Violência entre parceiros íntimos de adolescentes no acolhimento institucional: a perspectiva dos profissionais. Violência entre parceiros íntimos de adolescentes em acolhimento institucional: a perspectiva de cuidadores profissionais.
Adolescência, gênero e sexualidades
Na adolescência, os jovens vivenciam diversos sentimentos de conflito e dúvidas, além da situação de acolhimento, se deparam com um contexto em que a sexualidade começa a emergir. Quando assumimos que a sexualidade pode ser entendida como a soma de vários ambientes diferentes, e não apenas como resultado de um comportamento oriundo de uma condição biopsíquica do jovem em questão.
Saúde sexual e reprodutiva de adolescentes em situação de
A saúde sexual é um tema importante que deve ser desenvolvido por meio de ações educativas, com jovens em famílias substitutas, com o objetivo de contribuir para uma melhor qualidade de vida e saúde desses jovens. A gravidez não planejada na adolescência acarreta uma série de comprometimentos na saúde sexual e reprodutiva dos jovens brasileiros, segundo dados disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no caso do tratamento do aborto, resultando em altas taxas de mortalidade materna.
Violência e Adolescência
Dentre os tipos de violência em que os adolescentes estão envolvidos, a violência interpessoal nas relações íntimas (namoro e namoro) tem chamado atenção. Como já mencionado e também encontrado por Williams et al. 2008), a violência psicológica é a mais comum, perpetrada pelos parceiros, seguida da violência física, que é a mais frequente, como mostra o estudo.
Profissionais de unidade de acolhimento e sua influência nas
As unidades de acolhimento são compostas por profissionais que desempenham funções educativas, independentemente da sua especialização. Em geral, a equipa da unidade de acolhimento é constituída por Pedagogos Sociais (ensino secundário), Educadores, Psicólogos e Assistentes Sociais. Nas unidades de acolhimento, os educadores devem primar por uma abordagem clara para criar um relacionamento interpessoal harmonioso; uma abordagem acolhedora e compreensiva, baseada no diálogo com esses adolescentes.
Portanto, o objetivo dos especialistas em unidades de acolhimento deve ser cumprir o papel de indicar ou proporcionar uma nova oportunidade de reinserção na sociedade. No passado, as unidades de acolhimento no brincar dos educadores, em consonância com os adolescentes, assumiam o que se traduz como o sentido do lar, o desenvolvimento de relações com pessoas externas à sua família de origem, que de alguma forma expressam o seu grupo familiar. Em estudo de Penna et al. 2012) constatou-se que os profissionais das unidades de acolhimento sentem-se sensíveis ao contexto social em que esses jovens adolescentes estão inseridos e, ao se depararem com essa realidade, acabam assumindo o papel de família e, assim, prestando importante apoio social a esses adolescentes.
Os profissionais das unidades de acolhimento também desempenham um papel importante na reinserção social e no fortalecimento da saúde dos jovens em acolhimento.
Tipo de pesquisa
Participantes do estudo
Considerando os critérios de inclusão da pesquisa, de um total de 32 profissionais presentes nas unidades pesquisadas, participaram da pesquisa 20, sendo 7 (sete) profissionais da unidade Dom Helder Câmara; 6 (seis) na unidade Cely Campelo e 7 (sete) na unidade Frida Kahlo. Ressaltamos que a unidade de acolhimento também é composta por pessoas que trabalham na cozinha, que realizam tarefas de limpeza e supervisão, mas que não participaram do estudo, pois entendemos que nosso foco seriam aqueles profissionais que lidam diretamente com os adolescentes atendidos.
Campo de estudo
Aspectos éticos
Instrumento de coleta de dados
Tipo de coleta
Análise de dados
A ação do diálogo como forma de prevenção à violência na perspectiva dos profissionais da unidade de acolhimento, b) Percepção dos profissionais sobre o desafio de criar estratégias de enfrentamento à violência nas relações afetivas íntimas dos adolescentes na oferta da unidade de acolhimento.
