No entanto, o meu principal interesse reside na análise da arte urbana que começou nos arredores de Nova Iorque na década de 1970. Neste capítulo procuro também apresentar um estudo sobre a história da arte urbana, que é o tema principal da pesquisa.
Uma breve história
Nesse sentido, ainda são necessários desenvolvimentos, mas não se pode negar que há um movimento na sociedade em geral no sentido de uma maior aceitação e valorização da arte urbana. Inspirador desta forma é a ascensão de um dos grupos mais revolucionários da história da arte, o Fluxus. De qualquer forma, não podemos deixar de concluir o que é claro: fazem parte de um negócio muito lucrativo: o circuito de arte contemporânea.
O diálogo com a pluralidade é uma das características marcantes da arte pública, que normalmente surge como resultado de um projeto coletivo e interdisciplinar focado no espaço urbano. Contudo, a série “Sinalização Urbana” foi sem dúvida o trabalho que iniciou a minha carreira como artista, no sentido de participar num evento de arte “oficial”. O objetivo da residência foi obter um melhor conhecimento da cidade em termos das suas características, mas também das suas problemáticas.
Este trabalho surge a partir do desdobramento de uma das placas da série “Sinalização Urbana I”, que retrata uma criança fazendo malabarismos na faixa de pedestres. Dado que a educação de qualidade é a base para o futuro promissor do país. Ou seja, durante o tempo que estive lá colocando cartazes na parede, recebi feedback positivo de um público diversificado e interessado no trabalho.
A arte urbana nos dias de hoje
Outros instrumentos
Tudo isso abre possibilidade para discussões, como se essas novas linguagens contribuem para um desvio do conceito original de arte urbana. E isto significou que nos últimos tempos ocorreram mudanças significativas no impacto da arte urbana no público em geral, com uma aceitação e admiração muito maior.
No mercado
Grafiteiros, principalmente os mais famosos, como ECO no RJ e Sipros em SP, são constantemente contratados para criar sua arte para empresas, grafiteiros e estabelecimentos comerciais, com o objetivo de melhorar o local grafitado. A cena do graffiti rapidamente capitalizou o interesse do mundo dos negócios e, encorajada pelos seus talentos particulares, criou nichos próprios.
Um rolé para um xarpi
O readymade foi movido mentalmente e depois fisicamente para um lugar anteriormente ocupado pela obra de arte. As galerias de arte têm a sua importância e não pretendo criticá-las de forma simplista. Quando vemos uma obra de arte contemporânea, estamos na verdade vendo a arte contemporânea como um todo.
No sistema de arte moderno, uma pessoa não é necessariamente apenas um artista, apenas um curador ou apenas um crítico de arte. Dessa forma, criou seus ready-mades como forma de expressar seu pensamento em relação ao circuito da arte. Por outro lado, a obra de arte numa galeria procura muito mais um estatuto e um comprador do que uma aparência e um julgamento no espaço público.
A partir desta série ganhei espaços em salões de arte, galerias e consequentemente reconhecimento no circuito de arte. Como resultado da “série sinalização urbana I”, em 2010 fui convidado a participar de importantes exposições em galerias de arte do Rio de Janeiro. Fui selecionado para o Salão de Arte Urbana Mangaratiba, (Mangaratiba + Cores) e conquistei o terceiro lugar com este trabalho.
A Arte urbana que nasce da arte institucionalizada
Conhecido pelos seus trabalhos realizados em espaços públicos, o artista norte-americano Gordon Matta-Clarck destruiu o espaço arquitectónico, ocupando edifícios e casas abandonadas, quase sempre em regiões remotas e suburbanas. Foi na década de 1970 que produziu suas obras de grande exigência física, fazendo cortes nas estruturas de. propriedades, e remoção de elementos, além de tijolos, pisos e fachadas de casas. Trabalhou em diversas cidades de diversos países da América do Norte e Europa, sempre registrando seu trabalho em fotos, vídeos e filmes.
Suas obras são sempre de grandes proporções, o norte-americano Richard Serra aos 74 anos continua produzindo. Segundo Arendt, o conceito de domínio público e privado assenta na premissa de que as pessoas procuram sempre alcançar e conquistar o seu espaço, para oferecer aquilo de que são capazes.
O público e o privado e o circuito de arte
Obras de arte que apenas circulam no circuito artístico institucionalizado, por mais que sejam colocadas no “público”, são na verdade dirigidas a um “público” limitado: o “selecionado”. Compradores de arte, colecionadores, ou seja, pessoas que têm poder aquisitivo para adquirir uma obra de arte, têm contato direto com galeristas, o que dificulta muito a um artista vender suas obras de forma autônoma, tornando-as reféns de galerias e instituições. arte. De certa forma, porém, parece que hoje em dia algo só é considerado arte depois de ter sido incorporado ao sistema artístico e ao seu circuito.
Isto, por sua vez, possibilitou que seus representantes organizassem suas próprias exposições e eventos de arte do graffiti. Algumas obras de Banksy retiradas das paredes dos edifícios já foram vendidas.(..) Os críticos argumentam que as obras de arte não deveriam ser removidas. Ao contrário de muitas pessoas que têm uma experiência artística quando se deparam com uma intervenção urbana, contudo, não têm direito a ter essa experiência artística em instituições e galerias de arte.
