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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020. UBES União Brasileira dos Estudantes Secundários UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro UFF Universidade Federal Fluminense.

A complexidade da identificação juvenil

Porém, o Estatuto da Juventude (BRASIL, 2013) enfatiza em seus 48 artigos a possibilidade de participação criativa dos jovens na sociedade sem a supervisão de um adulto, mostrando que ganha força a identificação do jovem como sujeito competente em seu momento atual (LEITE , 2015). Pais (2003) enfatiza os limites dos movimentos apresentados e opta por uma terceira abordagem, perspectiva a partir da qual esta pesquisa aborda: estudos sobre o cotidiano dos jovens confrontados com a questão da identificação dos 'paradoxos da juventude' ( PAIS, 2003 , p. 70), para o qual.

Da noção do protagonismo juvenil à noção da participação política

O protagonismo juvenil é, portanto, “também o discurso dos jovens sem voz, dada a ausência de uma palavra autônoma que lhes permitisse constituir-se como sujeitos” (SOUZA, 2009, p. 16). Podemos, portanto, dizer que o discurso, ao prescrever a ação como uma nova forma de política, proporciona ao indivíduo a ilusão de domínio e previsibilidade sobre a vida política, em suma, a ilusão de poder” (SOUZA, 2009, p. 17). ).

Sobre a participação juvenil contemporânea

4 Segundo entrevista concedida a Miguel Nagib, advogado idealizador do programa, disponível em: https://esbrasil.com.br/miguel-nagib-escola-sem-partido/. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/13291/influencia-do-escola-sem-partido-cresceu-nas-eleicoes.

Do que falamos quando falamos em democracia

Mas a democracia também pode ser entendida como proposta por Masschelein e Simons (2014): não é simplesmente uma organização social em que os eleitores escolhem os seus representantes, mas estende-se a uma democracia participativa, em que grupos ou indivíduos têm de dar a sua opinião sobre interesses comuns e chegar a um consenso entre as partes. Seria uma democracia “cuidadosamente organizada” e uma “suavização da democracia” (MASSCHELEIN; SIMONS, 2014, p. 125) em que não basta eleger democraticamente os representantes, mas em que as formas e os meios de gestão desta democracia devem Ser criado. Assim, concordando com Rancière, a democracia “não é uma espécie de regime político (entre outros), mas é a 'instituição' da política”, que se desenvolve no momento democrático.

Neste sentido, a democracia “é o poder de quem não tem poder”, de quem está fora dos partidos, excluído do que é dado dentro de uma ordem social.

A democracia no espaço escolar

É, portanto, uma visão em que a aprendizagem, a preparação do sujeito para a vida democrática, se dá por meio da democracia vivenciada em ambiente institucionalizado, neste caso a democracia na escola. 2090., porém, essa relação não aconteceria de forma unidirecional, mas seria um processo em que o indivíduo interage com o ambiente em que vive. O indivíduo é, portanto, não apenas o resultado da interação do ambiente em que vive, mas também o semeador desse ambiente, que o alimenta e constitui a sua individualidade (BIESTA, 2013).

Nesse sentido, o caráter da escola, que essencialmente retira o aluno de sua posição desigual na ordem social e o introduz em um espaço-tempo livre no qual são colocados como iguais, é constantemente sabotado por discursos de que a escola é um extensão. famílias ou que seja responsável pela formação de mão de obra para a sociedade, numa “tentativa.

A democracia na escola no Brasil

Em conformidade com as demandas sociais por uma organização escolar democrática, políticas públicas têm sido implementadas nas últimas décadas com o objetivo de incentivar a participação estudantil no ambiente escolar, mas de forma cuidadosamente organizada entre outros instrumentos nas sagradas associações estudantis. Parece então que a democracia na escola se estabelece preferencialmente numa forma institucional eleita pela comunidade escolar, mas dividida em partes e traz a democracia para a escola de forma domesticada e consensual no que entendemos como mais próximo do formato policial. , conforme descrito por Rancière (2004a apud MASSCHELEIN; SIMONS, 2014). Chama a atenção também a ausência de abordagem da disputa política em torno das organizações estudantis.

