MEMÓRIA(S), HISTÓRIA(S) E IDENTIDADE(S) DE MÚSICO CAMPISTA: A formação da linguagem musical de Juventino Maciel / Carlos Felipe Araújo Ábido de Assis -- Campos dos Goytacazes, RJ, 2018. MEMÓRIA(S), HISTÓRIA(S) E IDENTIDADE(S) DE UM MÚSICO DE CAMPO: a formação da linguagem musical de Juventino Maciel. 1 - Até que ponto a formação inicial de Juventino Maciel foi influenciada pelas manifestações musicais e movimentos culturais da cidade de Campos e região.
MEMÓRIA E IDENTIDADE
História oral
O que foi feito recentemente, como a história da autoapresentação das elites de um país, bem como a história da cultura popular, ou da autopercepção popular, é, na minha opinião, uma história completamente legítima (POLLAK, 1992 , pág. 208). Na minha experiência de trabalho, tanto as coisas mais rígidas, como as mais fluidas - isto é, aquelas que mudam de uma sessão de entrevista para outra - são mais problemáticas (POLLAK, 1992, p. 212). Além disso, contribui para a interpretação de que um cenário temático construído pode sofrer adaptações e alterações específicas em cada caso, para cada entrevistado, desde que haja um nível prévio de conhecimento sobre os vínculos contextuais diretos ou indiretos que manteve com o objeto de pesquisa. .
ITINERÁRIOS METODOLÓGICOS
Dado que esta investigação tem entre os seus objetivos a reconstrução da trajetória artística de um compositor inserido num determinado setor social histórico-cultural, mesmo que essa trajetória artística pertença a um determinado período temporal, a trajetória da obra artística em si não tem fronteiras. e encurta-se temporalmente, pois é preenchido com todo um amálgama cultural antes do seu surgimento e, através das sucessivas gerações que o legitimam, espalha-se incessantemente em leituras e releituras. O autor afirma que é necessário, no entanto, questionar a possibilidade de um grupo compartilhar memórias de um passado comum, afinal, “uma verdadeira memória comum é construída e deliberadamente reforçada ordenando, acrescentando e apagando legados” (CANDAU, 2007, pág. 47). Após a coleta dos dados, em quantidade mínima significativa, resultante de um processo denominado bola de neve, em que uma informação leva a outra, um entrevistado ao seguinte e assim por diante, o início, por meio da triangulação metodológica, foi o processamento e cruzamento dos dados.
O CHORO E SUA LINGUAGEM
A expressão e o reconhecimento conquistados com a obra Choros de Heitor Villa-Lobos4 contribuíram para essa ampliação dos espaços. Os diversos estilos musicais homenageados pelo referido maestro, ou seja, polca, tango, valsa, mazurca, habanera, etc., ainda no início da década de 1920, permaneciam com nomes diferentes nos discos, no rádio e nas colunas de jornais. Além da contribuição de compositores eruditos como Villa-Lobos e Radamés Gnattali, os processos de distribuição foram ampliados pela indústria fonográfica, pelo rádio, pelo trabalho de jornalistas também envolvidos na produção musical, pelo surgimento de jovens músicos e pelo acesso a alguns desses personagens ocupados em cargos fixos e colunas nos periódicos da época contribuíram para a mudança e ampliação das oportunidades profissionais dos músicos no campo que se estruturava.
EXPRESSÕES DO CHORO NO NORTE NOROESTE FLUMINENSE
Como sugerido anteriormente, sabemos que a forma como o Choro toca, se expressa, se comunica e se socializa musicalmente começou no final do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro. Dessa forma, vários músicos que contribuíram para o legado musical do Choro trouxeram consigo influências e sutilezas de outros cantos do estado do Rio e até de outras regiões brasileiras, enriquecendo essa mistura de sotaques, expressões e ritmos musicais que formaram o Choro. . Brasileiro como o conhecemos hoje. Os alicerces que teciam o violão e a música de Baden Powel foram sem dúvida os alicerces da linguagem musical do Choro e do Samba.
