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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Dissertação (Mestrado Profissional em Letras) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Formação de Professores. Dissertação (Mestrado Profissional em Letras) – Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2019.

Leitura: uma atividade dialógica e subjetiva

De acordo com a individualidade do leitor, com as suas experiências acumuladas, com o momento/espaço que ocupa, o resultado da leitura pode ser diferente (FERES, 2011, p.23). Retomando o diálogo com Jouve (2002, p.18), o autor postula que “a decifração do leitor é mais fácil quando o texto contém palavras curtas, antigas, simples e polissêmicas”. O referido autor também assume que “sem o envolvimento do conhecimento prévio do leitor não haverá compreensão” (KLEIMAN, 1999, p.13).

Nessa direção, a consciência dos tipos de conhecimento subjacentes ao processo cognitivo é essencial, uma vez que a falta de algum deles pode afetar a compreensão do leitor. Aqui importa o contexto do leitor: cada indivíduo alcançará um significado diferente, de acordo com seu conhecimento prévio, por meio da interação autor-texto-leitor. Às vezes reproduzia o discurso, que agora censuro, sem prestar atenção à pessoa do leitor, focando apenas no currículo ou no trabalho a ser apresentado.

Chegando ao que está sendo discutido, considero útil a contribuição de Daniel Pennac (1993), que reflete com maestria sobre o papel do leitor em sua obra Como um romance.

Figura 1 – Processos envolvidos na leitura baseado em Jouve (2002)
Figura 1 – Processos envolvidos na leitura baseado em Jouve (2002)

A oralidade e a escuta como motivadores para a experiência

No momento em que apresentamos a leitura como um dever, nós a confinamos ao ambiente escolar e, consequentemente, mesmo nesse espaço, os meninos não se entregam à leitura literária – eles fingem que leem e compreendem, e nós fingimos acreditar e compreender. cumprimos nosso papel. Então, como podemos despertar os meninos para desempenharem seu papel de leitores sem seguir o dogma do dever? Como exemplo, Pennac cita em sua obra a experiência de um professor que seduziu toda a turma simplesmente contando histórias.

Esqueceram-se, por exemplo, que um romance conta sobretudo uma história (PENNAC, 2003, p.113). Portanto, implica dialogismo, pois o ouvinte constrói significados de forma colaborativa (BAJOUR, 2012). Durante muito tempo, oralidade e escrita se opuseram, embora livro e voz sejam companheiros, e a biblioteca, em particular, seja um ambiente “natural” para a oralidade: é o lugar de milhares de vozes escondidas nos livros que foram escritos . da voz interior de um autor.

Cabe a nós criar um espaço convidativo na sala de aula, onde as crianças se sintam confortáveis ​​para ouvir e expressar suas impressões sobre o que ouviram.

Literatura infantil e contos de fadas

Segundo Coelho (2012), podemos encontrar mais de uma fonte em comum nas raízes desses textos populares: oriental, latina e celta-bretã. Em geral, nesse período, temos histórias maravilhosas, que simbolizavam a crueldade do mundo feudal: mães abandonando os filhos, derramamento de sangue, canibalismo, mortes, etc. Antes de prosseguir, vale destacar o contexto histórico em que a literatura infantil ganhou relevância e, dentro dela, as histórias.

No século XVIII, as mulheres e as crianças tinham um pouco mais de liberdade e a parceria e a unidade dentro da família eram valorizadas, em vez da submissão cega devido à hierarquia. Segundo Bettelheim (2017), há casos de pessoas que não tiveram contato com contos de fadas e isso impactou no seu desenvolvimento como pessoa, tendo em vista que as histórias tratam dos processos internos do indivíduo. Dito isso, é compreensível que os contos sejam universais, visto que são narrativas que expõem conquistas, derrotas, tristezas, alegrias, ou seja, situações e sentimentos humanos, que independentemente do tempo ou espaço em que estejam inseridos, dialogam com aqueles que leem ou ouvem (HUECK, 2016).

Para entender um pouco mais sobre como as histórias chegaram até nós, creio ser necessário apresentar os três principais autores desse tipo de narrativa.

