Pela Portaria nº 8.625/93, em 2 de outubro de 2006, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovou a Resolução nº 13, que passou a regulamentar a instauração e o trâmite de procedimentos de investigação criminal. Desta vez, o objetivo geral desta monografia será a análise da competência investigativa do Ministério Público, que examina a constitucionalidade da Resolução nº. 13/2006 do CNMP e a consequente legitimidade do Ministério Público na condução de investigações criminais.
Histórico
A Origem do Ministério Público
Os sinais externos dessa ênfase também foram protegidos: os membros do Ministério Público não se dirigiam aos juízes do salão, mas da mesma plataforma (“parquet”) em que estavam colocadas as cadeiras destes, e não se revelavam ao abordá-los. , embora tivessem que falar em pé - por isso foram chamados. Com o decreto de 1670, o ministério público ampliou seu campo de atuação e lançou as bases do processo público.
A Evolução histórica do Ministério Público no Brasil
Dois anos depois, uma junta militar aprovou a Constituição de 1969, que colocou o Ministério Público no Capítulo do Poder Executivo. Contudo, houve um aumento significativo nas atribuições do chefe do Ministério Público Federal, pois foi nomeado e destituído livremente pelo Presidente da República.
Conceito constitucional
O Ministério Público é uma instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, responsável pela proteção da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Como se pode verificar, com a promulgação da CRFB/88, o Ministério Público deixou de ser um mero órgão judicial e passou a ser um agente social e político, dedicado aos problemas comunitários e envolvido nas lutas da sociedade.
Princípios e Garantias
Os Princípios Institucionais
Quanto ao princípio da autonomia funcional, significa que o Ministério Público é independente no desempenho das suas funções, não sujeito a ordens de ninguém, submetendo-se apenas à sua consciência e aos limites imperiosos da lei. Esta independência funcional é ilimitada, na medida em que o membro do Parquet nem sequer está sujeito às recomendações do Conselho Superior do Ministério Público para o desempenho das suas funções, mesmo nos casos em que seja adequada uma actuação uniforme.
As Garantias Fundamentais
Funções institucionais e o artigo 129 da Constituição Federal
O artigo 25 da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público
As funções institucionais do Ministério Público devem ser iluminadas pelo zelo de um interesse social ou individual inacessível, ou então por um interesse difuso ou coletivo. Em suma, enquanto houver a característica de inacessibilidade parcial ou absoluta de um interesse, ou enquanto a defesa de qualquer interesse, acessível ou não, convier à sociedade como um todo, a iniciativa da acusação ou intervenção junto ao poder será obrigatório.
O Ministério Público e o controle externo da atividade da Polícia Judiciária
O controle externo realizado pelo Ministério Público inclui, na verdade, todos os órgãos policiais existentes no Brasil, pois são responsáveis pela atividade policial. Este capítulo será dedicado exclusivamente aos argumentos contra a possibilidade de um membro do Ministério Público conduzir uma investigação criminal.
Monopólio da investigação criminal pela polícia
Na verdade, seria impossível expressá-lo de forma mais clara: “A Polícia Federal, (..), tem por finalidade: IV – exercer exclusivamente as atribuições da polícia judiciária da União” (Art. 144, §1º, IV , enfase adicionada). Quanto às polícias civis dos estados, o texto constitucional, além das competências da União, também previa as atribuições da polícia judiciária e a investigação de infrações penais (art. 144, §4º). Não fosse a exclusão trazida pelo referido dispositivo constitucional, importa ainda salientar que as relativas à polícia judiciária não pertencem às funções constitucionais do Ministério Público.
Ausência de previsão constitucional expressa
Ora, o Conselho Nacional do Ministério Público parte da premissa de que a Constituição da República e as leis acima referidas o autorizam a legislar sobre o desempenho das funções institucionais do órgão jurisdicional do Ministério Público. Um ponto de partida correto se a Resolução nº 13 dispunha sobre as atividades do Ministério Público autorizadas pela Constituição da República. Tudo porque o Conselho Nacional do Ministério Público não tem competência para legislar sobre investigações policiais (iniciá-las e conduzi-las).
A competência para promover a ação penal não abrange a condução de investigação
Aqueles que se opõem às investigações criminais do Ministério Público argumentam que o disposto no inciso VI do art. PUBLICIDADE O regulamento que cria o Núcleo de Investigação Criminal e Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público do Distrito Federal em matéria de publicidade não foi apreciado pelo STJ. A Constituição Federal conferiu ao Ministério Público competência para requerer medidas investigativas e instauração de inquérito policial (CF, art. 129, VIII).
