Importância do território para os processos identitários quilombolas e seus conflitos territoriais: Pedra do Sal e Sacopã/RJ. O presente trabalho intitulado Importância do território para os processos identitários dos quilombolas e seus conflitos territoriais: Pedra do Sal e Sacopã/.
Território, Cultura e Identidade: Pilares da temática
Nesta parte do trabalho são discutidos os conceitos de território, cultura e identidade e categorias como territorialização que surgem dessas conceituações. Os conceitos de cultura e identidade foram desenvolvidos para apoiar o conceito-chave de território.
Território e territorialidade Quilombola
Portanto, do ponto de vista da geografia cultural, o conceito de território está relacionado aos significados e símbolos que os elementos espaciais adquirem para um grupo social. Portanto, o território na percepção da geografia política e da geopolítica era na verdade a transformação do espaço através da política em território, o conceito de território de Ratzel tem o país como referência.
Cultura e práticas culturais, uma representação simbólica
Por outro lado, o conceito de cultura de Sauer, Corrêa (2003), defende que o conceito deve ser libertado da visão supra-orgânica e do culturalismo, onde é assim considerado sob o senso comum e dotado de poder explicativo. , segundo Corrêa (2003), a cultura deve ser vista como um reflexo, uma influência e uma condição social, e não como uma explicação, pelo contrário, deve ser explicada. Como explica Bonnemaison (1981, p.110), “a cultura é percebida ‘no terreno’ como um feixe de valores unidos no território espacial.
Identidade, uma representação simbólica através do
Da perspectiva em que a identidade surge ou necessita de um espaço para se sustentar, ou seja, da necessidade de uma base territorial para representar a identidade, ela pode, portanto, ser considerada uma identidade territorial. E com isso um indivíduo se reconhece como pertencente a um determinado grupo, e se distingue dos demais, ou seja, isso é feito como uma caracterização da distinção entre nós e eles.
Quilombo
Assim, os quilombos representavam uma forma básica de resistência dos negros ao regime escravista presente há séculos no Brasil. Além do famoso quilombo de Palmares, inúmeros outros surgiram em todo o Brasil como forma de resistência dos negros que escapavam do trabalho escravo. Se o quilombo no período da escravidão representava uma forma de resistência ao sistema escravista, no presente o quilombo se torna uma forma de resistência cultural, o que significa também resistência a uma sociedade que insiste em negar a presença dos negros.
Apogeu, declínio e retomada
Atualmente, os quilombos demonstram a perpetuação de um povo oprimido e que preservou suas tradições e costumes e se vê como tendo o direito de lutar pelo território que foi palco da luta de seus antepassados. Embora os quilombos tenham continuado a existir mesmo com a abolição da escravatura, durante parte do período republicano eles foram esquecidos pela sociedade brasileira e reapareceram nas décadas de 1930/40, na Frente Negra Brasil. A lei áurea que libertou os negros do castigo e do absurdo regime de trabalho foi a mesma que deu aos ex-presidiários uma condição mínima de sobrevivência.
Cultura quilombola – afro-brasileira
A religião africana, que veio com os negros para o Brasil no período da escravidão, era o culto aos orixás e divindades africanas. Portanto, as religiões de origem africana contribuíram para a preservação e difusão dos costumes oriundos do continente africano, especialmente da sociedade iorubá (localizada na região da África Ocidental, atualmente correspondente à Nigéria, Benin e Tongo) e banto (localizada no presente momento .territórios de Angola, Congo e Moçambique), entre negros da África escravizados e seus descendentes. O Jongo é de origem Bantu, que veio da região africana Congo-Angola no Brasil com negros de origem Bantu.
Quilombos urbanos
Embora os quilombos urbanos ofereçam pequenas distinções em termos de localização, eles, tal como os quilombos rurais, partilham a mesma história e pretendem valorizar o seu passado de luta e resistência, bem como as suas tradições e costumes. O que os diferencia é a forma como se mantêm, pois a maioria dos quilombos urbanos não possuem locais para plantar ou pescar como as comunidades rurais, mas apesar de algumas diferenças, tanto os quilombos urbanos quanto os rurais também valorizam o coletivo. Os quilombos urbanos inicialmente enfrentaram grande dificuldade em serem reconhecidos, pois os quilombos eram caracterizados e descritos como espaços que abrigavam presos e ex-presidiários em áreas rurais, de difícil acesso.
Outras formas de resistência além do quilombo
Por fim, os remanescentes de antigos quilombos, existentes em áreas urbanas, lutam pelo reconhecimento de sua identidade e pela segurança jurídica de seus direitos de propriedade. Para Reis (1996), essa resistência acontecia onde quer que houvesse regime escravista, pois embora os negros estivessem sob ameaças de seus senhores, eles se rebelavam de inúmeras maneiras, como comenta o autor. Uma das rebeliões mais famosas da qual participaram os negros foi a Rebelião dos Malês, na cidade de Salvador, em 1835.
O quilombo na atualidade
Portanto, Ilka Leite (2000) considera que o quilombo hoje significa para essas comunidades remanescentes de quilombos um direito ao reconhecimento e não apenas um passado a ser lembrado. Quilombo, então, hoje, significa para esta parte da sociedade brasileira acima de tudo um direito a ser reconhecido e não propriamente e simplesmente um passado a ser lembrado. Leite acrescenta ainda, argumentando que a dinâmica do quilombo iniciada no período colonial sobrevive até os dias atuais para indicar uma situação ainda não resolvida, que é a da cidadania dos afrodescendentes.
