Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, 2018.
Estigmas territoriais
Observa-se que todo esse processo de consequências de estigmatização, principalmente o de “diferenciação social interna”, é agravado pelo fato de essas áreas serem, em sua maioria, “abandonadas” por quem está “de fora”. Carvalho e Silva (2011) afirmam que: “Neste contexto, pretende-se caracterizar a sociedade como uma teia de relações” que se apresenta.
Políticas de segurança pública e suas consequências
Breve panorama das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)
Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em outras favelas do Rio, no governo de Sérgio Cabral Filho, sob a responsabilidade do secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame (período de gestão de 2007 a 2016) (MAGALONI; CANO, 2016). Contudo, em Novembro de 2010, como descrevem Burgos et al (2011, p. 51), “houve uma série de motins – na sua maioria roubos de automóveis que depois foram incendiados”, o que na altura alimentou “a ideia de que a reacção dos traficantes de drogas à política de segurança pública.” Afinal, diferentemente de outras políticas de segurança pública implementadas, as UPPs, como já mencionado, têm como principal característica a presença de um grupo de policiais no local após os procedimentos táticos iniciais de entrada (“intrusão” ) Foram realizados.
Após um período de “estabilização”, os locais selecionados são entregues a novos policiais da UPP, candidatos recém-incorporados (com o objetivo de haver menos corrupção) e treinados de acordo com a teoria da política de segurança pública, que é a da “proximidade”. " e do "policiamento comunitário", com vista a um melhor.
Atuação da Polícia Militar e “ordem pública”
Portanto, devido a esta e outras questões complexas relativas à formação dos policiais que atuam tanto nas UPPs quanto nas ruas, que serão destacadas no próximo tópico, além do aumento do índice de criminalidade, é urgentemente necessária uma mudança de paradigma no que diz respeito às políticas de segurança pública que focam principalmente nos “territórios estigmatizados”, que são as periferias e principalmente as favelas, como afirmam Carvalho e Silva (2011): “A complexidade do tema implica a necessidade de uma participação social efetiva, como forma de democratizar o aparelho estatal em termos de garantia da segurança dos cidadãos" (p. 60). Segundo eles, a natureza militarizada das forças policiais perpetua a visão dos agentes policiais como heróis que lutam contra o inimigo – que neste caso são alegados criminosos – o que pode levar ao uso excessivo da força, especialmente em comunidades pobres, e a elevados níveis de stress entre oficiais. Um manifestante que exige transporte público de melhor qualidade por um preço mais justo – que foi o foco das manifestações de 2013 – é considerado um “disruptor”, ou seja, alguém que ameaça as regras pré-estabelecidas por essas “organizações”. a manutenção da ordem e da paz públicas deve, portanto, ser enfrentada com toda a severidade possível; não a lei, mas a força física e o aparato institucional com as chamadas “táticas operacionais”, como balas de borracha, gás lacrimogêneo, etc.
Isso porque se repetem reflexões como “a teoria é muito bonita, mas a realidade é diferente”, ou ainda que os novos policiais deveriam “ouvir a voz da experiência”, expressando a falsa percepção de que aprendem mais com a experiência. à luz da exploração do conhecimento, ignora que esta divisão entre teoria e prática é, na verdade, apenas momentos separados de um único processo.
Contextualizando o ensino policial militar
Os fundamentos curriculares apresentados pela SENASP foram consolidados por meio do MCN, em 2003, em um extenso Seminário Nacional de Segurança Pública – que será analisado e os resultados da análise apresentados posteriormente – que teve como objetivo difundir e estimular a formação para a ação no âmbito do Oficial de Segurança Pública do Sistema. A matriz deverá constituir um referencial para as ações de formação que serão empreendidas por todas as forças policiais, contribuindo para o fortalecimento e institucionalização do Sistema Único de Segurança Pública - SUSP” (BRASIL, 2003, p. 5). A implementação desta medida insere-se num conjunto de políticas que visam a formação de profissionais de segurança pública com o objectivo de uma melhor qualificação.
Atualmente, o documento contém instruções que servem de orientação para Ações de Formação de Profissionais da Área de Segurança Pública, com o objetivo de garantir a padronização da atuação dos agentes da área de segurança pública.
Uma breve apresentação da estrutura do ensino na Polícia Militar do Rio
Ser policial é, acima de tudo, uma razão de ser: cultura e cotidiano da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O modelo policial profissional e a formação profissional dos futuros policiais nas Academias de Polícia do Estado do Rio de Janeiro. Tornar-se policial: a construção da identidade profissional do policial no estado do Rio de Janeiro.
Transforma a Diretoria Geral de Educação em Diretoria Geral de Ensino e Instrução da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e APROVA seu regulamento. Garante a implantação, estrutura, atuação e funcionamento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no estado do Rio de Janeiro. Dispõe sobre o estatuto da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e dá outras providências.
As especificações do Currículo da Polícia Militar
O currículo do CFSd
Revisão curricular do CFSd 2011/2012
O processo de atualização curricular foi coordenado pela Divisão de Ensino do CFAP com o apoio metodológico da SSEVP. Foram realizadas cerca de onze reuniões entre membros do departamento docente do CFAP; professores profissionais, a saber: oficiais e recrutas da PMERJ; policiais civis e. Nestas reuniões, professores e instrutores, com o apoio metodológico da SSEVP, analisaram os currículos válidos e discutiram o seu conteúdo, estrutura, formas de avaliação e técnicas de ensino.
