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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A virtude do sacrifício versus a ciência das transações: Tenório Cavalcanti e o campo político do Rio de Janeiro. Este trabalho tem como objetivo interpretar o fenômeno político articulado por Tenório Cavalcanti, político popular que atuou principalmente nos bairros periféricos e pobres da cidade e do estado do Rio de Janeiro entre as décadas de 1930 e 1960.

As Linguagens da política brasileira

Os conceitos de coronelismo, mandonismo, clientelismo e patrimonialismo, delineados acima, são formas de expressar visões macrossociais sobre as relações de poder que envolvem o Estado e a sociedade no Brasil. Obviamente, as concepções das relações de poder envolvendo o Estado e a sociedade no Brasil não se limitam a essas poucas variáveis, mas qualquer análise dessa questão deve passar por essas tipologias.

O lacerdismo e o chaguismo: casos exemplares do campo político do Rio de

Chagas Freitas marcou definitivamente sua imagem pública no campo político carioca a partir das eleições presidenciais de 1955. Porém, Chagas Freitas perdeu espaço no campo político carioca quando o debate político local se polarizou e radicalizou em torno de temas nacionais.

O espaço de Tenório Cavalcanti no campo político do Rio de Janeiro

A politização da violência

Grande parte da mitologia política construída em torno de Tenório remete à memória de suas origens e de sua trajetória. 17 Em 1962, a Luta Democrática anunciou que a história de Tenório seria contada em programa da Rádio Difusora Duque de Caxias. O estilo de vida de Tenório sem dúvida contribuiu para a propagação de uma lenda como esta.

Albino Imparato foi protagonista de episódio caracterizado como exemplo dessas disputas políticas envolvendo Tenório Cavalcanti e a polícia do estado do Rio Reprodução fotográfica 1 - Luta Democrática apresentou um resumo da saga de Tenório Cavalcanti contada em versos. Reprodução fotográfica 2 - Diariamente era publicado um trecho da história em quadrinhos que retrata a vida de Tenório Cavalcanti (LUTA DEMOCRATICA p.3).

Reprodução fotográfica 4 - Em 1962, o jornal anunciou que a Rádio Difusora de Duque de Caxias faria uma espécie de novela contando a saga de Tenório Cavalcanti (LUTA DEMOCRÁTICA p.2). Reprodução fotográfica 8 - Com a aproximação da eleição, o jornal anunciava os locais onde poderiam ser encontrados os boletins de voto de Tenório Cavalcanti (LUTA DEMOCRATICA p.3). Reprodução fotográfica 9 - Mais um exemplo de publicação do jornal sobre onde poderiam ser encontrados os boletins de voto de Tenório Cavalcanti.

Assistencialismo, coronelismo urbano e patronagem

A Baixada Fluminense se diferencia de outras áreas do interior do país pela proximidade com a cidade do Rio de Janeiro. Das décadas de 1940 a 1960, a população oriunda do Nordeste do país, bem como da capital da república e de outras regiões do interior do estado do Rio de Janeiro, que estavam em declínio, forçou o crescimento demográfico do Baixada Fluminense. Ainda na década de 1930, grande parte da Baixada Fluminense era constituída por áreas pantanosas e, portanto, estava alagada e insalubre.

Em 1936, o governo federal criou o Serviço de Saneamento da Baixada Fluminense, que realizou diversas obras de drenagem e recuperação na região (SOARES, 1962, . p. 159). Portanto, a população urbana da Baixada Fluminense cresceu enormemente nesse período e foi integrada à região metropolitana do Rio de Janeiro. O aumento da população urbana da Baixada Fluminense não foi favorecido apenas pelas políticas de saneamento e pelo aumento da construção habitacional, mas também pela expansão da malha ferroviária.

Porém, isso não significa que a modernização da Baixada Fluminense aconteceu de forma homogênea. Alves explica que a partir de 1930 o coronelismo surgiu como um mecanismo viável para a manutenção do poder político dos grandes proprietários de terras na Baixada Fluminense. Assim, ao mesmo tempo em que os coronéis da Baixada Fluminense tentavam manter seu sistema de troca de favores, articulando a população votante com o governo do estado, perderam o poder de barganha.