Desvio de função e concentração de poder
43 concentra muito poder nas mãos do Ministério Público, o que encorajaria o abuso de poder por parte dos membros. Com base nessas nuances, Rogério Lauria Tucci (2004, p. 45) argumenta que o exercício de atividades de investigação criminal pelo órgão ministerial seria absolutamente inconveniente e daria origem a excesso de poder, dada a falta de controle externo sobre a atuação do poder público. Promotor. Ao concentrar as tarefas de investigação no Ministério Público, para além do poder de promover processos penais, um poder excessivo seria atribuído a uma única instituição que praticamente não é controlada por nenhum outro órgão, favorecendo assim os abusos.
Incompetência legislativa
Alega-se, inclusive, que a instituição violaria o princípio do devido processo ao levar a cabo um procedimento de investigação de infrações penais. Na mesma frase, alega-se ainda que haveria violação do princípio do devido processo legal, uma vez que as atividades ministeriais ocorrem em sigilo e estão isentas de fiscalização na estrutura administrativa.
A questão da imparcialidade e da impessoalidade
44 O órgão, como esta instituição atua muitas vezes no âmbito da relação jurídico-processual, e que o representante do Ministério Público, participando da investigação dos fatos, ficaria contaminado psicologicamente, perdendo a imparcialidade necessária ao seu papel. Aderindo a esse entendimento, Raymundo Cortizo Sobrinho (2006) acredita que quem conduz a investigação criminal está comprometido com o seu desfecho, o que prejudicaria a distância crítica que o membro do Ministério Público deve manter ao decidir se apresenta ou não uma denúncia. Além disso, o Ministério Público como representante da vítima e da sociedade nos processos penais de infração penal pública incondicional aparece como parte interessada, portanto incompatível com a fase investigativa extrajudicial sob pena de violar o princípio da igualdade das partes, incitando ao desequilíbrio . de forças entre o Estado acusador e a pessoa sob investigação.
Ofensa ao Princípio da Equidade
Na doutrina brasileira, prevalece a visão de que o representante da Parquet pode promover uma investigação preliminar para formar sua opinião sobre os atos ilícitos. Na prática judicial, embora o plenário do Supremo Tribunal Federal ainda não tenha abordado definitivamente esta questão, a atual composição do tribunal e as últimas votações sobre a matéria mostram que a posição majoritária pela constitucionalidade dos poderes investigativos do Ministério Público Estadual Escritório. Este capítulo será inteiramente dedicado aos argumentos a favor da possibilidade de um membro do Ministério Público conduzir uma investigação criminal.
Artigo 144 da CRFB/88 e a inexistência de monopólio da polícia para a realização de
A investigação preliminar e os inquéritos extrapoliciais
A disposição significa que outras autoridades administrativas, além da polícia, também podem procurar provas e realizar a investigação criminal preliminar. Valter Foleto Santin (2007, p. 60) confirma esta posição e acrescenta que este caso é regido pelo princípio da universalização da investigação criminal. Na verdade, não há razão para falar em monopólio da investigação criminal quando a própria CRFB/88 criou mais meios de investigação preliminar e atribui poderes de investigação a outros órgãos que não a polícia.
O inquérito policial
Inquérito policial é qualquer procedimento policial destinado a reunir os elementos necessários para determinar a prática de um crime e sua autoria. Pela sua natureza e finalidade, o inquérito policial apresenta algumas características que merecem atenção. Contudo, esta obrigação não implica a imprescindibilidade do inquérito policial para a apresentação de denúncia ou denúncia.
O inquérito civil
59 A autoridade policial é responsável pela condução das investigações policiais; o do inquérito civil é de responsabilidade do integrante do Ministério Público. Proença (2001, p. 43) destaca ainda que, mesmo que o objetivo do inquérito civil seja a coleta de provas para a apresentação da Ação Civil Civil, nada impede que o membro do Ministério Público instaure uma ação penal, se esta seja verificada, no decorrer da investigação, a ocorrência da infração penal; Os arquivos, que servirão de base ao recurso, deverão conter provas de materialidade e provas suficientes de autoria. Não vemos obstáculo para que o agente do Ministério Público, munido de inquérito civil destinado a propor pedido na esfera cível, possa realizar simultaneamente fotocópias.
O artigo 129 da CFRB/88 e a autorização constitucional conferida ao Ministério
O inciso I do artigo 129 da CFRB/88 e a teoria dos poderes implícitos
A denúncia foi respaldada por documentos (prazos detalhados) e depoimentos de diversas testemunhas, o que garantiu suporte probatório mínimo para a instauração de ações criminais contra os pacientes. Assim, se a CRFB/88 reconhece o Ministério Público como instituição essencial à função jurisdicional, incumbindo-o da tutela da ordem jurídica e conferindo-lhe a titularidade da infração penal pública, é necessário reconhecer a possibilidade de obtenção de provas necessárias. . pelo seu dever.. Assim, se o Ministério Público está legitimado para apresentar a infração penal pública, também está legitimado para as diligências pré-processuais de natureza investigativa.
