A Educação de Jovens e Adultos em contextos escolares e as possibilidades de práticas educativas emancipatórias / Elizabete Carlos do Vale. MCP Movimento de Cultura Popular MEB Movimento de Educação Básica MEC Ministério da Educação. 1 A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E AS POSSIBILIDADES DE PRÁTICAS EDUCACIONAIS EMANCIPACIONÁRIAS: UMA REFLEXÃO BASEADA NAS IDEIAS DE PAULO FREIRE E BOAVENTURA SANTOS.
O próximo capítulo tratará especificamente da educação de jovens e adultos e das práticas educativas que se desenvolveram no processo histórico. Para Brandão (1984), a ambiguidade da educação de jovens e adultos é tão forte que ela é geralmente definida como o que não é: como uma educação assistemática, informal e extracurricular. A instauração da chamada “Nova República” estimulou um novo enfoque e debate sobre a educação de jovens e adultos.
A partir de então, a oferta de educação de jovens e adultos foi descentralizada para os municípios ou delegada a organizações sociais. Assim, a educação de jovens e adultos na década de 1990 caracterizou-se por uma situação ambígua.
Professores e alunos de EJA como protagonistas da pesquisa: sentimentos dos praticantes em torno dos acontecimentos vividos/narrados
No segundo semestre de 2010, entreguei questionários a cinco turmas do ensino médio (duas do 1º ano, duas do 2º ano e uma do 3º ano). Meu nome é Helen Silva, tenho 42 anos, sou formada em física, formada pela UEPB e sou professora há 11 anos. Também lecionei nos últimos anos do ensino fundamental, agora faço o ensino médio durante o período diurno e o ensino médio na EJA.
Parei de estudar em 2001 porque aconteceu um acidente comigo e com um primo meu que morreu naquele acidente. Parei de estudar aos 15 anos porque engravidei, casei e meu marido não queria que eu estudasse, queria que eu cuidasse da casa, do meu filho, do meu marido. Parei de estudar em 1992 quando estava no 6º ano porque casei, engravidei, depois tive que parar de estudar (aluna do 3º ano).
Na verdade, parei de estudar por diversão, coisa que era jovem, gostava de festas e não levava os estudos a sério. Meu nome é Fernanda do Nascimento, tenho 43 anos, sou casada, tenho dois filhos, não desse casamento, foi uma produção independente como dizem. Estudei até o 6º ano, depois engravidei, depois tive que parar de estudar para cuidar da minha filha e depois trabalhar para criá-la.
Quando comecei o 2º ano tive que parar por causa do trabalho, depois fiquei desempregado e voltei aqui para Campina Grande. Aí vim fazer o 2º e o 3º ano na EJA, aqui em Sólon de Lucena, para terminar o ensino médio (aluno do segundo ano). Ano passado eu estava cursando o 2º ano e aí interrompi os estudos para ir para o Rio de Janeiro, procurar emprego, mas não deu certo.
Parei de estudar por motivos de saúde, depois comecei a trabalhar e não consegui equilibrar.
A EJA na escola estadual de ensino fundamental e médio sólon de lucena
Para se ter uma ideia, o ensino médio na modalidade EJA foi estruturado mais cedo do que na modalidade regular. 4 A REDESENHO DA EJA FOI BASEADA NA QUESTÃO DA ESCOLA E NOS DESAFIOS DO ENSINO NESTA MODALIDADE EDUCACIONAL: NOVAS MATÉRIAS ENTRANDO EM CENA. No que diz respeito ao acesso ao ensino secundário e à sua recente expansão, um dos elementos propulsores foi a universalização do ensino primário, o que contribuiu para a notável expansão do ensino secundário, que historicamente foi reduto de uma pequena parte da população brasileira.
O progresso na cobertura do Ensino Básico e as políticas de correcção de fluxo que acompanharam esse progresso geraram efectivamente uma nova procura do Ensino Secundário no país. 1/2000 em seu artigo 19 estabelece que “Os cursos de educação de jovens e adultos destinados ao Ensino Secundário devem obedecer aos arts. Este decreto acabou por alterar a identidade do ensino secundário, uma vez que procurava promover uma reforma do ensino profissional e separá-lo do ensino geral.
Em termos curriculares, o ensino médio da EJA, por exemplo, se depara com questões como: quais especificidades o conteúdo pedagógico deve ter; quais os objetivos a serem alcançados como perspectiva de formação de jovens e adultos estudantes; A política de ensino médio na Paraíba estava, em princípio, vinculada à política geral desenvolvida pelo governo federal. É de salientar que atualmente existem evidências de uma redução da oferta do ensino secundário regular noturno, o que significa que esta está a ser substituída pela modalidade educativa para jovens e adultos.
A educação de jovens e adultos constitui uma modalidade específica de ensino primário e visa proporcionar formação ou continuidade de estudos àqueles que não tiveram acesso ao ensino primário e secundário na faixa etária regular. Porém, no segundo semestre de 2010, o ensino médio/EJA da Escola Sólon de Lucena contava com 174 alunos, segundo informações da. Esses aspectos são respaldados por pesquisas realizadas nas turmas do ensino médio/EJA da Escola Sólon de Lucena, conforme mostram os dados a seguir.
