A luta pelo direito à educação de qualidade nas ações judiciais do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação – SEPE/RJ / Handerson Fábio Fernandes Macedo. A luta pelo direito à educação de qualidade nas ações judiciais do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação – SEPE/RJ.
A não preocupação com a educação popular: da falta de cidadania à falta
Os parágrafos anteriores dão-nos uma pequena ideia de como era a situação da educação no início do século XX. Percebemos que houve um pequeno aumento no número de escolas primárias entre os dois anos analisados, passando de 436 para 584.
Escola pública no século XX e movimentos sociais: uma luta árdua e
Organização e reivindicações – a constituição de movimentos em torno da
Para iniciar o debate sobre a participação dos movimentos sociais na defesa das escolas públicas ao longo do século XX, é necessário definir o que entendemos por movimentos sociais. Dessa forma, entende-se que o conceito de movimentos sociais adotado nesta pesquisa se insere na perspectiva marxista.
A natureza de classe da educação é claramente observada quando se olham os dados sobre matrículas em instituições de ensino em 1933. Xavier (2012, p.239, 240) define com propriedade o papel dos Pioneiros da Educação e a divergência entre eles e os defensores do ensino religioso.
O Manifesto dos Educadores, a Campanha em Defesa do Ensino Público e o
É importante ressaltar que esse conflito entre privatistas e defensores da educação pública deu origem não apenas ao Manifesto dos Pedagogos em 1959, mas também à Campanha l. Uma defesa da escola pública que mobilizou pioneiros da educação nova, intelectuais, políticos, movimentos estudantis e sindicais em todo o país (LIRA, 2009).
O ajuste neoliberal: os privatistas não podem mais esperar
O debate sobre a questão da qualidade do ensino ocorre num contexto em que o acesso ao ensino básico é praticamente universal, com a grande maioria da população a cumprir satisfatoriamente a exigência de matrícula nas escolas públicas. A criação de políticas públicas que busquem garantir a qualidade dessa educação, bem como a permanência de crianças e adolescentes na escola, é essencial e sine qua non para a verdadeira universalização e democratização da educação em nossa sociedade. É preciso compreender como superar esses problemas do ponto de vista da garantia do direito fundamental à educação, aqui entendido não apenas como acesso ao espaço, mas também como qualidade da educação.
Para além do debate sobre a quantidade/qualidade do ensino primário, é necessário realçar a discussão que existe em torno do conceito de qualidade do ensino, discussão que é extremamente importante para que se possa prosseguir uma política educativa eficaz com o objectivo de de emancipar as classes populares. Será que o conceito de qualidade implícito nas políticas educativas do Banco Mundial e nas suas teorias neoliberais é o mesmo conceito de qualidade que os profissionais da educação e os movimentos sociais almejam? Este trecho por si só é suficiente para demonstrar o quão contraditórios podem ser os sentidos atribuídos à expressão qualidade da educação.
Como afirma Frigotto, a educação é um campo de contestação hegemônica, e o conceito de qualidade educacional não foge a esta regra, pois ao falar em educação de qualidade, cada ator político se apropria do conceito de acordo com suas noções ideológicas, ou seja, é um conceito imbuído de subjetividade, cujo significado dependerá de quem o utiliza. Confirmando esse debate, Dourado e Oliveira (2009) apontam que a qualidade da educação está diretamente ligada a diferentes espaços, atores e processos de formação. Para a realização deste trabalho será necessário, portanto, discutir os significados que a educação de qualidade pode ter - e tem - na nossa sociedade, principalmente aquele pretendido por organismos internacionais como o Banco Mundial e aquele defendido pelos profissionais da educação.
Escola-empresa: a qualidade neoliberal
Qualidade Total na Educação e Avaliação Externa
A utilização de avaliações externas para falar sobre a qualidade da educação está dentro de uma concepção produtivista de educação, que entende qualidade como o desempenho e os resultados dos alunos em testes e avaliações padronizadas. A respeito do exposto, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE) afirma que. Ao vincular a remuneração dos professores ao desempenho dos alunos nos testes, atribuindo recompensas, estabelecendo assim uma política salarial baseada numa meritocracia percebida ou assumida, os governos também actuam no sentido de aumentar a divisão de classes dos profissionais da educação e, desta forma, criam processos de competição entre eles. .
As avaliações externas ajudam a compor índices como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), o Índice de Desenvolvimento Escolar do Rio de Janeiro (IDERJ), o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP), entre outros, que foram criados partindo do pressuposto de que os profissionais da educação responderia às demandas por resultados que viriam da sociedade civil e dessa forma melhoraria seu desempenho nas escolas e a qualidade viria desse processo (ALVES, SOARES, 2013). Como se antes de tais índices existirem, os profissionais da educação não se preocupavam com os resultados dentro da escola. O decreto deixa bem claro que esse índice foi criado para monitorar a qualidade do ensino nas escolas estaduais.
Ou seja, este artigo regulamenta o acompanhamento contínuo do trabalho e do desempenho dos profissionais da educação de acordo com os critérios estabelecidos pela secretaria de educação. Tudo isto implica a manutenção dos baixos salários pagos aos profissionais do ensino primário, e se assim for. Para o BM, questões como materiais didáticos, carga horária letiva (horas de aula, trabalhos de casa) e conhecimentos dos professores - que priorizam a educação continuada e a formação contínua em detrimento da formação inicial - são muito mais importantes e eficazes para a melhoria da qualidade. (TOMMASI et al, 2009).