Caracterização social dos profissionais das unidades de
Tabela 2 – Distribuição dos cuidadores profissionais entrevistados (E) nas unidades de acolhimento estudadas em relação às suas características sociais. Observou-se também que apenas 11 (onze) participantes trabalhavam em unidades de acolhimento há pelo menos 2 (dois) anos, sendo que a maioria deles não trabalhava com adolescentes, o que poderia afetar o relacionamento entre eles devido à falta de experiência com adolescentes. e sua peculiaridade. Ao observarmos a escolaridade dos participantes, percebemos que, além dos profissionais da equipe técnica (2 psicólogos; 3 assistentes sociais e 2 pedagogos), entre os 13 educadores sociais entrevistados, um possui ensino superior completo e 6 (seis) Ensino Superior Incompleto, ou seja, mais da metade dos educadores sociais buscaram ou buscam algum tipo de ensino superior, mesmo que fora de sua área de atuação.
Isso demonstra o desejo de encontrar melhores condições de vida, atitudes que podem impactar positivamente na vida dos jovens em situação de acolhimento. As principais características sociais dos profissionais investigados nas unidades de acolhimento são, portanto, serem, em sua maioria, pedagogos sociais - que, apesar do ensino médio, em sua maioria possuem formação universitária completa ou incompleta; estão na faixa etária de 20 a 60 anos, a maioria na faixa etária média de 40 anos; Dos 20 entrevistados, 8 trabalham com adolescentes há menos de 1 ano; 3 trabalham entre 1 e 2 anos; e 9 deles trabalham há mais de 2 anos. Tais características apontam para possibilidades de atuação qualificada com os jovens no que diz respeito à escolarização e à compreensão de suas necessidades.
Mas o fato de a maioria dos profissionais ter chegado recentemente às unidades ainda cria vínculo com os jovens.
Perspectiva de profissionais sobre o cotidiano na unidade de
Percepção dos profissionais acerca dos adolescentes: a vulnerabilidade
A falta de compreensão e sensibilidade de alguns profissionais em relação às circunstâncias em que se encontram os adolescentes em acolhimento é destacada nas entrevistas. Desde a implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente, a unidade de acolhimento representa um local de refúgio que deve ser visto como temporário para proteger a integridade dos adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Um ambiente seguro e de apoio pode influenciar positivamente a vida dos adolescentes em lares adotivos.
Alguns determinantes da vulnerabilidade desses adolescentes incluem as condições primárias de desenvolvimento psicológico em que se encontram, o contexto social em que se encontram e a situação de acolhimento. Em detrimento disso, todas as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social devem ser consideradas vulneráveis, como no caso das populações subdesenvolvidas ou em situação de risco psicossocial, como acontece com os adolescentes em situação de acolhimento. Portanto, os adolescentes em acolhimento institucional são considerados um grupo populacional altamente vulnerável.
Especialistas reafirmam que os jovens em acolhimento os veem como referências, principalmente quando tentam, sem sucesso, reunir as famílias.
Percepção dos profissionais sobre sua prática junto aos adolescentes
Os profissionais das unidades de acolhimento que atendem adolescentes devem ser observados em relação às suas necessidades e bem-estar, pois isso seria de grande valia devido ao seu papel de extrema importância junto aos adolescentes, pois também devem ser melhor investigadas as dificuldades que encontram no seu cotidiano. vidas. como uma melhoria na gestão, pois a partir do momento em que os profissionais tenham melhores condições para realizar seu trabalho, melhor suporte poderá ser oferecido aos adolescentes (SALINA-BRANDÃO; . WUILLIANS, 2009; PEREIRA; PEREIRA; Johnson, 2011). Eles reconhecem que os adolescentes em lares adotivos têm uma história que agrega valor ao seu estado vulnerável. Porém, mesmo diante desse reconhecimento, os profissionais utilizam uma linguagem que pode parecer depreciativa ao se referirem ao fato de os adolescentes terem dois ou mais filhos.
