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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Os trabalhistas consideram a ação do ACNUR fundamental para a vida de milhões de pessoas e para o desenvolvimento das relações internacionais. A pesquisa facilitará a compreensão da política do ACNUR no Brasil nos últimos anos e sua relação com o fluxo migratório venezuelano.

O Direito Internacional e a proteção aos indivíduos

Assim, com o desenvolvimento do sistema de nações e as mudanças ocorridas no cenário global no século XX, o direito internacional expandiu-se, bem como o campo de estudo das relações internacionais. O nascimento do Direito Internacional Humanitário está completamente ligado à concepção de regimes na política internacional, amplamente difundida pelos aspectos racionalistas das relações internacionais.

Os limites do estatuto do refúgio

Quem é o refugiado?

Além das definições para as diversas formas de deslocamento, as consequências da Primeira Guerra Mundial foram muito mais longe. 3 Os casos de apatridia foram reconhecidos principalmente durante a reorganização dos mapas europeus após o fim da Primeira Guerra Mundial.

O surgimento do ACNUR e a evolução do conceito de refúgio

Os Estados participantes no sistema internacional começaram a reconhecer os direitos dos refugiados através do direito internacional em meados do século XX. Os Estados participantes no sistema internacional começaram a reconhecer os direitos dos refugiados através do direito internacional em meados do século XX.

Os desafios na contemporaneidade

Na conclusão 3 da declaração de Cartagena, a violação massiva dos direitos humanos foi acrescentada à definição de refugiados, o que nos permite ter, aqui na região latino-americana, um conceito com maior possibilidade de proteção. Embora limitado pelas políticas nacionais, o regime internacional de refugiados ganhou maior dimensão com o trabalho do ACNUR, que abriu vários escritórios em todo o mundo, além de estabelecer parcerias diretas com muitos Estados-nação. Este órgão também passou, ao longo da sua história, a gerir campos de refugiados, que, apesar de serem uma solução temporária para casos de deslocamento forçado, na prática tornaram-se o lar de alguns refugiados durante décadas.

O ACNUR garantiu um lugar na política global e hoje trabalha em diversas áreas em situações de conflito, organiza pesquisas e repatriação de refugiados. A primeira resposta dos países ao aumento dos fluxos migratórios após as guerras mundiais foi o estabelecimento de um regime internacional de refugiados baseado em certos instrumentos jurídicos, mas este não poderia proporcionar protecção a milhares de refugiados no continente europeu. Com base no crescimento do ACNUR no cenário internacional e na intensificação do discurso sobre a crise global de refugiados no mundo, esta pesquisa sugere o seguinte.

Figura 1 – Deslocamento global entre 2007-2017
Figura 1 – Deslocamento global entre 2007-2017

A evolução do regime de refugiados e do ACNUR

  • A influência da Guerra Fria no ACNUR
  • A atuação do ACNUR durante os processos de libertação da África e da Ásia
  • Novas regiões entram para a alçada do ACNUR
  • Outro cenário após o término da Guerra Fria
  • O caso cambojano e sua relação com o ACNUR

Além disso, órgãos da ONU como a Assembleia Geral, o Secretário-Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Económico e Social (ECOCOC) e o Comité Executivo do ACNUR (EXCOM)7 desempenharam um papel importante no aumento do âmbito operacional e do mandato do ACNUR. . Na década de 1970, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, então diretor do ACNUR para a Ásia, trabalhou na crise de refugiados que surgiu após o fim de dezesseis anos de conflito no Vietnã. O orçamento do ACNUR permaneceu pequeno em comparação com o de algumas agências das Nações Unidas.

Muitos funcionários do escritório do ACNUR em Genebra discordaram veementemente da opinião do Alto Comissário sobre as prioridades futuras da agência. O ano de 1991 foi importante para o trabalho do ACNUR devido a diversas crises importantes que eclodiram no cenário internacional. Além disso, o académico japonês promoveu um maior envolvimento do ACNUR em diversas situações de emergência onde a ajuda foi enfatizada.

O repatriamento e suas dificuldades

Além disso, epidemias de cólera e disenteria causaram a morte de cerca de 50 mil refugiados, e o ACNUR deslocou-se à região fronteiriça para expandir os cuidados nos campos e fornecer medicamentos, alimentos, saneamento e abrigo. No entanto, muitos funcionários perceberam que, ao mesmo tempo que ajudavam os refugiados legítimos, deixavam alguns criminosos em segurança para concentrarem os seus esforços em alvos militares e conceberem estratégias de combate dentro dos campos. Ogata sublinhou a responsabilidade da missão humanitária, que não deve ser confundida com uma missão de direitos humanos.