Porém, a classe de baixa renda não precisa de acesso à arte institucionalizada, ela tem direito a esse acesso, assim como qualquer pessoa que queira ter esse direito, podendo assim decidir se quer participar do circuito de arte. . Nessa época havia uma quantidade significativamente menor de grafites espalhados pelos muros da cidade do Rio de Janeiro, e embora esse tipo de arte já fosse amplamente erguido em Nova York e em outras grandes cidades da Europa, como pode ser visto no primeiro capítulo desta pesquisa. Fui selecionado para participar do “Pavão”; evento de arte que acontece anualmente nas dependências da ESDI.
Arte urbana e o domínio público e o privado
O domínio público nem sempre é para o bem comum - O Brasil como
A partir disso percebe-se que o Brasil iniciou sua história condenando o espaço público a uma minoria que explora o trabalho de outras pessoas, com o objetivo de primeiro enriquecer e aumentar ainda mais o seu patrimônio. Dessa forma, o espaço público brasileiro sempre se formou a mando e interesse de poucos cujo objetivo principal era expandir seu domínio privado. Ângela Paiva expressa isso quando diz: “O espaço público brasileiro que se formava era um espaço público privatizado, pois era controlado – e usufruído – por poucos”. (Paiva, 2001).
O principal objetivo dos proprietários de terras era enriquecer e dominar o espaço público para os seus interesses privados. Este controlo político da velha república explica a apropriação do espaço público por um pequeno grupo.
A Cidade e os domínios público e privado
Portanto, como dissemos, as cidades se configuram por conceber espaços com signos que pertencem ao seu universo, signos presentes no domínio público, ou seja, no espaço do bem comum. Ou seja, mencionei aqui as grandes cidades, conhecidas em todo o mundo, que possuem tais símbolos que representam não só essas cidades, mas também os países aos quais pertencem. Porém, tais construções, que são realizadas com o objetivo de criar espaço urbano, acabam sendo ideais para a geração de riqueza, principalmente para aqueles que estão no topo da pirâmide social, ou seja, os líderes do sistema e aqueles que estão próximos a eles.
Desta forma vou recorrer a acontecimentos da minha infância, dos meus primeiros estudos, ou seja, tudo o que penso que me ajudou a chegar à arte urbana. Isso fez com que esses pixadores se popularizassem no bairro, ou seja, adquiriam status através da pixação.
As primeiras intervenções não foram em espaços púbicos
Com críticas tão boas, sinto-me encorajado a continuar este processo de adulteração de imagens famosas. É importante mencionar a utilização de programas de edição de imagens para a criação desses trabalhos. E quando tomei conhecimento de mais pinturas e depois do sucesso de “Just do it”, em 2008, comecei a fazer algumas intervenções em pinturas famosas da história da arte.
Minha intenção ao apresentar tais intervenções baseia-se em destacar que esse processo de intervenções em pinturas famosas teve/tem uma contribuição eloquente para que eu realizasse intervenções urbanas. Destaco também a relevância de tais intervenções em me conduzirem a um espaço público adequado para expor meus trabalhos e, consequentemente, conseguir, através de um público diversificado e eclético, um grande número de leituras dos mesmos.
Primeira intervenção pública
Com isso criei vinte e dois marcadores internos que foram impressos e colocados nos locais a que se referem. Mais uma vez obtive resposta positiva dos professores e professores das turmas do instituto de artes, e a UERJ ainda hoje mantém alguns desses painéis. Porém, trabalhar com pictogramas e sinalização foi essencial para criar o trabalho adequado à minha produção.
Primeira experiência com intervenção urbana, série "Sinalização urbana
A série é composta por oito placas de cidade no modelo de sinalização de alerta, cujo material é composto por chapa galvanizada, tinta esmalte, adesivo vinílico e abraçadeiras para fixação no poste. Segundo um site especializado no tema sinalização de trânsito: “As placas de advertência têm como objetivo alertar os usuários da via sobre condições potencialmente perigosas, indicando a sua natureza. Na criação desta série, um dos objetivos foi obter um modelo de sinalização universalmente conhecido e é utilizado e, portanto, atinge um número significativo de pessoas.
Tomando posse de tais modelos de sinalização urbana, faço suas reinterpretações, apontando os perigos que estão presentes no ambiente urbano, mas aparentemente ignorados pelas autoridades. O principal objetivo por mim traçado durante a sua criação foi: sensibilizar para os perigos que não estão evidenciados em nenhum modelo de sinalização de trânsito existente, mas tais perigos estão presentes em zonas de constantes tiroteios, nos semáforos com crianças que mendigam, nas escolas abandonados pelo Estado, em áreas de despejo de cadáveres, tráfico de armas, semáforos com alto índice de ataque.
Realizações na ação de intervenção urbana - Série "Sinalização urbana I” 85
E ao observar as características da cidade, bem como suas virtudes e deficiências, as obras que seriam expostas na cidade começaram a tomar forma. Foram colocadas três placas na periferia de Búzios, depois seguimos para a Rua das Pedras, principal local de consumo e famoso ponto turístico da cidade. Sendo exposto em agosto da Rotina" foi colado em um muro do bloco Raízes do Morro do Salgueiro - favela localizada na zona norte da cidade do Rio de Janeiro - como forma de participação no evento Geringonça.
Infelizmente ainda não terminei a segunda parte do projeto, que consiste em colar os poemas nos pilares da cidade. Depois de montada, Armando me convidou para montar a outra série que havia recebido, em um grupo de pistas de skate em Geribá, bairro da cidade. Esta intervenção ocorreu no bairro da Lapa, centro da cidade do Rio de Janeiro.
Os cartazes já estão finalizados e impressos e em breve pretendo colocá-los em um mural na cidade do Rio de Janeiro.