Análise do potencial agrícola na região predominantemente do bioma Miombo, norte de Moçambique, com ênfase nas características biofísicas do ambiente / Lucrencio Silvestre Macarringue. ANÁLISE DO POTENCIAL AGRÍCOLA NA REGIÃO GERAL DO BIOMA MIOMBO, NORTE DE MOÇAMBIQUE, COM ÊNFASE NAS CARACTERÍSTICAS BIOFÍSICAS DO MEIO AMBIENTE.
INTRODUÇÃO
Justificativa
Através do ProSAVANA, pretende-se transferir técnicas e tecnologias utilizadas pela EMBRAPA em áreas do Cerrado brasileiro, que possam ser adaptadas à realidade da região do Miombo moçambicano (que se acredita ser semelhante ao Cerrado), tendo em conta aspectos biofísicos, aspectos sociodemográficos e econômicos e políticos da região. Este estudo é relevante porque, levando em consideração as condições físicas da região oeste da Bahia, onde está implantado o agronegócio, trará e discutirá, do ponto de vista biofísico, elementos relevantes para a análise do potencial agrícola da região moçambicana .
Objetivos
18 técnicos brasileiros, moçambicanos e japoneses reuniram-se em Moçambique realizando estudos de adequação de solos e sementes para verificar a sustentabilidade do projeto do ponto de vista edáfico. No entanto, ainda não foram realizados estudos comparativos que tenham em conta os aspectos biofísicos básicos no desenvolvimento da agricultura nas áreas de Miombo e que procurem identificar áreas adequadas para o desenvolvimento da agricultura intensiva.
Hipótese
Geoprocessamento, SIG e Sensoriamento Remoto
Somam-se a isso os aspectos institucionais, os recursos humanos e principalmente o uso específico a que se destina (Figura 2.1) (BURROUGH, 1998; MAGUIRE et al., 1991). Autores como Jensen (2009) e Meneses (2012) apontaram a fonte, o alvo e o sensor como elementos essenciais num processo de coleta de dados de sensoriamento remoto.
Satélites e Sensores
- MODIS
- Missão TRMM
- Missão SRTM
A primeira imagem MODIS/AQUA foi disponibilizada em junho do mesmo ano (RUDORFF et al., 2007). 27 estrutura da copa, incluindo índice de área foliar (IAF), fisionomia da planta e arquitetura da copa (HUETE et al., 2002).
Processamento de Imagens
Os termos Modelo Digital de Terreno (MDT) e Modelo Numérico de Terreno (NMT) devem ser reservados para os casos em que o modelo é construído a partir de valores de elevação do nível do solo obtidos, por exemplo, de mapas topográficos (contornos). ), GPS ou altimetria a laser (LiDAR). Este fato, segundo Meneses e Almeida (2012), faz com que o processamento de imagens de sensoriamento remoto esteja orientado para cada tipo de problema.
Geotecnologias e Modelagem
2009) observa que as geotecnologias, transformadas em ferramentas de sistematização do conhecimento, auxiliam o desenvolvimento da pesquisa, pois possibilitam a gestão de dados geográficos relacionados à distribuição geográfica dos recursos naturais, uso e posse da terra, dados relativos à pesquisa de campo em formato digital. mídia, o que permite a sobreposição dessas informações, o que aumenta as possibilidades de análise e interpretação de suas interações. É importante ressaltar que as aplicações da geotecnologia iniciam-se com a exploração e construção de bases de dados, organizadas ou não em um sistema unificado. Este processo evolui então através da definição de um conjunto de hipóteses ou previsões que podem ser comparadas com medições do mundo real.
Expansão Agrícola, Uso e Cobertura de Terra
Esta questão é preocupante, pois Lambin et al. 2001) relataram que as mudanças no uso e cobertura da terra são tão generalizadas que, quando agregadas globalmente, podem afectar significativamente aspectos-chave do funcionamento dos sistemas terrestres. Pacheco e Ribas (1998) revelaram que medir o uso da terra é muito importante porque os efeitos do uso não regulamentado causam degradação ambiental. O IBGE (2006) destacou que pesquisas sobre uso e cobertura da terra indicam uma distribuição geográfica do uso da terra definida por meio de padrões homogêneos de cobertura da terra.
