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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Desenvolvimento do valor agregado do comércio brasileiro no atual cenário de encadeamento produtivo internacional. Desenvolvimento do valor agregado do comércio brasileiro no atual cenário de encadeamento produtivo internacional.

REVISÃO DE LITERATURA

Na verdade, a distribuição geográfica das exportações brasileiras está associada à respetiva mudança setorial, colocando a China no epicentro da controvérsia. Cavalcanti e Ribeiro (1998) analisaram o desempenho das exportações brasileiras no período de 1977 a 1996, e seu trabalho mostrou que as exportações brasileiras cresceram.

Tabela 1  - Resultados do Modelo de Market Share Constante para 1964/65-  1973/74  (US$
Tabela 1 - Resultados do Modelo de Market Share Constante para 1964/65- 1973/74 (US$

Mudança na natureza do comércio internacional: cadeias globais de valor

E é por causa destas questões que se torna necessário avaliar o que poderá ser uma nova tendência no comércio internacional: as cadeias de valor globais. Blyde (2014) faz uma análise comparativa mais aprofundada da penetração dos dois indicadores nas cadeias de valor globais entre a Ásia, a América Latina e a Europa, numa perspectiva de valor.

Exportações brasileiras no atual contexto do comércio internacional: uma análise

Embora as regiões onde a participação das exportações brutas brasileiras tenha aumentado significativamente, não alcançaram a mesma magnitude de aumento na participação do consumo no valor adicionado brasileiro. Isto sugere que o desvio das exportações brasileiras para o Leste Asiático tem um efeito limitado sobre o destino final do valor agregado brasileiro.

Tabela 4 – Produção e exportação brasileira bruta por setor
Tabela 4 – Produção e exportação brasileira bruta por setor

METODOLOGIA

Base de dados: WIOD – World Input-Ouput Database

  • Contextualização da WIOD
  • Características da WIOD

O primeiro termo é quanto valor acrescentado os países j e w acrescentaram valor como bens intermédios ao consumo interno final de i. O Gráfico 1 mostra a evolução da participação setorial do valor adicionado nas exportações brasileiras utilizado como bens intermediários na produção final de outros países. Por enquanto, vale a pena notar que, numa perspectiva de valor acrescentado, o sector dos serviços permaneceu constante ao longo do tempo.

O Gráfico 5 apresenta o peso médio do valor acrescentado do setor de bens e serviços nos respetivos produtos. A participação do valor acrescentado nas exportações de bens intermédios para a UE apresentou um declínio contínuo e caiu de 35% em 1995 para 31% em 2011. Portanto, na próxima secção torna-se interessante analisar o movimento do destino do valor final. adicionado às exportações brasileiras.

Contudo, ao final de 2011, a UE e os EUA ainda respondem por uma participação de 42% no destino final do valor adicionado das exportações brasileiras. A Tabela 16 mostra a evolução, de 1995 a 2011, das exportações líquidas brasileiras sob a ótica do valor adicionado no TiVA e no IVA. Na seção anterior foi observada a evolução do valor adicionado nas exportações líquidas brasileiras para o mundo e bilateralmente, no TiVA e no IVA.

O Gráfico 8 mostra a evolução das exportações líquidas brasileiras em valor adicionado total, de 1995 a 2009, divididas em capital e trabalho. Essa especialização foi benéfica para que as exportações líquidas brasileiras em termos de valor agregado atingissem um superávit em 2002.