De volta à cidade do Rio de Janeiro, ainda adolescente, foi aluno de um dos mais habilidosos violonistas de seis cordas da história do choro e da MPB, Meira, que além de realizar as mais importantes gravações de estúdio da área fonográfica mercado seu. Ao mesmo tempo, foi também professor de Rafael Rabello, Maurício Carrilho e outros expoentes não só da linguagem musical do Choro, mas da música popular brasileira como um todo. Essa linguagem está fortemente presente na forma de tocar e no desenvolvimento da execução musical do Choro, que é sem dúvida um dos pilares do violão brasileiro. É o caso da musicista e professora Neusa Pinho França de Almeida que, como vimos, realizou em sua casa algumas das primeiras rodas de choro de Brasília e também foi uma das fundadoras do já citado Clube do Choro.
Gravou e tocou por alguns anos com Waldir Azevedo e também participou da fundação do Clube do Choro de Brasília, que em 2010 o homenageou. Poucos anos após a fundação do Clube do Choro, Hamilton Costa conheceu um dos músicos de maior sucesso na história do choro: Waldir Azevedo, que, assim como Hamilton, havia se estabelecido em Brasília e começou a frequentar as reuniões do Clube de Choro em cidade. Nas décadas de 1960 e 1960, alguns pilares solidificadores da linguagem musical do Choro já apresentavam canções de diversos compositores de acampamentos, em gravações de seus discos ou em programas de rádio.
Estes colaboram realizando e/ou ministrando oficinas que abordam a linguagem musical Choro em suas programações16.
APRESENTAÇÃO
Como neste capítulo abordamos a música e os acontecimentos que ilustram essa trajetória musical, justifica-se a opção pela utilização do nome artístico escolhido por ele mesmo: Juventino Maciel.
NA PLANÍCIE GOYTACÁ
Vindo de uma família simples e numerosa, Juventino começou a trabalhar cedo e, aos quinze anos, já tinha seu contrato oficial, trabalhando numa fábrica de tecidos para ajudar no sustento da casa. Na carteira profissional menor-menor (Figura 9), seu ingresso em 1940 como Tirador de Espumas, na Companhia de Fiação e Veículos Industrial Campista, que ficava na Rua XV de Novembro, também conhecida pelo nome de anteriormente Beira Rio, está cadastrada no bairro da Lapa. Juventino Maciel trabalhou na fiação até 1942, quando também começou a trabalhar com carteira profissional juvenil assinada como ajudante de caldeireiro em uma caldeira de cobre, localizada na Rua Tenente Coronel Cardoso, comumente conhecida como Rua Formosa.
No período em que passou a infância e a juventude, e nas décadas anteriores ao seu nascimento, a cidade de Campos já foi palco de diversas e importantes manifestações musicais (RANGEL, 1992). Sem falar no estímulo que significou alimentar o próprio movimento musical interior, como já havia acontecido com São Salvador e principalmente com Orion, que deu aos músicos de Campos mais espaço para se apresentarem (RANGEL, 1992, p. 260). Além deles, clubes, cabarés e casas noturnas também contavam com programação de música ao vivo.
34;Lastimando", "jóia do choro legada aos campistas" por Pixinguinha, que segundo Coruja já teria morado em Campos há algum tempo, acolhido por Sinhá Chica, avó de Wilson Batista, em sua casa na Rua da Boa Morteque também foi sede da tradicional lavoura Corbeille de Flores (RANGEL, 1992, p.168). Nesse cenário cultural, já imbuído de apresentações corais, em Campos dos Goytacazes, em 1934, foi criada uma instituição pioneira que durante anos mais tarde se tornaria decisiva na formação e trajetória musical de Juventino Maciel: a primeira emissora de rádio da cidade do então estado do Rio de Janeiro, a pioneira Rádio Cultura de Campos (PRF-7) Teve enorme influência em toda a região e promoveu programas ao vivo diversos vezes por semana com participação alternada das orquestras de dança da cidade.
Até mesmo recitais de música clássica eram realizados em seus estúdios e muitos artistas nacionais (e até internacionais) de sucesso eram trazidos especialmente às suas custas para se apresentarem na cidade (RANGEL, 1992, p. 79).