Para tanto, nas páginas seguintes conheceremos um grêmio estudantil de uma escola pública da região metropolitana do Rio de Janeiro, sua história, o motivo de sua escolha e, por meio de uma análise documental, problematizaremos as diferentes formas com que este grupo se relaciona com a sua comunidade escolar e com os diferentes níveis de hierarquia e poder da estrutura educativa do Estado.

Estudo de caso: o Colégio Estadual Pedra Bonita

A cidade de Itaboraí está localizada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tendo como vizinhos 21 municípios13 que também fazem parte desta Região e faz divisa com Guapimirim, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Tanguá e Maricá (MARAFON, 2016). 14 A região se refere a treze municípios do estado do Rio de Janeiro: Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Seropédica (IBGE, 2018). Como professora da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro desde 2008 e vice-diretora de um Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) desde 2012, é nesse contexto de otimismo no município que minha introdução ao Colégio Estadual Pedra Bonita, em segundo lugar semestre de 2014.

16 Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio de Janeiro vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro.

O Estudo Documental

Código Caracterização do material Caracterização do conteúdo dos documentos ATA atas de todas as reuniões ordinárias. Esta etapa, embora seja uma das mais criativas no processo de análise de conteúdo, segue os critérios independentemente de as categorias serem definidas antecipadamente ou com base nos documentos. Após definir essas categorias e subcategorias, devidamente organizadas em três pastas, passamos a apresentar os documentos de acordo com as características de cada uma delas.

Neste capítulo serão apresentadas as leituras dos documentos selecionados para cada uma das categorias definidas.

Atividades do grêmio

Atividades do grêmio: temas locais

Porém, na imagem divulgada no perfil do grupo no Facebook, não há menção à presença de seleções femininas. Um dia depois o grupo convocou uma reunião para discutir a questão do uniforme, segundo informações de postagem da escola onde as fotos foram registradas. Na postagem do Colégio, três partes do texto nos chamaram a atenção: “Hoje voltou”, “o compromisso do Sindicato Estudantil” e “Parceria de Gestão”.

O segundo trecho deixa bem claro que a devolução do uniforme normal do curso foi uma exigência dos alunos, o que foi aceito como compromisso pelo grêmio.

Figura 1 - divulgação do campeonato de futsal e líder de torcida 17
Figura 1 - divulgação do campeonato de futsal e líder de torcida 17

Atividades do grêmio: temas globais

Após reunião onde foram discutidos esses temas, um integrante do grupo sugeriu que “os alunos deveriam ser informados sobre os assuntos relevantes da PEC 241 e da reforma do ensino médio”, conforme registrado na Ata 9, de 3 de novembro de 2016. No entanto, esta reunião preocupou-se principalmente com um acréscimo ao artigo 15 do estatuto do Grêmio, que instituiu mais duas diretorias: “Negros, mulheres e LGBT” e “Políticas educacionais” (EGE, 2015, p. 7). 7. A CONAERJ debateu sobre a educação no país e a transformação da vida dos estudantes e daqueles que virão “com a luta por uma educação de qualidade” (pesquisa censo, 2019), conforme certificado de participação emitido em nome do presidente do grupo.

Foram encontradas diversas postagens nos arquivos da agremiação em seu perfil no Facebook com fotos do presidente e do tesoureiro em debates e manifestações de rua organizadas em conexão com o Congresso32.

