Críticas que definem a visceralidade
Exposições
Em 1967, Anna Bella Geiger realizou exposição individual na Galeria Relevo, no Rio de Janeiro, onde expôs pela primeira vez sua série de gravuras viscerais. Em 1969 expôs gravuras ao lado de Roberto Magalhãe na Galeria USAID, no prédio do Banco do Estado da Guanabara. Em 1987, o Centro Cultural Brasil-Argentina, no Centro Empresarial Rio, expôs Outra Figuración Argentina, ao lado de Nova Figuração Carioca, exposição da qual Anna Bella Geiger faz parte com suas enraizadas obras da década de 1960.
O artista também realizou trabalhos viscerais, seguindo, Coração e outras coisas, participar da IX Bienal Internacional de São Paulo. Em 1968, entre outros dez artistas indicados, sua exposição na Galeria Relevo foi considerada pela crítica o melhor conjunto de trabalhos exibidos no Rio de Janeiro no ano anterior. Em 1971, o músico colombiano Guillerme Rendón compôs a sinfonia Grabado de Anna Bella Geiger a partir da gravura "Coração e Outras Coisas".
Visceralidade, Informalismo e Nova Figuração
No início da década de 60 no Brasil, a artista Anna Bella Geiger, através de sua intensa busca, promoveu uma renovação figurativa que começou através da gravura informal e seus possíveis processos. Mario Pedrosa defendeu os neoconcretistas, mas quando defende a obra visceral de Anna nos anos 60, entende a pós-modernidade através de uma nova figuração (Entrevista concedida ao autor em 08/10/2014). As obras de Anna Bella aparecem neste contexto, assim como as de outros artistas atuantes na década de 1960.
Artistas da década de 1960 dentro do experimentalismo e da arte de vanguarda são importantes: Anna Bella Geiger, Barrio, Carlos Vergara e Rubens Gerchman. A série visceral de Anne Belle se desdobra como uma experiência que acompanha o processo de desilusão da artista com o mundo. Em "Tiradentes Esquartejado" (1893), de Pedra América, a visceralidade ocorre pela fragmentação externa do corpo (ou seja, pela visibilidade dos órgãos internos), diferentemente da visceralidade de Anna Belle, em que a mesma se expressa pela fragmentação interna dos órgãos e não suas partes externas.
A obra visceral de Anna Bella na década de 60 também representa um testemunho político em meio à ditadura militar. Há o apelo à emoção e à dor da dor e a forma como a luz incide sobre o corpo da figura mitológica tal como em “Livers Talking” de Anna Bella. A visceralidade presente na obra de Anna Bella Geiger é o resquício do aspecto mais profundo que resta desta crise de espírito, onde o esvaziamento do céu é um elemento não assimilado.
Os artistas da exposição “Las Furias” apresentam-na na necessária história da arte, no sentido de que não se trata de um processo de constante imersão serial na escuridão, como em Anna Bella Geiger. A obra de Anna Belle traz a ideia de “arte acabada” em contraste com a de Barrio, que a artista considerava uma obra de arte completa, uma combinação de arte, eu, público e ambiente. Experimente a fragmentação do seu próprio corpo, mas para fora e não para dentro, como na visceralidade de Anne Belle.
Artistas do experimentalismo e da arte de vanguarda dos anos sessenta, Anna Bella Geiger, Arthur Barrio, Carlos Vergara e Rubens Gerchman são significativos. A visceralidade de Anna Bella surge como uma linguagem que resulta dessa perda do corpo como unidade, e da consequente emergência do corpo despedaçado, fragmentado pela modernidade. Anna Bella, ao mergulhar em si mesma, à luz da sua visceralidade, encontra sobretudo um desejo de libertar o homem do ser.
A fase Anna Bella Geiger surge de uma “nostalgia corporal” ou “morcellement” vivenciada pelo artista-gravura, que, utilizando seu corpo para o mundo simbolicamente por meio do recorte da placa de gravura, transforma ambos em arte. Quando comparada com as gravuras brasileiras da época, o relato das obras de interior de Anna Bella é muito refrescante.
Visceralidade antecedente em análise de obras mitológicas de
Análise comparativa com contemporâneos como Lygia Clark,
Portanto, não são apenas as figuras de alumínio que se desenham no ar, mas figuras do desamparo humano, da nossa dependência, da necessidade do Outro, num processo de alienação entre o objeto e o espectador: “um corpo afeta outro corpos. , ou a organização é afetada por máquinas desejantes cria um organismo onde o corpo é uma máquina dentro de uma máquina social. Assim, nosso desejo é suprimido, nossos órgãos são capturados, instrumentalizados dentro de uma lógica capitalista e ordenados por essa organização social externa, eles podem se tornar nossos inimigos.
Na visceralidade de Anna Belle, o corpo também é o motor da obra, mas reorganizado através da fragmentação da chapa para criar uma recriação imaginária dos próprios órgãos. Éramos um grupo pequeno, o Grupo da Frente, que na verdade começou a se expressar de uma forma muito orgânica, contra o que pensávamos ser mecanicista. Lygia, assim como Anna Bella, estabelece uma formulação de conexão com a vida e não a falta de comprometimento de uma sociedade altamente mecanizada em suas ações privadas.