Tabela 7 – Esboço de uma WIOT
Tabela 7 – Esboço de uma WIOT

A construção da Matriz insumo-produto de valor adicionado a partir da base de

A construção do comércio bilateral sob o enfoque do valor adicionado

  • Os conceitos Trade in value added e Value added in trade
    • Trade in Value Added – TiVA
    • Value Added in Trade – VaiT
    • TiVA e VAiT: uma ilustração empírica
  • TiVA e VAiT em relações bilaterais
    • TiVA em relações bilaterais
    • VAiT em relações bilaterais
    • Dados sócio-econômicos no TiVA e VAiT em relações bilaterais
    • Relações bilaterais de TiVA e VAiT: uma ilustração empírica

A seção anterior discutiu a metodologia para obtenção da matriz insumo-produto, K, de valor adicionado. O VAiT quantifica quanto valor acrescentado existe no comércio entre um país i e um país j. Utilizando raciocínio relacionado, a equação matricial 1.28 calcula quanto valor acrescentado o país i consome na sua procura de produtos finais produzidos por j e w.

Outra medida (VAiT) calcula o conteúdo de valor acrescentado das exportações e importações brutas de um determinado país e, consequentemente, das suas exportações líquidas de valor acrescentado incorporadas nos fluxos comerciais brutos. Na apresentação anterior no TiVA obtivemos a resposta sobre quanto o mundo realmente consome do valor agregado criado pelo país i. Neste ponto, dado que se trata de uma relação bilateral, a questão é saber quanto valor acrescentado o país j realmente consome do país i.

O valor agregado de um país consiste no rendimento de vários fatores, como trabalho e capital, ou ainda decomposto. Desta forma, de acordo com o TiVA, o valor acrescentado por i com consumo final em j, de acordo com a respetiva qualificação de trabalho,. No que diz respeito à adição de valor através do trabalho e do capital, Stehrer (2012) também analisou todos os países da base de dados em termos das suas exportações bilaterais líquidas e com o mundo.

Tabela 10 – Comércio Bruto, TiVA e VAiT em bilhões, 2005.
Tabela 10 – Comércio Bruto, TiVA e VAiT em bilhões, 2005.

RESULTADOS

Cadeias Globais de Valor e a inserção das exportações brasileiras sob o enfoque do

Contudo, como pode ser visto no gráfico 1, a participação do valor adicionado do setor de serviços no total do valor adicionado brasileiro nas exportações de bens intermediários encontrou participação majoritária e estável em torno de 40%. O sector agrícola e alimentar com uma parcela significativa de valor acrescentado teve uma pequena queda de 27% em 1995 para 25%. Isto porque, como se verifica no gráfico 5, o valor acrescentado na produção de serviços é, em média, quase o dobro do valor acrescentado na produção de bens.

E assim verifica-se a participação dos serviços nas exportações brasileiras de bens intermediários sob a abordagem do valor agregado, como pode ser visto no gráfico 1, juntamente com a explicação da sua diferença em relação à mesma participação nos valores brutos das exportações. O Gráfico 6 mostra a evolução, de 1995 a 2011, da participação, por destino, do valor adicionado brasileiro exportado e utilizado como bens intermediários na produção final do NAFTA, da UE, do Leste Asiático e do resto do mundo. Dessa forma, fica claro que o valor adicionado nas exportações de bens intermediários apresenta efetivamente movimentos simétricos, portanto correlacionados, quando comparado ao movimento do destino das exportações intermediárias brutas, que é apresentado na tabela 5.

O Gráfico 7 mostra a evolução da participação do valor adicionado brasileiro de 1995 a 2011 por destino na exportação de bens finais efetivamente consumidos pelo NAFTA, pela UE, pelo Leste Asiático e pelo resto do mundo. Desta forma, fica mais uma vez claro que o movimento do valor acrescentado nas exportações por destino é confirmado pela direção das mudanças reveladas na Tabela 5 para as exportações brutas de produtos acabados. Portanto, todas as grandes mudanças sectoriais e geográficas, com excepção da participação do sector dos serviços, estão alinhadas com a abordagem do valor acrescentado.

