Acrescento aqui o verbo ‘projectar’, para o situar no âmbito do design, mesmo numa perspectiva decolonial sobre as noções de design e. Nosso projeto na época pretendia promover a experimentação em design entre pesquisadores, professores e estudantes de design, participantes de movimentos sociais e pessoas interessadas em processos de participação democrática.
Aspectos históricos, sociais e econômicos do bairro da Terra Firme em Belém,
A questão da violência no bairro
Esses dados correspondem a estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (PEREIRA; SILVA, 2016) que, devido à realidade da violência, implantou uma Unidade Integrada Pará Paz (UIPP) em Terra Firme em 2012. Pereira e Silva (2016) analisaram as políticas de segurança pública promovidas pelo programa Pará Paz (então ProPaz) na Terra Firme e concluíram que a iniciativa, segundo a percepção dos moradores do bairro, não atinge o que se propõe.
A Escola Estadual Brigadeiro Fontenelle
Desde 2014, a professora Lilia Melo29 desenvolve ações culturais na escola por meio do projeto “Juventude negra periférica: da extinção à protagonista”. 29 A professora Lília Melo é funcionária pública da Secretaria de Estado de Educação do Pará e atua na escola Brigadeiro Fontenelle desde 2008.
Os coletivos culturais da Terra Firme
2016) Terra Firme Digital: Uma proposta de implementação de um bairro digital para o território da Terra Firme em Belém do Pará 32 Além de estar envolvido com o bairro por meio do ensino, estabeleci previamente vínculos com outros grupos culturais do bairro, como como do coletivo Casa Preta.
A professora de Língua Portuguesa e o surgimento do Cine Clube TF
Cine clube TF”, o projeto incentivou e possibilitou a geração de novos produtos audiovisuais com depoimentos de jovens, desta vez narrando sua visão sobre a realidade da periferia. Disponível em: https://www.instagram.com/cineclub_tf Figura 22 – Canal do YouTube do projeto Cine Clube TF.
Nas mídias e nos corpos: narrativas de exclusão sobre a juventude da Terra
Como esses jovens têm que ajudar nas despesas familiares, a maioria dos jovens faz biscates para compensar a renda, e por trabalharem – ainda que informalmente – e já terem filhos, são transferidos da classificação de jovens para adultos. No último capítulo falo sobre os aspectos que constroem a autonomia dos jovens periféricos na produção de contranarrativas nos capítulos posteriores.
Os estudos pós-coloniais
À medida que os estudos pós-coloniais amadureceram, o binarismo e o essencialismo na interpretação da relação colonizador-colonizado foram quebrados por escritores como Albert Memmi Edward Said Gayatri Spivak (1942-) e Homi Bhabha (1949-). Além dos Estados Unidos, os estudos pós-coloniais difundiram-se na Inglaterra, nos campos da crítica literária e dos estudos culturais, com Homi Bhabha (indiano e autor de The Place of Culture), Stuart Hall (jamaicano e autor de On the Diaspora) e Paul Gilroy (inglês, autor de Black Atlantic) os autores e livros mais famosos.
A Rede Colonialidade/Modernidade
Conceitos-chave desenvolvidos pela Rede Modernidade/Colonialidade
Sua finalidade é a concretização de um projeto humanístico que depende da superação da colonialidade do ser, do saber e do poder. A viragem decolonial é abertura e liberdade de pensamento e de outras formas de vida (outras economias, outras teorias políticas); superar a colonialidade do ser e do saber; distanciamento da retórica da modernidade e do seu imaginário imperial articulado na retórica da democracia. A colonialidade do ser produz a diferença ontológica colonial, que desdobra uma miríade de características existenciais fundamentais e noções simbólicas (MALDONADO-TORRES, 2007, p.151).
A partir daí, Maldonado-Torres defende que as pessoas racializadas e colonizadas deveriam ter predominância na problematização da colonialidade do ser, pois são elas que mais sofrem com a estruturação do racismo e, portanto, da desumanização, estabelecida como paradigma da guerra, uma vez que “o a colonialidade do ser refere-se à normalização dos acontecimentos extraordinários que ocorrem na guerra” (MALDONADO-TORRES, 2007, p.146, tradução nossa), incluindo todos os tipos de violações.
O pensamento fanoniano na elaboração da crítica à colonialidade
A falta de um modo de vida através da imposição de dominação através da linguagem e de outros componentes de significado, da exploração laboral, da dominação económica, entre outros factores, leva o colonizado a internalizar a dominação, o que promove a assimilação do complexo de inferioridade e a alienação de o colonizado. população. Neste contexto, aqueles que foram os beneficiários da exploração colonial e que estão preocupados em superar o colonialismo deveriam formular uma nova forma de pensar. Mas não pode ser o resultado de uma operação mágica, de um choque natural ou de um acordo amigável.
Fanon entendeu assim que a cultura nacional tinha que estar ligada à luta pela libertação de África (ou de outras colónias), ou seja, a luta de libertação em si é a manifestação cultural mais importante de uma nação.
A práxis decolonial de Paulo Freire
A Educação Popular na construção de espaços de libertação
Mejía aponta também as necessidades de reformulação pelas quais tem passado a Educação Popular, a primeira delas é a adaptação dos mecanismos de enfrentamento às novas formas de exploração do capitalismo globalizado e neoliberal, que, além de aprofundar suas leis básicas, atualiza suas formas . de controle e geração de lucro. Mejía acusa estas organizações de utilizarem a acumulação técnica da Educação Popular quando trabalham com grupos excluídos, mas retirando a figura política e de empoderamento. Mejía (2006) é de opinião que a Educação Popular possui elementos para intervir neste debate, especialmente nos processos educativos.
Como horizonte, a Educação Popular busca construir processos de autonomia baseados na organização de grupos excluídos, na mediação educacional, no diálogo de saberes, na negociação e no confronto cultural.
Aspectos decoloniais do pensamento freireano
Este é o seu lugar de expressão, que se expressa numa situação de subalternidade e no seu testemunho do domínio e da resistência dos oprimidos. A relação entre o educador e o aluno, que se baseia apenas em conhecimentos estáticos - que não problematizam, cujo conteúdo é cimentado no tempo e produzido em condições exóticas para as realidades dos alunos - não permite a compreensão da realidade em sua totalidade. . A teoria e a prática dos pedagogos bancários, que não dialogam nem problematizam, são vistas por Freire como imobilizadoras e fixadoras de atitudes no estado em que se encontram.
Identifica-se, portanto, com um movimento perpétuo em que o homem se vê inscrito como ser que sabe que está inacabado; um movimento que é histórico e tem seu ponto de partida, seu objeto, sua meta (FREIRE, 2005, p. 84).
Eurocentrismo no design e a colonialidade no design canônico
A sua principal referência sobre o valor do design para o desenvolvimento autónomo, a Declaração de Ahmedabad44, resultou da conferência homónima, organizada pelo Instituto Nacional de Design da Índia, e resultou num protocolo. 44 A Declaração de Ahmedabad sobre Design e Desenvolvimento Industrial (1979) foi o resultado de discussões sobre a promoção do design industrial nos países em desenvolvimento que decorreram da conferência. Na ocasião, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) e o Conselho Internacional das Sociedades de Design Industrial (ICSID) assinaram um protocolo que visa valorizar o design em iniciativas de desenvolvimento em países periféricos.
Em primeiro lugar, as suas ideias refletem as visões sobre o design criadas pelo Norte Global, cuja referência eram as economias prósperas e os modelos sociais dos países desenvolvidos.
Designs do Sul e o questionamento dos cânones do Norte Global
É neste sentido que Tony Fry (2017) acredita que uma transformação ontológica do design emergirá “das margens”, isto é, de lugares que ainda resistem aos efeitos do projeto capitalista colonial moderno. Tanto para os não-designers como para os designers, a capacidade potencial (e não real) do design como instrumento de mudança precisa ser compreendida. Segundo o teórico, o design para um mundo diferente exige uma nova e eficaz percepção do design baseada na sua história.
A nível social, a historicidade do design deve ser discutida em relação ao sistema capitalista colonial moderno patriarcal e, num sentido filosófico, a partir de uma perspectiva epistemologicamente racionalista e das ontologias dualistas que se tornaram dominantes.
Decolonialidade no design
Mais do que ampliar temas que foram marginalizados na história do design (como questões de gênero, raça, classe, entre outras opressões históricas), o DD busca desafiar e subverter normas, convenções, sistemas e linguagem dominante na área. Embora muitos estudiosos e profissionais já o façam, estes estudos têm recebido pouca atenção à luz das visões hegemónicas da história do design. A decolonialidade do design desafia, portanto, também a percepção de quais sujeitos estão autorizados a pronunciar e produzir conhecimento.
É lógico, então, que o campo do design deve reconhecer e superar tradições que geram opressão a partir de posições de privilégio.
