Atua na rede de saúde mental do Rio de Janeiro e tem formação em psicanálise lacaniana. Professor da disciplina de políticas públicas e saúde mental na disciplina de psicologia da Universidade Pública do Rio de Janeiro.
A existência de dois mundos: ¿manicomial vs reformado?
Pensar nas práticas “psi” me leva a refletir sobre minha própria prática durante minha trajetória na universidade e depois no hospital durante minha residência em psicologia. Então aquela primeira imagem, que representava uma transição de um “mundo de asilo” para um “mundo reformado”, desmoronou, e com ela meu primeiro projeto.
Instruções para fazer uma pesquisa
Não podemos pensar em nossas implicações sem pensar na transversalidade, que coloca em análise os diversos espaços que fazem parte de nossas vidas, ou melhor, “o entrelaçamento de posses e referências (sociais, econômicas, ideológicas, políticas)” (LOURAU, 1997, pág. 132). A descoberta da transversalidade é a descoberta dos conflitos, das lutas sociais: ela mesma é fonte de conflito porque é lugar de resistência, do não dito” (LOURAU, 1997, p. 133).
Encontros e desencontros
Histórias mínimas: Crônicas de um inicio
- Um encontro autopoiético
- A máquina
- A banda
- Insensata
Cheguei à referida exposição: havia arte aplicada, vendiam-se alimentos e também outras coisas produzidas por usuários de Saúde Mental. Tentei fazer isso de alguma forma: o grupo está interessado em explorar áreas fora da Saúde Mental.
A questão do cuidado na pesquisa: com quem e para quem?
Então eu entrei e tentei consertar um pouco, mas a banda não tem jeito, é isso que a banda é (risos). É perturbador, o som que a gente faz oscila, não tem linha reta, sai, é como se a banda estivesse sempre se cruzando, é disso que eu gosto.” (Entrevista com Luiza, 11 de julho de 2012).
Normas que antecedem. Os antecedentes das normas: bastidores
A situação do Brasil
A principal inovação da última resolução é levantar a possibilidade de uma resolução específica focada nas ciências sociais e humanas. Ele acrescenta que um dos problemas que os pesquisadores sociais enfrentam atualmente é a dependência das Comissões de Ética em Saúde.
Debates na Argentina
A nova resolução diz que como toda pesquisa tem risco, o pesquisador tem que prever a forma como irá compensar esse sujeito.." (Entrevista com Roberto, 9 de outubro de 2013) Diante da minha expressão de surpresa, ele afirma: “Eu juro isso. É verdade, é verdade. Várias questões foram acrescentadas à nossa problematização inicial após a conversa com Roberto: as questões relativas às atuais diretrizes de ética em pesquisas envolvendo seres humanos cessariam se houvesse uma solução específica para as ciências sociais?; Esta nova resolução imporia padrões a serem cumpridos para ser um “bom” pesquisador?; haveria alguém.
Em nome da ética: entre a ética prescritiva e a presunção de desonestidade. 34
Pensei que se a exigência fosse proteger pessoas presumivelmente vulneráveis de possíveis abusos por parte do pesquisador, que problema teria um coordenador, um psiquiatra, em conversar comigo? Afirmar ingenuamente a cidadania, neste caso, pode implicar aceitar servilmente um procedimento que afirma os poderes de subjugação e servidão do eu. Reconhece, assim, as diferenças identificadas entre entrevistador e entrevistado: “nas sociedades essencialmente desiguais em que vivemos e trabalhamos, a maioria das entrevistas não são realizadas com indivíduos que estejam efetivamente em pé de igualdade connosco” (PORTELLI, 1997).
É importante, portanto, ressaltar que dispositivos que se apresentam como a-históricos, neutros, objetivos criam uma realidade, omitindo e naturalizando os efeitos dessa construção. No momento, acredito que optar por não solicitar autorização não foi renunciar à pesquisa, às questões do tema que havia escolhido, mas sim modular a relação com o outro a partir de uma reflexão, que se tornou uma ação, de autocuidado .
