Na primeira parte, intitulada “Considerações sobre a formação docente”, tratamos de alguns conceitos sobre o objeto de estudo da formação docente. Com base nas informações supracitadas, nosso objetivo principal é analisar o percurso investigativo da formação docente como campo de estudo autônomo.
Os profissionais da Educação na legislação brasileira
Este texto mostra a necessidade de estudos complementares para os professores que atuam nos 5º e 6º anos do ensino básico. Podemos destacar também a regulamentação da Política Nacional de Formação dos Trabalhadores Profissionais do Ensino Fundamental, que é gerida pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
Políticas públicas para formação de professores
Esta política é diferenciada em função do público-alvo, em relação aos anos de experiência dos profissionais do ensino primário e também em relação ao nível de formação dos profissionais, no caso de formação inicial, formação avançada ou professores que não tenham recebido formação adequada treinamento. pela LDB, por atuação fora da área de formação. A UAB desenvolveu um complexo aparato de tecnologias de informação e comunicação (TIC) ao serviço do seu programa de formação. A formulação do PARFOR, que seguiu a definição da Política Nacional de Formação de Profissionais do Ensino Fundamental, inclui uma série de ações do MEC em colaboração com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação e o IPES para disponibilizar cursos superiores para oferecer professores. na prática em escolas públicas que não contam com a formação adequada proporcionada pela LDB.
Para tanto, a Capes criou um sistema informatizado, a Plataforma Freire, por meio do qual professores do ensino fundamental se inscrevem em cursos de formação básica e continuada após pré-matrícula. A partir de outubro de 2017, os professores do ensino fundamental podem cadastrar currículos na plataforma Freire e solicitar vagas em cursos do programa de formação inicial e continuada de professores do ensino fundamental (Profic), lançado no final de 2017 e com vigência a partir de 2018. Os tutores completam 300 horas de aula. treinamento: 96 horas presenciais (40 treinamentos básicos, 40 seminários de acompanhamento e 16 seminários de avaliação de trabalhos) e 204 horas a distância com estudos individuais.
Os cursos de formação em língua portuguesa e matemática incluem atividades presenciais e a distância, incluem a utilização de materiais impressos de auto-estudo e dispõem de um serviço de apoio aos participantes, da responsabilidade da IES.
Complexidade da pesquisa educacional
Nesta seção, abordamos um panorama da construção da pesquisa em educação no cenário brasileiro, com foco nos teóricos que tratam do tema “formação de professores”. Sem esgotar seus diversos aspectos, vemos que o campo da pesquisa em educação tem se apresentado de forma muito diversificada. Em artigo que trata dos desafios da construção metodológica da pesquisa em educação, Gatti (2012) apresenta quatro grupos de conceitos relacionados ao estudo em educação, segundo Lenoir (2000); Bronckart, (1989); García, (2011).
Segundo Gatti (2012), os conceitos destacados estão entrelaçados com diversas formas e meios possíveis de coletar e trabalhar com dados em pesquisas sobre situações de ensino e aprendizagem escolar ou processos formativos de diversas naturezas e níveis (por exemplo, formação básica de professores ou formação continuada). , entre outros, formação de técnicos ou especialistas, formação de jovens); ou mesmo aos processos de gestão. O primeiro conceito apresentado por Gatti (2012) está relacionado ao aspecto técnico-instrumental da pesquisa em educação - neste conceito, a educação é considerada como uma “ciência dos procedimentos”, como um conjunto de métodos, técnicas e procedimentos de ensino e organização . regulação e gestão. O foco deriva de teorias educacionais oriundas de campos que contribuem para o surgimento da pesquisa por meio da educação.
Esses estudos exigem aspectos de pesquisa clínica, com suas qualidades e limites, que, por exemplo, exigem cuidados especiais com a questão da subjetividade e dos controles.
Delineamento das pesquisas sobre formação de professores no Brasil
Na década de 2000 foram contabilizados apenas 43 estudos sobre esse tema, surgindo pesquisas sobre ensino superior (32). Vemos com André (2009) que os processos reflexivos que surgiram na década de 1990 como referências promissoras na formação de professores foram definitivamente estabelecidos na década de 2000. Perguntas relacionadas à saúde docente também foram frequentes na década de 2000, no subgrupo condições de trabalho, tratando do esgotamento e de como o trabalho docente pode afetar a saúde docente.
