Thesis Cidade Alta Futebol de Favela: a phenomenological look at the process of subjectivation of favela identity through football / Fabiana Barros de Lima Lourenço de Lima - 2019. Cidade Alta Futebol de Favela: a phenomenological look at the process of subjectivation of favela identity through of sokker.
Metodologia fenomenológica segundo o pensamento de Edmund Husserl
É no mundo da vida que as coisas acontecem, é neste mundo da experiência que agimos, vivemos e transformamos, é aqui que o homem está e se faz. O que se observa é um tema apresentado à consciência que está deliberadamente focada no que se observa.
A suspensão do juízo
Começo apresentando um cenário oculto da Cidade Alta como FAVELA, observando o problema de gestão (BRUM, 2012, p. 21) que existe em relação à sua origem e memória como favela. A primeira geração – são aqueles indivíduos que chegaram adultos à Cidade Alta nos primeiros anos de sua fundação (1969), hoje aproximadamente na faixa etária a partir dos 69 anos.
Cidade Alta e a construção do ambiente de favela
Talvez pela ausência dessas características visíveis que sublinham o conceito primário de favela (VALLADARES, 2005), seus moradores o substituíram durante muito tempo pelos nomes: “complexos Cidade Alta” e/ou “comunidade Cidade Alta”. A primeira se deve ao surgimento de outras favelas no entorno, construídas com as características citadas, como o conjunto de barracos de madeira e tijolos nas encostas da Cidade Alta. Vale lembrar que a Cidade Alta foi construída em terreno elevado no cruzamento da Avenida Brasil com a Rodovia Washington Luís, por isso é cercada por extensos terrenos íngremes.
9 Material disponível no site: https://oglobo.globo.com/rio/populacao-do-cidade-alta-invade-terrenos-neighbors-2773168. Como falta de gestão acrescentaria também o crescimento desordenado dos becos e vielas entre os edifícios que compõem os conjuntos residenciais.
A Paz dos tempos Melhores
Nos dois momentos anteriores aqui relatados, compartilhamos a sensação de que “os velhos tempos” eram melhores, de que em algum lugar do passado a Cidade Alta era um lugar bom, admirado ou aprovado pelos seus moradores. Embora esses momentos mencionados tanto na época do sucesso da música quanto os trazidos à luz pelo autor impliquem uma Cidade Alta já estigmatizada pelo tráfico de drogas e pela violência marcada pela criminalidade local, os sentimentos e emoções que cercam o local ainda estão distantes. dimensão submersa da violência que ainda sofreria. Longe de serem uma garantia de integridade e apoio estatal, as favelas do Rio de Janeiro e, no nosso caso, a Cidade Alta, sofreram com a inação do governo, embora isso seja muitas vezes deturpado, como veremos mais tarde. Mais adiante, os moradores são dominados por sentimentos desanimadores de abandono, insignificância e medo.
Já vimos através dos relatos orais ou escritos produzidos pelos moradores da Cidade Alta que o conceito de “abandono do Estado” é muito forte. Ou que as ações do estado são pelo menos lentas e/ou de qualidade inferior às de outras partes da cidade.
Cidade Alta e o Ruído do medo
Atualmente o complexo Cidade Alta vive sua fase mais brutal diante da violência, as disputas entre facções transformaram a rotina de todo o complexo. Moradores da favela Cidade Alta, em Cordovil, Zona Norte do Rio, relatam nas redes sociais um intenso tiroteio nesta segunda-feira. Talvez seja nesse contexto que BRUM (2012) observa que há um problema de gestão entre os moradores da Cidade Alta, que ora a veem como uma Favela e ora evitam o estigma de favela ou de ser morador de favela.
Olhar para o fenômeno CAFF nos permitiu transcender o senso comum e, a partir de uma perspectiva do EU PURO, pude observar um processo de subjetivação em torno do fenômeno. Mas antes de entrarmos em diálogo com o processo de subjetivação do fenômeno e descrevermos o que é o CAFF, entendamos através de um olhar fenomenológico como chegamos a ele.
