Verhalen over verzet: zwarte vrouwen en quota aan de Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ). Verhalen over verzet: zwarte vrouwen en raciale quota aan de Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ).
Os desafios da escrita
Mas no Brasil, os movimentos negros ressignificaram o uso de “negra/o” e deram-lhe um significado político, racial, cultural e positivo (PIZA e ROSEMBERG, 1999; MEC, 2004). Nestes momentos se interligam acontecimentos de diferentes momentos da minha vida acadêmica e escolar nas três instituições onde estudei: Colégio Pedro II - Unidade São Cristóvão, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Campus Maracanã e Instituto Federal de Educação , Ciência e tecnologia (IFRJ-campus Duque de Caxias).
A potência dos questionamentos
Descrevo minhas experiências no Colégio Pedro II para mostrar que foi uma instituição onde muitas portas se abriram para o crescimento pessoal, o conhecimento e a cultura. 17 Quando estudei no Colégio Pedro II, ele tinha uma política de aposentadoria: quando um aluno reprovava dois anos seguidos, era desligado da escola.
Pesquisadora ex-aluna cotista
Sempre tive vergonha de dizer que era cotista porque acreditava que as pessoas iriam pensar que eu não merecia estar ali ou que eu não merecia aquela vaga no ensino superior público porque estudei em uma boa escola pública. Como homem branco, as pessoas só sabiam que eu era cotista se eu falasse, mas não é assim que acontece com os negros.
CONSTRUÇÃO DO PERCURSO TEÓRICO-METODOLÓGICO
Por que utilizar a categoria analítica raça? Considerações sobre
No Brasil, os negros têm problemas de acesso a coisas como educação, saúde, habitação, lazer e segurança por causa da raça – na forma de racismo. Portanto, discutir racismo e questões raciais seria um “problema negro”, ou seja, só foram estudados os negros, afinal os brancos eram considerados a norma, enquanto os negros eram considerados anormais. Na verdade, tira o foco que antes era colocado nos negros e coloca brancos e pessoas brancas na discussão.
Portanto, como afirma Munanga (2020), o colorismo como “um tipo de ideologia que distribui vantagens de acordo com a cor da pele” (MUNANGA, 2020, p. 132) existe tanto para brancos quanto para negros. Quando minha mãe se mudou para Vigário Geral, um vizinho a chamou de “favela branca” porque sabia que ela vinha de uma comunidade onde a maioria dos moradores era negra. Também há olhares estranhos sobre a minha presença em Vigário Geral, não por questão estética, porque há muitas mulheres gordas no subúrbio do Rio de Janeiro, mas porque sou branca num local com maioria negra.
Muitas vezes me deparo com perguntas do tipo: por que você, mulher branca, está estudando um assunto que afeta pessoas negras? Embora os episódios tenham sido vivenciados na Europa – tanto pela pesquisadora quanto pelos entrevistados – eles também são vivenciados por pessoas negras no Brasil. É possível afirmar que com as ações afirmativas há inclusão de pessoas negras no ensino superior.
Análise de implicações e pesquisa-intervenção
Algumas situações que mostram meu desconforto com os privilégios da branquitude e envolvimento na luta antirracista: consciência do meu corpo com todas as identidades que me acompanham descritas acima, empatia com a experiência dos negros afetados pelo racismo, luta em favor de afirmações ação e cotas raciais, atuação no vestibular social, leitura de livros escritos por negros, preferência por profissionais negros (como médicos e terapeutas, quando possível), compartilhar meu conhecimento sobre relações raciais com familiares e amigos próximos, consumo de conteúdos produzidos por pessoas negras nas redes sociais, entre outros. Como resultado do racismo, os negros vivenciam uma realidade diferente da dos brancos e por isso questionamos, interpretamos e avaliamos esta realidade de forma diferente. O conhecimento que adquirimos ao longo da vida é todo baseado na perpetuação dessa verdade que não representa as mulheres e os negros.
No mundo ocidental, historicamente, quem detém essa autoridade são os brancos, ou seja, a academia não é um lugar neutro, pois o conhecimento negro é muitas vezes desqualificado e considerado inválido, o que significa que as produções de escritores e intelectuais negros tornaram-se impossíveis e permanecem à margem. a academia, conforme afirma Kilomba (2019). 62 Entendo que, neste caso, a imposição da verdade por homens brancos cis euro-americanos pode ser considerada uma forma de dominação dos corpos das mulheres e dos negros. Trajetórias e questões" oferecidas pelo professor Henrique Samyn do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, uma das convidadas do tema - a intelectual Raquel Barreto - nos levou a refletir sobre o uso do termo "intelectuais negros": por que racializar quando os negros já são racializados.
Mesmo quando estão na academia, o trabalho negro é questionado por ser “subjetivo”, “pessoal” ou “emocional” como aponta Kilomba (2019, p. 51), ou como uma “experiência negra” como Xavier (2019). ) enfatiza. , pág. 69). Esses comentários sobre trabalhos acadêmicos negros ilustram como o colonialismo está presente na academia e funcionam como máscara para silenciar essas vozes (KILOMBA, 2019). Isso permite que os brancos marginalizem os discursos dos negros como “conhecimentos desviantes”, e tratem seus discursos no quadro da normalidade, como norma (KILOMBA, 2019, p. 51).