O advogado do povo

Contudo, a imagem do advogado do povo foi construída em torno dos factos divulgados pela Luta Democrática, o que o colocou em contacto direto com a população. Para realizar esse trabalho assistencial, Tenório Cavalcanti contou com uma ampla rede de amigos, ajudantes, funcionários e secretárias. Com esta procuração, o deputado Tenório Cavalcanti já tomou medidas para impedir a demolição criminosa.

A defesa dos moradores da favela foi um dos lemas de Tenório Cavalcanti nas eleições de 1960 para o governo do Estado da Guanabara. Após as eleições de 1958 para o governo do Estado do Rio de Janeiro, nas quais Tenório Cavalcanti se aliou a Getúlio Moura, o jornal anunciou a ação dos políticos diante dos acontecimentos ocorridos na fazenda Piracema: Tenório e Getúlio Moura apoiaram perseguidos pelos grileiros. Neste primeiro capítulo procurei mostrar alguns dos aspectos mais importantes que caracterizaram as conquistas de Tenório Cavalcanti no campo político do Rio de Janeiro.

Descrevi como Tenório Cavalcanti definiu sua identidade política, formando uma ideia de coesão e aproximação com determinados grupos, ao mesmo tempo em que estava em conflito com outros. Ao longo desta primeira fase de sua carreira, Tenório Cavalcanti identificou o amaralismo como seu inimigo político número um. Para os fins deste capítulo, é importante compreender como a Luta Democrática inventou formas de apoio popular que ajudaram Tenório Cavalcanti a construir a imagem de defensor do povo.

Breve análise teórica sobre o populismo na política brasileira

Ou seja, o populismo era uma forma de comportamento das classes dominantes que não correspondia às formulações ideológicas que já começavam a ser tecidas pelas próprias classes sociais progressistas. Por outro lado, no Brasil, a expansão da participação política da classe trabalhadora ocorreu sob a influência do fenômeno populista. Essa forma de articular politicamente as questões trabalhistas com o Estado contribuiu para a inserção na agenda da classe trabalhadora brasileira de reivindicações que lhes haviam escapado.

Por um lado, a forma como as classes trabalhadoras foram integradas no sistema político após 1945 ofereceu-lhes uma enorme capacidade para mudar a situação política, especialmente através do voto. Ao contrário de Rodrigues, Weffort não tentou comparar a tradição europeia de luta de classes com o surgimento das classes populares no Brasil, nem interpretou as classes sociais brasileiras como carentes de elementos capazes de construir sua própria identidade. Isso comprova que Weffort entendia o Estado brasileiro do período como ator social decisivo na compreensão de como eram atendidos os interesses das classes sociais.

A conclusão de Moses sobre as consequências dessa situação de revolta da classe trabalhadora é um tanto paradoxal. Mas, em vez de tentarem procurar a pura identidade das classes sociais, estes estudos procuram compreender as classes a partir das relações conflituosas que os atores sociais estabelecem entre elas. Em síntese, Silva e Costa chamam a atenção para o fato de que o período de 1930 a 1964 foi um momento crucial para a compreensão da história das classes trabalhadoras brasileiras.

A voz do povo no Luta Democrática

Principal veículo de propaganda política de Tenório Cavalcanti, a Luta Democrática tornou-se um importante meio de afirmação na esfera política do Rio de Janeiro. É evidente que a Luta Democrática tinha interesse em jogar contra o Ministério do Trabalho, uma vez que o jornal fazia parte do campo da oposição. Denúncias sobre atividade de grilagem ocuparam as páginas da Luta Democrática durante todo o período aqui analisado.