Savanas tropicais do Brasil e Moçambique
Segundo Goedert et al, o fator determinante mais importante para este ecossistema é 2008), o padrão de distribuição anual das chuvas com duas estações diferentes, seca e. A classificação proposta por Ribeiro e Walter (1998) foi considerada por Sano et al., (2007) adequada para trabalhos de mapeamento detalhado ou semidetalhado. Encontra-se na província de Tete e nas zonas afectadas pelo Rio Zambeze, mas também ocorre em algumas zonas da província de Inhambane e Gaza, com precipitações entre 400-800 mm, mas que se transforma em savana arbórea à medida que avança para o sul do país (Figura 2.11) (MUCANGOS, 1999; RIBEIRO et al., 2002).
Ocupação e uso dos recursos do bioma Cerrado e Miombo
Na área de estudo deste trabalho, as classes Cerrado e Miombo apresentadas são significativas e podem variar proporcionalmente ao longo da área. 44 a agricultura itinerante tradicional depende das florestas para obter nutrientes; As florestas são fonte de forragem, entre outras coisas, para o gado. 1995), durante séculos as florestas de miombo foram preservadas devido às suas características inerentes de baixa fertilidade do solo, falta de infra-estruturas e presença de doenças, mas nas últimas décadas este cenário mudou. O elevado crescimento populacional nas áreas de Miombo tem pressionado a expansão da área cultivada, uma vez que não existem recursos suficientes para uma intensificação geral da agricultura (SOLOMON et al. 1993;
Moçambique, aspectos físicos e socioeconómicos
- Situação agrária de Moçambique
Na maioria dos casos, as mulheres são responsáveis pelo rendimento familiar, especialmente nas zonas rurais onde a base de sobrevivência é a actividade agrícola (até 2 ha da área explorada) e os pequenos negócios desenvolvidos principalmente por mulheres (Figura 2.13). A relação entre empreendimentos agrícolas e área cultivada pode ser observada a partir dos dados da Tabela 2.1, e da ilustração de cada tipo de empreendimento pela Figura 2.14. 49 Figura 2.14: Pequenos campos agrícolas (A) desenvolvidos pelo agregado familiar; médio (B), desenvolvido por famílias associadas e grande (C) e (D) desenvolvido por empresas agrícolas.
Processo histórico da expansão agrícola no oeste baiano
Atingiu seu marco na década de 1970, quando o processo de modernização da agricultura se acelerou e a ocupação do Ocidente ganhou novo fôlego com o início da produção de grãos (principalmente soja, arroz e milho) na região. Quando o estado percebeu que o processo estava funcionando, reforçou medidas para flexibilizar esse processo de modernização agrícola por meio de seus órgãos municipais, provinciais e federais (SANTOS-FILHO e RIOS-FILHO, 2008). O volume de capital privado investido na região aumentou rapidamente, especialmente a partir de meados da década de 1980, dando ao processo de desenvolvimento um impulso mais rápido para que os retornos fossem igualmente intensos (SANTOS et al. 2012).
ÁREA DE ESTUDO
A temperatura média anual varia entre 25ºC e 26ºC na zona costeira (Monapo por exemplo) e tende a diminuir à medida que se avança para o interior atingindo os 22ºC (Lichinga). Tem uma população de cerca de 3,73 milhões de habitantes segundo o Censo realizado em 2007, o que dá conta da população das duas províncias mais populosas de Moçambique (Nampula e Zambézia) com cerca de 37% de toda a população (INE 2012). A população é de aproximadamente 354.281 habitantes (IGBE, 2010), muito inferior à população da região do Corredor de Nacala, embora a maior expansão territorial esteja na região oeste da Bahia, o que implica uma baixa densidade demográfica nesta região. cidades da região ficam às margens de rios, como o município de Barreiras, São Desidério, Santa Rita de Cássia, entre outras.
MATERIAIS E MÉTODO
Excepcionalmente, toda a região oeste da Bahia (não a seção apresentada no Capítulo 3) foi considerada para os dados MODIS, a fim de encontrar um mosaico mais heterogêneo de características de uso e cobertura da terra. Após a geração dos dados filtrados, foram coletadas 4 amostras de uma classe de uso representativa da área considerada, das quais foi retirada a média. No entanto, os dados foram inicialmente reprojetados para o sistema de coordenadas UTM, datum WGS-84, e depois convertidos para raster.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Índice de Vegetação Realçado (EVI)
Porém, os dados indicam uma menor amplitude do EVI no corredor de Nacala em comparação ao oeste da Bahia, onde os valores do EVI foram encontrados na ordem de grandeza. Na área do corredor de Nacala observa-se uma ausência de EVI da ordem de 0,3 (Tabela 5.1). Os valores de EVI apresentados na Tabela 5.1 mostram o comportamento da classe de vegetação Floresta Perene para Moçambique e Cerrado Densa para o Brasil em uma série temporal de 10 anos.