Como cheguei às sujeitas da pesquisa: pesquisa com a FEBF
Porém, entendo que o preconceito que percebo quando as pessoas comentam sobre a Baixada Fluminense é diferente - mesmo que pensem que moro na comunidade, ainda tenho o ‘privilégio’ de morar na cidade do Rio de Janeiro. Essa aluna me fez pensar na eficiência da implementação da bolsa permanência: se ela ainda atende aos requisitos previstos em lei para ser considerada estudante cotista, por que não tem direito à bolsa permanência da FEBF por ter sido estudante cotista ? em outra instituição. Esta sua frase resume o que discuti acima e ao qual retornarei: mesmo morando em Vigário Geral, ainda moro no município do Rio de Janeiro, enquanto o fato de morar em qualquer município da Baixada Fluminense, carrega o estigma, especialmente, de.
Vivendo na periferia, ou nos “subúrbios dos subúrbios”, como descreveu o estudante, os negros não têm o direito de viajar em todas as regiões da cidade do Rio de Janeiro. Todas as perguntas são obrigatórias, exceto a pergunta que na verdade é um espaço onde elas podem perguntar mais sobre a cota, sua experiência na FEBF como mulher negra, sugestões de pesquisas e outros pontos que considerem importantes. Descrição quanto a: nome (letras do alfabeto para as mulheres que não participaram das entrevistas e nome dos intelectuais para as mulheres que participaram das entrevistas), local de residência, idade, forma de ingresso na FEBF e interesse em participar das entrevistas .
No espaço do questionário para elas compartilharem sobre sua experiência na FEBF como mulher negra, sobre cotas, sugestões de pesquisas e outros pontos que desejam compartilhar, ela compartilha:. A participante Antonieta, embora tenha afirmado morar no Rio de Janeiro, está há muito tempo, desde o início de sua graduação na FEBF e até pouco antes do questionário, no município de Duque de Caxias e no bairro onde mora atualmente. O Rio de Janeiro, Cordovil, é periférico e próximo ao centro de Duque de Caxias (cerca de 5 a 6 km, considerando a distância entre as estações ferroviárias de Cordovil e Duque de Caxias). Ela se identifica como estudante cotista, mas ao responder por que solicitou as cotas, diz que foi por ser funcionária pública do município de Duque de Caxias.
O processo de elaboração do roteiro de questões principais
- Maria
Mas me senti muito confortável e também gostei de compartilhar conhecimento, de dialogar, que você conheça um pouco da minha história, da minha trajetória, das minhas opiniões, não só do meu caso, mas do nosso, em entrevista a pessoa fala, nossa, imagina que você ter pensamento ideal [...] me senti muito privilegiada e muito grata pela entrevista, também me senti muito disposta a falar da minha trajetória na FEBF, na Baixada Fluminense, na periferia, nos meus negros, tudo em volta, educação, sabe, coisas boas e ruins também, nós somos a favor. Quando fiz 18 anos pedi para sair, falei “não vou ficar aqui, não sou escravo”. Sempre tem aquela história que as pessoas falam: “Ah, você tem certeza disso?”, porque se eu fosse lésbica por exemplo: “Vou te endireitar”.
Então, para mim era só mais um negro, e aí eu fui e falei; “Sou negro, existem cotas para negros e vou pedir cotas”. A maioria das pesquisadoras – Maria, Luíza, Marielle e Beatriz – entende a política de cotas como uma retribuição histórica, como pode ser visto nos destaques dos trechos acima e na resposta de Maria ao questionário quando perguntamos o que ela pensava sobre as cotas: “Penso que temos de ter acesso a esta política de quotas não apenas para ajuda financeira, mas como compensação histórica.” Não no sentido individual e egoísta, mas coletivamente, com base na cosmopercepção afrodiaspórica do Ubuntu, que busca perceber o verdadeiro significado do “eu sou porque nós somos”.
Se estivessem tranquilos e por direito próprio, já estavam sujeitos ao desânimo dos professores quanto à profissão que desejavam, como aconteceu com Antonieta; a comentários de uma professora como o que Tereza recebeu: “você não vai fazer faculdade pública, vai trabalhar como caixa de supermercado aqui perto”; a tentativa de violência física brutal como a que Tereza sofreu quando o menino tentou atear fogo nela; aos comentários negativos sobre cabelo e pele, como notaram Tereza e Beatriz; ao riso da professora após comentário racista de outros alunos, conforme relatado por Tereza; utilizar a agressão física para coibir a agressão psicológica e verbal vivenciada, como fez Tereza; a baixa autoestima e o complexo de inferioridade relatados por Beatriz quando diz: “Me identifiquei como negra, mas não era o que eu queria. Tem um evento lá, acho que vai acontecer agora, a feijoada dos pretos velhos, onde a gente convida a comunidade para vir e muita gente fala: “posso entrar aí?” Já chegamos com isso: “Posso entrar aí?” Acho que qualquer universidade onde eu passasse no Enem, que fosse fora de Caxias, acho que eu não conseguiria.
Aí eu comecei a entender, comecei a entender a história da universidade, algumas coisas que outros negros passaram que eu não tinha ideia, sabe. Eu mudaria para o Maracanã, então tem gente que não tem a mesma experiência que eu, e na FEBF conheci muita gente com a mesma realidade.