Por outro lado, acreditamos que existem unidades de acolhimento onde os profissionais têm acesso a algum tipo de formação. Mas raramente são discutidos temas relacionados à violência nas relações afetivas dos adolescentes, o que muitas vezes fica oculto na mente dos profissionais e dos próprios adolescentes. Temos consciência também de que a atuação dos profissionais vai além do especificado nos documentos que os regem.
Nesse sentido, os profissionais vão às unidades com conhecimentos muitas vezes fragmentados em significado, mas que fazem sentido na prática cotidiana (BARROS; NAIFF, 2015).
Percepção dos profissionais cuidadores de unidades de
Além da violência presente nas relações interpessoais entre adolescentes, os profissionais também apontam algumas violências dirigidas a eles, não fazendo distinção entre adolescentes e educadores no momento do conflito; embora seja visto como não intencional, mas em momentos de descontrole emocional nos adolescentes. Na verdade, o contexto social é um aspecto que deve ser entendido como uma fonte evidente de vulnerabilidade na qual os adolescentes ingressam em lares adotivos. Ao serem questionados sobre as relações afetivas íntimas entre adolescentes e a ocorrência de violência neles, os profissionais apontaram a existência comum de violência.
Os profissionais mencionam relatos sobre a existência dessas relações entre os adolescentes da unidade abrigo, bem como sobre a naturalidade com que alguns adolescentes lidam com sua orientação sexual, mesmo diante dos desafios existentes nesse ambiente, incluindo a violência. No que diz respeito ao álcool e às drogas, para os profissionais examinados, esses são alguns dos fatores que podem influenciar a ocorrência de violência nas relações afetivas entre os adolescentes, pois funcionam como um gatilho incentivador entre os adolescentes para confirmar e até justificar comportamentos mais agressivos. A autora ressalta ainda que os adolescentes devem ser acompanhados de perto após a colocação em cuidados, inclusive por meio de relatórios periódicos que identifiquem sua adaptação.
Contudo, estamos sensíveis ao conhecimento de que tal formação exigiria a mobilização dos grupos responsáveis pela gestão das unidades de acolhimento, uma vez que, no nosso entendimento, deveria ser feito um esforço para descobrir os vários aspectos que dificultam a ocorrência da violência, especificamente a violência presente nas relações afetivas entre adolescentes que vivem em lares adotivos.
Estratégias de prevenção da violência nas relações afetivas
Em suas falas, os participantes afirmam que utilizam o diálogo como estratégia para lidar com relatos relacionados à violência nas relações afetivas dos jovens, especialmente na unidade de acolhimento. Essa proposta ajudaria a equipe da unidade de acolhimento a detectar comportamentos relacionados a episódios de violência nessas relações afetivas. Um ponto apontado por especialistas é a dificuldade de implementação de estratégias que possam quebrar a cadeia de violência nas relações afetivas entre os jovens, haja vista que as unidades de acolhimento não podem funcionar de forma linear em grupos, devido à alta rotatividade de jovens em cada unidade.
Para que esse processo tenha sucesso, obviamente deve haver a influência de um encaminhamento, neste caso, profissionais da unidade de acolhimento que atendem diretamente os adolescentes em acolhimento. Este trabalho possibilitou analisar as percepções sobre a violência nas relações íntimas de adolescentes residentes em lares de acolhimento na perspectiva dos profissionais, bem como discutir estratégias/ações traçadas por esses profissionais para estarem na cadeia destes para intervir no fenômeno. Quanto à violência nas relações afetivas, observou-se que ela está muito presente no contexto da unidade de acolhimento.
Título do projeto: Violência nas relações íntimas de adolescentes em acolhimento institucional: perspectiva dos profissionais. O objetivo geral deste estudo é investigar a vivência da violência nas relações afetivas íntimas de adolescentes em acolhimento institucional na perspectiva dos profissionais da unidade de acolhimento. Você recebe algum treinamento sobre questões relacionadas às relações afetivas íntimas entre adolescentes em acolhimento?