Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de mestre no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. Aponto assim que os sinais da ditadura militar se manifestam, reverberam e produzem ressonâncias muito além dos registros, regimentos e afins. organizações para o cotidiano nas escolas públicas do município do Rio de Janeiro.
Com foco geográfico no estado do Rio de Janeiro, dedica-se a pesquisa realizada até o momento. Naquele momento, o verdadeiro trato do ensino nas escolas públicas do Rio de Janeiro foi revelado ao “professor” que acabava de chegar ao campo. 9 Carlos Lacerda nasceu em 30 de abril de 1914 na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.
Passagem de tempo... o tempo não para
E nós, normalistas, recebemos um conjunto de regras, uma espécie de “manual” sobre como aprender. O que nos ensinaram foi que as crianças que estávamos preparando para alfabetizar seriam pobres e teriam dificuldades cognitivas devido à desnutrição na primeira infância. Dessa forma, mais uma aula do “manual”, a alfabetização só seria possível após o almoço – orientação repetida diversas vezes para os futuros professores14.
Em 1977, aos 17 anos, aluno normal, recém-formado, passei no exame da Câmara Municipal do Rio para lecionar, o que me permitiu lecionar desde a educação infantil até a então 4ª série. 15 Fundada na Favela da Mineira, localizada no Morro do Catumbi, em 8 de março de 1976, e atua há vinte anos em colaboração com a Igreja Nossa Senhora de Salete. O local era habitado principalmente por mineiros pobres, que construíram seus barracos em busca de melhores oportunidades na cidade do Rio de Janeiro.
A Turma Colaboração atendeu alunos da turma de alfabetização, do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental em dois turnos. De 1996 a 1998, a Escola funcionou temporariamente no Sambódromo, enquanto a nova sede foi construída no bairro do Catumbi.
De novo o tempo. ele corre, mas também permanece
Portanto, eu não tinha ideia do que realmente significava ser professora, fora a imagem que eu tinha da minha mãe, das minhas tias. E lembro que foi uma prova dessas que fiz com muito prazer, a parte de língua portuguesa, obviamente, né. Não é que não tenha gostado da aula, mas para mim foi um jogo, algo interessante.
E meu pai, advogado, me disse com tantas palavras: “Não vou tirar ninguém da prisão. Mas o que eu lembro mesmo são das aulas de português. Mas aí no terceiro ano e no vestibular ficou claro que eu tinha um ponto de vista de esquerda.
Mas na faculdade não, na faculdade eu era de esquerda, não fiz movimento estudantil porque tinha algum medo. E nada parecido com o que eu queria, porque eu queria trabalhar a questão do negro já inserido no mercado de trabalho, já que não tinha com quem trabalhar. Aí comecei em 1982, fiz o exame então sabendo o que queria, para o estadual.
Eu queria trabalhar no ensino médio, então fiz concurso estadual, entrei e comecei a trabalhar em escola particular do antigo 5º ao 8º. Então aqueles livros sobre virtudes, eu nunca trabalhei com eles, nunca, nem sabia se tinha a dimensão do que poderia acontecer, e acho que nunca medi isso, fiz porque era menina , Eu acreditei. Coleciono peças do meu repertório de vida, faço desenhos com linhas que já foram desenhadas em outros contextos, junto as peças de um quebra-cabeça que nunca está terminado e no final das contas - um fim daqui e dali não não quero terminar - eu com você.
Podem até me deixar sem comer e não mudarei de ideia daqui do morro.
O direito à educação e a criminalização da pobreza
E qualquer discussão sobre métodos de alfabetização que se queira discutir não pode, portanto, ignorar o fato de que um método de ensino é um dos aspectos de uma teoria educacional, relacionado a uma teoria do conhecimento, mas também a um projeto político e social. As pessoas mais conservadoras fazem esta associação, e ela é equiparada de forma quase ofensiva à pobreza. 28 Atuo profissionalmente há muitos anos na esfera pública na educação infantil e na educação básica, seja como professora presencial ou em trabalhos interdisciplinares na rede municipal do Rio de Janeiro.
O nascimento da República em 1889 não significou a criação de uma nova sociedade; a revolução não aconteceu de fato e os escravos foram substituídos apenas por ex-escravos e imigrantes. A discussão crítica destaca a defesa da “escola unificada”, bem como a grande luta de muitos educadores brasileiros contra a fragmentação na organização da educação brasileira causada pela política de municipalização e nacionalização sob o governo militar. Assim como “inventamos” a universalização da educação e a garantia do direito à escola, fomos capazes de outra: devido à decadência ideológica e material das escolas públicas, dedicamo-las a quem não podia comprar qualidade. educação que seja capaz de satisfazer a necessidade de desenvolvimento pleno de uma pessoa.
