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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A quem serve a Polícia Militar?: A Copa do Mundo FIFA 2014 e o Rio de Janeiro como cidade de exceção. A quem serve a Polícia Militar?: a Copa do Mundo FIFA 2014 e o Rio de Janeiro como cidade de exceção / Klecia Renata de Oliveira Batista. Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ.

Para referência, ainda durante o mestrado, à Universidade Federal do Rio de Janeiro e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. 147 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) – Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro Janeiro, 2016.

Assim foram delineados o objeto e a área de pesquisa: O papel da Polícia Militar frente aos protestos organizados na cidade do Rio de Janeiro.

Sobre o emaranhado poder/violência

A base da lei ocidental é um acto violento: assenta na base de um contrato legal que se presume ser neutro e justo, mas que não o é em qualquer caso. O Estado é esta entidade política forjada numa monopolização: o monopólio da tomada de decisões políticas. É uma forma de poder exercida continuamente através da vigilância e não de forma descontínua através de sistemas fiscais e obrigações crónicas.

É dentro desta nova modalidade de produção de conhecimento e exercício de poder que se dá a criação de indivíduos aptos a uma norma. Um direito à soberania e um mecanismo de disciplina: entre estas duas fronteiras, creio eu, está o exercício do poder. Além do poder disciplinar que seria exercido contra os corpos e comportamentos individuais, identificou formas de atuação de um poder que teria como alvo a vida da população, dos humanos como espécie.

Além disso, enfatiza que a crítica deve se concentrar na estrutura jurídica e na jurisprudência promovida pelo poder constituinte.

Sobre Estado de Exceção e Militarismo

Neste modelo, não é difícil compreender o papel de uma ala militar do Estado como uma força sempre pronta para ser colocada em ação no combate direto com o inimigo. Para abordar esse problema, abordará o contraste entre a vida nua (zoé) e a vida qualificada (bios), presente na reflexão filosófica desde a antiguidade clássica. A vida nua é a vida natural, comum a todos os seres, enquanto a vida qualificada é aquela que indica uma forma ou modo de vida específico de um indivíduo ou de uma comunidade.

O autor utiliza este contraste para mostrar que a política ocidental trata da exclusão (o que é igualmente uma implicação) da vida nua. A dualidade categórica fundamental da política ocidental não é a de amigo-inimigo, mas sim a vida-existência política, zoé-bíos, exclusão-inclusão. A política existe porque o homem é um ser vivo que separa e contrasta na linguagem a sua própria vida nua e ao mesmo tempo mantém com ela uma relação de exclusão inclusiva.

Este percurso argumentativo leva o autor a reconsiderar os mitos sobre o Estado moderno que afirmam consistir na evolução de um estado de natureza para um estado civil baseado num contrato social bem sucedido. Para este último, Foucault não conseguiu reconhecer que todas as configurações da política ocidental poderiam ser unidas sob um único paradigma, girando em torno das figuras da soberania e da vida nua. É importante lembrar isto, porque é evidentemente a partir deste ponto que é possível compreender o papel do militarismo dentro de um Estado.

Foucault parece indicar a hipótese que desenvolverá mais tarde de que uma instituição armada dentro de um Estado consiste na disponibilidade, por parte do próprio Estado, de um braço forte que, em última instância, protege os seus próprios interesses. Terá eventualmente de se munir de um instrumento de intervenção directo mas negativo, que será a polícia. A existência de um braço forte e opressor com o qual o Estado se arma contra os seus cidadãos vai contra esta concepção de poder.

Quando pensamos na presença de uma instituição militar em sociedades regidas sob os auspícios do biopoder, nas quais a vida nua é condição de existência da própria sociedade, é possível imaginar que esta polícia armada possa funcionar como um dos agentes da eliminação dessas classes para serem mortas. A existência de polícias militares nos estados modernos é uma prova de que o poder é exercido através da violência.

O Estado Brasileiro e seus Excluídos

As qualidades associadas a ele são a elevação da personalidade e a falta de tolerância a concessões. Contudo, a mão-de-obra nacional disponível não adoptou bem este modelo de produção e este foi um dos principais factores motivadores que iniciaram o processo de importação de escravos africanos. Gilberto Freyre (2005), porém, concentra sua pesquisa no conjunto de influências culturais que se encontraram nas terras brasileiras e na forma como esse encontro se deu para criar uma cultura única.

Para ele, o símbolo mais emblemático desse encontro são os modelos de edifícios habitáveis ​​encontrados no Brasil colonial: o casarão e a senzala. Mas a urbanização, a industrialização e a abolição da escravatura não significaram uma obliteração daquilo que constituía o fundamento das relações sociais, que é a autoridade da figura do senhor. É para se referir a essa qualidade que se impõe nas relações entre os indivíduos e entre os indivíduos e o Estado que Holanda cria a expressão ‘pessoa de coração’, que significa justamente a relação social sem formalidade.

