O que é violência? Em busca de uma definição
A violência no contexto escolar
A partir das considerações dos estudos de Sposito (1998 e 2001), é possível compreender melhor a história das pesquisas sobre violência escolar no Brasil. De seguida, centrar-nos-emos mais especificamente na análise da violência escolar enquanto fenómeno intramuros, destacando as suas configurações mais específicas e distinguindo-a da violência fora da escola.
Violência NA escola e violência DA escola: reconhecendo manifestações,
Nem tudo é violência
Utilizar elementos que possam definir o que será considerado violência escolar significa distinguir entre outros comportamentos que estão presentes no cotidiano. A linha tênue entre a questão da violência escolar e a indisciplina é, portanto, clara, mas esta última é mais especificamente caracterizada por sinais de rebelião, desafio às normas estabelecidas, que se traduzem em falta de educação, desordem ou agitação motora.
Bullying: um novo nome para um antigo conhecido
Quando tentamos identificar na literatura os motivos que determinam o aumento da violência escolar, verificamos que um dos aspectos mais estudados é a sua relação com a desigualdade social, ou seja, a sua dimensão estrutural. Mais do que a pobreza em termos absolutos, seria um certo agravamento da desigualdade social, a extrema desigualdade na distribuição dos rendimentos a par da coexistência no mesmo espaço de dois mundos - excluídos e incluídos - um dos quadros favoráveis às relações de violência e às suas consequências . sobre a escola (SPOSITO, 2001, p. 5). Durante o período monárquico, a sociedade resolveu seus conflitos, em geral, com o uso da violência.
Portanto, essa violência estrutural atribuída ao aumento da violência escolar diz mais sobre a violência urbana como o elemento presente no cotidiano escolar, caracterizado no capítulo anterior como externo. Assim, os elementos que isso acarreta nos ajudam a compreender a dinâmica das manifestações da violência escolar. A autora afirma que para a maioria dos professores a violência dentro da escola aparece como reflexo da realidade da violência social, que é externa à escola (p. 140).
No estudo, ela destaca que os professores percebem a violência na escola como um fenômeno derivado fundamentalmente da violência social, que afeta a dinâmica da escola, têm grandes problemas em perceber as formas de violência geradas pelo contexto da própria escola, e em nesse sentido eles percebem a escola. a violência como uma dinâmica que se reflete de fora para dentro.
Escola: espaço da igualdade ou da diferença?
Além de ser inexequível, há ainda que se perguntar se tal exigência não é sustentável e desejável e em que termos o é ou não (RAMOS, 2011, p. 71). A ideia de igualdade baseia-se no pensamento moderno e ocidental de universalização, em que o reconhecimento do cidadão, como sujeito de direito, independe de religião, orientação sexual, raça, nacionalidade e etnia, com base nas ideias . da dignidade humana e da justiça social. Por outro lado, a diferença é vista como o oposto da igualdade, um obstáculo que deve ser superado para construir uma sociedade justa e democrática.
São eles: “o outro como fonte de todo mal; o outro como sujeito pleno de um grupo cultural e o outro como sujeito a ser tolerado”. Analisando a relação igualdade-diferença, Ramos (2011, p. 39) indica que qualquer reivindicação de igualdade serve apenas para legitimar o discurso ocidental moderno, segundo o qual a ideia de dignidade humana e justiça social é construída a partir de uma perspectiva ocidental. O caminho proposto pelo autor é pensar a escola como espaço de diferença e não como vetor de uma ideia de igualdade apoiada na primazia dos iguais que elimina e/ou absorve o que é diferente.
Neste cenário, percebemos que termos como “tolerar” e “aceitar” são utilizados para esconder os diversos adjetivos do multiculturalismo; e dentro dessas tonalidades, o “aceitar” o outro aparece sempre com uma atitude hegemônica.