A Tanzânia acolheu mais de 500 mil refugiados nesta crise e, em 1996, decidiu repatriá-los e fechar os campos após acusá-los de desmatamento na região, além de roubo, violência e frequentes casos de xenofobia. Foram relatados casos de espancamentos sistemáticos, pedidos de subornos, roubo de dinheiro, rusgas em que foram colocados completamente nus, pilhagem de bens pessoais, violação ou espancamento até à morte, e para além do facto de muitos refugiados terem cometido suicídio em o caminho para voltar. . De acordo com Loescher (2001), houve casos em que o ACNUR teve “respostas lentas e inadequadas às emergências de refugiados e as crises de protecção colocaram, por vezes, em perigo a vida de um número incontável de refugiados.

Uma nova configuração de guerra e de refugiados

O caso das ex-colônias portuguesas de Angola e Moçambique permeia esta nova configuração de guerras e refugiados. Todo este montante reconfigurou as origens dos grupos de refugiados mais importantes do mundo e as necessidades que estes homens e mulheres enfrentariam no futuro. O projeto promoveu cortes de gastos e começou a descentralizar as operações do escritório para transferir parte da responsabilidade para agentes que estavam em campos de refugiados.

Em África, em 2005, um grupo de refugiados sudaneses dirigiu-se à frente do escritório do ACNUR no Cairo e iniciou um protesto, que durou três meses, para exigir uma maior participação na gestão dos casos que lhes diziam respeito. O ACNUR aumentou o seu papel na gestão de vários campos de refugiados localizados principalmente em países subdesenvolvidos. Portanto, alguns países que recebem fluxos de refugiados impõem restrições ao estabelecimento de campos do ACNUR, por exemplo quando pedem que uma percentagem da ajuda do ACNUR seja dirigida a residentes nacionais.

A emergência de novos fluxos migratórios

Este capítulo fornece uma visão geral das atividades do ACNUR desde a sua criação, procurando destacar as principais tendências de ação, sucessos, erros e dificuldades que a organização enfrentou ao longo da sua história. Os venezuelanos tornaram-se uma das maiores populações migrantes nos últimos anos, e o papel do ACNUR nesta situação poderá ser decisivo para fornecer maior apoio aos casos de vulnerabilidade na América Latina. O Capítulo 3 deste estudo examina, portanto, o papel do ACNUR no Brasil na gestão da recepção de migrantes venezuelanos de 2015 a 2019.

Compreender as fronteiras e as ações do ACNUR no Brasil pode fornecer informações importantes para enfrentar obstáculos futuros e monitorar os movimentos de proteção de refugiados e migrantes. O caso da Venezuela pode estar diretamente relacionado ao trabalho do ACNUR na América Latina, pois o órgão levou quatro anos para reconhecer o status de refugiado aos venezuelanos, pois eles não atendiam a nenhuma das definições da Convenção de 1951. O reconhecimento, porém, intriga os pesquisadores. .que estuda organismos internacionais e também ajuda a demonstrar uma face do ACNUR que não consta dos registros oficiais do órgão.

Histórico do refúgio no Brasil

A presença do ACNUR no Brasil

Em 1997, um marco na questão migratória do Brasil foi produzido com o Estatuto do Refugiado, criado pela Lei nº 9.474/97, que determina a situação do asilo no país. O ano de 2003 marcou a história do país com a morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello num atentado terrorista em Bagdá. A Cátedra Sérgio Vieira de Mello foi criada em 2003 como forma de promover parcerias com universidades em pesquisa e extensão com o objetivo de fortalecer o tema nascente da migração e do asilo no Brasil.

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR) estão em contato direto com o ACNUR e integram a Cátedra Sérgio Vieira de Mello no esforço de disseminar a educação sobre temas relacionados ao refúgio e promover a formação acadêmica e formação de profissionais para situações migrantes, além de refletir sobre pontos de investigação em áreas de intervenção, impacto social e cooperação. Uma característica do Brasil ao trabalhar em parceria com o ACNUR é envolver prioritariamente o trabalho direto com refugiados em projetos de extensão. Nesse sentido, começou a estabelecer diversas parcerias com organizações da sociedade civil e no final dos anos 2000 apareceu pela primeira vez no Brasil com orçamento próprio.

O recente fluxo migratório para o Brasil e a possibilidade de desenvolver

Mas a soberania e a burocracia do país ainda representam sérios obstáculos às ações das organizações internacionais e, em certas circunstâncias, impõem limitações aos migrantes forçados que procuram asilo no Brasil. Em 2017, a Lei Brasileira nº 13.445 entrou em vigor como uma nova lei de migração, que dispõe sobre os direitos e deveres dos migrantes e as formas de proteção que podem estar disponíveis no território nacional. É claro que os entes estatais devem sofrer mais pressão para operarem de acordo com um comportamento consistente entre o discurso difundido em fóruns multilaterais pelos diplomatas brasileiros e a prática em relação à questão migratória no país.

A realidade vivida nos últimos anos, com o aumento do desemprego e a turbulência económica seguida de um golpe político, somada à ascensão de políticos de extrema-direita com uma retórica clara anti-imigrante, faz com que a atenção às pessoas que passam seja ainda mais urgente. migração forçada e buscar refúgio no Brasil. O CEPAI foi responsável por apoiar milhares de venezuelanos e trabalhou para contribuir para uma maior dignidade na vida dos migrantes antes mesmo de as entidades governamentais começarem a atuar nos problemas da região (BAENINGER; SILVA, 2018). Com o fluxo migratório venezuelano que chegou a Roraima, o Brasil teve diante de si a possibilidade de transformar e melhorar os mecanismos de proteção aos refugiados e migrantes em geral, levando em conta a importância da situação em nosso território.

Breve relato sobre a crise na Venezuela e o início do fluxo migratório

Migração venezuelana para o Brasil e características dos fluxos mistos na

Operação Acolhida e visita aos abrigos em Roraima

A atuação do ACNUR na gestão do fluxo venezuelano em Roraima

Com o aumento do fluxo de migrantes venezuelanos na América Latina, a agência da ONU para refugiados tornou-se mais ativa no Brasil, abrindo escritórios em Pacaraima, Boa Vista e Manaus. Desse total, os sírios representam 36% da população refugiada com registo ativo no Brasil, seguidos dos congoleses com 15% e dos angolanos com 9% (ACNUR, 2018). Só em 2017, os venezuelanos apresentaram mais de 111 mil pedidos de obtenção do estatuto de refugiado no Brasil, muitos dos quais foram rejeitados, tornando o país atualmente uma das maiores populações de migrantes forçados do mundo.

A partir de 2017, com a OIM mais unida ao ACNUR para receber venezuelanos no Brasil, iniciou-se um trabalho conjunto na fronteira em Pacaraima, buscando uma melhor compreensão dos fluxos mistos e desenvolvendo normas e práticas para os migrantes que chegam à região. Muitas das políticas adotadas para gerir o fluxo migratório na Venezuela foram preparadas por autoridades fora do país e implementadas não apenas nos escritórios do ACNUR no Brasil, mas pelo estado brasileiro, pela sociedade civil e outras ONGs (BAENINGER; SILVA, 2018). . A agência da ONU para refugiados apoia, desde sua primeira edição, o curso de Direito Internacional dos Refugiados para professores universitários que está sendo desenvolvido no Brasil, e que já está em sua quarta edição.

Figura 5 – Abrigo Rondon 1, Roraima,  junho 2019
Figura 5 – Abrigo Rondon 1, Roraima, junho 2019

O ACNUR cumpre sua principal função no Brasil?

Existem muitas lacunas na proteção de pessoas deslocadas à força no Brasil e limitações na atividade de proteção do ACNUR na Venezuela. Nesse sentido, a expansão do regime internacional de refugiados e das atividades do ACNUR no Brasil são necessárias e urgentes. A participação na Operação Welcome tornou visível o papel do ACNUR na região de Roraima e a organização é reconhecida por todos os parceiros como um ator fundamental na recepção de refugiados.

A disseminação de informações e assistência econômica aos refugiados também fez parte de uma das formas de atuação do ACNUR no Brasil. A pesquisa observou a atuação do ACNUR diante de um dos maiores fluxos migratórios da região e em direção ao Brasil, país que não tinha um histórico forte de acolhimento de refugiados e migrantes forçados. A observação e o estudo da chegada do ACNUR a Roraima e o desenvolvimento da Operação Acolhida no Brasil demonstram um forte papel do ACNUR na logística do fluxo migratório na região.

Imagem

Figura 1 – Deslocamento global entre 2007-2017
Figura 2 – A evolução da pobreza por nível de renda na Venezuela (2014-2017)
Figura 3 – Solicitações de migrantes em Roraima no ano de 2018
Figura 4 – Abrigo Janokoïda em Pacaraima – Redário
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Referências

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