A pergunta pela academia
O retorno do inesquecível: o dispositivo de apresentação de doentes
Isto teve impacto na medida em que começaram a existir cursos de especialização em Saúde Mental e foram criadas residências em Saúde Mental. Nesse processo surgirá o protagonista da reforma psiquiátrica brasileira, o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). Mas a terceirização da Rede Pública, paradoxalmente neste caso, facilita a minha entrada na Rede de Saúde Mental.
Seminário Nacional de Saúde Mental: Desafios da Formação realizado em maio de 2009 em Belo Horizonte. O objetivo deste projeto é identificar e analisar as experiências das associações de usuários no desenvolvimento de políticas de saúde mental no Brasil e na Argentina. Além disso, em setembro e outubro de 2010, realizei estágio externo na rede de Saúde Mental de Niterói.
Promovem também a participação da comunidade no sistema de saúde mental (OMS, 2001). Identificar e analisar as experiências das associações de usuários no desenvolvimento de políticas de saúde mental no Brasil e na Argentina. Descrever e analisar o surgimento e o desenvolvimento das associações de usuários de saúde mental no Brasil e na Argentina.
Voltando à roda
Instruções para ter uma conversa: a história oral
As primeiras conversas
Escrever falando. Da oralidade à escrita
No relato de José apareceram os encontros com Nise da Silveira, as primeiras experiências da Reforma e o encontro com a psiquiatria “mais dura”. Na verdade, entrei nesse campo da reforma psiquiátrica ainda estudante, mas não convidado pela universidade. Isso aconteceu ao mesmo tempo em que as ideias da reforma viraram política pública e a coordenação da saúde mental ficou vinculada a pessoas ligadas à reforma psiquiátrica.
Vocês viram quantas coisas mudaram nestes trinta anos, algumas coisas positivas, por exemplo as ideias de reforma foram transformadas em políticas públicas. Logo após o início da entrevista, quando expliquei meu tema de interesse, ele disse: “Mas qual método você quer usar?
O problema da representatividade
A primeira é de Douglass12, que fala sobre a relação entre escravos e a hierarquia escravista; a outra é de Mauri, um trabalhador de Terni, que fala sobre a relação entre a classe trabalhadora e a guerra. Engerman chegou à conclusão de que os escravos eram açoitados em média 0,7 vezes por ano. No entanto, Portelli afirma que a importância do relato de Douglass, bem como um questionamento crítico do relato de Fogel e Engerman, é que eles estabelecem a diferença entre escravos e trabalhadores livres, ou seja, entre aqueles para quem existe a possibilidade de serem chicoteados e os. que subjetivamente não consideram mais essa possibilidade.
Lá, Mauri "descreve o dia em que os trabalhadores da fábrica de Terni se reuniram na praça para ouvir o discurso de Mussolini em alto-falantes anunciando a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial". Portelli questiona se as narrativas de Douglas e Mauri são representativas (do grupo, da época), mas opta por pensá-las mais em termos de “possibilidade” do que de significado.
Instruções para contar uma história: Apontamentos sobre micro-história
Segundo Albuquerque Jr. Carlo Ginzburg acusa Foucault de se recusar a usar a interpretação associada à redação do caso Pierre Rivière. Para Foucault, o discurso em si é um acontecimento histórico, enquanto para Ginzburg simplesmente se refere ou representa um acontecimento” (ALBUQUERQUE JR., 1990, p. 103). O que se percebe é que diferentes Rivières serão produzidos por cada discurso; o discurso psiquiátrico constrói a Rivière louca, o discurso da justiça constrói a Rivière cruel..” (ALBUQUERQUE JR., 1990, p. 105).
A perspectiva que Foucault assume ao escrever sobre Rivière faz parte de uma leitura particular e de uma forma de ver o mundo. Ele utiliza a genealogia para pensar tanto as práticas discursivas quanto as não discursivas, e a relação entre elas (CASTRO, 2004).
