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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Fragmentação na Câmara dos Deputados variáveis ​​explicativas da distribuição das forças partidárias nos bancos estaduais. Fragmentação na Câmara dos Deputados variáveis ​​explicativas da distribuição das forças partidárias nos bancos estaduais / Brenda dos Santos Barboza Cunha.

República de 1946-1964: o surgimento da fragmentação partidária como

Segundo a sua declaração, a consequência disto foi o desaparecimento dos principais partidos – UDN e PSD – e a desintegração do sistema partidário. A sua análise indicou que estava em curso um processo para consolidar o sistema partidário no país e enraizar os partidos na sociedade.

O debate no contexto pós-redemocratização

Apesar de qualquer influência que possa exercer, a fórmula eleitoral em si não contribuiria para aumentar a fragmentação da representação parlamentar no país. As regras eleitorais brasileiras teriam diversos mecanismos responsáveis ​​por gerar efeitos mecânicos, o que, segundo os pressupostos Duvergerianos, reduziria a fragmentação do sistema partidário. A formação de coligações eleitorais em disputas proporcionais é vista como “um mecanismo fundamental na produção da fragmentação parlamentar” na medida em que é cultuada pelos partidos como uma ferramenta para escapar às suas consequências.

Contudo, quando os partidos eleitos em círculos eleitorais individuais não são os mesmos, ocorre também uma maior fragmentação a nível nacional. Nicolau apontou ainda a migração partidária como um factor que contribuiu para o aumento da fragmentação partidária no período intereleitoral. Dentre as contribuições representadas por muitos desses trabalhos, destaco a abordagem iniciada por Lima Jr. sobre a dinâmica do sistema partidário e a fragmentação na Câmara dos Deputados a partir da análise das subunidades nacionais.

A discussão introduzida neste capítulo procura resumir os argumentos e fundamentos nas obras de alguns autores que contribuíram para o tema da fragmentação partidária.

Os impactos do sistema eleitoral segundo Maurice Duverger

A concentração da discussão desenvolvida por Duverger – isto é, de suas proposições clássicas sobre a influência dos sistemas eleitorais nos sistemas partidários – em vários trabalhos posteriores confere importância ao seu trabalho nesta obra. A discussão continua para estudos que analisam os efeitos da interação entre estruturas institucionais e sociais, entre outros fatores, como a centralização de recursos nas democracias federalistas. A obra de Maurice Duverger, Partidos Políticos, escrita em 1951, destaca-se entre os estudos mais influentes sobre o tema.

Depois de analisar os sistemas políticos de vários países, as suas conclusões deram origem a duas proposições: 1) os sistemas bipartidários surgem de sistemas eleitorais de maioria simples; Os mecanismos através dos quais os sistemas eleitorais afetam o número de partidos são definidos por Duverger com base nos efeitos mecânicos e psicológicos associados a cada modelo. O efeito mecânico gerado nos regimes maioritários consiste na sub-representação de um terceiro, geralmente o mais fraco.

Segundo Duverger, os efeitos mecânicos produziriam efeitos na primeira escolha, enquanto o efeito psicológico, por se basear nos resultados da escolha anterior, produziria efeitos a partir da segunda7.

Debate sobre as leis de Duverger

Um ponto fundamental defendido por Cox foi a observação de que a Lei de Duverger opera apenas em nível distrital. Assim, considera a formulação da Lei de Duverger em nível nacional como uma generalização empírica. Cox destaca ainda que o comportamento estratégico por parte dos eleitores, independentemente do sistema eleitoral, só é capaz de estabelecer um limite máximo de partidos viáveis.

Não pode impedir o surgimento de partidos, pelo que não pode ser obtido um número equilibrado de partidos. A sua resposta terá em conta o tipo de sistema eleitoral adoptado e a natureza das estratégias de coordenação partidária. A ideia de coordenação implica um processo de agregação partidária (a decisão dos candidatos de concorrer a um partido comum) e a adoção de estratégias eleitorais comuns articuladas pelos eleitores e pelas elites dos diferentes distritos (linkage).

Os seus resultados dependem da natureza das motivações e expectativas dos actores e do tipo de sistema eleitoral.