Iniciou o seu trabalho no final dos anos sessenta, fazendo parte de uma geração que surgiu do encerramento do betão, após a ruptura do neobeton. Em Anna Bella, a visceralidade não é tão explícita como em Varejão, pois não há carne na sensação (estética) do “pathos” na pintura, no sentido de uma série que fala da própria pele da pintura em abundância, aludindo às vísceras. No Varejão o que importa é a superfície da pele e a cobertura dos órgãos; os órgãos não estão representados, apenas o emaranhado de vísceras através do qual o corpo da pintura se desenvolve, cresce e se transforma ao longo do tempo, segundo uma histeria ao mesmo tempo em que é construído por uma história passada.
O interior do corpo, que salta, que em forma de entranhas se expressa na inércia excessiva, praticamente barroca, e na carnalidade-visceralidade do gesto: “[..] o aparecimento intrusivo de carne “viva” no meio da a disseminação caótica dos pigmentos” (DIDI-HUBERMAN, 2012, p. 11). Azulejaria Azul em Carne Viva" é um registo de outra corporeidade, que, em vez de afirmar a tradicional dicotomia entre alma e corpo, surge na fronteira entre o sentido e o mundo como aquilo que se apresenta dinamicamente através de uma intrusão violenta através da qual um fenómeno visceral adquire presença. . Pode até ser, se se tratar de certas descobertas científicas ou talvez de uma obra de arte.
O corpo impossível" (esta é uma versão reduzida e modificada da tese de doutorado do autor, que defendeu em 1996 na Universidade Federal de São Paulo - . USP), com o objetivo de "reconhecer as linhas de força que orientaram o processo de a desfiguração do corpo humano através das suas “formas concretas”.
Visceralidade enquanto interioridade e mergulho psíquico
Anna Bella foi a única artista que contextualizou, ao nível da gravura na Nova Figuração, o conceito de recuperação de um homem que se fragmentava perante o mundo, perante os seus desejos, as suas expressões no contexto social em que opera e que, assim, precisando voltar a si mesmo, isola cada parte do seu interior, para se redescobrir, reunindo-se com o mundo como homem." (N / D). O contexto social brasileiro, vítima de um sistema político ditatorial, no qual o trabalho é desenvolvido e contextualizado, assemelha-se ao contexto pós-moderno. Portanto, a raiz de seu trabalho é a expressão, pois há a deformação de corpos que se apresentam de forma diferente da realidade, bem como cores para expressar seus sentimentos íntimos em relação ao testemunho artístico de um regime repressivo: No caso de Anna Bella. , o corpo fragmentado, legado do drama expressionista, reforçou uma sociedade fragmentada (TAVORA, 2000, p. 67).
O contexto social brasileiro, vítima de um sistema político ditatorial no qual o trabalho é desenvolvido e contextualizado, assemelha-se, portanto, ao contexto do pós-guerra do século XX. Portanto, a raiz de seu trabalho é a expressão, pois há a deformação de órgãos que aparecem diferentes da realidade, bem como de cores para expressar suas sensações internas em relação ao testemunho artístico. 12 “Anna Bella foi a única artista que, ao nível da gravura na Nova Figuração, recuperou o conceito de um homem fragmentado perante o mundo, perante os seus desejos, as suas expressões no contexto social em que se insere e, portanto, porque ele tem que voltar para si mesmo, ele isola internamente cada parte de si mesmo, para se redescobrir e interagir novamente com o mundo como ser humano” (N.A.).
Confrontada com o trabalho visceral de Anna Bella Geiger, surge uma visualização possível, do ponto de vista tautológico, de uma atividade criativa de gravura que culmina num objet trouvé, um “objeto encontrado” (a própria série de gravuras), tal que o as figuras dos órgãos são encontradas a partir de uma abstração total. É uma ruptura menos no mundo do que no sujeito, entre a percepção e a consciência de um sujeito tocado por uma imagem. Apenas aludimos a isso em “A Força do Homem”, o exemplo de um “Corpo Impossível”, pois não é realmente reconhecível.
Porque não há só a imponência dela, com maiores reentrâncias e detalhes, mas também uma relação entre esta orelha e a mão, através da entrada de um cotonete. Em “As tripas se jogam em um mar azul profundo” há formas claramente mais reconhecíveis em comparação com as anteriores, e remetem ao interior de uma delas. Dada a perspectiva escolhida pelo artista, as entranhas “mergulham” no “mar” através de um acoplamento, um encaixe entre elas, criado pelo corte das próprias matrizes.
13 Anna Bella foi a única artista que, ao nível da gravura na Nova Figuração, expressou o conceito de homem fragmentado face ao mundo, face aos seus desejos, às suas expressões no contexto social. . em que atua e o que portanto, retornar a si mesmo, isola interiormente cada parte de si, redescobrir-se, em reinteração com o mundo como ser humano (N. do autor). Foi simplesmente a necessidade de uma forma até um tanto confusa do que eu vinha estudando desde 1949 sobre o sentido político de uma obra. O Catálogo foi uma busca de levantamento, um resgate de uma memória de cinquenta anos atrás, olhando para o pensamento que acompanha essas obras.