Dissertação (Mestrado) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes. Densidade populacional do lagarto endêmico Cnemidophorus littoralis em três áreas do estado do Rio de Janeiro: implicações para você.
Área de estudo
Restinga de Grussaí
A restinga Grussaí/Iquipari pode, assim, ser considerada um elemento distinto no mosaico formado pelas restingas do Norte Fluminense (Assumpção & Nascimento 2000). A restinga de Grussaí já estava incluída nas áreas da zona norte fluminense que apresentavam bom estado de conservação, com a vegetação em sucessão, já que o último grande desmatamento ocorreu há 40 anos, segundo os moradores (Assumpção & Nascimento, 2000).
Restinga de Jurubatiba
O Parque Nacional Restinga de Jurubatiba (PNRJ), Unidade de Conservação de Proteção Integral com aproximadamente 148,6 km2, foi criado em 1998 para preservar uma região de grande diversidade de habitats e riqueza florística (Araujo et al, 2004; Montezuma & Araujo, 2007). Segundo Rocha e colaboradores (2007), quase 2/3 da restinga de Jurubatiba, considerada uma das maiores do Brasil, encontra-se em bom estado de preservação.
Restinga de Maricá
Análise florística de remanescentes no estado do Rio de Janeiro. eds) Restingas: origens, estruturas e processos. 3 Densidade populacional de Cnemidophorus littoralis e nível de conservação das restingas no estado do Rio de Janeiro.
Objetivos específicos
Hipóteses
Material e método
Densidade e índice populacional
Um foi o cálculo utilizando o programa “Distance” (densidade Dist) e o outro foi realizado conforme Menezes e Rocha (2013) (densidade LxC). O método distância x largura (LxL) consistiu em definir uma área de 5 metros de cada lado do transecto (distância dentro da qual é possível identificar com precisão a espécie), resultando em uma faixa de 10 metros de largura dentro da qual os indivíduos foram. contado; Assim, a área total amostrada em cada um foi de cerca de 2 ha (2000 m de comprimento do transecto X 10 m de largura da faixa). Para o cálculo no programa DISTANCE 6.0 foram contados todos os indivíduos observados e medida sua distância perpendicular ao transecto.
No DISTANCE 6.0 foram testados vários modelos e escolhidos aqueles que melhor se ajustavam aos dados, com valores mais baixos do Critério de Informação Akaike-AIC (Rocha et al, 2008). Os cinco transectos foram realizados em cada restinga em intervalo de tempo semelhante: em média 1h13 para cada transecto em Jurubatiba, 19 minutos para cada transecto em Maricá e 10 minutos para o de Grussaí.
Grau de degradação
Os diferentes tipos de impactos antrópicos em cada área foram registrados com base nas categorias estabelecidas por Rocha e colaboradores (2003), a saber: 1) supressão de vegetação para construção de estradas litorâneas (asfalto e solo); 2) destruição da vegetação por pisoteio para acesso à área da praia; 3) abertura de vias de acesso à praia; 4) ocupação de habitat de praia para construção de prédios (casas, apartamentos); 5) tráfego de veículos (carros, motos) sobre vegetação; 6) despejo de lixo na vegetação; 7) queima de vegetação em partes do habitat; 8) comprovação de retirada de areia para incorporações imobiliárias; 9) estabelecimento de culturas agrícolas; 10) estacionamento; 11) caçar animais; 12) animais pastando; 13) presença de animais domésticos; 14) sinais de práticas religiosas (sacrifícios) (Rocha et al. Para perturbações visíveis em imagem de satélite, estabelecemos um perímetro de duas vezes o comprimento do transecto em torno de cada um dos cinco transectos de Densidade II. Portanto, estabelecemos um raio de 174m em torno do transectos em Maricá, 1232m no entorno dos transectos em Jurubatiba e 204m no entorno dos transectos em Grussaí.
Foram somadas as áreas de perturbação dentro de uma mesma restinga e este valor dividido pelo tamanho da área total da zona de cerrado de cada uma (a mesma área utilizada para cálculo da densidade), dando um percentual de degradação para as três áreas estudadas . Com base na estimativa do grau de perturbação das diferentes restingas que mantêm populações desta espécie endêmica e ameaçada, determinamos quais áreas são atualmente mais favoráveis para a manutenção da espécie, além de detectar as restingas onde as populações estariam . correm maior risco dentro da sua área de distribuição.