Dos times de pelada ao CAFF
Trouxemos as experiências vividas (inicialmente) por sete moradores, que foram coletadas através de depoimentos e entrevistas, gravadas por mim, onde a escolha se deu pela antiguidade local, ou seja, pela época em que esses sujeitos eram crianças ou jovens que participavam diretamente do período histórico que descreveremos e também pelo envolvimento direto nos jogos de futebol na Cidade Alta. As brincadeiras citadas por ele, na época ainda criança, eram as brincadeiras realizadas no Campo do Baiano, área localizada onde hoje é a favela Divinéia, que atualmente compõe o complexo Cidade Alta. Erinaldo Mendes, que comprou um apartamento na Cidade Alta em 1972, conta que quando chegou na Cidade Alta o Campo do Baiano estava no auge.
O Campo do Baiano tornou-se uma espécie de lazer e diversão para aquelas pessoas que foram retiradas, pois quando chegaram na Cidade Alta não havia mais a praia para diversão, os teatros e as atrações da Zona Sul, além das muitas amizades eles também tinham. O futebol na Cidade Alta tem sua história precedente na própria história do local, ele surgirá de uma necessidade daquela população local superar suas dores, para de alguma forma tentar se divertir diante das adversidades que está sujeito.
Dos times do Campo do Baiano ao Maconhão
Ex-morador do prédio Lucas, e hoje professor do Colégio Estadual República de Guiné Bissau Luiz Gonzaga Bonella, também lembra do ponto de encontro que era o Campo do Baiano: "Lembro do Campo do Baiano, joguei muita bola lá, o O nome do comércio do Baino chamava-se CANTINHO DA SEREIA, mesmo quando não havia brincadeiras a gente se reunia para beber lá, íamos lá à noite”. Logo em seguida surgiram vários times de futebol que fizeram do Campo do Baiano um espetáculo, uma diversão coletiva, aguardada por todos que ali viviam. Porém, anos depois, por volta de 1981, o Campo do Baiano deixou de existir.
A favela ocupou o Campo do Baiano, porém os jogos não terminaram com o campo, pelo contrário, logo encontraram outro local que pudesse substituí-lo, a princípio havia também um campo de terra atrás do prédio do Sumaré e outro campo onde hoje é o quadra da escola de samba Independente de Cordovil (Abandonada). Nós (Gaviões) não fomos lá, quando acabou o acampamento baiano, acabou o time também, meu time só tinha gente boa, trabalhadora, a gente não foi, com esse nome vocês podem imaginar...
Escolinha Rio Verde
A Cidade Alta, por volta da década de 1990, já ali consolidava o tráfico de drogas (BRUM, 2012, p. 270), afastando-se daquele ambiente (recém-criado, novo, ingênuo), o local já começava a apresentar alguns problemas que socialmente considerava ( inclusive por parte dos moradores) típicos das favelas, tais como: confrontos armados, insegurança, roubo de energia, drogas ilegais, criminalidade. Foi assim que meninos entre 7 e 16 anos, uniformizados verdes, passaram pelo concreto dos prédios da Cidade Alta para um novo. Nos dias de jogos, o ônibus saía da Cidade Alta com os jogadores e também com a torcida, composta por pais, responsáveis e amigos, apesar de muito apoio juvenil, era uma torcida estritamente familiar.
Desde o início, os treinos decorreram num espaço aberto na Rua Cinco Rios, que também serviu de campo desportivo para a Escola Municipal Armando Farjado e onde hoje se encontra o parque comunitário Cidade Alta. A pequena escola de Kiki, curiosamente, não se limitou ao futebol masculino, seu sucesso levou à formação de equipes femininas de futebol, handebol e vôlei, que na época se tornaram ponto de encontro de jovens na década de 1990 e ruptura da hegemonia. futebol masculino na Cidade Alta.
