O objetivo deste estudo de caso qualitativo ex post facto foi explorar as racionalidades de sujeitos percebidos como agressores por meio de seu discurso oral, na perspectiva da sociologia do desvio. O objetivo deste estudo de caso, ex post facto, de forma qualitativa, foi investigar as racionalidades de sujeitos percebidos como praticantes de bullying por meio de sua linguagem oral, com base na ótica da sociologia do desvio.
Justificativas para a realização do estudo
A relevância científica reside na contribuição do estudo para o avanço do conhecimento sobre o bullying, especialmente no que se refere à influência da mídia no processo de produção científica e na produção de racionalidade sobre o tema, bem como na patologização e judicialização do fenômeno como fatores que contribuem para rotular os perpetradores. Existe uma lacuna de conhecimento em pesquisar algo que tem sido pouco pesquisado – as percepções dos praticantes (agressores).
Objetivos
Objetivo geral
Objetivos específicos
Hipóteses
Violência escolar
Violência, pobreza e educação pública
Bullying como fenômeno contemporâneo
- Perfil do espectador / expectador
- Perfil dos alvos (vítimas)
- Perfil do “praticante” do bullying
- A influência da mídia nos estudos e na construção das racionalidades sobre o
- Tratar, punir ou educar? Uma breve discussão sobre judicialização e patologização do
A Sociologia do Desvio – Outsiders abordará o fenómeno na perspectiva do desvio além de questões relacionadas com a regulação associada à rotulagem.
Sociologia do Desvio – Outsiders
Especificamente, os casos de bullying assumiram um lugar de destaque nos meios de comunicação televisivos, o que os separou da violência escolar e os colocou em discussão pública, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para este tema. Galvão et al (2010) falam sobre a necessidade de ressignificar o currículo escolar dos alunos, para que a escola possa voltar a promover o desenvolvimento intelectual e emocional como forma de combate à violência escolar, além de ampliar os espaços de diálogo para a solução. conflitos, facilitando o processo ensino-ensino (CHRISPINO; GONÇALVES, 2013). Porém, a ocorrência de bullying diminui com a idade dos alunos (SANTOS et al, 2013; MOURA et al, 2011).
Se traçarmos um paralelo com o que a mídia diz sobre o bullying, fica claro que há um equívoco na percepção de que os casos de bullying estão aumentando.
Tipo de estudo
Em relação às entrevistas em grupo focal, questionamos se o autor, assumindo a posição de entrevistador, como membro da equipe gestora (diretor adjunto), poderia causar um direcionamento na pesquisa. Contudo, reconhecemos a dificuldade em estudar comportamentos e grupos desviantes e acreditamos, assim como Becker (2008), na importância da interação entre os considerados desviantes e os pesquisadores. Além disso, os grupos focais, assim como as entrevistas abrangentes, exigem uma atitude mais íntima do mediador/entrevistador, visando maior envolvimento do entrevistado (OLIVEIRA; LEITE FILHO; RODRIGUES, 2007; KAUFMANN, 2013).
Dentre as diversas vantagens apresentadas por Becker (2008) e Kaufmann (2013) para o entrevistador conhecer o ambiente a ser investigado, acreditamos que se destaca a compreensão das contingências para todos os envolvidos por meio de uma abordagem interacionista. Assim, acreditamos que a participação da pesquisadora como entrevistadora, mesmo sendo vice-diretora de uma unidade escolar, facilitou a compreensão das peculiaridades locais, a observação do ambiente durante a execução de tarefas comuns (BECKER, 2008) e a interpretação do material coletado (KAUFMANN, 2013).
Local do estudo
Atende aproximadamente 1.100 estudantes de baixa renda de duas comunidades vizinhas, além de algumas outras pessoas do entorno. Algumas melhorias estruturais foram realizadas, bem como projetos e grupos de apoio à escola também chegaram com a nova gestão, entre outros: o grêmio estudantil, a implantação de alguns laboratórios e outros projetos em parceria com o DEGASE (Departamento Geral de Socioeducação) Acções) e com algumas instituições privadas. Além da eclosão da greve dos professores que começou em março de 2016 e terminou em meados de julho do mesmo ano.