Precipitação
68 Com base nos dados da Figura 5.3, observam-se picos de precipitação apontando para a área do corredor de Nacala, revelando máximos absolutos mais elevados para esta região em comparação com a parte oeste da Bahia. Ainda abaixo das medições absolutas, observam-se valores médios mensais de precipitação elevados na maioria dos meses do ano para a área do Corredor de Nacala (Figura 5.4A); o mesmo acontece quando se olham para os valores médios anuais (Figura 5.4B). Esta diferença na precipitação média (~200 mm) entre as duas regiões é significativa porque, como pode ser visto na Figura 5.4B, a média anual não atingiu este valor na maioria dos anos em ambas as regiões.
Relevo
71 Figura 5.6: Mudanças altimétricas no relevo nas regiões do Corredor de Nacala (Moçambique) e Oeste da Bahia (Brasil). Devido aos acidentes geográficos discutidos em Moçambique (MUCHANGOS 1999), na Figura 5.7 é possível observar planícies com altitude de até 200 m acima do nível do mar (10%) e na parte costeira a leste do planalto médio e alto desde uma altitude de 200 a 1.000 m acima do nível do mar (82%) nas partes central e ocidental e algumas montanhas e montanhas com altitude superior a 1.000 m (8%) distribuídas nas partes central e ocidental. Outras formas morfoestruturais observadas nesta área são a Depressão do São Francisco, que dá origem ao chamado Planalto Ocidental (BATISTELLA et al., 2002).
Solos
Através dos mapas da Figura 5.9, observa-se claramente a predominância de Lixissolos (31%) e Ferralsolos (29%) na região do Corredor de Nacala, que em termos de. Em termos comparativos, tanto a área do Corredor de Nacala como o oeste da Bahia apresentaram predominância da variável textural. Aproximadamente, de acordo com o modelo de zoneamento agrícola e risco climático, 76% de toda a área do Corredor de Nacala (representada por argila e texturas médias) pode ser considerada como tendo riscos menores para o desenvolvimento das culturas devido à perda de água. , adquirido em cerca de 70% para o oeste da Bahia.
Áreas potencialmente agrícolas na região do Corredor de Nacala
Se o processo de expansão agrícola dependesse apenas destas variáveis físicas, pode-se dizer que cerca de 4,8 milhões de hectares têm potencial agrícola. No entanto, é importante notar que o processo de extensão também inclui variáveis sociais, económicas e ambientais, que não foram objecto deste estudo e são tratadas em profundidade em documentos específicos como a Lei de Terras de Moçambique (Lei 19/97) que define os princípios das condições base para o acesso e segurança da propriedade da terra, tanto para os aldeões moçambicanos como para os investidores locais e estrangeiros, e a sua regulamentação (Decreto nº 66/98), a Lei das Florestas e Fauna Bravia (Lei 10/99) que define os princípios e normas básicas de protecção, preservação e utilização sustentável dos recursos florestais e faunísticos e sua regulamentação (Decreto n.º 12/2002), a Lei do Ordenamento do Território (Lei n.º Lei do Ambiente (Lei n.º 20/97) ) entre outros. A questão fundiária moçambicana, que privilegia as comunidades locais em termos de acesso e propriedade da terra de acordo com as práticas consuetudinárias, é um factor que tem um impacto negativo no modelo de expansão brasileiro que se desenvolveu num contexto de diferente na medida em que o a terra era propriedade privada e podia ser vendida, entre outras coisas.
Similaridades e desassimiliradades
Por um lado, há uma savana que se desenvolve em terraços/planaltos com pouca variação altitudinal (oeste da Bahia), e por outro lado, uma savana que se desenvolve em um ambiente topográfico muito diversificado (corredor de Nacala). Dadas essas diferenças, existem diferenças entre os dois ambientes em termos de precipitação. Quanto às características físico-químicas, foram observadas tendências de similaridade, mas em geral devem ser destacadas diferenças devido aos processos de sua formação, sua idade, que diferem entre regiões.
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Disponível em: