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universidade do estado do rio de janeiro

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Academic year: 2023

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Naquela ocasião, vi na proposta de construção do Sistema Único de Saúde (SUS) tanto uma enorme oportunidade para melhorar um aspecto importante da realidade social brasileira quanto uma janela privilegiada para estudar a democratização do Estado e a ampliação dos direitos de cidadania. , que é meu principal interesse como cientista social treinado. A partir deste envolvimento inicial no sector e na Reforma Sanitária, a minha vida profissional e académica passou a centrar-se na temática da saúde e do sistema de segurança social do qual o sector da saúde faz parte.

I NTRODUÇÃO

Apresentação

Uma preocupação fundamental ao longo do trabalho está relacionada com a necessidade de tratar um tema que pertence claramente ao domínio das ciências sociais na perspectiva de um longo processo histórico que envolve a formação e o desenvolvimento do Estado capitalista e da cidadania. . No segundo capítulo discuto o que considero serem os principais aspectos da compreensão do processo de criação e desenvolvimento do Estado capitalista, no qual quero mostrar, com base nas pistas do texto de Esping-Andersen (1990) , que o intelectual Este tema dificulta a percepção da profundidade da grande transformação que ocorreu na sua natureza e funções, bem como nas relações que mantém com a sociedade.

O objeto de trabalho e opções metodológicas

Essa singularidade refere-se tanto à forma como o Brasil está inserido na hierarquia interestadual do sistema capitalista, quanto à complexidade alcançada pela nossa sociedade. Quanto à posição do país na ordem internacional, creio que não pode ser confundida com aquela que prevalece na grande maioria dos estados periféricos, incluindo outros países latino-americanos.

Objetivos e visões sobre o tema: notas

A interpretação dominante é francamente pessimista quanto à capacidade da sociedade brasileira de se defender contra a ofensiva neoliberal nos direitos e na política social. Como se pode verificar, todos os autores acima partilham o mesmo pessimismo quase apocalíptico quanto à possibilidade de manutenção e desenvolvimento da política social.

E STADO C APITALISTA : DA C OERÇÃO À P ROTEÇÃO S OCIAL

O Estado capitalista: desenvolvimento e tensões

  • As polaridades no interior dos estados nacionais e sua dinâmica
  • Relações interestatais
  • Interação das relações inter e intraestatais

No entanto, o tipo de conflito intra-estatal que tem aumentado recentemente é, sem dúvida, aquele que surge entre aqueles que estão na “base” da hierarquia de poder – para usar o termo de Elias – em relação àqueles que detêm o poder, o poder do estado. Este tipo de conflito é historicamente o mais importante do ponto de vista da relação entre o Estado e a sociedade e moldou o processo de transformação do Estado.

Figura 1 - Ciclos Sistêmicos de Acumulação do Capital (esquema)
Figura 1 - Ciclos Sistêmicos de Acumulação do Capital (esquema)

O Estado sob olhares restritos

  • O liberalismo e a concepção restrita do Estado
  • A concepção restrita do Estado nos críticos do liberalismo
  • Um não alinhado e sua concepção restrita do Estado (Weber)
  • O neoliberalismo e a concepção restrita do Estado

Nas suas críticas, porém, Marx e Friedrich Engels não se desviaram da concepção limitada do Estado presente entre os liberais. É Carlos Nelson Coutinho quem chama a essência do pensamento de Marx e Engels sobre o assunto de “concepção limitada de Estado”, que.

O Estado sob olhares ampliados

  • Sociedades política e civil, guerra de posição e hegemonia (Gramsci)
  • Autoproteção da sociedade e transformação do Estado
  • Uma ordem sui generis

13 Embora Polanyi se refira ao princípio como “protecção social” no excerto abaixo citado, prefiro a forma de “auto-protecção da sociedade” que dá título à parte II do seu livro. Polanyi conclui que o movimento de autoproteção da sociedade produziu um processo de transformação do Estado (no sentido de se afastar do domínio exercido pelo mercado económico), o que ao mesmo tempo significa a expansão das liberdades das pessoas.

Reducionismo e Apocalipse

É minha convicção que o processo contínuo de transformação do país ao longo dos últimos quatro séculos ocorreu principalmente através de lutas pelos direitos civis. A importância dos direitos civis, o papel que desempenham no processo de transformação e expansão do país, é o tema do próximo capítulo. Este tema é desenvolvido no próximo capítulo, que, entre outras coisas, trata dos instrumentos estatais para o reconhecimento, promoção e proteção dos direitos civis.

