Práticas educativas de enfermagem voltadas à saúde da mulher na estratégia saúde da família / Tayane Fraga Tinoco. O objeto desta pesquisa foi o estudo das práticas educativas desenvolvidas por enfermeiros voltadas à promoção da saúde da mulher na Estratégia Saúde da Família (ESF). Práticas educativas desenvolvidas por enfermeiros para promoção da saúde da mulher na Estratégia Saúde da Família.
As abordagens de Educação em Saúde e Enfermagem
Neste contexto, Stotz (1993) apresenta alguns enfoques ou abordagens da Educação em Saúde: a) preventiva; b) escolha informada; c) desenvolvimento pessoal; d) radical e e) Educação Popular em Saúde.. As ações baseadas na Educação Popular em Saúde contribuem, assim, para qualificar a Educação em Saúde realizada de forma tradicional (BONETTI; CHAGAS; SIQUEIRA, 2014). Destaca-se, portanto, a publicação, em 2012, da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEP-SUS), que reafirma a importância da participação popular no SUS por meio de uma relação horizontal entre o profissional de saúde e o usuário para atender à demanda de atendimento. encontrar popular; incentiva a autonomia, o protagonismo populacional e a governação participativa; além da construção compartilhada de conhecimento para a transformação social (BRASIL, 2012b).
A Atenção Primária à Saúde e a Estratégia de Saúde da Família
Linhas de Cuidado na APS
O SUS tem a integralidade como um de seus princípios e a APS tem a função de se basear decisivamente nas mudanças na produção do cuidado para garanti-la. As linhas de cuidado organizam os fluxos de cuidado de forma segura para atender às necessidades de saúde do usuário e combinam atividades educativas, preventivas, curativas e reabilitadoras. A equipe da ESF organiza a linha de cuidado e gerencia o processo terapêutico do usuário, acompanha-o e proporciona acesso aos demais níveis de assistência (FRANCO, 2004).
Portanto, a unidade básica de saúde (UBS) deve ser o mais resolutiva possível, com o máximo de opções diagnósticas e terapêuticas, pois a linha de cuidado é formada na UBS. Porém, na prática assistencial nota-se que o desenvolvimento das linhas de cuidado da ESF é orientado pelo Guia de Referência Rápida. Além disso, possuem objetivos limitados e focam no atendimento de necessidades de saúde pré-definidas de grupos populacionais (ESCOREL, 2008).
As linhas de cuidado do Rio de Janeiro concentram suas ações na atenção à saúde do adulto/idoso, saúde da mulher, saúde da criança/adolescente; na vigilância sanitária; entre outros na promoção da saúde. As práticas de saúde ainda são fragmentadas, divididas em protocolos e manuais que em tese propõem a integralidade e uma abordagem biopsicossocial, mas em suas diretrizes reproduzem o modelo hegemônico de saúde. Neste estudo abordamos práticas educativas voltadas para a linha de cuidado Saúde da Mulher, liderada pelo Programa Nacional de Assistência Integral à Saúde da Mulher.
A implementação do programa teve efeitos positivos na saúde da mulher no Brasil e ampliou a visão da saúde da mulher para além do parto.
Promoção à saúde da mulher na ESF
Exemplo disso no atendimento à população feminina foi o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), criado em 1984 sob influência da luta feminista. O PAISM rompeu com a visão de que os cuidados de saúde da mulher só deveriam ser da competência da mulher reprodutiva ou da perspectiva da mãe e do filho. Um destes objectivos é reduzir a mortalidade materna como estratégia chave para melhorar os cuidados de saúde das mulheres (ONU, 2000).
