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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O serviço social e a produção do conhecimento acadêmico-científico: um debate sobre o fenômeno da violência contra a mulher por meio de estudos. Agradeço a todos os estudantes de Serviço Social e Assistentes Sociais que contribuem para a produção do conhecimento. O Serviço Social e a produção do conhecimento acadêmico-científico: um debate sobre o fenômeno da violência contra a mulher por meio de estudos apresentados nos Congressos Brasileiros de Assistentes Sociais da década de 1990.

A partir da categoria gênero, a partir de autores que discutem o tema, propõe uma compreensão dos estudos sobre a violência contra a mulher no contexto do serviço social. CEFEMEA Centro Feminista de Estudos e Aconselhamento CEOM Centro Especial de Orientação à Mulher CFAS Conselho Federal de Assistentes Sociais CFESS Conselho Federal de Assistência Social. Atuar à luz desta realidade, que também é expressão da questão social, despertou no Serviço Social o aprofundamento técnico e teórico, mas também ético e político, do debate de gênero e justamente sobre a violência contra a mulher.

O segundo capítulo debruçou-se sobre os resultados da investigação dos resumos apresentados nas teses/volumes de comunicação do CBAS que introduziram o debate de género, continuando com uma reflexão mais descritiva e cuidada sobre a forma como os profissionais da área dos serviços sociais compreendem o tema da violência contra as mulheres. A pesquisa buscou revelar visões sobre o debate de gênero e especificamente sobre o tema da violência contra a mulher, a partir de trechos apresentados por estudantes e profissionais de serviço social nos Congressos Brasileiros de Assistentes Sociais (CBAS) realizados na década de 1990.

Uma discussão em torno da categoria gênero

O último aspecto citado por Barbieri (1993) afirma que o conceito de gênero provém do pós-estruturalismo, levando à revisão do estruturalismo e do marxismo. Para que esses componentes sejam efetivamente erradicados, identificamos que todos eles devem ser problematizados e peremptoriamente deslocados no momento em que discutimos atualmente a composição das relações de gênero no capitalismo. As relações de gênero não estão separadas dessas relações sociais que definem a consolidação dos sujeitos, estão ligadas a formas únicas de constituição social e devem ser consideradas com cautela na hora de diferenciá-las.

Vale ressaltar que as relações de gênero e o capitalismo se reproduzem e constituem o conjunto das relações presentes, mas as particularidades da constituição de homens e mulheres não são compreensíveis fora da esfera de exploração a que estão subordinados. Em conexão com essas decisões, estão incluídas discussões sobre a divisão sexual do trabalho, sobre os espaços que homens e mulheres compartilham neste ambiente e sobre a designação do público e do privado nas relações de gênero. Veloso (2000) cita Almeida (1996) que mostra que é possível utilizar o conceito de gênero sem necessariamente abandonar o debate que o patriarcado criou.

Veloso (2000, p. 08) cita Almeida (1998) quando relata que as relações de gênero concebem “um conjunto de imagens e lugares concorrentes e/ou complementares a serem negociados estrategicamente, por homens e mulheres integrando diferentes facções de classe e raça/ etnia, em qualquer contexto histórico”. Lauretis (1994) citado por Veloso (2000) relata que o sujeito apresenta determinadas características, como gênero e classe social, que farão dele um indivíduo.

Feminismos, processo histórico e contexto político

O “liberalismo” preocupa-se principalmente com a tarefa de “exigir direitos iguais para as mulheres em relação aos homens numa base jurídica”. Para Louro (1997), o isolamento social e político a que as mulheres foram conduzidas resultou no aumento da sua invisibilidade como indivíduos. Para Mies (2016, p. 841), nessa visão, tanto homens quanto mulheres são definidos pela perspectiva biológica.