Depois de muito tempo voltei a estudar e depois fiz o ensino médio na EJA (Aparecida, 38 anos - 2º ano EJA).
Estado civil dos estudantes de EJA
A EJA também passou a acolher jovens estudantes que não trabalham, não pararam de estudar e não estão fora da faixa etária, e que poderiam, portanto, estudar no “ensino regular” diurno e/ou noturno, como os 30% de alunos que responderam ao questionário e como foi observado no cotidiano da EJA na Escola Sólon de Lucena. Logo em seguida, quando fomos até a sala da professora, a professora comentou que muitos matriculados têm esse perfil: são jovens que não estão trabalhando e que poderiam estar no ensino regular. Embora não percebesse o trabalho como prioridade no processo de produção do conhecimento dos alunos, ao observar a relação entre o conhecimento que os alunos trazem e a prática pedagógica dos professores, constatei que há uma preocupação em relacionar o conhecimento dos alunos com a escola. de conhecimento. .
Na EJA o tempo é muito curto e a maioria dos alunos apresenta muitas dificuldades de aprendizagem. Então esta diferença de idade na turma e a diversidade de níveis de competências dos alunos dá-nos alguma ansiedade porque enquanto há um grupo que consegue assimilar e quer que progridamos, também há aqueles que não conseguem. Acontece que você não é o único aqui na sala, há pessoas com problemas que ainda não entenderam bem esse assunto.
Tais aspectos apontam para a compreensão de que, por um lado, os diferentes níveis de aprendizagem dos alunos apresentam-se como condição essencial para o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que o professor tem a sensibilidade de perceber que a sala de aula não é composta por um bloco homogêneo de disciplinas, mas de disciplinas diferentes, com diferentes níveis de aprendizagem. Muitos veem os alunos da EJA como aqueles que só querem o certificado, que não querem nada. Tantos professores não exigem que o aluno passe o conteúdo, mas acho que não exigem dos alunos como deveriam (Samuel – vendedor – aluno do 3º ano).
Tem professor que não cobra do aluno, não cobra do aluno, só copia no quadro ou só conversa. Mas tem muitos professores que nem querem saber, jogam conteúdos para gente decorar como se tivéssemos tempo. Essa assimetria está muito presente no imaginário social dos alunos sobre a escola e o papel do professor.
Em relação à evasão ou exclusão da escola, dos alunos que responderam ao questionário, 73% relataram que abandonaram ou foram excluídos durante o processo de escolarização por motivos diversos, enquanto apenas 27% nunca pararam de estudar, apenas do ensino regular. migraram para cursar a EJA.
Motivos de desistência apontados pelos alunos de EJA
Quanto aos motivos de abandono e/ou expulsão da escola, a maioria cita a necessidade de trabalhar como principal motivo, seguida de questões de maternidade e desânimo em estudar. Assim, a exclusão ou abandono escolar em algumas dessas disciplinas está relacionada a aspectos como: a necessidade de sobreviver/trabalhar, “estudei no ensino regular até a oitava série, parei de estudar por motivos de saúde, depois comecei a trabalhar e aí eu não consegui conciliar" (Vitória - 18 anos). Quando eu estava no segundo ano do ensino médio, tive que abandonar a escola para trabalhar e fiquei uns três anos fora da escola” (Everson – 25 anos).
Há dificuldades de conciliação entre trabalho e escola devido ao cansaço da longa jornada de trabalho e tarefas domésticas, à distância entre casa e escola e à necessidade de trabalho imposta pelas dificuldades financeiras, levando-os a priorizar o trabalho em detrimento dos estudos. Levanto das 7h às 18h, saio do trabalho, só tenho tempo de ir para casa, tomar banho, comer alguma coisa para correr para a escola. Trabalho na TV Borborema há dez anos, trabalho o dia todo, volto para casa às 18h30.
Só dá tempo de tomar banho e correr para a escola, muitas vezes nem dá tempo de jantar (Josimar – 45 anos). Parei de estudar por questão de saúde, depois comecei a trabalhar, aí não consegui equilibrar, então tive que fazer EJA. Desde que comecei a EJA, já parei duas vezes porque trabalhava em restaurante e muitas vezes só saía depois das 10h. 20h então não pude estudar, tive que parar.
Em outros casos, foi a necessidade de assumir papéis ou posições condizentes com a fase adulta da vida que levou ao abandono. Voltei a estudar há dois anos no ensino geral, estudei o primeiro ano do ensino médio, depois tive que parar por causa do trabalho, depois fiquei desempregado, então resolvi voltar a estudar, vim fazer EJA" (Raquel - 24 anos). O desânimo ou insatisfação com a escola também leva ao abandono/exclusão, como mostram as falas de Paulo e Edilane: "Parei de estudar em 1989, quando estava no 2º ano do ensino médio como era chamado na na época que eu estudava no Estadual da Prata, aí por causa de uma grande greve de professores que aconteceu naquele ano, parei de estudar, desanimei” (Paulo - 38 anos).
O retorno à escola está ligado a uma série de motivações, incluindo aspectos pragmáticos: terminar o ensino médio mais cedo para prestar vestibular e/ou buscar melhores qualificações para ingressar no mercado de trabalho, ou mesmo para manter um emprego .
Motivos que influenciaram os alunos estudarem na EJA
Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas públicas para a educação de jovens e adultos no Brasil.