Sujeitos
Para atender três turnos em uma escola com amplo espaço interno e externo, a escola conta com 16 funcionários, distribuídos da seguinte forma: quatro na secretaria (uma secretária e três auxiliares), um agente pessoal, um gerente geral, um vice-diretor, um pedagógico supervisor, um coordenador pedagógico, um agente de leitura e quatro inspetores (funcionários transferidos de outros cargos), um jardineiro e um gerente de manutenção. Os cadernos de prática de violência são ferramentas para registrar todos os acontecimentos, inclusive aqueles relacionados à violência escolar, indisciplina e bullying que acontecem aos alunos. A população é assim constituída por alunos do ensino básico e secundário da instituição em causa, que foram identificados através da análise documental de dados sobre práticas violentas entre 2013 e 2016 como ‘praticantes’ de violência, indisciplina e bullying.
Consideramos como sujeitos estudantes envolvidos em mais de três incidentes de práticas violentas registrados nesses anos.
Técnica de coleta dos dados, instrumento e variáveis
Compreendemos a importância de focar consistentemente a amostra para que nossa busca por atores-chave evite uma perda significativa de informações importantes (ALVES, 1991). 19 estudantes de 31 grupos focais participaram voluntariamente de grupos focais e entrevistas abrangentes. conjunto de categorias e respeitando os três princípios de classificação: 1) o princípio único de classificação; 2) inclusão de qualquer ação em categoria de grupo; A análise documental permitiu identificar os assuntos com maior número de ocorrências ao longo dos anos.
Esses indivíduos foram submetidos a entrevistas que foram realizadas em grupos focais e individualmente, sempre que necessário5, em sala exclusiva para esse fim, minimizando interferências externas. Foram realizados 4 grupos focais e 1 entrevista abrangente (após percebermos que um entrevistado não estava satisfeito em falar no grupo), com tempo total de 2:36'59". Os grupos focais foram realizados durante os turnos dos alunos, para facilitar o acesso dos entrevistados.
Portanto, para conforto e segurança dos entrevistados, separamos os grupos focais por turma: grupo focal 1 – 7º ano (1 menino) e 8º ano do ensino fundamental. Além das falas dos entrevistados, também foram registrados nos formulários observações e comentários interpretativos, conforme sugerido por Kaufmann (2013). Para análise dos dados, incentivamos o diálogo entre o observado nas entrevistas, a análise documental e a revisão da literatura, a fim de aprofundar os achados e compreender as percepções de quem pratica o bullying.
Aspectos legais e éticos
Análise documental
Assim, é possível que os casos de bullying sejam diluídos entre outras categorias devido às semelhanças entre as ações, por exemplo, agressões físicas entre alunos. Notamos também na Tabela 3 que o número de casos de predação diminui gradativamente à medida que o conjunto aumenta, como acontece com os casos de bullying. Em relação ao género, na Tabela 4 notamos que os rapazes são responsáveis por aproximadamente 66,6% dos casos de bullying – número equivalente aos encontrados para a participação masculina no bullying.
Em 2015, de acordo com a Tabela 5, notámos um aumento significativo na participação das raparigas em casos de pilhagem, especialmente no sexto ano do ensino primário. Contudo, não foi possível relacionar os casos de agressão física com os casos de bullying porque não foi possível observar recorrência entre agressores e vítimas. Em termos de género, as raparigas estão menos envolvidas em casos de indisciplina, como podemos verificar na Tabela 14, o que ocorre de forma correlacionada com os casos de bullying (Tabela 15). 10) Intimidação.