Futebol das Piranhas
Ao relembrarmos as brincadeiras antigas em sua modalidade festiva, notamos uma espécie de sorriso no rosto, o que reforça a ideia de uma doce lembrança ligada à sua origem, e que, por meio da pesquisa, solidifica cada vez mais a filiação do sujeito à cidade futebol. atividades Alta. Itaú, Unimed e Prezunic deram uma festa no templo do peladeiro, no Rio, que os moradores da favela Cidade Alta nunca tinham visto. CAFF é a Cidade Alta Futebol de Favela, um time amador de futebol15 da favela da Cidade Alta.
Se o nascimento do CAFF foi em 2012, ele foi gerado antes, na trajetória da Cidade Alta com os times de futebol existentes no Campo do Baiano, como vimos, e com seu desenvolvimento embrionário na escolinha de Rio Verde. A ideia inicial era reunir os melhores jogadores de cada time para formar seu time, Fábio Reff, morador da Cidade Alta e um dos idealizadores e fundadores do CAFF, relata: “a ideia era realmente formar uma seleção, o melhor de o melhor".
O retorno da favela
O CAFF cresce e percebe o que é o poder e transcende o futebol, forma-se um time de basquete do CAFF, onde aconteceu o primeiro torneio disputado na quadra da Cidade Alta, com a presença de “times de fora16”. A ocupação das calçadas eliminou os jardins que embelezavam o local ao mesmo tempo e transformou as vias internas da Cidade Alta em “becos”, fornecendo mais evidências físicas do processo de favelaização. A incivilidade, o aumento da criminalidade no entorno, o banditismo, os tiroteios dão origem a um novo contexto de favelas que se fixam ainda mais nos dogmas (VALLADARES, 2005, p. 255) de “reduto dos problemas sociais”.
A pesquisa de Mário Brum (2012) identificou a violência como a principal característica da favelaização na Cidade Alta, o que ultrapassa até mesmo a percepção da “atratividade das construções” tão criticada pelos primeiros moradores, e também é um fator contribuinte para a favelização, que é: “a violência da zona urbana, decorrente do tráfico de drogas, fortemente ligada às favelas, foi outro elemento com o qual as novas gerações tiveram que lidar. Portanto, partindo desta perspectiva de como as gerações mais jovens (3ª e 4ª) lutaram contra o estigma das favelas, busquemos a ajuda da redução fenomenológica para ir além do senso comum e ir além do que pareceria óbvio.
Compreendendo o processo de subjetivação
Após chamar a atenção do aluno João Victor Amorim, 19 anos, segundo ano do ensino médio, por não estar usando a blusa da escola, perguntei quantas blusas CAFF ele tinha e ele respondeu: “Duas. Neste dia tirei fotos de alguns alunos vestindo camisetas do CAFF na escola, veja abaixo:. Para a favela o CAFF não é uma surpresa, é uma criação sua, na sua temporalidade está presente e tem reconhecimento local, mas na sua trajetória a favela começa a ficar pequena para ela, o CAFF começa a crescer como uma criança que recebe muito de carinho e se alimenta muito, cresce e rompe o cordão umbilical, então fora da favela consegue realizar um feito que jamais será esquecido pelos moradores locais. Pela primeira vez, um time de futebol amador da Cidade Alta é destaque em um jornal disputando o título do 9º Campeonato Extra Pelada.
Todos os torcedores do CAFF acompanharam com ansiedade a revitalização do campo esportivo em decorrência da cerimônia de premiação de 2015. Em meados de 2016, o campo estava pronto. CIDADE ALTA FUTEBOL DE FAVELA, criado no coração da Cidade Alta pelos filhos de seus filhos, representa a voz, a atitude, as cores, a camisa histórica de quem quebrou e vai romper com a indiferença social, que vai além da segregação, da discriminação e que luta todos os dias com esperança de dias melhores. Embora as políticas de segregação ainda sejam fortes em nossa sociedade, o caminho resiliente da população da Cidade Alta é resultado de sua capacidade de superar as adversidades que a vida traz.
Quando pensamos em Favela podemos explorar a dicotomia do termo e pensar em aspectos negativos ou positivos, e nossa pesquisa visa extrair o que de melhor a Cidade Alta tem a oferecer, seu aspecto positivo.