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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Temas como o terrorismo, o ambiente e as drogas estão agora na agenda dos estudos de segurança internacional. A questão da “guerra às drogas” surge como um problema de segurança a partir do momento em que se aceita a ideia de que a venda e o consumo de determinadas substâncias psicoativas causam graves problemas sociais e uma ameaça aos Estados.

A Importância de Registros Sociais na Gestão de Populações

O monopólio do Estado sobre a produção de dados, a forma como esses dados são processados ​​e a forma como são divulgados ajuda a construir os regimes de verdade que se pretendem, por isso é importante que também forneça. Da mesma forma, procuraremos compreender o “Estado” a partir dos dispositivos de controle acionados pelo Estado com a narrativa da “guerra”, como, por exemplo, a importância dos registros sociais e a falta de dados sobre os efeitos causados ​​pelos confrontos entre estados agentes e supostos membros de grupos organizados.

Caráter Colonial da “Guerra”

Koram (2019), também apresenta que a construção do que hoje se entende por drogas como nome para substâncias tóxicas também foi uma construção social, e assim surgiu a ideia de que determinadas substâncias poderiam trazer um problema de desordem social. aumento da violência e aumento da delinquência nas comunidades humanas. Portanto, a ideia de que existe um momento pós-colonial onde as tecnologias de poder do colonialismo foram superadas, tal como se percebe em projetos universalizantes como a proibição das drogas, é insustentável. Essa construção ocorre não apenas pela narrativa do medo e da (in)segurança, no caso da guerra às drogas, mas pela ideia de que há corpos a serem eliminados.

A guerra contra as drogas representa o fracasso mais escandaloso de políticas públicas transnacionais sustentadas relatado em décadas, sem que o resultado pareça ter importância para os governos que as implementam. Outras leis e dispositivos legais surgiram em nível nacional ao mesmo tempo em que o sistema internacional de controle de drogas foi fortalecido, impulsionado pelo poder político dos Estados Unidos e pelo seu interesse no assunto.

As Primeiras Políticas Antidrogas

Pensar a política sobre drogas como uma política pública é importante porque, do ponto de vista do estudo das políticas públicas, elas atendem a um objetivo específico, para resolver problemas objetivamente definidos, e devem ser avaliadas regularmente. A política de drogas foi construída, como qualquer aparato repressivo, desde a criação até a implementação de leis e é influenciada pelos aspectos internos de cada país, bem como pelas pressões externas. Contudo, a relação estabelecida entre a política de drogas e a violência é muito mais estreita no México, e é exactamente isto que examinaremos nesta sessão.

Ao longo da história, a política sobre drogas no México foi construída ao mesmo tempo que em outros países e também sofreu mudanças à medida que o país mudava. As leis de controlo surgiram no país no início do século XX, no contexto do estabelecimento da Convenção de Haia de 1912, o que influenciou de alguma forma as opiniões internas do país sobre o controlo de drogas.

As leis de ‘Pureza Racial’ e sanitárias

En esas naciones, la prohibición de la marihuana se justificaba abiertamente con argumentos de degeneración, raza e higiene social que vinculaban a los usuarios de esa planta con la inmoralidad, el crimen y la decadencia social. Los médicos que defendían la idea del mejoramiento genético de la población debieron establecer en 1931 una institución llamada “Sociedad Eugenésica Mexicana para el Mejoramiento de la Raza” donde ganó la idea del mejoramiento racial, según Horcasitas (2007). . significado. El significado de la eugenesia en las décadas posteriores a la revolución fue más allá de la definición de políticas públicas hacia grupos específicos: los niños, los indígenas, las mujeres, los trabajadores, la familia.

Para los médicos y políticos de la era posrevolucionaria, la lucha por la salud contra lo que la sociedad incubaba como elementos "degenerativos" parecía establecer el orden, la aplicación de la ley (HORCASITAS, 2007, p. 107). Además, fue la presencia de Estados Unidos y las negociaciones inherentes al proceso revolucionario –especialmente en lo que respecta al control de la frontera norte– lo que finalmente determinó el cambio de actitud del gobierno y de diversos actores sociales mexicanos. Período de pórfido.

Da proibição à criminalização

Segundo Smith (2016), na década de 1930 houve uma divisão de posição entre os proibicionistas clássicos e os agentes de saúde pública em relação às drogas. A partir de então, os mexicanos decidiram que a questão dos entorpecentes deveria ser um assunto a ser tratado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e não pela Secretaria de Saúde Pública. Na década de 1970, os Estados Unidos vivenciaram um período de contracultura e de grande procura pela maconha por parte dos jovens que buscavam desmistificar as drogas e experimentar (AVELLAR, 2017).

Em 1970, com a administração do Presidente Nixon, a “guerra às drogas” tornou-se uma questão de política externa americana, e o México sofreu claramente as consequências desta decisão. O período de transição democrática do final da década de 1990 até a década de 2000, quando o Partido Revolucionário Institucional (PRI) começou a perder posições nas eleições locais, sendo possível confirmar, segundo Guilherme Trejo e Sandra Ley (2020), que os acordos locais e as proteções locais quebram.