Currículo e Cultura: elementos para pensar a violência
Todos a favor da construção de um projeto epistemológico, ético e político, baseado numa crítica à modernidade ocidental e aos seus postulados históricos, sociológicos e filosóficos. Consolidou-se pela luta de grupos sociais, discriminados e excluídos da cidadania plena, com os movimentos sociais, especialmente aqueles ligados a questões étnicas, notadamente, aqueles relacionados às identidades negras. A última posição enfatizada é a do “multiculturalismo crítico e resistente”, que parte da afirmação de que o multiculturalismo deve ser estabelecido com base numa agenda política de transformação.
É uma posição que entende as representações de raça, gênero e classe como produtos de lutas sociais por signos e significados. Esta perspectiva baseia-se na ideia de prática política, que se opõe à geopolítica hegemónica monocultural e monoracional do conhecimento, pois trata-se de criar estruturas e instituições visíveis, confrontantes e transformadoras. Apesar da política liberal, há uma maior consciência da monoculturalidade da escola, que é acompanhada pela necessidade de desagregação e construção de práticas educativas que dizem respeito às diferenças, pelas quais entendemos a escola como um espaço fluido e complexo, repleto de inúmeras tensões e conflitos. .
Neste debate, a escola pública assume importância, pois esperamos uma escola que possa não apenas enfrentar a diversidade e as desigualdades, mas também estar pronta para contribuir para a construção de uma escola que constitua o espaço de sua mudança, manifestação e diálogo.
Educação em Direitos Humanos: construção de caminhos e possibilidades
Compreendendo a Educação em Direitos Humanos
Desde então, a educação em direitos humanos ganhou cada vez mais visibilidade, assim como as suas experiências também aumentaram na América Latina. Nesta pesquisa, apresento os contextos em que surgiram projetos de educação em direitos humanos na América Latina. Ao longo do tempo, o que se diz sobre a educação para os direitos humanos mudou, assumindo significados de muitas maneiras diferentes.
Dada esta realidade, existe o perigo de incluir demasiadas dimensões da educação para os direitos humanos. Ele forneceu uma avaliação crítica da educação em direitos humanos na América Latina. Assim, os processos de educação em direitos humanos devem favorecer o processo de formação dos sujeitos de direito, tanto a nível pessoal como coletivo.
Atualmente, como aponta Ramos (2011, p. 34), a educação em direitos humanos consiste fortemente em uma série de exigências jurídico-políticas.
A escolha do campo e os desafios da construção de uma metodologia de
Conhecendo melhor a “Pedro”
Quanto à localização, a escola está localizada próxima a Saracuruna e pertence ao segundo distrito do município de Duque de Caxias, distante cerca de 19 km da região Centro do município. Economicamente, a cidade de Duque de Caxias apresentou grande crescimento nos últimos anos, sendo a indústria e o comércio as principais atividades; Existem aproximadamente 809 indústrias e 10.000 estabelecimentos comerciais no município e de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2005 o município registrou o 46º maior PIB (Produto Interno Bruto) nacional e o segundo maior na tabela classificativa. estado do Rio em janeiro, com um total de 18,3 bilhões de reais. Uma das maiores refinarias da Petrobras, a Refinaria Duque de Caxias, está localizada no município e também conta com um complexo químico de gás e uma usina termelétrica.
O entorno da unidade de ensino também tem vivido momentos de incerteza com o aumento da criminalidade na região e o aumento do tráfico de drogas, que tem sido intenso, gerando medo na região e, segundo a equipe da escola, afetando cada vez mais quem está próximo. unidade. Em termos de estrutura física, a unidade possui espaço distribuído entre dois prédios, um principal onde são distribuídas as turmas do Ensino Fundamental e outro mais recente denominado Anexo, onde são distribuídas as turmas da Educação Infantil, este último está localizado a uma quadra do o edifício principal. 15 Informações colhidas no Projeto Político Pedagógico 2013 da Escola Municipal Pedro Rodrigues do Carmo.
É uma escola grande em número de alunos, mas também tem uma ótima equipe.
Percorrendo os caminhos metodológicos
Portanto, cabe ao sujeito da pesquisa escolher a melhor abordagem de investigação, bem como os instrumentos de coleta de dados mais adequados ao seu foco de pesquisa. Com o roteiro de entrevista previamente estabelecido pude iniciar a segunda fase, que teve como foco a coleta de dados. Ressalto que solicitei a colaboração deles e todos os entrevistados estiveram disponíveis para as entrevistas.
Ao coletar os dados, por meio da realização de entrevistas, foi necessário focar minha atenção no processo de interação realizado por meio de perguntas. Essa etapa envolveu examinar de perto a realidade de cada espaço e captar suas peculiaridades, além de estabelecer contato direto com os assuntos estudados. Após o período de coleta de dados na escola, a segunda fase do trabalho consistiu na transcrição das entrevistas.
Essa etapa envolveu olhar atentamente para a realidade da escola durante as visitas, captando assim suas peculiaridades, mas também estabelecendo contato direto com os assuntos estudados.
O que nos diz a escola sobre a violência: significações em
Escola e Universidade: parcerias possíveis
Quanto aos NEDHs – Núcleos de Educação em Direitos Humanos, estes foram implementados em quatro escolas da rede pública municipal de Duque de Caxias, como locais que criam estratégias pedagógicas dentro desta modalidade de ensino. Cada NEDH se consolidou como centro distrital de referência, incentivo e apoio às escolas de suas microrregiões que desejam trabalhar na perspectiva da educação em direitos humanos. Este projeto resulta do acúmulo de experiência desenvolvida pelo NEC, projeto da UERJ, instalado em 1999, que constitui um espaço de formação da rede, a fim de incentivar, assessorar e influenciar o estabelecimento de políticas públicas para a educação em direitos humanos. e o meio ambiente. , por meio da formação de parcerias entre a universidade, o poder público e a sociedade organizada.
Em 2005, com o apoio do MEC/SECAD, foi estruturado o PEDH – Centro de Educação em Direitos Humanos, projeto ancorado no referido NEC, que visa consolidar e aprofundar as atividades do eixo de educação em direitos humanos do centro. 18 As atividades do centro constituem-se tanto como espaço de desenvolvimento de investigações e reflexões teórico-práticas no âmbito da educação em direitos humanos e da educação ambiental, como na implementação de projetos de ação educativa, com estratégias inovadoras voltadas para a formação continuada. de professores das redes públicas de ensino da Baixada Fluminense. O SME Duque de Caxias já possui parceria consolidada com a UERJ para o desenvolvimento de estudos e ações escolares na área de educação em direitos humanos.
Diante disso, no que diz respeito às falas dos entrevistados e à análise do projeto político-pedagógico, fica clara a sensibilização e a mobilização em torno do debate sobre os princípios da educação em direitos humanos, ou seja, a partir de questões relacionadas ao multiculturalismo e ao reconhecimento das diferenças. .
Produção curricular a partir da Educação em Direitos Humanos
O PPP da unidade escolar tem um título que já destaca explicitamente a questão da educação em direitos humanos: “Escola Municipal Pedro Rodrigues do Carmo diz: Estamos aqui em defesa dos direitos humanos”. O requisito básico de qualquer proposta de educação em direitos humanos é refletir constantemente sobre o significado dos acontecimentos que afetam a nossa realidade todos os dias. Uma escola que queira promover a educação em direitos humanos deve construir uma prática pedagógica que seja coerente com a sua proposta.
A partir daí, considero uma perspectiva pedagógica e intercultural para lidar com a questão da violência escolar, assumindo que a educação em direitos humanos é uma proposta válida. Tanto no documento elaborado pela equipe, o P.P.P., quanto nas falas da equipe, a questão da Educação em Direitos Humanos permeia sua construção. NEEDHs – Núcleos Escolares de Educação em Direitos Humanos: processo de produção curricular no contexto da prática nas escolas de Duque de Caxias.
A educação em/para os direitos humanos no processo de democratização: o caso do Chile e do Brasil.