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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Percurso de fundação e da formação cultural do arquipélago

O desenvolvimento da literatura cabo-verdiana

Neste contexto temos a AC, fruto das lutas travadas em Cabo Verde nas últimas décadas e cuja literatura de vanguarda, segundo especialistas como Simone Caputo Gomes e Norma Sueli Rosa Lima, carrega consigo temas de identidade desde o século XIX. século. No que diz respeito à ideia de crioulidade, existe também uma forte vontade de se afastar da 'pátria portuguesa' e isso fica evidente pela clara inspiração na antropofagia modernista brasileira que serviu de modelo para Cabo Verde. A chamada antropofagia, mote deste movimento, mostrou que ali nasceu um sentido de brasilidade, que funcionou como motor para o já crescente desenvolvimento de uma ideia de crioulidade em Cabo Verde.

Isto reforça o facto de a imprensa cabo-verdiana também ter contribuído ativamente para críticas e denúncias contra o colonialismo, à semelhança do que aconteceu, destaca Lima (2021), em Angola e Moçambique. Embora tanto em Cabo Verde como no Brasil as poéticas lúcida e modernista tenham trabalhado respectivamente para revolucionar a percepção de origem e raça, no Arquipélago houve uma exigência dos próprios intelectuais locais, que apostaram na construção de uma “nação crioula”, no sentido de resgatar a africanidade e naturalizar a ideia de uma “identidade crioula cabo-verdiana”. Este intelectual, que além de escritor é também advogado e ministro da educação e do ensino superior em Cabo Verde Duarte, teve uma vida marcada pelos estudos.

Esta situação deve-se ao facto de Cabo Verde ter uma forte tradição oral; Então quando alguém sabia escrever isso era algo para admirar, e se essa pessoa fosse mulher o “choque” seria ainda maior. Semedo é bastante claro sobre esta visão de igualdade entre o nordeste brasileiro e Cabo Verde. E o autor prossegue destacando que a utopia, enquanto ideia, estaria presente nas publicações das sociedades em busca de um “lugar ideal”, como foi o caso de Cabo Verde.

A questão da despedida: Hora Di Bai e suicídio

Perante esta perspectiva, pode-se dizer que o mar se move como mediador, o que não só motiva a separação, proporcionando aos cabo-verdianos a experiência de viver noutros espaços não insulares, mas também actua como união com aqueles que se afastam do ilha. país de origem (SANTOS, 2007). Esta população raptada teve que se desligar dos seus antepassados ​​devido à violência simbólica e física infligida pelo colonialismo português. O que se procura, tanto nas viagens entre ilhas como para outros continentes, é a possibilidade de alterar uma situação que parece permanente e impossível.

Segundo Pereira (2011), os cabo-verdianos tiveram que emigrar e hoje continuam a emigrar em busca de melhores condições de vida no estrangeiro para si e para as suas famílias. Naquele pequeno deslizamento feito pelas ondas nas areias da Praia, observa-se que Marina pensa que a sua saída da sua ilha natal foi efectuada a partir de uma violenta interrupção devido ao suicídio do seu tio Joãozinho e à prisão do seu amigo/namorado Pedro pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, PIDE. Esse foi o conteúdo da mensagem que ele heroicamente deixou na folha de papel ao lado do corpo inerte.

Pode-se criar a hipótese de que se suicidou para evitar a captura pela PIDE e morreu levando consigo informações cruciais que poderiam pôr em causa o grupo clandestino que procurava a revolução social no arquipélago. Joãozinho, surgiu uma lenda sobre o que poderia ter motivado o suicídio de uma pessoa tão emblemática da ilha. É, portanto, indiscutível que a imigração de Marina foi marcada por uma grande ruptura nas relações sociais, o que torna a sua partida para Lisboa mais dolorosa porque perdeu o tio e não tem ideia do que poderá ter acontecido ao seu amigo Pedro, apenas acreditando que ele possa foram enviados para as Lavouras de São Tomé, onde muitos tiveram que trabalhar até à morte.

Lisboa como espaço de opressão e resistência

Joãozinho, como era tratado por todos, denunciava a situação de abandono em que viviam as ilhas, o medo que mantinha a boca fechada, a falta de saídas. Em março, abril daquele ano e surpreendentemente, a preparação das frequências, a companhia de Francisco, os treinos de basquetebol com outros colegas das colónias e o movimento clandestino, fizeram desaparecer milagrosamente o incrível horror, o nojo encharcado de lágrimas e a tristeza perturbada que se abateu sobre Marina, a notícia quase simultânea da prisão de Pedro e da morte do tio. Este cenário permitiu-lhe envolver-se mais na luta política de libertação e amadurecer, ao mesmo tempo que construiu a sua própria identidade.

Vale ressaltar que a luta contra o regime colonial foi cada vez mais enfatizada e foi um dos motivos de uma grande manifestação realizada na Praça do Kili, no dia 12 de fevereiro: “Foram presos alguns militantes do grupo, conhecidos pelos estudantes como alguns. dos principais agitadores” (p. 225). O que faria ela com o idealismo que sempre acalentou na busca de uma sociedade mais justa, especialmente desde o dia em que Pedro lhe confidenciou sobre sua planejada fuga? Foi membro do Partido Social Democrata dos Trabalhadores Sueco, além de ter sido primeiro-ministro da Suécia entre 1969 e 1976 e novamente entre 1982 e 1986, ano em que foi assassinado à porta de um cinema em Estocolmo, por motivos políticos.

Durante o período em que viveu em Conacri, a protagonista viveu uma vida muito abnegada mas feliz, pois conseguiu redescobrir completamente as suas raízes africanas: “Ela compreendeu porque é que a canção Je vous remercie mon dieu de m avoir crée durante tanto tempo noir7 tornou-se seu hino preferido (DUARTE, 2012, p. 45). Quando Marina se mudou para viver nas zonas francas de Bissau, estendeu o amor pelas suas origens e reafricanizou-se, um dos princípios propostos por Cabral. Pelo que foi apontado, o romance de AC fala claramente da história da resistência nas colónias, trazendo para o mundo literário os acontecimentos anteriores à Revolução dos Cravos, e ao mesmo tempo revelando os mecanismos utilizados pelos jovens africanos. para derrubar o estado ditatorial e colonial português.

Representação da identidade crioula e a literatura cabo-verdiana

Esta situação mostra que a cultura do Cabo não assimilou, mas reinventou práticas sociais, culturais e religiosas através do sincretismo, que se caracteriza por uma ligação ou associação da prática de duas ou mais culturas religiosas distintas, dando origem a uma terceira cultura diferente da dois anteriores. (ROMÃO8, 2018). Mas esta situação é interpretada pela elite cabo-verdiana de forma “positiva”, como se houvesse uma fusão da cultura europeia com as culturas africanas. Isto significa que “a identidade dos ilhéus não se limita a uma coisa ou a outra: é simplesmente cabo-verdiana” (FURTADO, 2012, p. 147).

É possível observar neste trabalho a ideia proposta por Cabral de criar uma literatura cabo-verdiana com valores decoloniais. Outro aspecto importante da literatura cabo-verdiana abordado na obra de Duarte é a seca, além da fome, causada pelas alterações climáticas ou pela desigualdade social, consequência do abandono da metrópole que antecedeu a independência. Portanto, AC é um romance histórico pós-colonial que demonstra a luta pela libertação, com o objectivo de destacar a contribuição feminina para a história da resistência em Cabo Verde, mas é também um texto que examina os aspectos sociais, literários, políticos e históricos aspectos da nação de Cabo Verde naquele período.

Contudo, devido a problemas estruturais – que não estão presentes apenas na sociedade cabo-verdiana – esta participação das mulheres não foi suficientemente visível devido a muitos factores, mas principalmente devido à dominação masculina. Após a independência, porém, ela estava convencida de que a sociedade cabo-verdiana se tinha tornado mais igualitária, que os homens já não exibiam o mesmo comportamento adúltero e que as mulheres já não aceitavam passivamente os casos extraconjugais e a violência doméstica. Sabia que a situação das mulheres estava a mudar e teve a profunda compreensão de que desta vez não se tratava apenas de casos individuais (DUARTE, 2012, p. 19).