Tabela 12 – Distribuição regional do valor adicionado na produção final no setor automotivo  por país
Tabela 12 – Distribuição regional do valor adicionado na produção final no setor automotivo por país

Exportações brasileiras sob o enfoque do valor adicionado em relações bilaterais

Ou seja, onde o valor agregado brasileiro é efetivamente consumido como bem final, através da metodologia TiVA. E enquanto ainda avançamos na análise, avaliamos como se dá a evolução, de 1995 a 2011, das exportações brasileiras sob a perspectiva do valor agregado nas relações bilaterais com algumas das economias mais importantes do mundo, para que possamos poderá então diagnosticar possíveis benefícios ou não que esse novo cenário beneficiou as exportações brasileiras. O destino final do valor adicionado às exportações brasileiras apresenta uma característica comum em comparação aos países ou grupos de países desenvolvidos: um declínio na participação em 2011 em relação a 1995.

Conforme destacado na seção 2.1, em 2011 a China já era o maior comprador de produtos brasileiros, embora a tabela 15 mostre que os EUA ainda são o maior destino final do valor agregado brasileiro. Ambos os factos anteriormente mencionados, nomeadamente o declínio da participação dos países desenvolvidos, mas a importância ainda consistente da UE e dos EUA como destino final das exportações brasileiras, estão em linha com o trabalho de Horowitz e Riker (2014) que enfatizam a reorientação das exportações brasileiras para o Leste Asiático para que, após os processos de industrialização, o valor agregado brasileiro seja indiretamente consumido pela UE e pelos EUA. Dessa forma, a China não é apenas membro de um bloco do Leste Asiático, o que contribuiu para a reorientação das exportações brasileiras, mas também se tornou um grande consumidor final do valor agregado brasileiro.

Diante disso, a seguinte questão torna-se interessante considerando todas essas mudanças na composição do comércio internacional com consequências claras para as exportações brasileiras: Como o comércio bilateral brasileiro se desenvolveu a partir de uma perspectiva de valor agregado? Este movimento excedentário das exportações líquidas expresso em valor acrescentado foi interrompido durante a crise do subprime em 2008, e continuou até 2011. Desta forma, os resultados mostram que as exportações líquidas medidas em valor acrescentado foram deficitárias, transformaram-se em excedentes juntamente com a especialização do a exportação de produtos básicos, mas a crise do subprime trouxe instabilidade ao mercado internacional e isso impactou diretamente no balanço brasileiro.

Tabela 15 – Participação regional do consumo final do valor adicionado nas exportações brasileiras
Tabela 15 – Participação regional do consumo final do valor adicionado nas exportações brasileiras

Evolução das exportações líquidas brasileiras em VAiT e TiVA no âmbito sócio

A relação do Brasil com os países desenvolvidos, Canadá, Coreia do Sul, EUA, Japão e UE mostra um déficit de trabalho de alta e média qualificação. Esta constatação não mudou significativamente ao longo do tempo, embora o Brasil tenha obtido um pequeno excedente com o Canadá em mão-de-obra altamente qualificada e com os Estados Unidos em mão-de-obra de qualificação intermédia a partir de 2003, não houve consolidação destas tendências. O excedente com o Canadá e os Estados Unidos tendeu a aumentar ao longo do tempo, enquanto o excedente com o Japão permaneceu estável.

Em relação à China, o Brasil teve um excedente de mão de obra altamente qualificada ao longo do período. Na sua relação bilateral com a Rússia, o Brasil teve um excedente de mão-de-obra pouco qualificada, um défice de mão-de-obra medianamente qualificada e uma flutuação na mão-de-obra altamente qualificada ao longo do período. Em relação ao México, o Brasil teve um excedente maioritário em todos os níveis de qualificação profissional, e esta tendência manteve-se estável ao longo do tempo.

Relativamente aos restantes países do mundo, representados pelo “Resto do Mundo”, a tendência ao longo do período também foi ascendente, com um forte crescimento em todos os níveis de qualificação entre 1995 e 2009: o trabalho pouco qualificado cresceu 290%, o trabalho de qualificação intermédia mão-de-obra superior a 500% e mão-de-obra altamente qualificada superior a 400%. Desta forma, estima-se que foi esta relação com o resto do mundo, e não com os países que estão mais intensamente envolvidos nas cadeias globais de valor, que provocou uma reversão de défice para excedente no trabalho médio e altamente qualificado em Relacionamento do Brasil. com o mundo como um todo a partir de 2003, com a sua agenda de exportações já a inclinar-se para os produtos básicos. Portanto, esgotam-se todas as análises incentivadas durante a construção deste trabalho.