Resultados
Densidade e Índice populacional
Grau de degradação
Em Maricá existe uma grande estrada de terra que liga o mar e a lagoa e circunda boa parte da restinga. A restinga de Grussaí (Figura 08) apresentou perda de área devido ao aumento da especulação imobiliária e ao início da construção do Porto do Açu em 2007. Uma extensa área da restinga foi perdida para a construção de estradas litorâneas ou casas e chácaras, há também grandes áreas de plantações, como coqueiros.
O número de indivíduos observados em cada transecto de densidade II também variou, sendo encontrados de 0 a 15 indivíduos em Jurubatiba (média e erro padrão 6,8 ± 2,7 indivíduos por transecto); de 0 a 3 indivíduos em Maricá (1,6±0,6 indivíduos por transecto) e de 0 a 2 indivíduos em Grussaí (0,4±0,4 indivíduos). Em Jurubatiba, apesar da tendência negativa entre a área degradada no entorno de cada transecto e o número de indivíduos ali observados (Figura 09), a regressão não foi significativa (F = 0,76; p = 0,44; GL = 3).
Discussão
A restinga de Jurubatiba, apesar de ser atravessada por um grande número de estradas de terra, ainda possui grandes áreas remanescentes de lagartos, sendo a maior área de repouso do estado do Rio de Janeiro (Rocha et al, 2007). 1986 Distribuição geográfica de Liolaemus lutzae (Sauria: Iguanidae) um lagarto endêmico do estado do Rio de Janeiro. Composição do habitat e uso do espaço por Liolaemus lutzae (Sauria: . Tropidurae) em área de restinga.
Biodiversidade em grandes remanescentes florestais do estado do Rio de Janeiro e áreas remanescentes de Mata Atlântica. Ecologia e conservação de populações remanescentes do lagarto branco da praia Liolaemus lutzae (Liolaemidae) no litoral do estado do Rio de Janeiro.
Objetivos específicos
Hipótese
A serapilheira nas bordas dos arbustos foi geralmente o micro-habitat em que houve maior número de registros (37,6% dos indivíduos), seguida pela serapilheira dentro dos arbustos, cascalho e areia descoberta (figura 20). Em Jurubatiba, o micro-habitat em que foi feito o maior número de avistamentos totais foi a rocha, enquanto a serapilheira na borda do mato e na base da bromélia foram os micro-habitats mais registrados nos diferentes períodos ( figuras 18 e 21). Em geral, o local preferido, onde foi feito o maior número de registros, foi a serapilheira em arbustos de bordo.
Maricá, o banco com maior número total de observações, também foi o banco com maior temperatura média durante o dia (34,6ºC). Na serapilheira da borda do mato, microhabitat com maior número de observações, os modelos obtiveram temperatura média de 34,7ºC em Grussaí e 29,4ºC em Jurubatiba.
Material e método
Estrutura da vegetação
Modelo linear generalizado (GLM) dos eixos do PCA com o número de lagartos vistos em cada transecto. Para essas análises foram utilizadas a altura média (cm) e o alongamento total (cm) de cada uma das categorias de vegetação para cada transecto. Os exemplares secos de todas as estruturas vegetais (aqueles indivíduos dessecados, mas ainda intactos) foram agrupados na categoria “plantas secas”, enquanto as mudas (indivíduos jovens, não totalmente formados) foram agrupadas junto com as herbáceas.
Cada eixo PCA utilizado para análise foi testado por ANOVA para avaliar a diferença nas pontuações médias de cada intervalo. As análises estatísticas foram realizadas utilizando PC-ORD e R, enquanto os gráficos foram criados utilizando EXCEL e ORIGIN 6.0.
Avistamento
Os dados foram previamente testados quanto à normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk e transformados conforme necessário. Os modelos utilizados foram baseados em análises exploratórias de PCA, que revelaram quais características da vegetação (altura e extensão das diversas estruturas medidas) estavam mais relacionadas a cada restinga. A entrada de dados para PRESENCE foi a mesma planilha utilizada para PCA, com agrupamento de categorias de plantas secas e herbáceas e normalização de dados quando necessário.