O relatório afirma que os moradores estão satisfeitos com os representantes do povo e elogiam a atuação do legislador (LUTA DEMOCRÁTICA, p. 3). Outras seções e notícias da Lute Democrática foram dedicadas a condenações de diversos tipos de problemas e demandas sociais. 80 Os problemas relacionados com a saúde pública também eram geralmente um tema comum nas páginas da Lute Democrática.

A Luta Democrática não poupou críticas ao funcionamento do órgão em seu primeiro ano de circulação. Procurei mostrar neste capítulo como foram construídas as noções de cidadania através do jornal Luta Democrática. Ao final, o público que compôs as páginas da Luta Democrática deu os contornos da representação do eleitorado de Tenório Cavalcanti.

O paradoxo udenista ou o udenismo popular?

Ninguém se preocupa com o verdadeiro problema do Brasil – o sustento do material humano, a começar pelos mais negligenciados. Votação dos candidatos eleitos pela UDN no estado do Rio de Janeiro nas eleições de 1954. As greves, decorrentes da crise política e econômica que se desenrolou ao longo de 1954, foram utilizadas pela oposição como forma de divulgar o caos e a desordem social.

Com a crise de agosto, que se agravou após o ataque a Carlos Lacerda e que resultou na morte do major Rubens Vaz, houve notícias na Luta Democrática alinhadas com a oposição e a Cruzada Democrática. Esta noção tem sido questionada por investigadores que empreenderam uma análise crítica do conceito de populismo. Fundei a Luta Democrática para melhor atender aos objetivos da UDN, pois o partido precisava de outro órgão de imprensa que pudesse se infiltrar em todos os municípios do Rio de Janeiro e ser ponto de apoio nas eleições.

Ao analisar o campo político tenorista, trata-se da necessidade de conexão com os partidos nos quais se apoiava sua base política: com o partido e com o eleitor. Portanto, é necessário levar em conta as relações de adesão e de conflito que se estabelecem com grupos sociais mais amplos. Um conjunto de símbolos, significados e práticas políticas que quiseram mostrar nas páginas desta obra.

Os anos JK

O antielitismo udenista nas palavras de Índio, Mário Guimarães, Sancho Sem Pança,

No Brasil presenciaremos a procissão de um povo ameaçado pela fome, enquanto ouvimos belos discursos de quem os explora. Os falsos líderes falam das reivindicações dos trabalhadores durante o dia, enquanto à noite desperdiçam facilmente dinheiro em discotecas, obtido através de meios obscuros, às custas e em nome dos trabalhadores explorados. Há feiras livres, casas comerciais e até vendedores ambulantes que negam a afirmação pitoresca, porque só de brincadeira se pode tomar aquela afirmação ousada, que só serve para mostrar como Jotaká vive separado do povo [...] devemos lembre-se daquela legenda que nossos amigos caminhoneiros costumam rabiscar no para-choque de seus caminhões: “pobre vive teimosamente”.

Sabemos que a fúria do fundo sindical, abutres que se alimentam do suor dos trabalhadores, estão transformando o Primeiro de Maio em todo o país numa série de homenagens pessoais aos seus supostos protetores. Os trabalhadores não receberam os recursos necessários para comprar uma casa para si e para os seus entes queridos. Que os trabalhadores joguem sobre seus ombros a poeira da ruína a que o chefe liberal dos radioamadores os conduziu, e sintam a erupção da liberdade reintegrá-los na consciência universal.

As críticas dirigiram-se sobretudo aos camponeses que, ao consolidarem-se em posições-chave nas organizações sindicais para celebrarem acordos com o Estado em troca de benefícios privados, funcionaram como obstáculo à acção colectiva espontânea dos trabalhadores. Obviamente, aqueles que não estavam associados à base aliada do governo também viam o imposto sindical como uma forma de os partidos do governo obterem uma parcela muito significativa dos votos. Tenório Cavalcanti mirou nesses eleitores e tentou caracterizar o imposto sindical como algo prejudicial à inclusão social e política dos trabalhadores.

As eleições da Guanabara e o adeus a UDN

A guinada à esquerda

Tenório sai de cena

Referências

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