NAS ONDAS DA RÁDIO PIONEIRA
Na Rádio Cultura de Campos, fundada antes da Rádio Nacional nomeada por Zé Menezes, não foi diferente. Ele compõe com extrema facilidade, como comprovarei em gravações futuras (JACOB DO BANDOLIM na contracapa do álbum. "Vibrações", lançado em outubro de 1967). Dessa forma, de música em música, de músico em músico, conheceu e fez amizade com Antônio Freitas de Oliveira, que por sua vez era amigo de Jacob do Bandolim27.
Antônio Freitas de Oliveira apresenta seu novo e talentoso amigo a Jacob do Bandolim que, como a maioria das pessoas, vê algo diferente em Juventino e o convida para ir até sua casa. Como podemos testemunhar em gravações recentemente descobertas no grande acervo de pesquisas do mestre Jacob do Bandolim28, as primeiras gravações de suas músicas em fitas magnéticas feitas por iniciativa de Jacob durante a década de 1950 foram feitas em instrumentos da época, foram cuidadosamente gravadas e registros de datas de gravação , além dos nomes dos músicos que tocaram os instrumentos, ou outros detalhes que atestem a qualidade do pesquisador e a visão ampla do grande músico que foi Jacob do Bandolim.
Do encontro entre Juventino Maciel e Jacob do Bandolim surgiu uma longa parceria repleta de trocas de influências que durou até o fim da vida de Jacob (1969). A música Cadencia, que, interpretada por Jacob do Bandolim no LP Vibrações, mais tarde projetaria nacionalmente o nome de Juventino Maciel, também aparece em gravações em fita magnética da década de 1950 no acervo de pesquisas de Jacob. Ao gravar a composição Cadencia com seu grupo Época de Ouro, Jacob do Bandolim gravou na contracapa do LP uma referência honrosa ao compositor, que, somando-se à qualidade do próprio fonograma, acabou projetando seu nome em um disco nacional. escala, ainda registrada. na forma de documentos oficiais de identificação, Joventino Maciel.
Neste disco, Jacob elogia o talento musical de Juventino e afirma claramente que faria uma série de gravações de músicas do compositor daquele choro em seus próximos discos, até então inéditos, mas para enorme tristeza e frustração de Juventino Maciel e da cena musical brasileira. , Jakob van Bandolim.
A OBRA E SEU PARADEIRO
Esse funcionário do Banco do Brasil no município de Rio Bonito tornou-se amigo de Juventino e sua família. Gravou o LP Deslumbramentos, lançado em 1977, cujo título leva o mesmo nome de uma das cinco músicas de Juventino Maciel que compõem o disco. O irmão de Juventino Maciel, Valter Maciel, foi quem mais o acompanhou no violão de 7 cordas ao longo de sua carreira musical.
Assim passaram o domingo inteiro, tocando, sem parar, um repertório de autoria quase exclusiva de Juventino Maciel. Pesquisador da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e professor da Escola Portátil Casa do Choro da cidade do Rio de Janeiro, o. Talvez por essas e outras qualidades, Marcílio seja o estudioso que mais conseguiu reunir e transcrever material da mítica obra de Juventino Maciel.
De todos os bandolinistas que pesquisaram e tocaram esta obra, Ricardo talvez seja o mais próximo das notáveis interpretações de Juventino Maciel. A obra de Juventino Maciel, por suas características e variações estilísticas que configuram subgêneros que se enquadram no gênero matriz (valsas, choros, mazurcas, schottisch em diferentes andamentos), pode ser considerada uma grande contribuição ao repertório tradicional do choro. A partir do compasso 37, no trecho que compreende o terceiro movimento, há uma modulação para Ré maior, característica muito presente nas composições de Juventino Maciel e no repertório do Choro como um todo.
Porém, todos os compositores da chamada época de ouro do Coro têm o seu shottische. Além das músicas de Juventino Maciel gravadas por Jacob do Bandolim, Ronaldo, Zé Duarte, Reco Bandolim e muitos outros, a música Provocando as Cordas do saxofonista Coruja foi gravada por Luiz Gonzaga. Quando você ouviu falar de Juventino Maciel pela primeira vez e em que contexto?