Autores

Perrault

Além disso, participou da disputa entre antigos e modernos, que foi um movimento do período em que os “antigos” defendiam a preservação do modelo greco-latino como exclusivo da criação literária e. Moderni”, que inclui também Perrault, defendeu a superioridade da língua francesa sobre o latim (COELHO, 2012), incentivou a escrita na língua materna. Além disso, nesta argumentação houve um debate sobre a inserção de valores cristãos nas histórias, que eram superiores aos elementos pagãos, do ponto de vista dos “modernos”.

Tentou salvar a literatura popular francesa (COELHO, 2012) e com suas histórias nos salões franceses deu voz à classe popular, da qual os cortesãos desconheciam ou ignoravam. A autoria de sua obra ainda é debatida, pois Perrault não assinou as primeiras edições. Por outro lado, o nome de seu filho Pierre Perrault-Darmancour apareceu na dedicatória à sobrinha do rei e foi ele quem pediu permissão ao monarca para imprimir a obra.

Há também a hipótese, surgida no final do século XIX (SOUZA, 2014), de que o autor tinha vergonha de ser visto como autor e atribuía a autoria ao filho.

Grimm

Vale ressaltar também que os irmãos famosos coletaram as histórias principalmente por meio de pesquisas em bibliotecas e salas de estudo. Segundo Hueck (2016, p.92-94), as características dos autores incluem a abundância de adjetivos, que servem para idealizar o mundo da fantasia e detalhes mágicos, que tentam trazer o leitor para dentro da história. Segundo Hueck (2016, p.97), a exposição de mutilações, matrículas e violências não era mal vista, principalmente porque a vida era ruim na época.

Andersen

Porém, não conseguiu se adaptar às duras pressões, principalmente do professor Simon Meisling, por dominar menos o assunto que os demais meninos, sendo motivo de ridículo entre seus colegas, e também porque seu interesse era literatura e produção de poesia. . Seu primeiro trabalho, The Journey on Foot from Holmen Canal to the East Tip of Amager, não foi bem recebido pela crítica da época. Afirmavam que o autor não dominava “a cultura dinamarquesa ou (..) os padrões literários da época” (VAGULA; SOUZA, 2015, p.322), e apresentava uma linguagem cotidiana.

Em sua produção literária, portanto, aqueles que geralmente são esquecidos pela sociedade têm voz, por meio da crítica à sociedade, mas tudo isso de forma sutil. A morte também está presente diversas vezes em sua narrativa, pois o autor traz consigo uma tradição religiosa e acredita na soberania de Deus, como se a morte fosse o início de uma nova vida. Os pressupostos da pesquisa-ação também nortearão este trabalho, pois há uma proposta de intervenção em sala de aula.

Acrescente-se ainda que os contos de fadas contam experiências e conflitos humanos – o que gera o envolvimento do leitor com o texto, tendo em vista que os obstáculos fazem parte da vida de todos, independentemente da época em que vivam.

Intervenção por meio da sequência didática

Contexto escolar e os alunos

Portanto, com todo o processo de mudanças físicas na aparência e nas atitudes da escola, os alunos adquiriram uma nova atitude. Comparada à turma em que foram realizadas as oficinas, 601, era uma turma com muitos alunos (39) e todos muito falantes. Além disso, alguns meninos apresentavam-se bastante ansiosos, devido a dificuldades com a família e/ou faixa etária (pré-adolescência).

A maioria dos alunos tinha a idade certa para a turma, 11 ou 12 anos, mas destaco também que em média cerca de cinco alunos estavam fora da faixa etária certa – 15 a 17 anos – porque já estavam reprovados e não demonstravam muito entusiasmo para progresso reservável no estudo. Com muita paciência consegui conquistar o carinho e a confiança da turma para poder desenvolver as oficinas e até ajudá-los em outras questões educacionais, como incentivá-los a ter uma perspectiva de futuro, a sonhar, a acreditar. seu potencial, etc. Muitos estudantes não planejaram um futuro para si porque tinham baixa autoestima devido à sua história de vida.

As condições socioeconômicas da sala de aula são precárias e muitos alunos fazem parte do Programa Bolsa Família; Grande parte da turma era formada por negros.

