Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Administração em Saúde, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Administração em Saúde) - Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Esta tese analisou a experiência de um serviço especializado no atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência, no Hospital Infantil Ismélia Silveira, em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, por meio da aplicação de questionários e pesquisa documental, com o objetivo de analisar a construção da interseccionalidade em um serviço de atenção e demonstrar a importância de sua inclusão formal nas políticas públicas.
Tornou-se possível descrever o processo de construção de ações intersetoriais por iniciativa dos profissionais dos serviços; observar a falta de políticas intersetoriais formais para atendimento às vítimas de violência no município de Duque de Caxias; perceber o tema da violência como motivador para o desenvolvimento da interseccionalidade; e, por fim, confirmar a percepção da sua importância para a prestação de cuidados integrais a este público-alvo. Em março de 2000, foi criado o Ambulatório de Apoio à Família (AAF), no Hospital Infantil Ismélia Silveira (HIIS), no município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro, para atendimento sistemático e multidisciplinar de crianças e adolescentes (e suas famílias) vítimas de violência. Família atendida no Hospital Infantil Ismélia Silveira, no município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro.
INTEGRALIDADE, INTERDISCIPLINARIDADE, INTERSETORIALIDADE E POLÍTICAS INTERSETORIAIS
Contexto da intersetorialidade
Em sua dissertação, Andrade (2004) faz um relato histórico do surgimento dos princípios da 'medicina social' na Europa no século XIX, denominados 'Promoção da Saúde' de 1941 e 'Intersetorialidade' da Ata da Conferência de Alma. O tema desta conferência centrou-se no conceito de promoção da saúde, que define as condições e requisitos para a saúde como: paz, educação, habitação, alimentação, renda, ecossistema estável, justiça social e igualdade (ANDRADE, 2004). A Norma Operacional Básica 1996 (NOB-96) organiza as ações de saúde no próprio campo do atendimento emergencial e define os determinantes sociais do processo doença-doença.
A partir de 2006, o Pacto pela Saúde reforçou a importância da promoção da saúde e passou a propor redes (BRASIL, 2006).
Iniciativas para assistência integral através de ações intersetoriais
A indicação de profissional de Educação Física para funcionamento das Academias de Saúde é de responsabilidade das Secretarias Municipais de Saúde. Considerando os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e a falta de ações intersetoriais entre as Secretarias de Saúde e de Esportes, os municípios enfrentam dificuldades na contratação desse profissional. . Por isso o Ministério da Saúde autorizou o funcionamento das academias por qualquer profissional de nível superior que já faça parte da Equipe de Saúde da Família.
Em Campina Grande, na Paraíba, o programa de saúde mental desenvolveu uma política para articular uma rede de cuidados que, segundo Azevedo (2012, p. 95), permitia a “corresponsabilização pela ajuda e pela assistência.
VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE
Perfil da violência contra a criança e o adolescente no município de Duque de Caxias de Caxias
A Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias (SMS/DC) implantou o Programa de Prevenção de Acidentes e Violências, responsável por organizar a rede de atendimento e construir redes de apoio. A rede assistencial é composta pelas diversas unidades de saúde envolvidas na resposta à violência, de complexidade variada. As redes de apoio incluem, além dos serviços de saúde, outros recursos disponíveis na comunidade, como outras secretarias municipais, ONGs, Conselhos Tutelares e Ministério Público.
As notificações de violência contra crianças e adolescentes no município de Duque de Caxias são caracterizadas pelo maior número de casos entre mulheres (Tabela 5); em crianças menores de cinco anos e adolescentes entre 15 e 19 anos (Tabela 6); Os dados apresentados referem-se ao ano de 2012, mas ao analisar os dados preliminares de 2013, estando ainda pendente o registo dos dados, verifica-se que os dados de 2013 seguem a mesma tendência do ano anterior.
OBJETIVOS
Objetivo geral
Objetivos específicos
MÉTODO
Segundo o autor, após a ordenação e classificação dos dados, a análise final (interpretação) deve “responder às questões de pesquisa com base nos seus objetivos, promovendo relações entre o concreto e o abstrato, a teoria e a prática”. Todos os participantes da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 2), autorizando sua participação na pesquisa. O projeto de pesquisa foi apreciado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Medicina Social da UERJ (IMS-UERJ), sob número de protocolo.
LOCALIZAÇÃO DO CAMPO DE PESQUISA
O município de Duque de Caxias
O 4º distrito de Xerém, o de menor densidade demográfica e maior área territorial, possui 239 km² e corresponde à zona rural do município, onde reside 6,6% da população. Segundo dados do Plano Municipal de Saúde de Duque de Caxias (2012), aproximadamente 70% dos domicílios têm acesso à rede geral de abastecimento de água; 57% possuem rede de esgoto e 88% possuem coleta regular de lixo; 92,4% da população com mais de 15 anos é escolarizada; O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era de 0,753 em 2000; e o PIB per capita em 2003 ficou em segundo lugar entre os 92 municípios do Rio de Janeiro.
Rede de saúde no município de Duque de Caxias
O setor de internação conta com 53 leitos para internação clínica, com média de 210 internações por mês e cinco leitos para internação cirúrgica, eletiva e de baixa complexidade.O HIIS conta com os seguintes serviços de apoio diagnóstico: Radiologia e exames laboratoriais e ultrassonográficos 24 horas. . O hospital funciona atualmente com 549 funcionários. Na década de 1990, o HIIS denunciou casos de abuso infantil ao Tribunal de Menores e ao Ministério Público. A partir de 1997 instituiu o Formulário de Denúncia de Maus-tratos Infantis como instrumento e também passou a ter como parceiro o Conselho Tutelar.
RESULTADOS
- O Ambulatório de Apoio à Família
- A construção da intersetorialidade no AAF
- A identifcação da necessidade de referências fora da Secretaria de Saúde
- Benefícios alcançados
- Dificuldade encontradas nos encaminhamentos para referências
- Motivação para construção da intersetorialidade
Esta coordenação entre a equipa da AAF e estes e outros órgãos ocorreu por iniciativa dos profissionais. Com base nesta experiência, os profissionais da AAF esperavam estabelecer ligações com estas e outras instituições. Com o tempo, a equipe da AAF conquistou a confiança de diversas instituições, estabeleceu acordos e resoluções conjuntas (ainda que informais) e passou a emitir relatórios técnicos para processos judiciais.
A equipe da AAF passou então a ser reconhecida como referência no atendimento às vítimas de violência e passou a participar de atividades educativas, reuniões sobre o tema, atividades promocionais e preventivas em escolas municipais, ministrando cursos de medicina, incluindo a elaboração e publicação de um artigo sobre o protocolo de atendimento médico às vítimas de abusos de violência sexual. A equipe da AAF participa de eventos promovidos por diversas autoridades como: Secretaria de Estado da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias, Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, ONGs, Delegacias, Conselho Curador, Ministério Público. Após o pré-teste, o instrumento foi apresentado a todos os profissionais da AAF em uma de suas reuniões de equipe e distribuído para ser respondido e devolvido ao pesquisador no prazo de sete dias.
Os relatórios registados nas actas das reuniões da equipa FASH comprovam a importância e os benefícios da assistência intersectorial, destacou. O acesso é sempre facilitado pela equipa da FASH através do contacto com alguém da referência que já conhece a FASH, que normalmente visita os contactos relevantes, mostra o trabalho realizado, oferece e pede ajuda. Conforme mencionado anteriormente, os profissionais da FASH apontaram como dificuldade o fato de a criação de parcerias ser feita a partir dos profissionais e não como parte de uma política pública intersetorial, o que exige um esforço maior da equipe.
Todos os profissionais da AAF relataram desconhecer uma política intersetorial municipal, sendo que dois citaram como experiências iniciais com a intersetorialidade a participação nas “Audiências Concentradas”, uma iniciativa da Vara da Infância e da Juventude que inclui diversas secretarias municipais, o Conselho Tutelar, a AAF se reúne. , ao Ministério Público e ao Ministério Público para participarem em audiências em centros de acolhimento, com o objetivo de promover a reintegração familiar. Dois profissionais da AAF mencionaram a “fé” que as famílias têm na AAF e esses profissionais entendem que devem abordar isso prestando um cuidado integral e necessariamente intersetorial.
DISCUSSÃO
Outra motivação identificada foi a lógica de trabalho em equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF). Moretti (2010) relata que os grupos de saúde bucal da Rede Municipal de Saúde de Curitiba-PR também promovem ações intersetoriais em diferentes atividades de promoção da saúde, especialmente atividades de educação em saúde do grupo, tendo a odontologia como principal elo da unidade de saúde. escolas. A situação é semelhante à dos serviços de saúde mental, que necessitam muito de ajuda de diversos setores: saúde, assistência social, educação, justiça, entre outros (COUTO, 2008).
Essa reflexão é reforçada por Junqueira (2000), que define a intersetorialidade como um dos eixos estruturantes das políticas públicas de saúde. Na maioria das vezes, por iniciativa dos profissionais (buscas pessoais e/ou grupais), como a prática de elaboração de políticas públicas orientadas pela lógica intersetorial ainda é incipiente, porém não faz parte da rotina de todos os profissionais de saúde incluídos. e gerentes. Produção de conhecimento e intersetorialidade em prol das condições de vida e saúde dos trabalhadores do setor sucroalcooleiro.
Intersetorialidade nas ações de promoção da saúde realizadas pelas equipes de saúde bucal em Curitiba (PR). Ações de prevenção de acidentes e violências em crianças e adolescentes, desenvolvidas pelo setor público de saúde de Fortaleza. Estudo sobre violência doméstica contra crianças em unidades básicas de saúde da cidade de São Paulo – Brasil.
Um guia para responder ao abuso de crianças e adolescentes: Diretrizes para pediatras e outros profissionais de saúde. Questionário aplicado aos membros da AAF para pesquisas no mestrado profissional em administração em saúde/IMS/UERJ.
O primeiro caso diz respeito a uma criança de 9 anos que foi encaminhada para a AAF pelo Conselho Tutelar (RT) em 2009. Ela era agressiva na escola e morava com a tia e o tio desde os cinco anos de idade, depois de ver sua mãe ser morta pelo pai, que estava fugitivo. . Os tios não a deixam contar o que aconteceu com a mãe, pensando que assim ela esquecerá os fatos.
Discutir o caso com o conselho de curadores local. Apoio e orientação da equipe escolar. Tratamento psicológico de uma menor e de seus tios. Arranjo de tutela de menor. Novos apartamentos para o menor e seus tios através do programa habitacional Inclusão do menor no curso de teatro. Entrar em contato com o CT de Macaé com solicitação de intervenção em caso de violência cometida pela irmã adolescente do paciente.
O segundo caso diz respeito a uma criança do sexo masculino, de 4 anos, encaminhada pelo CT em 2001 após o avô paterno denunciar violência física por parte da mãe. A equipe tentou envolver o pai na educação dos filhos e buscar a responsabilização pelo vínculo, mas não teve sucesso. A equipe da AAF pode auxiliar a família matriculando os filhos em creche e Sala de Recursos por meio de contato com a Secretaria Municipal de Educação, além de atividades por meio da Secretaria de Esporte e Lazer e Curso de Informática para irmãos maiores.
Foi expedido encaminhamento para garantir pensão alimentícia, o que já permitia à mãe autonomia na criação dos filhos antes do avô. A equipe da AAF aciona o pai da menor (que nega abuso sexual) para responsabilizá-lo pelo tratamento psiquiátrico da mulher, que funciona.