Tabela 17 – Evolução das exportações líquidas brasileiras sob o enfoque do valor adicionado  pelo trabalho por qualificação - TiVA(US$ bilhões) (Continua) 2001 -0,1 -0,9 0,2   0,1   -0,1 -0,0 -0,3 -0,3 0,0   -1,1 -1,4 1,7   -0,5 -1,2 0,1   0,2   0,1   0,2
Tabela 17 – Evolução das exportações líquidas brasileiras sob o enfoque do valor adicionado pelo trabalho por qualificação - TiVA(US$ bilhões) (Continua) 2001 -0,1 -0,9 0,2 0,1 -0,1 -0,0 -0,3 -0,3 0,0 -1,1 -1,4 1,7 -0,5 -1,2 0,1 0,2 0,1 0,2

Zonas Econômicas Especiais e o cálculo do índice do valor adicionado nas

Koopman, Wang e Wei (2012) estimaram o valor acrescentado das exportações originadas nas ZEE e o valor acrescentado das vendas para o mercado interno fora das ZEE. A Tabela 19 apresenta a comparação dos resultados do valor adicionado nas exportações chinesas entre as metodologias HIY, semelhantes à desenvolvida neste trabalho, e o KWW estimado por Koopman, Wang e Wei (2012). Como esperado, a relação do valor adicionado nas exportações gerais no método que estima a adição de valor nas exportações, dado que existem zonas de processamento, KWW, é significativamente inferior àquela que considera a mesma intensidade de insumos importados nas exportações e no consumo interno, o OI.

E isto significa que partilharia este valor acrescentado sobrevalorizado nas suas exportações com todos os países que fazem parte desta cadeia produtiva. E como o valor acrescentado é partilhado entre vários países, acredita-se, portanto, que teria pouco impacto nas restantes relações bilaterais apresentadas. Contudo, no panorama geral das exportações líquidas do Brasil para o mundo, o resultado dificilmente mudaria, pois o valor agregado continuaria a ser compartilhado entre outros países dentro do mesmo país.

O valor adicionado nas exportações brasileiras passou por mudanças setoriais, com aumento da importância dos produtos básicos e mudanças geográficas com forte crescimento no Leste Asiático em bens intermediários. A especialização de suas exportações em produtos primários durante o período de estudo distingue claramente o Brasil de outros países em desenvolvimento de destaque no cenário mundial, como China, México e Índia, que apresentam uma proporção significativamente menor de valor agregado às exportações para os países desenvolvidos. , destino que ainda é muito importante para as exportações brasileiras. Vale destacar que, entretanto, o gigante asiático tornou-se o segundo maior destino de valor agregado brasileiro.

Tabela  19  –  Participação  do  valor  adicionado  doméstico  e  estrangeiro  nas  exportações  chinesas
Tabela 19 – Participação do valor adicionado doméstico e estrangeiro nas exportações chinesas

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Tabela 1  - Resultados do Modelo de Market Share Constante para 1964/65-  1973/74  (US$
Tabela 2 - Exportações Brasileiras - Taxa de Crescimento Anual
Tabela 3 - Perdas e ganhos totais da Argentina, do Brasil, do México e do  Uruguai no  mercado da ALADI, 2002-2009
Tabela 4 – Produção e exportação brasileira bruta por setor
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Referências

Documentos relacionados

O resultado dessa mobilização foi a fundação do CBPF, no Rio de Janeiro RJ, em 1949, como uma unidade autônoma e privada de pesquisa, pois a Universidade do Brasil não apresentava as