Qualidade Social da Educação
Para que a universalização e a democratização da educação realmente aconteçam é necessário que todos tenham acesso a uma educação pública de qualidade social, para que esta ajude a reduzir as desigualdades sociais existentes em nossa sociedade. Construir uma educação pública de qualidade social passa necessariamente pela luta e organização dos profissionais da educação, pois são eles que estão nas escolas e que têm maior percepção dos resultados e implicações de determinadas políticas em seu campo, além de sofrerem. dos aspectos negativos de muitos deles. Não se pode falar em educação social de qualidade sem ter em conta o quadro funcional das escolas e a atenção que os governos dispensam aos profissionais que compõem este quadro.
4º mencionado no parágrafo anterior, acreditamos ser importante falar do art 3º, IX da LDB, pois é ele que define que o ensino será ministrado levando-se em consideração a garantia de padrões de qualidade. Portanto, este artigo aborda exatamente como deve ser tratada a questão da garantia dos padrões de qualidade. Para o autor, todos esses indicadores mínimos de qualidade devem levar em conta o tamanho da escola, o número de matrículas e os turnos de funcionamento da escola.
E é exatamente isso que o Parecer nº. 08/2010 do CEN/CEB, determinará quais são os insumos mínimos, com base no tamanho da escola e no número de alunos, que cada instituição deverá ter para poder estabelecer uma educação social pública de qualidade. Contudo, é importante considerar também os fatores externos, e são justamente esses fatores que geralmente tendem a ser completamente ignorados pelos organismos internacionais quando se fala em construir uma educação pública com qualidade social. Neste capítulo pretendemos analisar o papel do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro na luta por uma educação pública de qualidade.
O Estado, o Direito e o Sindicalismo – a necessidade de uma crítica
Portanto, as ações são mais um instrumento de pressão nas mãos da classe trabalhadora na busca por uma educação de qualidade. Esta visão serve apenas os interesses da classe dominante, a burguesia, que a utiliza como instrumento de dominação e legitimação do seu poder. O nosso conceito de direito de classe corresponde simultaneamente ao do Estado de classe, como o poder organizado da classe dominante.
Reforçando esta visão, Stutchka afirma que “o direito, assim como o Estado, são nada mais nada menos que atributos ou formas de domínio de classe” (2009, p.71). Fica claro pelo exposto que Thompson enfatiza o papel ideológico das leis, que apesar de atuarem como mediadoras do conflito de classes, também legitimam o poder da classe dominante, a burguesia. Se a lei não consegue manter esse caráter, a legitimidade da lei e da classe dominante acaba sendo afetada.
A saída da exploração capitalista só será alcançada através da unificação da classe trabalhadora e da unificação das suas lutas e reivindicações, o que aponta para a importância da luta política sobre a luta legal. Para Marx (1987), esse papel dos sindicatos é atuar como centros de resistência e unificação da classe trabalhadora à exploração capitalista. Isto leva-nos a defender que toda a luta e acção sindical visa não apenas proteger a classe trabalhadora, mas também levantar a bandeira da luta contra o sistema.
Da ação jurídica como instrumento de defesa da qualidade e como
Existem muitos documentos oficiais que mostram a importância deste tema para o desenvolvimento da qualidade na educação. A partir de 2009, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro adotou uma nova política curricular que, na sua perspectiva, visava melhorar a qualidade do ensino. À primeira vista pode parecer que tal reclamação envolve apenas a questão da segurança tanto para os alunos quanto para os profissionais envolvidos, embora não haja motivos para negar esse fato, é importante ressaltar também a importância de uma boa estrutura escolar para o desenvolvimento da qualidade da educação.
O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, por meio da Região 7, elaborou um dossiê sobre as condições das escolas públicas cariocas, denunciando sua destruição devido à implementação de políticas neoliberais, e o submeteu ao deputado para investigação e investigação. Tudo o que está indicado no documento e exige especificamente a oferta de educação pública de qualidade para todos. O sindicato ressalta a importância que seria para o desenvolvimento da educação se esse dinheiro fosse investido diretamente nas unidades escolares. Os problemas decorrentes de tal política na gestão da educação na cidade do Rio de Janeiro são numerosos.
Um ataque aos direitos laborais e benefícios sociais dos trabalhadores na educação e formação, à política de reduções salariais a longo prazo, ao redireccionamento de fundos do ensino público para entidades e instituições privadas para projectos e programas que causariam um “choque” na parceria com as autoridades. eficácia" na educação. Existem alguns outros relatórios de processo que não foram analisados para esta pesquisa, como aqueles relativos a ações de proteção ao direito à greve na educação e nas classificações. Talvez uma das primeiras conclusões a que possamos chegar nesta pesquisa diga respeito ao avanço e progresso da educação pública no Brasil e aos direitos a ela.
O direito ao ensino fundamental de qualidade no Brasil: uma análise da legislação pertinente e das definições pedagógicas necessárias a uma exigência legal. A Campanha em Defesa da Escola Pública: a mobilização social no debate do Projeto de Diretrizes e Fundamentos da Educação Nacional.