Ema no Rio de Janeiro, durante a greve da UFRRJ, Ema passou aproximadamente dois meses com familiares e amigos nos Estados Unidos.

Ressalto que os estudantes do Rio de Janeiro, assim como os de Lisboa, preferem morar perto da universidade, mesmo que o aluguel seja mais caro.

Ismael e a estratégia de se “infiltrar entre os cariocas”

No entanto, esta imagem, um misto de admiração e medo, foi confrontada à sua chegada ao Rio de Janeiro, quando ele e outros estudantes cabo-verdianos foram socorridos por taxistas no aeroporto. Dos estudantes que conheci em Fortaleza e no Rio de Janeiro, nenhum declarou ter namorado brasileiros, embora alguns admitissem que já haviam “ficado”. O que a polícia não contava era que Ismael poderia ter um advogado no Rio de Janeiro que era cunhado de sua namorada brasileira na época.

Não é que eu goste mais do Rio de Janeiro, claro que sempre amarei mais o meu país.

Waldir e a necessidade de sair para ver o mundo diferente: “O Rio de

Descobrimos na época que ele era primo de um dos profissionais de formação brasileira entrevistados no documentário, o que me permitiu contatá-lo posteriormente para uma entrevista. Na época, o deputado Willian Woo (PSDB-SP), autor do projeto de lei 1.664/07, estimou que havia entre 150 e 200 mil estrangeiros em situação irregular no Brasil. Para isso, o estrangeiro deverá apresentar comprovante de entrada no país; declaração de que não enfrenta nenhum processo criminal ou que não foi condenado criminalmente, no Brasil ou no exterior; além de pagar uma taxa pela emissão da carteira.

Vladmir, também estudante da Universidade Santa Úrsula, disse que nunca foi discriminado na universidade, nem mesmo na rua, embora tenha ressaltado que uma vez, fora da USU, ficou muito irritado quando lhe perguntaram "sobre dormir em árvores, sobre a existência de carros em seu país ou a convivência com animais silvestres', da mesma forma que outros, demonstrando assim também que entendem que os negros no Brasil estão diretamente ligados à pobreza e por isso sofrem duplo preconceito: racial e social.

Referências

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