Muitas famílias discutem a situação escolar das crianças e adolescentes, o que aprendem e como aprendem; estão preocupados com dificuldades de aprendizagem; Questionam-se sobre o futuro, onde o sucesso profissional, as oportunidades de uma vida digna e a inclusão social para os seus herdeiros são incertos e pouco promissores. Para quem tem seus filhos em escolas públicas, salvo raras exceções, a realidade é difícil: o cenário educacional no Brasil revela uma divisão social perversa, sentida pelos próprios alunos e suas famílias. Os esforços e discursos ao longo de várias décadas em favor das escolas públicas e da democratização do acesso à educação de qualidade também fazem parte da história da educação brasileira.
Os dados divulgados pelo próprio Ministério da Educação não nos permitem conhecer a verdadeira face do sistema educacional brasileiro. Ao longo da década de 1990, houve um movimento para “desmontar” uma determinada imagem do professor e criar outra imagem que o degradasse.
Atores sociais no cotidiano do Catumbi
Com a palavra, Dona Nilda
Histórias do Catumbi tecidas em conversas sobre os anos de chumbo
Carmem é educadora, líder comunitária no Catumbi, atuante em movimentos de resistência por moradia naquele bairro. Carmem: A história do Catumbi foi uma história de moradores, eles fizeram o trabalho dos moradores, trabalharam nisso depois da abertura do túnel de Santa Bárbara, a prefeitura decidiu demolir o Catumbi, só ficaria o cemitério e a igreja, o resto ficaria desmoronar. Fizeram os viadutos, mas depois as pessoas construíram um como se fosse uma cooperativa, e construíram uns conjuntos que a gente vê daqui, no 126, na Rua do Chichorro.
A motivação e a conscientização das pessoas veio um pouco da luta pela moradia, porque depois pudemos nos reunir no salão da igreja. E depois tinha a Brahma, tinha uma casa de sopa para os pobres, que era a Casa de Santa Isabel. Ele disse que o soltaram, pegaram, encapuzaram, vestiram e soltaram no meio da rua e o seguiram para ver para onde ele ia.
Acho que tudo começou Lúcia Teresa, ele vai preso, porque aqui na Igreja da Salete começou a pastoral de favelas do Rio de Janeiro, que deu origem à FAFERJ, que é a Federação das Favelas, que fica no início do Morro da Coroa. Lúcia: Quando me formei, me formei em 73, vim dar aula lá na turma de colaboração no Morro do Catumbi. Carmem: É essa escolinha que eles tiraram há pouco tempo, deve ter uns 10 anos, e essa escolinha é agora, tiraram daí.
Padre Mário ficou com muita pena porque aquela escolinha reuniu a comunidade lá, tiraram de lá e colocaram aqui. Voltamos lá, tinha um lugar que parou o carro, não subia mais e subimos lá.
Padre Mário
Diante dessa multidão, o estado não chegou a dizer que era apenas uma minoria do bairro que protestava. Logo depois houve uma reunião com o governador, na época Negrão de Lima, e o compromisso do estado em oferecer casas aos moradores que as desejassem. Lúcia: Porque, eu acho, esse problema geográfico, porque sendo da zona 1, mas tinha alguma coisa assim, era um grupo que estava incomodado com tudo isso.
Extremamente fundamentalista, em vários aspectos, também do ponto de vista religioso, e aí, quer dizer, o que era folclórico, o que era ruim, virou coisa do diabo, né. Então isso foi uma coisa que eu acho que a UPPE teve muito cuidado, teve muito cuidado para manter esses padrões, essa ideologia. Não estou dizendo que foi algo, é claro, que sabemos que ideologia não só - você pensa e faz dessa forma - ideologia é no sentido de transmitir esses padrões culturais, como valores culturais e ele se alimenta disso e se alimenta de si mesmo. , digamos, um conjunto de categorias, por um lado, e por outro lado, quer dizer, se bem me lembro, por exemplo, a UPPE era uma instituição que dava muito abrigo aos professores que vinham do interior, do no antigo estado do Rio, havia alojamento.
Claro que do ponto de vista econômico sim, mas acho que foi mais do que isso porque não tenho nem, digamos, uma visão sistematizada disso. Então existia um setor do SEPE, chamado Blocão, que era formado por alguns professores das organizações clandestinas da época, a esquerda. O bloco era: gente do Partido Comunista, PCdoB, MR-8, AP, bom, ok... tinha outro setor chamado MOAP, que era o povo, que era anti-stalinista, eram os trotskistas.
Então teve o Blocão, com esses grupos que eu falei, PCB, PC do B, teve o MOAP, que foi MEP, LIBELU, Convergência, e eles eram independentes, fomos nós e o pessoal que comecei a trazer de Niterói. Assim, confirmou-se na discussão a proposta que nós, independentes, juntamente com o MOAP, defendemos, ou seja, a criação de uma nova entidade. E aí o Bloco escolheu o Ricardo Coelho, o presidente que era do MR-8, o Ricardo Coelho foi o presidente formal, ele continuou como presidente.
Entendi que é preciso falar sobre o que nos acontece e o que já nos aconteceu, mesmo que seja no silêncio e nos medos que a ditadura marca a ferro e fogo.