Contudo, esta questão – especialmente a luta contra a fome e a pobreza – não era uma prioridade na agenda da política externa. A terceira envolve a forma como cada administração vinculou a agenda anti-fome e anti-pobreza à política externa.
Problema de pesquisa
Da mesma forma, a política interna e a política externa têm o mesmo apelo. Diante disso, formula-se a seguinte questão: como a utilização da agenda antifome e contra a pobreza como instrumento de política externa pelos governos constitui um instrumento de soft power?
Análise de políticas públicas
Portanto, propõe-se um modelo analítico baseado em contribuições teóricas do campo das Políticas Públicas e da APE. A convergência destas correntes é mais provável de acontecer quando as chamadas janelas políticas estão abertas.
Transferência e difusão internacional de políticas públicas
Isso abriu espaço para o desenvolvimento de novas perspectivas, como o conceito de difusão de políticas internacionais. Existem quatro mecanismos que geram a difusão de políticas: aprendizagem (os governos adotam políticas com base na experiência de outros governos); competição (uma espécie de corrida por inovações, que pode tornar os países mais atrativos que outros); coerção (impor a um governo a adoção de determinada política); e socialização (processo de socialização de políticas públicas, que se refere à legitimação de programas e ao objetivo de criar uma boa imagem da política promovida em determinado grupo de países ou comunidade) (GRAHAM; SHIPAN; VOLDEN, 2013; PORTO DE OLIVEIRA ; FARIA, 2017).
Política externa como política pública
Milani (2011) resume essa situação e afirma que “essa ampliação de atores e a ruptura com o isolamento burocrático do Itamaraty aproxima a política externa da política pública interna” (MILANI, 2011, p.42). Além desses autores, outros realizaram estudos que analisam os arranjos institucionais da política externa, que envolvem também a questão da organização burocrática do Itamaraty (ARBILLA, 2000; CHEIBUB, 1984; LIMA, 2015; PUNTIGLIANO, 2008).
Capacidades estatais
Em relação à burocracia estatal, há uma discussão na literatura sobre capacidades estatais, e é altamente relevante se aplicada à análise do desenvolvimento das capacidades burocráticas no Itamaraty, com vistas à ampliação da agenda temática de política externa, por exemplo. Mas neste caso há também o problema de os autores trabalharem com dimensões diferentes (CÁRDENAS, 2015; CINGOLANI, 2013; GRINDLE, 1996; KJÆR; HANSEN; THOMSEN, 2002). Ao ler estes autores é possível postular quatro tipos principais de capacidades governamentais: i) burocráticas/administrativas; ii) fiscal; (iii) militares; iv) política.
Análise de política externa
Existem também quatro fontes que promovem estas mudanças na política externa: o papel dos líderes; a burocracia estatal; a situação interna; e choques externos. As mudanças podem consistir em meros ajustes e/ou ser direcionadas a objetivos e estratégias de política externa.
As razões da integração de várias abordagens teóricas
Desta forma, será possível avaliar os impactos que as reformas organizacionais e a capacidade orçamentária do Itamaraty têm no desenvolvimento da agenda social como ferramenta de política externa. Isto nos permitirá analisar o processo pelo qual os atores da política externa conseguiram fortalecer a agenda social em nível global através da distribuição internacional de programas sociais – especialmente o Bolsa Família – e da segurança alimentar.
Hipóteses de pesquisa
Metodologia e desenho de pesquisa
Entre outros métodos, Starke (2013) discutiu a combinação destes dois (rastreamento de processos dentro do caso e entre casos) em processos de difusão de políticas. Na última parte, com o objetivo de definir os esforços internacionais para difundir a agenda brasileira de combate à fome e à pobreza, é feita uma análise das iniciativas diplomáticas tomadas no contexto da cooperação internacional e da participação do Brasil nas conferências da ONU sobre desenvolvimento social. realizado.
Os programas de governo e os planos plurianuais
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- A política externa no primeiro programa de governo
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- A política externa no primeiro plano plurianual
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- A política externa no segundo plano plurianual
O primeiro plano de governo, elaborado para as eleições de 1994, chamava-se “Mãos à Mão, Brasil: Proposta de Governo”. Tal como no caso dos programas governamentais de 1994 e 1998, os planos plurianuais apresentam diferenças na priorização da agenda de combate à fome e à pobreza.
A conjuntura política e a agenda social do governo
O Conselho de Ajuda [..], o Fundo de Ajuda, conselhos e fundações estaduais e locais. Apesar desses avanços, a estruturação do campo assistencial se desenrolou em meio a disputas.
Política externa: principais temas da agenda
A revisão das ações do Brasil estava intimamente relacionada ao objetivo da política externa de reformar o CSNU e obter um assento permanente no órgão (GAZIR; GIRALDI, 1997). Nessa reunião, FHC deixou ainda mais clara a prioridade da política externa de aprofundar a integração sul-americana. Além disso, a China apoiou o objetivo da política externa brasileira de ingressar no CSNU, enquanto o.