Interações entre as estruturas social e institucional

A sua força reside na eficiência de reduzir demasiados partidos a um número menor de círculos eleitorais. Depois de testar diferentes modelos nos quais conseguiram medir os efeitos das variáveis ​​institucionalistas, das variáveis ​​sociológicas e da interação entre as duas, seus resultados mostraram que um modelo construído apenas com variáveis ​​institucionalistas explicou 61% da variância no número de partidos eleitorais efetivos , enquanto no modelo construído apenas com variáveis ​​sociológicas os coeficientes revelaram-se insignificantes. Portanto, descobriram que o tamanho do sistema eleitoral depende da interação entre a estrutura social e a estrutura eleitoral.

Segundo os autores, o número real de partidos parece depender do produto da heterogeneidade social e da permissividade eleitoral, e não simplesmente de uma função aditiva destes dois factores. No entanto, não encontraram provas de que a interacção entre a estrutura social e eleitoral afecte o número real de partidos concorrentes nas eleições presidenciais. 10 O número real de partidos – eleitorais ou parlamentares – são índices desenvolvidos por Laakso e Taagepera que apelam à fragmentação do sistema com base na dispersão do poder eleitoral ou parlamentar dos partidos.

O multipartidarismo é assim o resultado de múltiplas divisões e de um sistema eleitoral permissivo, ou seja, a génese dos partidos resulta da interação entre a força eleitoral e a heterogeneidade social.

Fragmentação e coordenação partidária nos distritos eleitorais

Este grupo deve então reunir um grande número de legisladores ou candidatos a cargos legislativos para influenciar a política a nível nacional. Uma maior centralização reduziria o número de partidos a nível nacional e aproximaria o número de partidos a nível local de dois. Para os autores, o aumento do número de partidos nacionais efectivos relativamente ao número de partidos efectivos nos distritos reflecte, portanto, a expansão dos problemas de agregação partidária.

Depois de comparar o número efectivo de partidos nos distritos, perceberam que eram muito menores do que o número de divisões observadas nos distritos indianos. Este resultado contradiz a crença de que as múltiplas etnias da Índia seriam responsáveis ​​pelo aumento do número de partidos. A sua análise também observou que, durante quase todos os anos, em ambos os países, o número efectivo de partidos distritais foi menor do que o número de partidos nacionais efectivos.

Tendo em conta que os dados a nível distrital eram relativamente constantes, eles acreditavam que as mudanças no número nacional de partidos ao longo do tempo eram um reflexo da agregação partidária entre distritos, que por sua vez é um reflexo dos incentivos para os candidatos se coordenarem em siglas comuns e para os eleitores apoiarem partidos com maior apelo fora do distrito.

Fragmentação e Magnitude do Distrito

A maior ou menor intensidade das variações na fragmentação partidária pode estar ligada a fatores secundários que, isoladamente, não são capazes de explicar a tendência geral de crescimento observada no período, mas que concomitantemente atuam no reforço dos seus efeitos. Uma análise mais apurada do desenvolvimento da fragmentação das bancadas estaduais mostra que, entre os intervalos eleitorais analisados, o que prevalece na maioria dos distritos é o crescimento da fragmentação. Em alguns casos podemos observar tendência de estabilidade nos índices, mas ainda com tendência de crescimento; e em algumas unidades, para no máximo duas escolhas, há uma pequena variação negativa (ou seja, diminuição) na fragmentação.

Com o tempo, começou a surgir uma maior homogeneidade no crescimento da fragmentação entre distritos. O desvio padrão da variação que ocorreu por ano entre os distritos indica que caiu mais de metade desde as eleições de 2006 e das eleições subsequentes (Tabela 1). . Além da análise da fracionamento dos bancos estatais, podemos perceber como o crescimento da fragmentação consiste numa tendência geral entre distritos, onde é medido separadamente entre distritos com baixa dimensão (até 16 assentos) e entre distritos com elevada dimensão (de 17 assentos) e compare os resultados. A informação recolhida até agora sugere que a crescente fragmentação é uma tendência geral entre os círculos eleitorais.

Se o aumento da fragmentação partidária na Câmara dos Deputados não pode ser explicado pelo tamanho do distrito, sua explicação deve ser buscada em outros fatores.

