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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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O abolicionismo e a lógica da punição: análise dos discursos sobre a abolição da flagelação de escravos no Senado Imperial do Brasil em 1886 / Rebecca de Medeiros. O abolicionismo e a lógica da punição: análise dos discursos sobre a abolição da flagelação de escravos no Senado Imperial do Brasil em 1886.

O debate no Senado Imperial sobre a abolição da pena de açoite em 1886

O que queremos é abolir a punição da flagelação; em tudo o mais a lei antiga é preservada; não há mudança.35. Conforme destacou o senador Dantas, o art. 60 do Código Penal de 1830, que previa a pena de chicotadas para escravos, era inconstitucional.

As forças policiais e o escravismo

A construção de um aparato policial se dá a partir de uma subjetividade magistral, caracterizada pela relação violenta com os escravos. Neste processo surgiu um movimento para organizar um corpo político centralizado capaz de guiar os caminhos de uma nação que sonhava tornar-se forte e independente.

Disputas e tensões na década de 1880

79 As leis conhecidas como Lei do Ventre Livre e Lei dos Sexagenários possuem cláusulas mais amplas do que os artigos através dos quais se popularizaram, essas outras considerações jurídicas serão analisadas mais detalhadamente. Outra cidade onde se viu nas ruas a diferença entre as lutas abolicionistas alfabetizadas e populares foi Santos, na província de São Paulo. O abolicionismo na região ajudou a fundar o quilombo Jabaquara em 1882, com ativistas da cidade e o apoio do quilombo Vila Matias, fundado de forma independente por escravos fugitivos, integrou-se perfeitamente ao movimento abolicionista no eixo São Paulo – Santos. .

Foi imerso nesse cenário de revoltas e tumultos que os Senadores falaram da necessidade de punir melhor. O Ministro da Justiça não leu perante o Senado a parte do telegrama do juiz onde declarava que os escravos levariam daqui para o abrigo os empregados de Domiciano; o que prova que ele não deseja revelar a verdade. O senador Dantas pede ao ministro da Justiça que investigue essas denúncias, esclareça os fatos e, se necessário, envie médicos da Corte a Parahyba do Sul para realizarem a autópsia o mais rápido possível.

Após longa discussão sobre a omissão de fatos importantes do caso por parte do ministro, afirmou que embora mantivesse comunicação com as autoridades locais, não obteve informações suficientes para concluir a investigação e, portanto, não conseguiu determinar a causa da morte do infeliz pessoas, nem aqueles que são culpados disso.

Punitivismo escravocrata

Segundo Marilene Silva111, a Carta Constitucional de 1824 manteve o direito à propriedade privada plena – ou seja, legalizou a escravidão na transição da colônia para o Império no Brasil – mantendo as penas de acordo com o Livro 5 das Ordenações Filipinas. Como forma de adequar os princípios liberais às relações senhoriais e escravistas no Brasil, uma configuração bastante eficaz foi estabelecida na legislação brasileira: não há menção à palavra escravo na Constituição do Império do Brasil (1824), era uma mercadoria; antes dos direitos universais de liberdade e igualdade dos indivíduos perante a lei, defendia-se o direito à propriedade privada; os direitos eram garantidos apenas aos cidadãos, o que não incluía os escravos. No Brasil, expandiu-se no século XIX, com a chegada da família real e a abertura dos portos, a implantação de uma imprensa escrita e a construção de cursos técnicos e superiores, incluindo cursos de Direito.

Essa ordem construída para que a escravidão se consolidasse como uma rede institucionalizada foi dotada de uma violência social que, segundo Malheiros e outros contemporâneos, atrasou o processo civilizatório de implementação do liberalismo no Brasil. O que vemos no Brasil é que uma camada privilegiada da sociedade utiliza esses princípios para instrumentalizar a consolidação entre o estado escravista patrimonial e o liberalismo político, baseado na implementação de um legislativo autoritário e etnocêntrico. Os negros no Brasil sempre sofrerão bloqueios em seus direitos, mesmo os libertos ou ingênuos122 serão privados de diversos direitos.

O liberalismo no Brasil do século XIX visava preservar as liberdades de mercado conquistadas com a abertura dos portos em 1808, preservar a auto-representação política alcançada com a independência em 1822, e preservar o direito legal à escravidão em favor da defesa da propriedade privada e o funcionamento da economia nacional.

As leis penais para escravos: produção e processo histórico de formação

O Código Penal foi proposto originalmente em 1827 por Bernardo Pereira de Vasconcelos e chegou à discussão no Parlamento na segunda metade de 1830. Enquanto o Código Penal estabelece os crimes e suas respectivas punições, o Código Processual dita como deve ser feito o andamento jurídico. para considerar e aplicar sanções. O projeto foi apresentado em 1829, após a aprovação do Código Penal, que recebeu maior prioridade, e foi aprovado sem grandes debates em 1832.

Dessa forma, pode-se dizer que o processo de criação tanto do Código Penal quanto do Código Judiciário aconteceu com a atenção mais voltada para a superação do sistema jurídico do antigo regime do que para a formação de um modelo acabado para o novo império. Em meio a conflitos políticos, o Código Penal (1830) e a Lei de Administração da Justiça (1832) são duas grandes conquistas dos liberais. Esta lei foi rapidamente aprovada e tinha uma característica distintiva: alterou tanto o Código Penal como o Código de Processo Penal.