Apresentam-se aqui, muito brevemente, algumas das principais características que se enraizaram na constituição do funcionamento da vida social, política e econômica no Brasil a partir desta longa história marcada pela cultura da casa grande e da senzala. Agora temos que ver as consequências disso no processo de implantação da república, que aconteceu menos de dois anos após a assinatura da Lei Áurea. Um dos movimentos mais conhecidos nesse sentido é a Liga Brasileira de Higiene Mental, que se desenvolveu na década de 1920 e tinha como membros um grande número de psiquiatras da elite brasileira.

Carrara (2004) mostra, por meio de um estudo sobre a presença marcante da sífilis no Brasil no final do século XIX, que as elites brasileiras e europeias tinham uma representação do Brasil como um país de degenerados moral e racialmente, e tinham acesso a. Até que a defesa da miscigenação como medida de branquitude começasse a se espalhar nos círculos intelectuais, a grande maioria daqueles que se dedicavam a pensar o Brasil nutria os mesmos medos de miscigenação que marcaram a eugenia americana (CARRARA, 2004). Mas, e é isto que Castel aponta a partir de Foucault, este controlo não afecta apenas o que é, mas também o que pode vir a ser, o potencial de desvirtualização.

Os modelos adoptados foram, naturalmente, os que estavam em voga nas grandes cidades europeias. Recorre-se a esta base quando o Estado não consegue garantir o cumprimento das regras através de disposições disciplinares e da função policial dissolvida no corpo social.

O Rio de Janeiro e sua Polícia Militar

Com uma intendência organizada e a promoção de um controlo adequado sobre a cidade, Viana concebeu a criação de uma força de intervenção mais operacional - uma divisão militar da Guarda Real - o que aconteceu efectivamente em 13 de Maio de 1809. Esta crise confirmou as suspeitas que os comandantes tinha em relação aos soldados mais jovens - a desconfiança que daí resultou. Essa juventude da Polícia Militar como instrumento separado da segurança nacional explica que pode ser uma forma de entender as acusações que muitas vezes são encontradas em relação à atuação dessa polícia.

Este capítulo será dedicado à Copa do Mundo FIFA 2014, sediada no Brasil. Foi em meio a esses confrontos, presentes no cenário social geral, mas também visíveis no campo de futebol, que o país se organizou para a realização da Copa do Mundo de 1950 e, então, uma das preocupações centrais, além da campeonato, era afirmar a identidade brasileira. Algumas considerações sobre o que se entende por formas globalizadas de produção merecem lugar aqui.

Um dos grandes legados deste comitê popular é a elaboração de dossiês condenando as violações de direitos ocorridas durante a preparação do Rio de Janeiro como cidade-sede da Copa do Mundo FIFA 2014. Boas seis décadas depois, o Brasil e suas 12 cidades - locais que sediaram a Copa do Mundo de 2014; Daqui a dois anos será a vez dos Jogos Olímpicos de 2016 serem realizados no Rio de Janeiro. Mas mais do que isso, gerou um alvoroço de descontentamento que tomou a forma de escritos, dossiês, etc.

Outros acabaram na rua um ano antes do início da Copa do Mundo. O que vimos no dia de abertura da Copa do Mundo foram episódios de violência policial que não chegaram perto do que foi proposto no planejamento estratégico: um policiamento cidadão que evitasse o confronto. Foi dito anteriormente que esta situação extraordinária ocorre quando há manifestações. popularmente soa diferente do estado de emergência imposto como paradigma governamental baseado na gestão de riscos.

A iminente realização da Copa do Mundo FIFA de 2014 expôs essas dinâmicas e, ainda mais, aprofundou as relações divididas que sempre caracterizaram a sociedade brasileira. Por fim, cabe ressaltar que a atuação da Polícia Militar como força excepcional não é um fenômeno limitado à Copa do Mundo de 2014. 2º Somente durante o período mencionado no caput e com vistas à organização e condução dos Jogos Rio 2016 o a utilização de radiofrequências pelas entidades e pessoas físicas referidas no § 1º estará isenta do pagamento dos preços e taxas públicas normalmente devidos.

3. Os pedidos impugnatórios de registro de marca de que trata o caput deverão ser apresentados no prazo de 60 (sessenta) dias após a publicação. II - publicidade visível nos veículos automotores, estacionados ou circulando nos locais oficiais da competição, em suas entradas principais, nas áreas referidas no art. 11 ou em locais claramente visíveis deles; III - publicidade aérea ou náutica, inclusive a utilização de balões, aviões ou embarcações, nas instalações oficiais das competições, nas suas principais vias de acesso, nas áreas referidas no art. 11 ou em locais claramente visíveis deles;

Referências

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