Durante a década, o movimento ressurgiu com intensidade nos Estados Unidos e na Europa e as mulheres renovaram o debate sobre o equilíbrio de poder entre homens e mulheres (PINTO, 2010, p.16). Nesta segunda onda, o feminismo surgiu como um movimento libertador, buscando não apenas espaço para as mulheres na sociedade em geral, mas também uma nova forma de convivência, que pratique a liberdade e a autonomia sobre a ideia de ‘ser mulher’. Estas desigualdades foram identificadas através da combinação de questões sociais e políticas, que levaram as mulheres a politizar e a lutar contra o poder sexista.

Carneiro (2019, p. 273) destaca significativamente o feminismo brasileiro, relatando que durante muito tempo os feminismos estiveram enraizados em uma “visão eurocêntrica e universalizante das mulheres”, ou seja, uma visão focada em conceitos europeus que queriam alcançar as mulheres. As denúncias sobre as questões que envolvem as mulheres na sociedade brasileira em todas as formas de opressão têm levado à necessidade de as feministas reformularem seus discursos e ações políticas para intervirem na realidade das mulheres no Brasil. Para a autora, as diferenças de gênero contribuíram para a transformação das mulheres em sujeitos políticos.

Por exemplo, Carneiro (2019) cita Lélia Gonzalez (2000) quando enfatiza que o combate ao racismo deve ser uma prioridade política para as mulheres negras. Carneiro (2019) acredita que a diversidade de percepções e ações políticas leva à confirmação, como mencionado anteriormente, de que as mulheres se tornam novos sujeitos políticos, o que por um lado defende e identifica a diversidade e a desigualdade entre elas. Elas sofriam com dois problemas para as mulheres negras: por um lado, o viés eurocêntrico do feminismo brasileiro, ao omitir o papel central da questão racial nas hierarquias de gênero presentes na sociedade, e pelos valores de uma certa universalização. cultura (ocidental) para o grupo de mulheres, sem a mediação de que os processos de dominação, violência e exploração subjacentes à interação entre brancos e não-brancos constituíam mais um eixo articulador do mito da democracia racial e do ideal de tornar-se branco.

A criação do Conselho Nacional da Condição da Mulher (CNDM), em 1984, foi um marco para o feminismo no Brasil, que junto com o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA – Brasília) promoveu uma campanha nacional pela inclusão da mulher na nova constituição. Segundo Assis, Martins e Ferrari (2018), a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) foi criada em 2003 por meio do site “Gênero e Número”, que foi considerado por especialistas como um avanço para o movimento de mulheres no Brasil, mas houve redução orçamentária entre os anos de 2015 e 2018. Para os autores, houve variação no orçamento para política feminina na década anterior a 2018, e houve redução no governo Dilma Rousseff (2011), na seguinte anos houve um aumento contínuo nos investimentos da Secretaria, com pico de R$ 62,7 milhões em 2015.

A agenda feminista sobre a violência contra a mulher

Na década de 1980, o tema da violência contra a mulher tornou-se efervescente entre os itens das reivindicações feministas e também houve um impulso nos estudos sobre esse tema. Em função dos fatos surgiram diversas organizações sociais cujo foco principal era prestar assistência às vítimas de violência contra a mulher, sendo a pioneira na época a organização SOS Mulher. Em junho de 1980, foi realizada uma reunião de uma ativista do grupo Associação de Mulheres que tentou incluir pela primeira vez a questão da violência contra as mulheres nos movimentos feministas.

Os membros do SOS Mulher eram politizados, educados e tinham uma realidade económica diferente da das mulheres que serviam. Assim Pinto (2003, p. 81) relata que “as mulheres que formaram o SOS Mulher não foram vítimas de violência física. Em Valinhos, 1980, no II Congresso Paulista de Mulheres, foi criada uma comissão sobre violência contra a mulher, que passou a desenvolver debates sobre o tema.