D IREITOS DE C IDADANIA E E STADO : A G RANDE T RANSFORMAÇÃO

Estado e direito

  • Poder político e direito
  • Direitos de cidadania
  • O Estado e a afirmação dos direitos de cidadania
  • Direitos e deveres

É claro que há excepções a esta regra; nos países socialistas, por exemplo, os direitos sociais vieram antes dos direitos civis e políticos. Ao discutir o significado histórico da Revolução Francesa, Habermas liga os direitos humanos diretamente à transformação do Estado. A primeira declaração a reunir direitos civis, políticos e sociais foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

As singularidades dos direitos sociais

  • Obrigações positivas do Estado
  • Caráter programático
  • Especificação crescente
  • Proteção: um desafio político

O processo de desenvolvimento dos direitos humanos tornou os direitos de propriedade cada vez mais fracos em relação a outros. Portanto, a implementação dos direitos sociais depende de um esforço gigantesco que muitas vezes envolve o trabalho de mais de uma geração. Esta questão é geralmente mal compreendida, o que muitas vezes leva ao desânimo ou à desconfiança relativamente à implementação dos direitos sociais.

Direitos sociais e transformação do Estado

  • Ampliação ou transformação da natureza do Estado?
  • Ativistas, funcionários, e usuários
  • O movimento social se diversifica e intensifica a transformação do Estado
  • Movimentos sociais e Estado - interpretações recentes

Maria da Glória Gohn faz uma excelente revisão crítica desta literatura em "Teorias dos movimentos sociais" (2000). Ele afirma que Lénine e Gramsci anteciparam a teoria moderna dos movimentos sociais na sua consideração da política como um processo interactivo entre trabalhadores, capitalistas e o Estado” (op. cit., pp. 102-103). Gohn enfatiza que “o ponto fundamental que Tarrow resgata dos clássicos da teoria das classes sociais é a questão da importância do Estado em relação aos movimentos sociais” (op. cit., p. 102).

Tabela 2 - EUA, Alemanha e Suécia
Tabela 2 - EUA, Alemanha e Suécia

Estado e cidadania: um resumo da grande transformação

Este novo papel do Estado, com as suas muitas instituições que prestam serviços e protegem e fazem cumprir direitos, ajudou, por sua vez, a expandir a diversidade dos actores sociais. Como vimos anteriormente, o desenvolvimento dos direitos de cidadania, especialmente dos direitos sociais, cuja natureza está relacionada com a igualdade, afecta negativamente os interesses do capital por diversas razões. O desenvolvimento de direitos e de políticas sociais, ou seja, o espaço da igualdade, vai contra os interesses do capital, interfere na sua lógica, contradiz a sua visão do mundo, limita a sua liberdade de ação e reduz as suas possibilidades de obter lucro.

W ELFARE S TATE : O N ÚCLEO DAS T ENSÕES NO I NTERIOR DO E STADO C APITALISTA 117

Definição e limites

Neste sentido, as políticas sociais que mais claramente definem o Estado-Providência são: educação, saúde, segurança social e assistência social. Historicamente, os sistemas de estado de bem-estar social assumiram modelos ou regimes diferentes em cada país, dependendo dos arranjos político-institucionais que fizeram parte do seu processo de desenvolvimento. Estas estão entre as principais razões que explicam o crescimento dos gastos com saúde e pensões na maioria dos sistemas de estado de bem-estar social do mundo, apesar dos esforços para limitar e da retórica neoliberal.

Políticas sociais e capitalismo

Os sindicatos, os contratos colectivos de trabalho, as políticas sociais aprovadas pelo Estado são todos caminhos contra as leis do mercado, mecanismos de autodefesa da sociedade contra os esforços do mercado para reduzir tudo – incluindo as pessoas – à forma de mercadoria. É este sentido antimercado que Polanyi dá ao movimento ou princípio de autopreservação da sociedade que Esping-Andersen chamou. Pode-se dizer, neste sentido, que os sistemas de Estado-providência representam uma contra-tendência relativamente ao domínio dos interesses do capital na nossa sociedade.

Uma nova visita às tipologias do welfare state

  • Regime liberal
  • Regime corporativo, ou de seguro social
  • Regime social-democrata
  • Uma palavra adicional sobre os diferentes regimes

Segundo Esping-Andersen, o eixo de análise que levou à construção desta tipologia é a relação público-privada que existe nos vários regimes do Estado-providência. O regime corporativo ou de seguro social, inicialmente desenvolvido pelo governo Bismarck na Alemanha Imperial no último quartel do século XIX, serviu de modelo para a maioria dos sistemas de bem-estar social europeus e em muitos países da América Latina e alguns países asiáticos. O compromisso com o pleno emprego é uma das características fortes do regime social-democrata do Estado-providência.

Tabela 3 – Diferenças percentuais entre receitas   e despesas das instituições de seguro social
Tabela 3 – Diferenças percentuais entre receitas e despesas das instituições de seguro social

As propostas neoliberais

  • A visão neoliberal ‘selvagem’
  • A visão neoliberal ‘civilizada’ do Banco Mundial
  • A agenda neoliberal para a área social - um resumo

Os serviços do pacote mínimo devem ser financiados pelos governos dos países em desenvolvimento e fornecidos principalmente aos pobres, em linha com a visão liberal do Estado-providência. A defesa da adopção de um pacote mínimo de serviços para os mais necessitados constitui o cerne da proposta do banco para o sector da saúde. Ao contrário dos documentos do Banco na área da saúde, que se destinam principalmente aos países em desenvolvimento, ou periféricos, as propostas para a segurança social não têm um endereço tão preciso, aparentemente visam todos os países.