Design e opressão como exercício decolonial no design e na educação
46 O canal da rede Design & Ospiração (https://www.youtube.com/c/DesigneOspiração/featured) conta atualmente com 1.400 inscritos. Pelo contrário: absorvem esse conhecimento de forma crítica e o perspectivam a partir da nossa realidade e necessidades” (SERPA et al. I: CRUZ, KLEBA e ALVEAR, 2021, p.441). Desta forma, todas as pessoas têm o potencial criativo para transformar a sua realidade, a partir da consciência desenvolvida nas lutas pela libertação.
Embora a rede tenha surgido da necessidade de encontros virtuais diante do isolamento obrigatório, sabemos que ações concretas são essenciais para a construção de uma prática libertária em design.
Diálogos em rede sobre pesquisas e práticas engajadas em design
A relação entre estes locais e outros países que também produzem investigação em design demonstra as desigualdades historicamente mantidas pela divisão internacional do trabalho. O autor defende uma orientação contra-hegemónica na investigação em design produzida por países sujeitos às condições coloniais contemporâneas. Diante disso, vemos o surgimento de pesquisas em design que questionam os estatutos exportados pelas metrópoles e analisam os efeitos da colonialidade na produção de conhecimento e na geração de materialidades outrora endógenas.
No entanto, é o colonizador quem determina as categorias qualitativas do que é produzido nos mundos colonizados, incluindo a investigação em design.
O ato criativo como uma opção decolonial e emancipatória
Neste capítulo apresento como as contribuições teóricas do pensamento decolonial e da educação popular se entrelaçam com as práticas desenvolvidas com os jovens do Cine Clube TF. Dessa forma, passei a perceber o ato criativo como uma pedagogia emancipatória, que se desenvolve na luta, no diálogo e na definição de estratégias de superação. O ato criativo faz parte da pedagogia da existência, no reaprender a ser, livre dos constrangimentos coloniais.
Enfrentar os nossos medos é trabalhar o lado oculto da certeza, é abrir mão da lógica que nos privou da experiência da vida.
Nossa trajetória de aprendizagem
Conhecendo a realidade do grupo: pesquisa exploratória
Como fator comum, os jovens indicaram que viram o projeto atingir o status de produtor audiovisual, pois entenderam que a linguagem do vídeo lhes permitiu difundir as linguagens artísticas que praticavam. Além deste acontecimento, em outras ocasiões me foi relatado que havia uma expectativa de que os jovens ‘ganhassem dinheiro’.
Construindo narrativas de resistência: pesquisa à distância
Em 2019, a professora Lilia deu outra palavra quando o então deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) concedeu emenda parlamentar ao Cine Clube TF. 51 Segundo relatos de integrantes do Cine Clube TF, o suicídio do jovem foi motivado pela homofobia de sua família evangélica. Essa relação fortaleceu o vínculo do jovem com a escola e ele passou a coordenar o GT de dança do projeto Cine Clube TF e a organizar oficinas para outros jovens do bairro.
57 Disponível em: https://www.oliberal.com/cultura/cinema/cine-clube-tf-exibe-producoes-selecionas-pela-lei-aldir-blanc-1.460056.
Organizando a resistência: pesquisa pós-isolamento
- Criando o espaço de diálogo
- Essa marca me representa? Leitura da marca por meio de entrevista aberta
- Buscando temas geradores coletivamente
- Auto investigação lúdica: acrósticos
- Dimensão histórica: construindo uma linha do tempo com emojis
- Nós existimos: reflexão sobre a organização do grupo, o propósito do projeto e os
- Ciranda pedagógica: buscando soluções em grupo
Também foi destacada a necessidade de formar coordenadores para que possam promover o conhecimento entre os participantes do GT, pois a formação técnica é fundamental para fortalecer as ações sociais do Cine Clube TF. No caso do projeto Cine Clube TF, a apresentação de episódios extraordinários vivenciados pelos jovens estimulou a reflexão sobre a experiência do engajamento coletivo. Além disso, permitiu compartilhar o conhecimento que o grupo acumulou com os últimos integrantes do projeto.
Surge então a questão: como o Cine Clube TF pode ajudar a garantir a dignidade dos seus jovens em situações onde o Estado está falhando.
Bordas indefinidas: pistas para uma prática decolonial em design
Disponível em: https://revistarecorte.com.br/artigos/vamos-me-demiti-do-dream-job-numa-startup-revolucionaria/. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br março-funebre-lembra-dois-anos-da-chacina-de-belem. Disponível em: https://revistaforum.com.br/noticias/dois-anos-apos-chacina-de-belem-periferia-da-capital-paraense-volta-a-sofrer-com-grupos-de-exterminio.
Disponível em: https://www.romanews.com.br/entretenimento/cine-clube-tf-recebe-programacao-especial-da-23a-feira-pan-amazonica/52059/.