A Reforma Psiquiátrica e seus efeitos nos Cursos de Psicologia do Rio de
Paula acrescentou que o professor que ministrava a disciplina também trabalhava na Rede de Saúde Mental de Niterói e oferecia estágios. Algumas matérias que fiz no início. refere-se aos sujeitos que falaram sobre saúde mental). Durante a graduação, junto com nossos alunos mais velhos, comecei a descobrir o que era a área da saúde mental.
Essas questões vão ao encontro dos temas discutidos no seminário Saúde Mental: Universidade e Reforma Psiquiátrica, realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, de 22 a 24 de novembro de 2007, organizado pelo Coletivo Estudantil Espaço e Saúde. tanto Ana Marta Lobosque como o coletivo de estudantes encontram algumas contradições entre a atividade académica e os princípios da Reforma.
Reforma do currículo
Nós também – eu e Lívia Cretton, mestranda e parceira de estágio – fizemos aos alunos perguntas que nos questionavam sobre a formação, os primórdios da prática antimanicomial e as políticas atuais de saúde mental. um currículo baseado em competências e habilidades profissionais”. Pessoas, em suma, que se veem cuidando da saúde mental dos outros em situações cada vez mais precárias. Assim, as memórias de José reúnem os diversos discursos da época, no nível universitário e no campo da saúde mental.
É um caminho que não envolve diretamente a faculdade; então tem algumas pessoas que estão interessadas em saúde pública, saúde mental. É improvável que os residentes, quando vêm para cá, sejam treinados na questão da saúde mental.
A vida vai se formando: formação em serviço
No mesmo ano fiz estágio, como bolsista acadêmico, passei um ano na área de saúde mental. Pessoas de todo o Brasil vieram para esse curso, começamos a fazer essa questão da Reforma Psiquiátrica, a questionar a lógica do manicômio. Durante a entrevista com Sandra, ela também articula os diferentes espaços que foram criados com o intuito de formar pessoas que irão sustentar e dar continuidade ao processo de Reforma que tem ocorrido nos Serviços de Saúde Mental.
Candidatou-se a uma universidade federal, matriculou-se e criou uma disciplina optativa em Políticas Públicas em Saúde Mental. Lá, no âmbito da coordenação estadual de saúde mental, sempre desenvolvemos atividades formativas, sempre intimamente relacionadas à formação.
A relação entre a Universidade e a militância em saúde mental: olhares de
Fizemos uma reunião com eles na época e tivemos a seguinte ideia: os próprios alunos iriam fazer um curso de formação em Saúde Mental. Criamos um coletivo, o Fórum Mineiro de Formação em Saúde Mental, e esse coletivo foi quem promoveu esse evento e hoje existe em Minas como um grupo específico de Luta Antimanicomial que busca intervir na questão da formação. Os psicólogos que atuam na saúde mental hoje não se veem mais como agentes políticos, se veem como técnicos, profissionais.
Uma composição que inclui, sem dúvida, políticas alinhadas com o movimento antimanicomial e as ideias da reforma psiquiátrica, mas também inclui formas de gestão da saúde mental precária e a criação de novas ajudas asilares, como as comunidades terapêuticas. A actual “falta de activismo” na saúde mental pode ser pensada fora deste contexto, que inclui tanto os idosos como os jovens.
Instruções para fazer uma pesquisa II
Esta experiência me permitiu ter contato com a situação de muitos usuários dos serviços de saúde mental na Argentina, especialmente na província de Buenos Aires. Do ponto de vista histórico-social, existem diferentes etapas em que as representações sobre os usuários dos serviços de saúde mental diferem. Neste contexto, as associações de usuários de saúde mental adquirem protagonismo e como atores sociais a sua participação é essencial.
A Argentina aderiu aos tratados internacionais mencionados, mas somente em novembro de 2010 foi sancionada a primeira Lei Nacional de Saúde Mental. Investigar as ligações entre associações de usuários de serviços de saúde mental e outros atores sociais (regionais, locais) em relação ao desenvolvimento de políticas de saúde mental. Identificar, na perspectiva das associações de utilizadores, experiências de participação no desenvolvimento de políticas de saúde mental e como isso afecta as próprias associações.
Participação social, decisores políticos e controlo social: construção de capacidades no domínio da saúde mental.