Evolução da capacidade burocrática do MRE
Em ambos os casos, não houve alterações quanto à posição da DTS ou da ABC na estrutura organizacional do Itamaraty. O mesmo aconteceu com o orçamento de 2003, cuja proposta foi feita pelo governo FHC, e em 2011, quando a proposta já foi enviada pelo governo Lula. Contudo, seguindo a lógica de redução da capacidade fiscal e burocrática do Estado, o governo FHC optou por não expandir a influência brasileira no exterior em relação a esta agenda.
O papel da diplomacia presidencial na construção da imagem do Brasil
Conclusão
Como será visto no próximo capítulo, esse processo de mudança ocorreu de forma substancial durante o governo Lula, inaugurando um período em que o Brasil se consolidou como um dos líderes mundiais na agenda para acabar com a fome e a pobreza. O primeiro objetivo deste capítulo é analisar o processo de formação da agenda de combate à fome e à pobreza durante o governo Lula no âmbito doméstico. O segundo objetivo do capítulo é analisar como essa agenda foi incorporada à agenda de política externa e como se deu o processo de sua implementação no exterior.
Os programas de governo e os planos plurianuais
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- A política externa no primeiro programa de governo
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- A política externa no primeiro plano plurianual
- Agenda governamental nas áreas de assistência social e segurança alimentar
- A política externa no segundo plano plurianual
Assim como a agenda social, a política externa foi parte crucial do primeiro programa do governo Lula em 2002. Além de priorizar a América do Sul, houve a manutenção do universalismo como um dos princípios fundamentais da política externa. A política externa foi incluída no PPA dentro do sétimo objetivo do governo federal, que previa o fortalecimento da soberania internacional e a integração sul-americana.
A conjuntura política e os avanços institucionais da agenda social do
O quadro eleitoral e o Bolsa Família
Embora o governo Lula tenha continuado a perseguir políticas económicas ortodoxas, a expansão das capacidades do Estado reflectiu-se na construção de órgãos consultivos com o objectivo de aproximar o Estado da sociedade e implementar novas políticas públicas – com o Bolsa Família no centro deste processo – ajudou a pavimentar o caminho para a consolidação da principal agenda do governo (combate à fome e à pobreza), o que teve implicações nas eleições de 2006. Corrêa (2006), por exemplo, a partir de uma análise da relação entre o Bolsa Família e a atuação de Lula no As eleições de 2006 demonstraram a resistência de classe. O realinhamento eleitoral baseado na consolidação da agenda anti-fome e pobreza através do sucesso do Bolsa Família foi um dos elementos decisivos para a vitória de Lula nas eleições de 2006.
A estrutura da coalizão política e a consolidação da agenda social
No entanto, também foram criados novos mecanismos para incorporar a agenda anti-fome e anti-pobreza no debate público, garantindo que continuará a ser um tema central em futuras mudanças governamentais. O processo de constitucionalização da agenda antifome – com a aprovação da emenda constitucional nº. 64, em fevereiro de 2010, último ano de governo - foi uma das expressões desse enraizamento. Este último objetivo da Seção IV é essencial por dois motivos: primeiro, pretende consolidar a política antifome como uma política nacional, ou seja, como uma política pública permanente; e em segundo lugar, porque do enraizamento desta política na esfera interna - que é sobretudo o resultado da sua experiência - há condições.
Política externa: mudanças na agenda
O terceiro eixo – o objectivo da política externa de reformar a ordem internacional – também consistiu numa mudança de segundo nível. Portanto, a agenda de cooperação Sul-Sul na política externa brasileira tornou-se ainda mais prioritária no governo Lula. É a partir desse argumento que se entende o quinto eixo da política externa de Lula – a agenda de combate à fome e à pobreza – como uma mudança de política externa no terceiro nível.
As reformas organizacionais do MRE: o espaço da agenda de combate à
Outra mudança importante com o Decreto nº. 4.759 de 2003 foi a criação da Subsecretaria Geral da América do Sul (SGAS), que foi "a principal mudança e contribuição da liderança de Celso Amorim no desenvolvimento organizacional do MRE [ ..], indicando a prioridade da política externa da região sul-americana” (CASTRO; CASTRO, 2009, p. 289). Foi criada a Subsecretaria Geral de Cooperação e Comunidades Brasileiras no Exterior (SBGE), da qual a ABC passou a fazer parte. Portanto, o campo da cooperação voltou a sofrer, com a criação da Subsecretaria Geral de Cooperação e Promoção Comercial (SGEC), que incluía a ABC.
O papel dos agentes no processo de difusão internacional da agenda de
O papel do presidente Lula como agente de difusão
Ou seja, a mudança de governo – mesmo no caso de reeleição – representa a formação ou reajuste da agenda interna do governo, por meio da criação ou reformulação de políticas públicas, por exemplo, políticas de combate à fome e à pobreza. Contudo, o primeiro passo para que esta tarefa se concretize é o papel do presidente como ator fundamental na distribuição externa da agenda de combate à fome e à pobreza e de políticas internas bem-sucedidas, como o Bolsa Família. Essa transformação da agenda internacional pode ser observada dividindo as viagens do presidente por região.