Com o fim do SOS Mulher, houve necessidade de estabelecer redes de apoio, com o objetivo de ampliar a compreensão e o tratamento do fenômeno, e também de replicar serviços de atendimento especializado para estabelecer melhor assistência e competências no atendimento à violência contra o combate mulheres. Este evento declarou que os direitos das mulheres são direitos humanos e a violência contra as mulheres viola esses direitos. Em 1994, o Brasil assinou a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e também em 1996, a Convenção Interamericana de Belém do Pará para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, que exige a participação do Comitê Latino-Americano tive. para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM).

Todos esses acontecimentos têm grande impacto nos serviços sociais, pois entendemos que o fenômeno social da violência contra a mulher é um problema que faz parte do cotidiano das pessoas e pode se apresentar no ambiente interno (família, relações afetivas, por exemplo) como bem como no ambiente externo (trabalho, local público, sem vínculos afetivos ou familiares). 2 SERVIÇOS SOCIAIS E PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO: REFLEXÃO SOBRE A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES ATRAVÉS DE UM ESTUDO SOBRE OS RESUMOS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE TRABALHADORES SOCIAIS DE 1990. Como confirmam Lisboa e Pinheiro (2005), é de extrema importância para o Serviço Social Os serviços dialogam sobre a questão da violência contra as mulheres, uma vez que a violência é um fenómeno social de género que precisa de ser abordado através de intervenções sociais e estratégias políticas.

Isso, em suas diversas expressões, provoca a necessidade de atuação profissional em crianças e adolescentes, idosos, situações de violência contra a mulher [..] (IAMAMOTO, 2011, p. 62). Pensar na violência contra a mulher, que é uma das representações de um problema social, torna-se algo muito complicado, pois resolver o problema é complexo e de difícil resposta. Para tanto, é necessário considerar a articulação entre o serviço social e o pensamento feminista, que foi fundamental na criação de visões de mundo e atitudes sem violência contra as mulheres.

Serviço Social, marxismo e feminismos

Por outro lado, tem transmitido conhecimentos, descobertas e aprendizagens relacionadas com a discussão de género, violência sexual e feminismo no contexto académico e profissional do serviço social. O processo de coleta de dados foi dividido em duas partes: busca de referências bibliográficas para inventariar a discussão sobre gênero, feminismo, violência de gênero contra a mulher e serviço social. Foi promovido pela Associação Brasileira de Formação de Serviços Sociais (ABESS), pelo Centro de Documentação e Pesquisa de Políticas Sociais e Serviços Sociais (CEDEPSS), pelo Conselho Federal de Assistentes Sociais (CFAS), pela Associação Nacional de Assistentes Sociais ( ANAS) e a Subsecretaria de Serviço Social Estudantil da União Nacional de Estudantes (SESSUNE).

Tabela 2 - Quantidade de artigos apresentados no 7º CBAS no eixo temático “O papel dos serviços sociais nas mulheres e nas famílias”. Foi promovido e implementado pela Associação Brasileira de Educação em Serviço Social (ABESS), pelo Centro de Documentação e Pesquisa de Políticas Sociais e Serviços Sociais (CEDEPSS), pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e pelo Comitê Executivo Nacional de Assistência Social. Estudantes de Serviços (ENESSO). ). Realizamos uma síntese sobre o quinto eixo temático “Serviço social na articulação com gênero e relações étnicas”, e em seguida focaremos nos trabalhos que trataram do tema violência.

Tabela 5 - Quantidade de artigos apresentados no 8º CBAS no eixo “Serviço Social em relação às relações de gênero e étnicas”. Percebemos que dos 14 artigos apresentados na temática “Serviço Social em relação às relações de gênero e étnicas”, 02 abordaram a questão da violência. Indicam, portanto, uma compreensão dos estudos de gênero/feministas em seus trabalhos e chamam a atenção para o papel do Serviço Social em seus artigos.

Atualmente, em pleno século XXI, vemos que a discussão sobre a violência contra a mulher e a discussão sobre gênero tem avançado no campo do serviço social.

Referências

Documentos relacionados

Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educação e Humanidades Faculdade de Comunicação Social Programa de Pós-Graduação em Comunicação MESTRADO ACADÊMICO TURMA 2015.1