Figura 3 - debate organizado pelo grêmio
Figura 3 - debate organizado pelo grêmio

Global no Local

Ainda em 2016, o perfil do grupo no Facebook contém dois registros de visitas do sujeito a duas escolas, uma no município de Magé e outra no município de Itaboraí. Encontro no Colégio Estadual [..] – Sindicato Estudantil [..] conscientizando os alunos sobre a importância do sindicato na escola e demonstrando boas práticas43. É importante ressaltar que a narrativa sobre a “formação de grêmios” e a “consciência da importância dos grêmios nas escolas” coincide com o ano letivo, que foi afetado por uma greve de quase 5 meses de professores, ao mesmo tempo como dezenas de ocupações estudantis. .

Contudo, as visitas às escolas para incentivar a formação de grupos ocorreram entre junho de 2016 e maio de 2017, e a resistência do grupo ao fechamento das escolas ocorreu no segundo semestre de 2017.

Relações de Poder

Relações de poder implícitas

O evento ocorrido em março de 2018 e que também teve como objetivo incentivar a formação de sindicatos estudantis foi a Semana do Grêmio Estudantil incluída no calendário da SEEDUC. Legenda: (a) Fonte: cartaz divulgando a semana do sindicato estudantil dirigido à direção; (b) cartaz publicitário da semana do sindicato estudantil destinado aos estudantes. O Grêmio CEPB realizará então a Semana do Grêmio no período designado pela SEEDUC RJ, iniciando o evento com uma palestra, conforme postagem em seu perfil no Facebook.

Portanto, a Semana do Sindicato Estudantil parece constituir esse espaço cênico, no qual o sindicato estudantil é um “ator social” que não é chamado a refletir, mas a mediar a ratificação de consensos com o que já está estabelecido através da atividade “social”.

Figura 5 - cartazes de divulgação da semana do grêmio estudantil
Figura 5 - cartazes de divulgação da semana do grêmio estudantil

Relações de poder explícitas

O convite em 2018 na nova composição do grêmio CEPB para a Semana do Grêmio Estudantil foi aceito e desenhado segundo um desenho pré-definido, o que novamente aponta para a relação de poder implícita que decide quando e onde a voz estudantil será ouvida. . Embora a reivindicação do grupo em participar deste caso tenha se configurado como um ato em que os alunos se apresentavam como parte da comunidade escolar para serem consultados e convidados a discutir um tema comum a todos, com legítima resistência, vemos que a guilda também vai contra essa concepção de democracia, quando em seu estatuto, no artigo 29, a condição para exercício de função na disciplina é definida como “aluno do 1º (primeiro) ano de universidade. escolas ainda mais". Dado que em 2015, data da posse da primeira diretoria do grêmio, o CEPB oferecia o ensino básico II, o ensino médio regular e a formação de professores50, o fato de o texto limitar a ocupação de cargos no grêmio apenas aos o meio pedagógico está excluído.

Essa iniciativa gremial nos faz pensar em como as relações de poder podem ser configuradas explicitamente mesmo entre sujeitos considerados pares, que supostamente ocupam o mesmo lugar dentro das regras hierárquicas institucionais.

Concepções de Juventude

O corpus empírico estabelecido foi problematizado conforme as normas da análise de conteúdo, organizado segundo as seguintes categorias: As atividades do grupo que se desdobraram em Local, Global e Global no Local, Relações de poder, que foram apresentadas implícita ou explicitamente e reações do apresentações de guildas e jovens. Essas categorias serviram de base para a busca de respostas às questões que nortearam o processo de pesquisa: Qual o papel da guilda nas questões escolares mais específicas e nas condições sociais mais amplas. Na busca por respostas a tais questionamentos, verificamos no material compilado o que ele poderia trazer em termos de respostas às questões de pesquisa, o caso da associação estudantil Colégio Estadual Pedra Bonita dentro de suas ações, relações e noções, de certa forma , registrados nesses textos e imagens.

Disponível em: Acesso em: 20 de julho de 2020.

Imagem

Figura 1 - divulgação do campeonato de futsal e líder de torcida 17
Figura 2 - mutirão de pintura do CEPB
Figura 3 - debate organizado pelo grêmio
Figura 4 - congressos estadual e nacional  (a
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Referências

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