O Código Penal de 1830 e a Lei de 1835 foram produzidos pela elite patriarcal com as formas familiares de repressão: chicotadas e morte.

A prisão para escravos no século XIX

A tortura é substituída por penas trabalhistas quando necessárias à manutenção do sistema industrial, da mesma forma que as punições destinadas a torturar e exterminar um grupo são utilizadas quando há um grande excedente de mão de obra. Para institucionalizar a correção de escravos, foram construídas prisões e casas de correção, que utilizavam como mão de obra os próprios presos, sujeitos classificados como fora da ordem pública. Em tempos de escassez de mão de obra, a prisão era utilizada em conjunto com penas trabalhistas.

No Brasil, diferentemente dos países estudados por Rusche e Kirchheimer e também por Foucault, o trabalho não se baseava no trabalho gratuito e remunerado, mas sim na escravidão. Porém, em tempos de crise vemos a aliança do discurso de controle de um grupo perigoso (negros) e o emprego de pessoas em obras públicas, suprindo a necessidade de mão de obra para tais investimentos estatais. Vemos na tese de Carlos Eduardo Moreira de Araújo como essa mão de obra foi utilizada em obras públicas, principalmente na construção da Casa de Correção170, entre 1834 e 1850, no Rio de Janeiro. Com uma grande obra a ser executada, como a construção da Casa do Tribunal de Correção, o governo da Regência não poderia abrir mão dos trabalhadores, fossem eles livres ou escravos, qualificados ou não.172.

A construção da Casa de Correção, além de cumprir a constituição e o código penal, serviu também para reativar a exploração da mão de obra cativa, que estava adormecida nas prisões há mais de uma década.174.

Por que a galés foi entendida como única opção possível?

Hoje é possível abolir com segurança a pena de chicotada, que só foi imposta porque o legislador da época entendeu que era a única pena que suprimia efetivamente os crimes dos escravos179. A pena de galera foi o recurso que Ignácio Martins encontrou para substituir a pena de chicotada. Voltando ao projecto de substituição da pena de galera pela pena de galera, o ministro questiona a comissão sobre a razão pela qual esta medida foi tomada se a pena de galera é considerada a mais grave do Código Penal, com excepção da pena de morte. deve ser aplicado a um réu criminal. .

O senador Leão Veloso, como relator da comissão legislativa, destaca que a escolha da pena de galera se deve à peculiaridade do escravo acusado. A questão central da abolição da penitenciária, que perpassou todo esse processo, foi a busca de uma conciliação entre a escravidão e a produção de um código penal baseado na instituição penitenciária. No debate sobre a prisão de sujeitos que não são donos do seu tempo, a opção da prisão foi considerada mais prejudicial aos senhores do que aos escravizados.

O projeto, que tem como ideia central a abolição da pena de chicotada, torna-se agravante para o ministro para as demais penas, tendo em vista que as penas de prisão simples ou trabalhos forçados, desterro, exílio e multa são mais leves que as punição. cozinha.

Leis abolicionistas?

Assim, em 7 de novembro de 1831, nasceu a primeira lei para acabar com o tráfico de pessoas, que ficou popularmente conhecida como a “lei para os ingleses verem” porque não foi implementada na prática. Segundo Chalhoub209, a lei inicialmente teve impacto, mas aos poucos o tráfico de escravos voltou, chegando em 1837 com debates parlamentares pedindo a revogação da lei de 1831. A rede de ilegalidades para manter o tráfico de escravos continuou até a década de 1950, quando a lei foi revogada. nova lei que reafirma a proibição do tráfico de seres humanos.

A escravidão era tão inerente à vida no Brasil que, segundo Chalhoub, o próprio legislador da lei de 1831 presumiu que a lei era ineficiente porque havia uma discrepância entre a lei e os costumes brasileiros. O artigo sexto [da lei Eusébio de Queiroz] tenta aprofundar o sétimo da lei de 1831 e é um dos fatores mais importantes para perpetuar o “africano livre” na condição de escravo, além de enfatizar a preocupação com a questão demográfica. controle sobre a maior população negra que chega do que na prevenção do crime de importação. Apenas quatorze dias após a promulgação da Lei Eusébio de Queiros, foi aprovada a Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850, a Constituição.

A alteração proposta pelo Ministro da Justiça manteve a disparidade nas ações criminais ao não revogar completamente a lei de 10. Julho de 1835.

Fim do debate

Segundo Denilson Oliveira, a organização racista da cidade do Rio de Janeiro ainda se justifica até hoje em nome de medidas de (in)segurança pública e higiene urbana. 245 As Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro são uma técnica governamental para o controle territorial das favelas. O governador do estado do Rio de Janeiro, Luis Fernando Pezão, afirma essa prática preventiva da polícia como forma de manter o bem-estar da cidade: Tiveram um dia de castigo [.] Não pensei que [foi acima do limite].

Acham que 'nós' somos ladrões só porque 'nós' somos negros”: Racismo de Estado no Rio de Janeiro. Trabalhadores escravizados e livres na cidade do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. Governança Racista e Necropolítica do Espaço Urbano: Notas Teóricas e Políticas sobre o Genocídio da Juventude Negra na Cidade do Rio de Janeiro.

Acham que “nós” somos ladrões só porque “nós” somos negros: Racismo de Estado no Rio de Janeiro.

Referências

Documentos relacionados

III) Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); IV) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e V) Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Já