Nesse sentido, o foco na saúde da mulher tem negligenciado determinantes sociais, históricos, políticos e institucionais que contribuem para a manutenção da tolerância à mortalidade materna e outras formas de adoecimento (CARVALHO; NETO, 2011). Nota-se que ocorreu um processo histórico que rompeu com a visão reducionista da saúde da mulher e possibilitou sua emancipação e empoderamento. Contudo, as mulheres ainda têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde e apesar das políticas serem orientadas pela integralidade, algumas práticas de saúde da ESF ainda reproduzem a visão reducionista da saúde da mulher (BENITES; BARBARINE, 2009).
Dessa forma, os problemas e necessidades de saúde da mulher sensíveis às ações da Atenção Básica devem ser pautas primárias nas práticas educativas voltadas à atenção à saúde da mulher no espaço da ESF. Nota-se que garantir o acesso à saúde é essencial para a qualidade dos cuidados de saúde da mulher. Pode-se concluir que a saúde da mulher não é produto apenas de aspectos biológicos e técnicos, mas é diretamente influenciada por questões socioeconômicas e de acesso aos serviços de saúde.
Nesse sentido, a educação em saúde é uma estratégia para construirmos conjuntamente uma atenção à saúde da mulher de maior qualidade, que respeite o corpo e a individualidade de cada mulher.
Cenário do estudo
Pré-análise
Codificação
Tratamento dos resultados: inferência e interpretação
Para tanto, as entrevistas foram lidas repetidamente para a construção de hipóteses preliminares sobre o conteúdo a ser analisado. Pelo perfil traçado, entende-se que, dado o tempo que os enfermeiros atuam na AP 5.3, parece-nos que estes enfermeiros conhecem a população, o seu contexto e as suas particularidades. Este capítulo tem como objetivo apresentar a análise dos dados coletados de acordo com as ferramentas metodológicas utilizadas.
Com base no roteiro de entrevista semiestruturada, na leitura das entrevistas e na construção dos quadros 1 e 2, foi possível mapear e quantificar a frequência dos temas que surgiram nas entrevistas a) Categoria I: Práticas de formação de enfermeiros voltadas à saúde da mulher .
Categoria I: Práticas educativas do enfermeiro voltadas à saúde da mulher
A educação em saúde visa promover informações de saúde à população em termos de alimentação, exercício físico, práticas que podem ser proporcionadas às pessoas. A educação em saúde ocorre por meio de orientações sobre programas, doenças acompanhantes, cuidados de enfermagem, cuidados alimentares e de higiene (..) no âmbito de consultas e grupos. A educação em saúde acontece o tempo todo, porque a educação em saúde é feita além das grupais, hoje em dia fazemos educação em saúde em consultórios e.
Nesse contexto, a transmissão de informações do profissional para o usuário ainda é vista pelos enfermeiros como um método eficaz de educação em saúde e as práticas educativas são baseadas nos protocolos/programas do Ministério da Saúde, realizadas em forma de campanhas. Nesse sentido, podemos observar também um modelo de Educação em Saúde do início do século XX, um modelo de campanha que valorizava a doença em detrimento do contexto socioeconômico dos usuários. Porém, informação por si só não significa educação, pois a educação em saúde deve envolver o usuário como agente nesse processo (ACIOLI; DAVID; FARIA, 2012).
É importante ressaltar que esse modelo de prática educativa pode fazer com que o usuário não adira ao processo de educação em saúde. A autora ressalta que as práticas educativas desenvolvidas pelos enfermeiros ainda são influenciadas pela abordagem tradicional de educação em saúde, que valoriza o caráter preventivo. prejuízos à avaliação de conhecimentos gerais e fatores de saúde. Nas entrevistas foram mencionadas ações de promoção da saúde relacionadas à prática educativa desenvolvida na ESS.
Nesse sentido, a proposta de vigilância em saúde (TEIXERIA; PAIM; VILASBOAS, 1998) surge como uma estratégia para reorientar as medidas de saúde, pois formula o enfoque populacional (promoção), a abordagem do risco (prevenção) e o clínico (assistência) ( TEIXEIRA, 2001).