De acordo com o Departamento de Ensino do CFAP, após cada reunião, os participantes eram responsáveis por atualizar os planos de aula e submetê-los à SSEVP para revisão, devolvendo aos professores conforme necessário para fazerem revisões com base nas sugestões sugeridas.
Currículo CFSd 2012
Instruções práticas de conduta tática - IPAT I Instruções práticas de conduta tática - IPAT II Instruções práticas de conduta tática - IPAT III Legislação da PMERJ I. A contextualização da proposta explica que as transformações sociais indicam a necessidade de um novo perfil profissional do policial : quem é capaz de lidar com as diversas formas de conflitos e crises que estão presentes na sociedade. Atuar demonstrando conhecimento da sociologia, história, folclore ou costumes de um local ao interagir com a comunidade;
Ser capaz de redigir documentos com clareza, tendo em conta os padrões das técnicas de escrita padrão e oficiais da língua portuguesa;
Revisão curricular do CFSd 2014/2015
Os agentes de segurança pública não poderão disparar armas de fogo contra pessoas, exceto em casos de legítima defesa própria ou de terceiros contra perigo iminente de morte ou ferimentos graves. Surge assim um processo de desvalorização da profissão de segurança pública e, como resultado, o que temos ao final do CFSd é um policial com lacuna cognitiva e operacional para atuar, seja no asfalto ou em áreas instáveis. O currículo é uma ferramenta de ensino dinâmica e pode estar sujeito a diversas atualizações, de acordo com o impacto das mudanças sociopolíticas, que afetam a atuação do pessoal de segurança pública.
Por fim, um dos objetivos deste trabalho é justamente chamar a atenção para uma das propostas de formação profissional dos recrutas do CVSD, entre diversas outras implementadas nos últimos anos, procurando refletir criticamente sobre as práticas tradicionais relativamente às ações e procedimentos das instituições e agentes responsáveis pela segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Tensões e desafios do policiamento comunitário em favelas do Rio de Janeiro: o caso do Grupo de Policiamento de Áreas Especiais. Disponível em:
Currículo CFSd 2015
Currículo oculto
O currículo oculto pode ser definido como o conjunto de normas, princípios e valores sociais que são transmitidos implicitamente através do processo de ensino, ou seja, que não aparecem nos planos educacionais, mas ocorrem de forma sistemática e produzem resultados que não são esperados do currículo formal. , embora significativo. Segundo Silva (2005), a base do currículo oculto são as relações sociais que se estabelecem no universo educacional entre “professor-aluno-administrador” (p. 145). Trazendo o termo “currículo oculto” para o universo da formação policial militar, podemos dizer que ele pode ser utilizado para caracterizar o conjunto de experiências que os alunos tiveram ao longo de sua formação, como nos estágios técnico-operacionais, o que representa um simbolismo de emblemas.
O objetivo do currículo oculto é alinhar os alunos às estruturas e padrões estabelecidos e considerados orgânicos para a empresa.
Os desafios dos dispositivos de atualização dos conhecimentos práticos
Esta é a construção de “corpos subjugados”; Isso faz parte do treinamento e não aparece em nenhum currículo. Num processo educativo bem-sucedido, há coordenação entre seleção (critérios e processo), formação e atividade profissional. A formação de um policial militar exige o desenvolvimento de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) de diversas áreas do conhecimento para o policiamento, o que torna o processo de aprendizagem complexo e rico e exige total acompanhamento por parte dos cursistas desse processo.
O processo de ensino é intencional e sistemático, pois exige o desenvolvimento de um programa de experiências educativas que devem ser vivenciadas no cotidiano da instituição.
Mas, que recruta é esse?
Estamos muito longe das formas de submissão que apenas pediam ao corpo sinais ou produtos, formas de expressão ou o resultado do trabalho. Segundo Hughes et al (1961 apud CUNHA, 2004, p. 201), “fazer67 um profissional” vai além do currículo aplicado; o processo educativo envolve principalmente uma forma de “iniciação ao novo papel profissional e um ajuste à nova visão de mundo que permitirá o desempenho deste papel”. Os recrutas cantavam uma música “motivacional”, que não era uma música oficial, que geralmente é composta por policiais das Forças Armadas, pois essa é uma das motivações que fazem quem ingressa no CFSd optar pela carreira de policial militar. como relata um dos entrevistados: “[..] no Corpo de Fuzileiros Navais fiquei dois anos até passar no exame policial.
Devido ao número de alunos ingressantes no mesmo período, foi necessário acionar a 1ª, 3ª, 4ª e 5ª Empresas perto da sua lotação máxima, atingindo 2.900 alunos simultâneos no CFAP, facto que expõe a infra-estrutura inadequada para acolher reuniões. as necessidades do CFAP. precisa de um excelente treinamento.
E depois da Formação?
É que a polícia do Rio de Janeiro está em guerra há tanto tempo que está cada vez mais difícil convencê-la porque acredita na guerra. Enquanto a PMERJ for a instituição cujos membros mais matam e mais morrem, com estatísticas aumentando a cada ano, a segurança no estado do Rio de Janeiro será exemplo, tanto no país como no mundo, de tudo o que é feito para evitar, tanto em termos de planejamento como de ação. Policiamento, cooperação e acesso a direitos nas favelas do Rio de Janeiro: a experiência das unidades de polícia pacificadora (UPP).