Relação EUA e México na área da segurança

Alguns anos depois, com o 11 de Setembro e a adoção de uma política externa focada na guerra às drogas, a relação entre o México e os Estados Unidos tornou-se mais delicada e o tráfico de drogas passou a ocupar um peso muito grande na agenda. Calderón tentou convencer Bush da responsabilidade que os Estados Unidos deveriam assumir em relação ao tráfico de drogas e pediu cooperação no tratamento das questões do tráfico de drogas, especialmente em relação à demanda de drogas no território dos Estados Unidos, tráfico de armas e dinheiro lavagem. A preocupação dos Estados Unidos com suas fronteiras e principalmente com a migração também diz respeito à atuação dos cartéis e às possíveis incursões de traficantes de drogas em seu território, por isso o país passou a apresentar uma atitude mais cooperativa em relação ao México no que diz respeito à exibição de interesse em trabalhar. para conter o tráfico.

A declaração conjunta apresentada demonstrou a iniciativa como um novo paradigma de cooperação entre os Estados Unidos e o México, um marco na história da cooperação em questões de segurança com o objetivo de combater o tráfico de drogas na região. Para compreender a militarização ocorrida no país após a declaração de guerra ao tráfico de drogas, é necessário compreender o papel da iniciativa Mérida e o papel dos Estados Unidos na manutenção do mercado livre e da expansão capitalista.

A Crítica Antiproibicionista

As políticas de proibição das drogas são elas próprias iliberais, mesmo quando implementadas pelos chamados liberais. Daí surgiu a percepção popular da impossibilidade de seguir outros caminhos que não a criminalização e a proibição na política de drogas. É por isso que colocar as diferentes políticas mundiais sobre drogas numa perspectiva comparativa pode ser uma forma de compreender o papel que esta estrutura desempenha em cada lugar.

O índice fornece uma análise da política de drogas em 30 países ao redor do mundo e fornece uma classificação das políticas mais e menos apropriadas. Indicamos nesta sessão que a política de segurança, tal como a política de drogas, é uma política pública que visa proteger o bem colectivo.

Poder Castrense e controle social

A proposta é considerar até que ponto o uso lícito da força pode ser considerado o melhor instrumento para garantir essa garantia, ou se é de fato uma estratégia que causa mais danos do que se propõe a resolver. Ainda, como compreensão do processo de intensificação da militarização da segurança pública, da unificação e centralização dos órgãos de segurança e da atribuição de militares para cargos de comando das polícias locais, estaduais e federais. Tudo isto justificaria a preocupação com o aumento do aparato repressivo e da estratégia de segurança pública face ao problema do crime organizado.

Além disso, na década de 1970, grupos foram formados por policiais e militares para perseguir opositores ao regime do PRI, desde trabalhadores rurais até estudantes. O que acontece nas pequenas cidades com extrema presença militar no México continua a ser uma confusão entre agentes de segurança e indivíduos que fazem parte do crime organizado.

Os militares e o “combate” às drogas

A ideia de que existem apenas dois lados, o Estado e os cartéis, é difícil de sustentar quando sabemos que na verdade estes atores muitas vezes trabalham em conjunto e que a população é quem sofre as consequências de um quotidiano violento. A decisão de envolver o exército e a marinha5 em operações de combate ao tráfico de drogas pode muitas vezes ser interpretada como uma resposta direta do governo mexicano para responder às contínuas inferências e provocações externas, tais como a de que o México não poderia resolver sozinho o problema do comércio de drogas. O conceito de segurança apresentado é que o Estado perderia território e controle dos espaços para o crime organizado.

Para entender se eles foram efetivamente treinados para isso, a que classe social pertencem esses militares e por que foram parar ali e realizaram aquele trabalho. Muitos entram porque acreditam na ideia de que há de fato um inimigo a combater, representado na figura da anestesia criminosa e internalizam a sensação de que estão servindo ao país.

O Índice de Letalidade é um indicador internacional que nos ajuda a compreender como é praticado o uso da força pelos agentes de segurança. É calculado com base na relação entre o número de mortos e o número de feridos. No caso da Secretaria de Defesa Nacional (SEDENA), a secretaria deixou de atualizar os dados em seu site e se recusou a fornecer informações sobre o número de pessoas mortas e feridas em confrontos desde 2014. Cada vez mais são encontrados registros de que o envolvimento das forças de segurança pública e que a intervenção direta das forças de segurança aumentou a violência e resultou no aumento do número de assassinatos nos locais onde ocorreram as operações.

O ano de 2017 é o ano em que o México ficou em terceiro lugar em número de assassinatos no mundo, segundo o UNODC. Na imagem a seguir, desenvolvida por Stefanía Vela da Intersecta, vemos o número de confrontos entre militares e supostos grupos organizados entre 2007 e 2020. Podemos ver que de 2007 a 2017 o número de civis mortos ainda é superior ao número de civis feridos, indicando que o nível de letalidade é extremamente elevado.

O número de mortos e o número de feridos pelo exército em operações só ficaram disponíveis até 2014, quando a Secretaria de Defesa Nacional (SEDENA) deixou de elaborar relatórios e de fornecer acesso a dados sobre suas atividades de segurança pública (REA; FERRIS, 2019; FORNÉ; CORREA; RIVAS, 2012).

Figura 1 - Taxa de homicídio nacional de 1998 a 2019.
Figura 1 - Taxa de homicídio nacional de 1998 a 2019.

Imagem

Figura 1 - Taxa de homicídio nacional de 1998 a 2019.
Figura 2 - Enfrentamentos entre a SEDENA e supostos grupos organizados de  2007 a 2020
Figura 3 - Civis mortos e civis feridos em enfrentamentos com a SEDENA.
Figura 4 - Civis mortos e civis feridos em enfrentamentos com a SEMAR de  2007 a 2017

Referências

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