A participação do presidente em fóruns internacionais
Este discurso de Lula deixa claro como a experiência de vida do governante o tornou uma prioridade na agenda de combate à fome e à pobreza. Neste sentido, propus a criação de um Fundo Global de Combate à Fome e sugeri formas de o tornar viável. Na Assembleia Geral de 2010, diferentemente do ano anterior, Amorim enfatizou mais uma vez a estratégia brasileira de combate à fome e à pobreza tanto interna quanto externamente.
O processo de difusão internacional do Bolsa Família e do Fome Zero: o
O Soft Power brasileiro e a expectativa de lock in
Em suma, a difusão das políticas sociais contribuiu para outras iniciativas de política externa e permitiu ao país promover os seus interesses na arena internacional através de actividades em diversas instituições e fóruns internacionais. O forte envolvimento do governo e as futuras eleições de Graziano enfatizaram o uso do soft power como ferramenta de política externa. O segundo objetivo, discutido nos últimos quatro parágrafos, é analisar o processo de continuidade/mudança da agenda de combate à fome e à pobreza no âmbito da política externa.
Agenda governamental nas áreas de assistência social, segurança
Um dos objetivos desta seção era “consolidar o Diálogo e a Cooperação Internacional do Brasil para promover a soberania e a segurança alimentar e nutricional” (BRASIL, 2015b, p.118). Por fim, a seção sobre política externa apresentou conteúdo seguindo as mesmas linhas do APP anterior. Em relação à cooperação, cabe ressaltar o objetivo de sua organização ao incentivar a participação de diversos atores políticos e sociais: “[..] consolidar a cooperação internacional [..] por meio da coordenação entre órgãos do governo federal, do diálogo com os sujeitos federais e do diálogo com a sociedade civil, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e ampliar o envolvimento internacional do Brasil” (BRASIL, 2015b, p.200).
O cenário político-econômico
Essa postura governamental – somada às decisões econômicas de implementação de medidas como desvalorização do real, redução das taxas de juros, tributação do capital especulativo, redução do preço da energia elétrica – bem como o alto índice de aprovação do governo Dilma apontaram para uma situação positiva até o primeiro semestre de 2013. A partir desse momento, as relações governamentais tornaram-se hostis, o que gerou dificuldades na manutenção da agenda política do governo. Além disso, a popularidade do presidente também foi duramente atingida, pois a avaliação positiva do governo caiu 27 pontos, a maior queda desde o governo de Fernando Collor de Mello (FOLHA DE S.PAULO, 2013).
Política externa: continuidade e mudanças na agenda
A América do Sul
Apesar de ainda ser um pilar fundamental da ação externa no governo Dilma, a política externa para a América do Sul sofreu mudanças adaptativas em relação ao governo Lula. Estas divergências evidenciaram a falta de convergência entre os principais formuladores da política externa – Dilma, o chanceler Patriota e o conselheiro Marco Aurélio Garcia. Tal como a América do Sul, a cooperação Sul-Sul continuou a ser um dos eixos da política externa, especialmente do grupo BRICS.
O BRICS
Abdenur (2014) segue esta linha, afirmando que os interesses da China no estabelecimento do NBD são principalmente políticos. Como salienta Abdenur (2014), o peso económico da China e a sua projeção global são motivo de preocupação para outros países do BRICS, e a cooperação da China com outros países em desenvolvimento é maior do que com os membros do BRICS. Jim O'Neill, criador da sigla “BRICS”, chamou a atenção para estas diferenças e para o peso da China nos BRICS.
A agenda de combate à fome e à pobreza
Em suma, a política externa de Dilma manteve as principais diretrizes implementadas pela sua antecessora – integração sul-americana, cooperação Sul-Sul e agenda de combate à fome e à pobreza – porém, houve mudanças adaptativas, ou seja, apenas no nível do visto. que a intensidade com que estas instruções foram seguidas diminuiu. Assim, argumenta-se que não houve alterações nem nos objetivos nem no programa de política externa. Por outras palavras, tanto as ferramentas como os métodos utilizados pela diplomacia para implementar as orientações e objectivos da política externa definidos pelo governo anterior permaneceram os mesmos.
Estrutura burocrática do MRE: desprestígio e redução das capacidades. 193
A participação da presidenta nos fóruns internacionais
Manutenção de iniciativas de difusão e redução das ações e do orçamento
O encontro da agenda social com a agenda de política externa nos
Os impactos das conjunturas doméstica e internacional na agenda de
Semelhanças e diferenças na implementação das diretrizes da política
As capacidades fiscais e burocráticas do MRE
A diplomacia presidencial nos três governos
A convergência das três correntes da política: o aproveitamento de