Outras pressões sobre o welfare state

  • Mudanças econômicas
  • Mudanças demográficas

As mudanças nas condições económicas, brevemente resumidas acima, tiveram efeitos de dois tipos nas condições de financiamento dos sistemas de Estado-providência. Do ponto de vista demográfico, o aumento da longevidade e a diminuição das taxas de fertilidade em todo o mundo, especialmente nos países mais desenvolvidos, que possuem os sistemas de segurança social mais desenvolvidos, mudaram certamente a relação entre contribuintes e beneficiários do sistema. É claro que, nestas circunstâncias, o aumento da longevidade da população aumentou significativamente o custo dos sistemas de pensões.

Tabela 6 – Mudança na razão entre a população economicamente ativa   e o número de idosos em diversos países, por regime
Tabela 6 – Mudança na razão entre a população economicamente ativa e o número de idosos em diversos países, por regime

Mudanças no welfare state

  • Os tipos de mudança introduzidos
  • Mudanças no setor de saúde
  • Mudanças no setor de previdência social
  • Síntese das mudanças nos sistemas de welfare

Voltando-se para os países escandinavos, berço do regime social-democrata do Estado-Providência, Pekka Kosonnen mostra que não ocorreram mudanças significativas no que diz respeito aos seus respectivos sistemas de saúde. As mudanças ocorridas nos sistemas de saúde da maioria dos países europeus visaram principalmente aumentar a eficiência da sua gestão. A novidade nas propostas relativas aos sistemas de saúde é a introdução da lógica da capitalização nos sistemas de segurança social.

Tabela 7 – Grã-Bretanha, Alemanha e EUA Gastos totais com saúde,  como percentual do PIB e gastos per capita – 1960-97
Tabela 7 – Grã-Bretanha, Alemanha e EUA Gastos totais com saúde, como percentual do PIB e gastos per capita – 1960-97

Autoproteção da sociedade face à onda neoliberal

  • A ação ‘desde baixo’
  • Os arranjos político-institucionais

O estado de bem-estar social das democracias prósperas está agora no centro da discussão política e do conflito social. A importância de cada tipo de grupo de pressão, ou actor social, varia consoante o país e o tipo de regime de Estado-providência aí adoptado. Alguns autores também relacionam a amplitude dos sistemas de bem-estar social com as características das instituições políticas de cada país.

Os conflitos em torno do welfare state em resumo

Os casos de reformas com pouca ou nenhuma negociação com a sociedade – as reformas das pensões na Inglaterra em 1986 e as reformas da segurança social na Alemanha em 1997 – são muito mais a excepção do que a regra. Essas reflexões fazem parte de uma análise resumida do desenvolvimento do Estado brasileiro que incorpora também uma discussão sobre o desenvolvimento político e os direitos de cidadania no país. Acredito que o desenvolvimento do Estado desde 1930 tem sido caracterizado por dois tipos diferentes de conflito: o conflito sobre o lugar do país no sistema de poder internacional, que durante décadas separou os desenvolvimentistas dos liberais ou neoliberais; e o conflito entre um Estado que foi autoritário e socialmente conservador durante a maior parte da sua história e uma sociedade cada vez mais complexa que luta pelos seus direitos civis.

A transformação do Estado brasileiro em perspectiva de longo prazo

  • Estado periférico subalterno e cidadania restrita (1822-1930)
  • Desenvolvimentismo e cidadania em ampliação (1930-1964)
  • Interrupção e retomada da transformação (1964-1985)
  • Economia neoliberal e direitos sociais nada neoliberais (1985
  • A transformação do Estado brasileiro em resumo

Após a decretação do Estado Novo, a aliança entre a burocracia civil e militar do governo e os industriais fortaleceu-se. A Revolução de 1930 e o Estado Novo constituem um marco na mudança do Estado brasileiro, tanto no que diz respeito à tentativa de redefinir o papel do país e de sua economia no sistema internacional de poder, quanto nas relações entre Estado e sociedade. Juntamente com o Estado Novo, foi seguramente o período de maior retrocesso na validade dos direitos políticos na história do país.

Singularidades do Estado brasileiro

  • Relações com o centro do sistema interestatal
  • A ‘ocidentalização’ da sociedade brasileira

A singularidade da situação brasileira em resumo

C ONCLUSÕES

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Figura 1 - Ciclos Sistêmicos de Acumulação do Capital (esquema)
Tabela 2 - EUA, Alemanha e Suécia
Tabela 3 – Diferenças percentuais entre receitas   e despesas das instituições de seguro social
Tabela 6 – Mudança na razão entre a população economicamente ativa   e o número de idosos em diversos países, por regime
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Referências

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