Primeira oficina – Práticas de leitura

Pensei muito sobre por que a maioria afirmava ler, tendo anteriormente denunciado o desinteresse pela leitura, e em diálogo com a teoria percebi que eles haviam enraizado essa ideia de leitura obrigatória na escola, o que os aliena e não permitir que você tenha uma relação de prazer, alegria e encantamento. Além disso, os alunos citaram os nomes das obras que leram e percebe-se que geralmente não são livros lidos na escola: Diário de um Banana, Biruta, As Cores da Escravidão, O Pequeno Príncipe, Pedro Malasartes, O Todo mundo, A culpa é das nossas estrelas, O diário surreal de Any Malu e Amanhã você vai entender. É interessante notar de passagem, neste ponto, que os alunos reconhecem a falta de motivação em relação à leitura como um dos fatores essenciais que impossibilitam a sua prática.

Fica claro que os alunos associam os contos de fadas ao mundo mágico, desconectados de suas realidades, e por serem pré-adolescentes (dez a doze anos), alguns acreditam que eles não se enquadram mais nessas histórias. Confesso que o trecho acima dialoga perfeitamente com a experiência dessa pesquisa cotidiana e, diante disso, minha preocupação em engajar os alunos na leitura só aumenta, tendo em vista que existe todo um contexto de exclusão e resistência que os cerca. Vale ressaltar que os meninos que avaliaram as histórias foram aqueles que não tinham grupo de colegas para conversar ou compartilhar o parquinho, ou seja, eram solitários.

Também comentei sobre a necessidade das pessoas manterem viva uma tradição através da contação de histórias como forma de continuidade. Expliquei também que as histórias inicialmente não tinham finais felizes, e que só muito mais tarde surgiu com a burguesia a preocupação com a infância, conceito que antes não existia. Nesse momento, percebi que os alunos demonstravam dúvidas através do olhar e, por isso, primeiro expliquei o que era a confissão.

Gráfico 1 – Estimativa de livros lidos anualmente pelos alunos
Gráfico 1 – Estimativa de livros lidos anualmente pelos alunos

Segunda oficina – Leitura de contos

Após a leitura da história, fiz algumas perguntas orais aos alunos para verificar a compreensão, tais como: Quem são os personagens?, Onde se passa a história?, O que acontece na história?, Qual é o final?, O que você é? como? na história? etc. Para o autor, esse conceito refere-se ao que acontece dentro de cada indivíduo e que muitas vezes lhe é desconhecido, ou seja, o que há de mais íntimo em cada pessoa. Estou convencido de que a competência frutuosa será uma ferramenta eficaz para mudar a percepção que os rapazes têm da leitura.

O fato de que toda vez que Branca de Neve ficava encantada, seus amigos a ajudavam porque mostra que ela sempre podia confiar em seus amigos.” Na primeira reação, podemos perceber a expectativa do leitor – a esperança de um final feliz para Branca de Neve. Além disso, o tema da amizade reaparece em outras opiniões, assim como o fato dos meninos prestarem atenção no final da história e acharem que sim.

Na minha opinião os meninos pegaram a história com as próprias mãos e cada um à sua maneira, na sua língua, explicaram as impressões que lhes causaram.

Tabela 7 – Julgamento dos meninos sobre o que mais gostaram na história
Tabela 7 – Julgamento dos meninos sobre o que mais gostaram na história

Terceira oficina – Leitura de contos

Quarta oficina – Leitura de contos

Quinta oficina – Leitura de contos

Sexta oficina – Leitura de contos

Sétima oficina – Jogos sobre os contos de fadas

Oitava oficina – Branco, Belo e Cinderelo

Nona oficina – Produção dos alunos de contos de fadas

Imagem

Figura 1 – Processos envolvidos na leitura baseado em Jouve (2002)
Tabela 1 – Percepção dos alunos sobre a leitura
Gráfico 1 – Estimativa de livros lidos anualmente pelos alunos
Tabela 2 – Gêneros que os alunos leem
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Referências

Documentos relacionados

A questão fundamental é refletir sobre o fato de que as opiniões das professoras sobre seus alunos repetentes, muitas vezes, são confirmadas pelos resultados dos testes de inteligência