Regulamentação das Terras Quilombolas
As comunidades remanescentes de quilombos que ocupam suas terras são reconhecidas como possuidoras de propriedade definitiva, cabendo ao Estado emitir-lhes os respectivos títulos. O Decreto 4.887, de 20 de novembro de 2003, regulamenta o procedimento de identificação, reconhecimento, demarcação, demarcação e titulação de terras ocupadas por remanescentes das comunidades quilombolas de que trata o art. Esta parte do estudo também incluirá uma representação dos sinais encontrados no território das comunidades para ajudar a compreender o valor da terra para os quilombolas.
Evolução Histórica da Constituição de um Território
Bairro da Saúde – Pedra do Sal
Portanto, a chegada da família real trouxe mudanças que mancharam a geografia original da cidade do Rio. Uma dessas alterações foi a distância entre a Pedra do Sal e o mar devido ao aterro (ARAÚJO, 2011; HONORATO, 2008). Atualmente, a Pedra do Sal está localizada longe do mar após sucessivos aterros para aumentar a faixa de terra. O nome Pedra do Sal deriva de ter sido o principal porto de embarque e desembarque do produto no passado.
Bairro Lagoa Rodrigo de Freitas
Portanto, a Figura 6 mostra uma foto da situação atual da Lagoa, onde é possível observar as diferentes edificações da região. Essas mudanças no bairro Lagoa Rodrigo de Freitas e nas margens da lagoa ficam ainda mais evidentes com as gravuras do Instituto Pereira Passos, na Figura 7, que mostram lado a lado o tamanho original da Lagoa, e como ela mudou após vários aterramentos. Após inúmeras gravuras retratando o processo de urbanização de Lagoa, fica claro o quanto a região foi transformada após sucessivos aterros com o.
Áreas de Estudo
Comunidade Quilombola da Pedra do Sal
A comunidade quilombola da Pedra do Sal hoje é formada por apenas dez famílias, das quais quinze ainda reivindicam a terra. A comunidade Pedra do Sal é caracterizada por um conjunto de práticas culturais transmitidas pelos seus antepassados. Por exemplo, a comunidade quilombola da Pedra do Sal é caracterizada pela sua ascendência com pessoas negras que vieram da África e da Bahia e pelas práticas culturais por eles transmitidas.
Comunidade quilombola Sacopã
A caracterização dos quilombolas Sacopã através de suas práticas culturais fica evidente pela autenticidade dos costumes e tradições transmitidos de geração em geração que são mantidos no cotidiano do grupo, além da exaltação da identidade negra pelos integrantes. Portanto, as práticas culturais quilombolas praticadas no Sacopã territorializam o espaço e dotam-no de inúmeros signos. Portanto, existe uma relação mútua de pertencimento entre os membros da comunidade e o território, ao invés de se sentirem donos das terras que reivindicam, o grupo se sente pertencente.
Demonstrativo das entrevistas
A terra no Brasil era utilizada como bem natural e coletivo pelos índios, ou seja, tinha apenas valor utilitário. Porém, apesar da valorização da terra pelos portugueses, ela não tinha valor comercial para os índios e escravos, eles apenas utilizavam o espaço, onde a terra para esses grupos tinha apenas valor utilitário. Portanto, após apresentar o breve histórico da mudança de valores nas terras quilombolas, é possível compreender que as terras brasileiras incorporaram o valor de troca com a chegada dos colonizadores portugueses que trouxeram o sistema capitalista para o território brasileiro, já que até então, a terra apenas tinha valor utilitário para os nativos.
Valor imaterial, valor de uso
Com argumento semelhante sobre o valor utilitário encontrado em determinado espaço, comenta Carballo (2008, p.25). Portanto, a terra para os quilombolas tem muito mais valor sentimental do que valor de troca. O valor de uso que a terra tem para os remanescentes de quilombos está ligado à forma como utilizam seus territórios.
Valor material, valor de troca – Terra como mercadoria
Apesar desta predominância do valor de troca, uma vez que as coisas na nossa sociedade são criadas para serem vendidas, os bens ainda devem ter valor de uso. Portanto: para ser trocada, a mercadoria deve ter valor de uso e em nossa sociedade os valores de uso só são produzidos para serem trocados (vendidos) (LAHORGUE, 2002, p. 46-47). Portanto, para que exista valor de troca, o valor de uso é uma condição (CARCANHOLO, 1998).
Dicotomia do valor da Terra
Porém, os bens também têm o poder de serem trocados por outros bens, iguais ou diferentes, que gerem lucro; esta propriedade é chamada de valor de troca. Para Carcanholo (1998), a contradição entre valor de uso e valor de troca é inerente à unidade mercadoria, portanto a terra, que se torna mercadoria para determinados grupos, combina diferentes valores, o que incentiva inúmeros conflitos dentro de um mesmo espaço. Sobre os conflitos existentes a partir de diferentes ideias, Kuhn e Germani (2010) comentam que os problemas que cercam as comunidades tradicionais podem ser compreendidos a partir da análise de diferentes lógicas de apropriação do espaço, ou seja, espaço como valor de uso e espaço como valor de troca.
Conflitos Territoriais em terras quilombolas
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