O inciso VI do artigo 129 da CFRB/88 e a interpretação extensiva do poder investigatório . 65
Tal como expresso na ordem constitucional, o Ministério Público exercerá o controlo externo sobre a actividade policial e não sobre a polícia, como acontece actualmente. No mesmo sentido, Manuel Sabino Pontes (2006) observa que o controle externo da atividade policial atribuído pela CRFB/88 ao Ministério Público não é um controle interno corporis, mas sim a atividade central da polícia, ou seja, a investigação com o âmbito da investigação da prática de crimes. Ao transferir o controlo externo da actividade policial para o Ministério Público, a Constituição fê-lo, tendo em conta o facto de a actividade investigativa da polícia ter o Parquet como destinatário directo.
O inciso IX e a autorização legal conferida ao Ministério Público para o exercício da
Para o exercício de suas atribuições, o Ministério Público Federal poderá, nos processos de sua competência: Com o quadro regulamentar acima descrito, não há necessidade de discutir a falta de autorização legal para o Ministério Público conduzir uma investigação criminal. Sem dúvida que a possibilidade de o Ministério Público realizar investigações criminais resulta do disposto na legislação nacional, o que também suscita ataques por parte de quem pretende engessar Parquet, tornando-o dependente do trabalho que o poder judicial faz. A polícia executa.
O controle das atividades Ministeriais
75 CRFB/88, “Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público controlar as atividades administrativas e financeiras do Ministério Público e cumprir as atribuições funcionais de seus membros. Assim, além do controle judicial e administrativo (interno), o Ministério Público já conta com o controle externo exercido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, que é composto por sete membros do Ministério Público, dois juízes, dois cidadãos com evidentes conhecimentos jurídicos e dois membros da Ordem dos Advogados do Brasil. Por outro lado, a investigação finalmente realizada pelo deputado está sujeita a diversas fiscalizações, especialmente por parte do poder judiciário, a quem cabe zelar pela legalidade dos atos de investigação e seus resultados, e pelo CNMP, órgão externo de controle público. . Ministério.
A questão da imparcialidade e o princípio da equidade
Não há necessidade de contestar o papel desempenhado pelo Ministério Público na relação processual que se estabelece com a instauração do processo penal. No processo que corre perante a justiça criminal, faz parte, como aprendeu ARTURO ROCCO, a administração do Estado, da qual o Ministério Público é um órgão. É, portanto, importante que ele também seja representado pelo Ministério Público durante a fase de investigação.
A investigação direta pelo Ministério Público
A investigação direta originária
Ainda em relação à investigação direta original, podemos também recordar os casos em que a notícia do crime chega diretamente ao Ministério Público através de uma testemunha aterrorizada cuja assistência depende do sigilo da investigação. Ou ainda quando a investigação do crime envolve conhecimento técnico altamente especializado, casos em que o Ministério Público busca auxílio de órgãos públicos com essa expertise. Nos processos criminais, as investigações ministeriais diretas constituem uma exceção ao princípio da investigação policial judiciária em matéria penal; No entanto, há casos em que é necessária uma investigação direta por parte do Ministério Público, e os exemplos mais comuns dizem respeito a crimes cometidos por agentes e autoridades policiais.
A investigação direta derivada
O que o Ministério Público do Estado autoriza a investigar não é a natureza do ato criminoso que poderá resultar da investigação (sanção administrativa, civil ou penal), mas sim o fato que deve ser investigado e diz respeito aos meios legais, cuja proteção é expressamente confiada pela Constituição. piso em parquet. Em suma, havendo interesse disperso ou coletivo, o Ministério Público pode instaurar processo administrativo com base no Art. 2. Acredito que na prática seja possível propor tanto uma ação civil pública baseada em inquérito policial quanto uma ação penal amparada em inquérito civil.
A investigação direta revisora
81 A investigação investigativa direta acaba de ser realizada nessas hipóteses, em que o Ministério Público busca confirmar os dados e conclusões apresentados pela polícia. Na investigação investigativa direta, o Ministério Público solicitará, por exemplo, documentos e informações, interrogará testemunhas e realizará diretamente todas as diligências que julgar necessárias para formar opinião sobre o crime.
A Resolução n. 13 do CNMP
Este trabalho tratou da possibilidade de desenvolvimento de investigação criminal direta por membros do Ministério Público. Seu principal objetivo foi analisar o poder investigativo do Parquet e a constitucionalidade da Resolução nº. 13/2006 do Conselho Nacional do Ministério Público. As ilegalidades da Resolução nº. 13/2006 do Conselho Nacional do Ministério Público relativo ao procedimento de investigação criminal do MP.