Todos os modelos PRESENCE apresentando delta AIC (Akaike Information Criterion) < 2,0 e p > 0,05 (conforme tabela de distribuição χ2) foram aceitos por não haver diferença significativa entre eles (MacKenzie, 2012). O cálculo do valor p foi realizado com base na diferença entre os valores de -2 log like e o número de parâmetros, correspondentes aos valores de χ2 e graus de liberdade, respectivamente (MacKenzie, 2012).
Análise da temperatura
As amostras foram coletadas durante o período chuvoso, mesmo período em que foram registradas a temperatura do ar e as observações. Calculamos, para cada área de repouso examinada, o espectro médio de temperatura a que os lagartos estão expostos, por intervalo de horas. Foi realizada uma ANOVA para verificar a existência de diferenças entre as médias de temperatura em intervalos horários e diferentes microhabitats.
Cada um de seus dois sensores está alojado em modelos de PVC que servem para registrar variações de temperatura semelhantes à temperatura corporal dos lagartos.
Resultados
Estrutura da vegetação
Jurubatiba teve maior extensão de cobertura por guriri (Allagoptera sp.) e serapilheira fora dos matagais, e em menor extensão por bromélia seca; não foram registradas gramíneas (tabela 07 e figura 15). A restinga de Grussaí apresentou a maior extensão de arbustos, cactos, gramíneas e plantas herbáceas (as três últimas foram a maior extensão nas formas vivas e secas) e menor extensão de bromélias e árvores (tabela 07 e figura 15). A extensão de areia nua foi semelhante nas três áreas de descanso, sendo a variável que ofereceu maior percentual de cobertura.
Os vetores altura e extensão de plantas secas, extensão de arbustos, plantas herbáceas e gramíneas e altura do guriri tiveram efeito importante na estruturação de Grussaí. A altura da vegetação herbácea, a extensão da areia nua e da serapilheira fora da vegetação pareceram ser importantes apenas para alguns transectos desta restinga.
Avistamento
Em Maricá e Grussaí, a serapilheira do bordo foi o microhabitat com maior número de registros no geral e durante o dia, pois esteve ocupada em todos os períodos de observação. Segundo ele, a detecção de lagartos foi afetada pelo fato de a extensão da grama e o tempo, ou seja, a capacidade de detecção ter variado nos quatro períodos de observação, terem sido menores no último período. O modelo [ᴪ(constant)|p(constant)] sugere que a rastreabilidade também não é afetada por nenhuma característica do habitat que permaneça constante ao longo das observações.
Os dois modelos seguintes [ᴪ(constante)|p(altura do arbusto, tempo)] e [ᴪ(constante)|p(profundidade da folha, tempo)] mostram que, além da influência negativa das variáveis já mencionadas, a perceptibilidade O número de indivíduos também muda entre os períodos observados e é maior no segundo período e menor no quarto. O quinto modelo [ᴪ(constante)|p(tempo)] também indica diferença de detectabilidade entre as observações, com influência positiva dos dois primeiros períodos e influência negativa dos dois últimos; Este modelo, no entanto, não considera nenhuma estrutura física.
Temperatura
Temperatura dos modelos
O GLM revelou, para Grussaín, uma influência positiva de seis micro-habitats na temperatura corporal de C. A serapilheira na borda do mato e a serapilheira no interior do mato influenciaram positivamente o número de indivíduos vistos, enquanto o Período das 14 horas teve um impacto negativo (tabela 15). Em Jurubatiba, a temperatura dos lagartos apresentou relação com a serapilheira interna, período 13h e 14h (todos apresentando relação negativa na temperatura dos modelos) e com a areia nua, que apresentou influência positiva (tabela 16).
Discussão
Conforme descrito por Hatano (2001), o número de lagartos observados ao longo do dia apresentou uma curva unimodal. Termorregulação no lagarto partenogenético nativo Cnemidophorus (Teiidae) em área de repouso no Nordeste do Brasil. Caracterização estrutural, fisionômica e florística da vegetação de repouso do complexo lagunar Grussaí/Iquiparí – São João da Barra, RJ.
Densidade populacional, uso de microhabitat e padrão de atividade do lagarto indiano, Psammophilus dorsalis (Agamidae). Ecologia térmica de Liolaemus lutzae (Sauria: Tropiduridae) em área de restinga no sudeste do Brasil.