Gráfico  2  -  Fracionalização  eleitoral  (Fe)  das  bancadas  estaduais  -  Câmara  dos  Deputados  (1998- (1998-2014)
Gráfico 2 - Fracionalização eleitoral (Fe) das bancadas estaduais - Câmara dos Deputados (1998- (1998-2014)

Fragmentação e Centralização

O modelo aprovado combinou “a manutenção de áreas de decisão autônomas para órgãos subnacionais; descentralização no sentido forte de transferir autonomia e recursos decisórios para governos subnacionais e transferir responsabilidades pela implementação e gestão de políticas e programas definidos em nível federal para outras esferas de governo” (ALMEIDA 2005, p.32). Embora as escolhas de políticas fiscais e sociais tenham, em alguns casos, limitado a autonomia dos estados e municípios, não foram "suficientes para apoiar o diagnóstico de que está em curso um processo de realinhamento". Além de contribuir para a descentralização, também foi responsável pela introdução de políticas federais centralizadas, regulamentando e limitando a liberdade local.

O modelo adotado criou interdependência entre os diferentes níveis de governo na formulação e implementação de políticas. Se, por um lado, os governos locais (municípios) passassem a gozar de autonomia administrativa, a serem responsáveis ​​pela implementação de políticas e a ficarem com uma parte dos recursos públicos que nunca foram retirados; por outro lado, permaneceram dependentes de outras esferas de governo, deixando dúvidas sobre a sustentabilidade da oferta, a expansão dos serviços sociais universais, bem como a melhoria da sua qualidade. Para Arretche, esta é a razão pela qual, "embora a descentralização fiscal e política tenha aumentado as capacidades estatais - administrativas, de supervisão e de produção de serviços - dos governos subnacionais", a definição constitucional de poderes exclusivos na gestão de políticas sociais requer cautela ( 2004, pág. 25).

Ao desempenhar o papel de “principal financiador, bem como de padronizar e coordenar as relações intergovernamentais”, a autoridade na gestão de políticas está altamente concentrada no governo federal18 (ARRETCHE, 2004:24).

Fragmentação e Mudanças Institucionais

Os índices mostram a existência de “diferenças bastante grandes entre países e entre eleições sucessivas” (PERES, RICCI e RENNÓ, mas em 75% deles a volatilidade está muito próxima dos valores medidos a nível nacional20) (BOHN & PAIVA , 2009). Uma revisão histórica do trabalho sobre fragmentação partidária no Brasil ajuda a identificar semelhanças e diferenças entre os processos pelos quais a fragmentação partidária aumentou em cada período. As análises mostram também como a cisão de grandes entidades partidárias, apoiadas por uma grande adesão de parlamentares, pode criar novas associações que já estão fortalecidas e dominam uma parte significativa do governo (como o PFL e o PSDB).

A discussão com a literatura internacional aponta para a influência dos processos de centralização da política nacional em torno do poder executivo, a vantagem que este poder tem sobre os líderes das subunidades quando concentram o controle dos recursos financeiros e fiscais e como são motivadas as estratégias de coordenação partidária entre distritos pelos interesses nacionais. A natureza coligacional do presidencialismo brasileiro, somada à concentração de poder e à centralidade do poder executivo, atrai muitos partidos a ingressarem no governo sem precisar filiar-se ao mesmo partido. Em linha com o que defendem Cox (1997) e Chhibber e Kollman, a centralidade e a concentração do Poder Executivo favorecem a coordenação das negociações entre distritos.

The nationalization of parties and party systems: An empirical measure and an application to the Americas. Hellen Kellogg Institute for International Studies.

Imagem

Gráfico 1 - Fragmentação Eleitoral da Câmara dos Deputados (1998-2014). Bancada  Nacional.
Gráfico  2  -  Fracionalização  eleitoral  (Fe)  das  bancadas  estaduais  -  Câmara  dos  Deputados  (1998- (1998-2014)
Gráfico  3  –  Correlação  entre  variação  da  fracionalização  eleitoral  entre  1998-2014  e  a  fracionalização eleitoral inicial (1998)
Tabela  1  -  Desvio  padrão  da  variação  da  fragmentação  entre  as  bancadas  estaduais da Câmara dos Deputados (2002-2014)
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Referências

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