Os casos de bullying observados na Tabela 15 predominam no sexto (16 casos) e sétimo anos (23 casos), o que reduz a incidência deste fenómeno nos anos seguintes. Confirma a literatura atual quanto à redução dos casos de bullying com o aumento da idade (MOURA et al, 2011) e a faixa etária onde a frequência dos casos é maior (CALBO et al, 2009; RISTUM, 2010; SILVA; ROSA, 2013). . Após a introdução de leis anti-bullying regionais e nacionais que remontam a 2009, de acordo com Brit (2014), não vimos uma redução significativa no número de casos de bullying (observado na Tabela 15).
Grupos focais e entrevistas compreensivas
A carreira desviante dos praticantes de bullying
Bullying se aprende? A influência dos grupos para os praticantes
Eu tenho uma ideia (..), mais ou menos uma ideia do que é bullying (..) Ah, bullying é ligar para uma mulher negra (apontando para a colega que está ao lado dela). Faça suas perguntas ao entrevistador). Diversas vezes durante os grupos focais, a palavra “moar” foi usada como sinônimo de bullying. Ela me chama de falso (diz indignada) (..) Só fico estressado na escola quando fico estressado em casa.
Na verdade, quando a gente ‘brinca’, quando a gente ‘brinca’, a gente pensa: ‘nossa’, todo mundo vai gostar (sic.). Quanto ao que acontece com algum desvio onde o indivíduo, ao ser flagrado, é impedido de participar de outros grupos – o que pode produzir um desvio progressivo (BECKER, 2008). Por serem considerados estranhos pela comunidade, em geral, há uma tendência de considerarem como estranhos aqueles que não se enquadram no padrão desviante e outros membros da sociedade.
Ao contrário da crença popular, um grupo agressor não se forma por afinidade comportamental, como acreditam Becker (2008) e Silva et al (2016); mas sim através da afinidade pessoal – o que chamam de “amizade”. Percebemos a presença nos grupos de bullying de sujeitos que não se enquadravam no perfil do praticante: ‘os silêncios’. Tipo, eu venho e gasto uma, mas se ninguém estiver ‘brincando’, eu vou (sic.).
O outro e o eu: olhares outsiders sobre os papéis no bullying
Bullying e os controles sociais
Esse aprendizado, que ocorre à medida que a idade aumenta, pode ser outro fator que contribui para a redução do bullying (BRINO; LIMA, 2015). É possível que o comportamento de bullying seja de fato um movimento de desafio e rejeição às regras morais, institucionais e convencionais, como sugere Becker (2008). Conseguimos determinar que o desconhecimento do próprio conceito de bullying é a principal causa do desvio observado.
O desconhecimento sobre o conceito de bullying, observado nas falas dos entrevistados, revela uma série de pontos: 1) a distância entre academia e escola – os estudos realizados não chegaram ao local a que se referem; A diminuição das taxas de bullying indica que o envolvimento na família, na escola e na vida adulta também se reflecte noutros comportamentos violentos relacionados. Em relação às práticas de bullying relacionadas ao gênero, os sujeitos confirmaram os dados registrados pela escola de que os meninos são os que mais praticam bullying, indisciplina e violência na escola (66,6%). Os motivos que levam meninos e meninas ao bullying são: 1) vingança e ciúme das meninas; 2) poder e promoção social para meninos; e 3) diversão para ambos os sexos.
A eliminação de programas (como o PROEIS), a sobrecarga nas tarefas de professores e gestores, causada pela redução de quadro de funcionários - o que dificulta a comunicação - cortes na equipe terceirizada e transferências entre funcionários geram nos alunos um sentimento de desproteção e abandono, além de contribuir para a perpetuação de práticas violentas e de bullying. Os profissionais acreditam que o bullying e outras indisciplinas apresentam vantagens em relação aos colegas. Esses dados confirmam a hipótese de que a superexposição de casos de bullying na mídia contribui para o processo de rotulagem dos envolvidos.
A primeira delas foi a importância dos espectadores, que parece ser maior do que a do próprio grupo de bullying no incentivo a práticas violentas. Nem sempre o adulto decide..”: o serviço de orientação educacional e as práticas de bullying no primeiro segmento do ensino fundamental, 2016.