Fundação do PAIGC e Amílcar Cabral

O Partido pretendia ter a seu favor cerca de cinco mil membros, espalhados pelas diversas regiões da Guiné-Bissau e pelos principais centros de Cabo Verde, e obter apoio em todas as camadas sociais, e foi decidido que a base do Partido seria estar no exterior. (Conakry-Dakar), para melhor organizar a luta armada (CASSANA, 2014, p.70). Amílcar Cabral planeou uma guerra que unisse os vários territórios com o objectivo de trazer a independência de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, portanto, de outras nações africanas. É importante notar aqui que a defesa da unidade africana por parte de Amílcar Cabral/PAIGC incluiu antes de mais o projecto de unidade entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau.

Amílcar Cabral/PAIGC considerou a união ou coordenação entre os povos da Guiné-Bissau e de Cabo Verde como um dos primeiros passos para a libertação africana (CASSANA, 2014, p. 82). A luta armada de libertação nacional começou a 23 de Janeiro de 1963 com o ataque levado a cabo por homens do PAIGC ao Quartel Tite, na margem sul do rio Geba, onde era comandado um batalhão português. A luta armada foi conduzida de forma estratégica com o objectivo de encontrar o batalhão português despreparado, pois o partido estava em desvantagem devido à falta de armas.

Os membros do PAIGC, no início da luta armada que duraria aproximadamente onze anos, percorreram vários países em busca de mais ajuda financeira e apoio político, ao mesmo tempo que denunciavam as barbaridades do colonizador. Amílcar Cabral conseguiu difundir as suas percepções e ideias de libertação à população de Cabo Verde, da Guiné-Bissau e de toda a África. Este líder ganhou apoio nacional e internacional, o que permitiu criar “o partido mais bem sucedido de África e foi o primeiro a conquistar a independência através da luta armada” (CASSAMA, 2014, p. 81).

Mulheres armadas contra a opressão

Cabo Verde foi durante muitos anos um país controlado por uma nação hegemónica e consequentemente seguiu mecanismos de dominação eurocêntrica e patriarcal no seu sistema. Este romance apresenta uma mulher que trabalha no PAIGC e nas atividades do partido para pôr fim ao colonialismo português na Guiné de Cabo Verde. A morte de Cabral trouxe total incerteza sobre a continuação da luta, especialmente para Cabo Verde.

Todos os cabo-verdianos que foram para a guerra tinham como objectivo final libertar Cabo Verde e, em última análise, nada foi alcançado. Este livro representa a luta contra o sistema colonial e pela independência, um compromisso político que está entre os factos mais marcantes da história de Cabo Verde e da Guiné-Bissau. Como destacou a pesquisadora Norma Sueli Rosa Lima (2021), no artigo intitulado A crônica crioula de Vera Duarte, são as mulheres que ocupam a posição inicial na construção da vida cultural da sociedade, pois são elas que primeiro cuidar da educação dos seus filhos e transmitir-lhes as tradições das ilhas de Cabo Verde.

Além disso, o livro em questão apresenta-se através de uma perspectiva baseada no conceito de decolonialidade, pois conta o passado histórico de Cabo Verde através do olhar de indivíduos que foram privados da sua voz - e consequentemente da sua identidade - pelo colonialismo. Portanto, a educação que a protagonista adquiriu secretamente ao longo da vida despertou-a para a luta, o que contribuiu para que se tornasse activista do PAIGC, culminando num convite para se tornar a primeira mulher candidata à presidência de Cabo Verde. Vendedoras cabo-verdianas: circulação de produtos, informalidade e mulheres no espaço público cabo-verdiano.

Referências

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1 O ESTADO PATRÃO: a nova precarização/intensificação dos processos de trabalho que incidem sobre os servidores públicos no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro TRT/RJ