Categoria II: Planejamento e desenvolvimento das práticas de Educação em
Foi destacado o fato de que o planejamento das atividades educativas, na maioria das vezes, decorre de problemas de saúde identificados pelos profissionais e não da demanda dos usuários. Além disso, os enfermeiros afirmaram em seus depoimentos que não utilizam nenhum referencial teórico para seu planejamento. Além disso, apontam que o enfermeiro deve avaliar e reorientar constantemente o planejamento das ações educativas, a fim de realizar uma prática mais eficaz e que faça sentido para o usuário.
Nesse sentido, é necessária uma abordagem próxima da Educação Popular, pois considera os saberes populares, suas vivências e vivências como essenciais para o planejamento das ações em saúde. Além disso, a prática educativa na perspectiva da Educação Popular valoriza a participação dos usuários, sua autonomia e o diálogo, o que incentiva o desenvolvimento de práticas educativas de acordo com as necessidades de saúde da população. Contudo, a forte influência da higiene na prática educativa dos enfermeiros faz com que a educação em saúde seja realizada de forma autoritária.
Nesse sentido, às vezes a culpa é da vítima, ou seja, o usuário é culpado mesmo que não consiga alterar seu estado de saúde. Para superar essa abordagem, a proposta de construção conjunta citada por Acioli, David e Faria (2012), envolve o usuário no planejamento das ações de saúde e avalia continuamente essas ações, para que o processo educativo seja eficaz. Esta proposta pressupõe a inclusão de conhecimentos dos sujeitos envolvidos na prática educativa, avaliando a troca de experiências e saberes entre profissionais de saúde e a população e buscando a inclusão do planejamento participativo nas práticas educativas (ACIOLI, 2008; FREIRE, 1987).
Para tanto, o planejamento deve ser flexível e não definido apenas pela equipe profissional, o que não é uma tarefa fácil, mas permite a montagem conjunta do produto.
Categoria III: Atribuições do enfermeiro na ESF
A conexão é um dos principais norteadores da ESF, e é essencial para o desenvolvimento de medidas de saúde e monitoramento da saúde da mulher. As entrevistas também mostraram que a comunicação entre outros setores (escolas, creches, outros níveis de atenção) são facilitadores do processo de Educação em Saúde, pois há maior apoio dos usuários para o enfrentamento dos problemas de saúde. Além disso, as falas dos enfermeiros mostram que eles entendem que a Educação em Saúde é uma estratégia para superar os problemas de saúde que vivenciam no seu campo de trabalho e para transformar um contexto desfavorável.
Portanto, os eventos agudos em condições crônicas de saúde constituem um problema que deve ser enfrentado para a superação da crise de saúde pública por meio da implantação de redes de atenção à saúde (RAS). Dessa forma, o modelo de atenção à saúde do início do século XX ainda é observado como norteador das práticas de saúde na ESS, o que nos permite refletir sobre a urgência de ir além das práticas de saúde dos enfermeiros que se relacionam com sistemas de saúde que podem não ser eficaz na resolução de problemas de saúde, como na promoção da saúde da mulher. Os enfermeiros entendem que a abordagem tradicional de educação em saúde não é suficiente para promover a autonomia e a transformação social no enfrentamento dos problemas de saúde.
A segunda categoria evidenciou que o planejamento das atividades educativas nas unidades de saúde ocorre em equipe. A atenção primária à saúde e sua vinculação com a Estratégia Saúde da Família: construção política, metodológica e prática. Práticas educativas desenvolvidas por enfermeiros do Programa Saúde da Família do Rio de Janeiro.
Problemas, necessidades e situação de saúde: uma revisão das abordagens de reflexão e ação da equipe de saúde da família. organizacional). Práticas de saúde frente à reorganização da atenção básica no estado do Rio de Janeiro, Brasil, na perspectiva de usuários e profissionais de saúde. Você acha que a educação em saúde pode ser uma estratégia para transformar um problema de saúde da mulher vivenciado na sua área?