Na década de 2000 foram encontrados trabalhos sobre esse tema em todas as categorias de análise, sendo considerado um tema emergente. Estudos que tratam de questões de gênero, etnia e competências na formação de professores não têm sido evidenciados nos últimos anos, contrariando as expectativas de André (2000), que as considerava questões emergentes. Na década de 1990, poucos estudos tratavam de questões como condições de trabalho, organização sindical e planos de carreira docente.
As investigações sobre políticas de formação aparecem de forma muito tímida na década de 1990 e aumentam ligeiramente na década de 2000, principalmente a partir de 2001.
O campo de pesquisa sobre formação de professores: indicadores
Segundo o autor, tanto nos escritos de diversos estudiosos sobre o tema quanto nas reuniões científicas, especialmente nas reuniões anuais do Grupo de Trabalho de Formação de Professores da ANPEd, podemos perceber repetidos esforços para deixar cada vez mais claro o que constitui um fato que o tema da treinamento de professor. André apud GATTI 2014), nos mostra que o número de estudos sobre o tema formação de professores cresceu enormemente nos últimos anos. Segundo André (2010), os cinco indicadores propostos por García (1999) são muito úteis para identificar os passos dados pelo setor de formação de professores do Brasil na conquista de sua autonomia.
A constituição do campo de pesquisa sobre formação de professores é um tema discutido em estudos desde a década de 1990. Em estudo de Marli André (2010), a autora demonstra o aumento do número de trabalhos sobre formação de professores nos últimos dez anos. Segundo o autor, “a formação de professores é um campo de estudo relativamente novo no mundo ocidental” (ZEICHNER, 2005 apud DINIZPEREIRA, 2013, p. 146).
Segundo Diniz-Pereira (2013), isso não significa que não houvesse estudos sobre o tema formação de professores antes dessa data.
Abordagem sociológica de Pierre Bourdieu: campo, capital e habitus
Como mencionado anteriormente, para abordar o conceito de campo é necessária uma abordagem mais abrangente dos estudos de Bourdieu, trazendo à tona pelo menos dois conceitos relacionados à ideia de criação de um campo: o conceito de capital e de habitus. Assim, de acordo com as características e objetivos de determinado campo, um ou outro capital terá maior valor e importância. Para Bourdieu (2011, p. 67) “a noção de capital social se estabeleceu como o único meio de determinar o fundamento dos efeitos sociais”.
Segundo o autor, os conceitos de capital cultural e capital social estão relacionados ao patrimônio cultural, às oportunidades de acesso e introdução, bem como à intimidade com determinadas práticas, atitudes, instituições, sujeitos, conhecimentos. Segundo Bourdieu (2004), desde que construímos o espaço social, sabemos que essas perspectivas são, como a própria palavra diz, visões tomadas a partir de um ponto, ou seja, de uma determinada posição social. Dominantes – como detentores do poder e dos privilégios conferidos pela posse de capital cultural e mesmo, pelo menos no caso de alguns, pela posse de um volume suficiente de capital cultural para exercer poder sobre o capital cultural – escritores e artistas são dominados em suas relações com os detentores do poder político e econômico (BOURDIEU, 2004, p. . 175).
O autor prossegue explicando que este tipo de domínio já não se exerce nas relações pessoais como noutros tempos (como entre o pintor e o parceiro ou entre o autor e os mecenas), mas assume a forma de uma forma de domínio estrutural. , exercida por meio de mecanismos mais gerais como os de mercado, configura uma posição que Bourdieu classifica como contraditória dominante-dominada, exemplificando a ambiguidade de suas posições.
Relação do conceito de campo e a formação de professores
Todos os campos são assim estruturados com base em relações de aliança e/ou conflito entre os diversos agentes que lutam pela posse de determinadas formas específicas de capital, onde a análise histórica do campo é a única forma legítima de analisar a essência do seu estabelecimento. Assim, o campo de pesquisa sobre formação de professores é aqui percebido como um campo de lutas e interesses, onde se estabelecem poder e relações de poder e, portanto, dinâmicos, mutáveis e inconstantes. As relações de poder tendem, assim, a produzir e reforçar as relações de poder que compõem a estrutura dos espaços sociais.
No contexto de constituição do campo da formação docente, é notável a existência de lutas e tensões que perpassam o tema, o que pode ser observado a partir das transformações da legislação e das políticas públicas, especialmente nas últimas décadas. Nas palavras de Diniz-Pereira (2013, p. 146) “o campo de pesquisa sobre formação docente é percebido como um campo de lutas e interesses, onde se estabelecem relações de força e poder, e justamente por isso constitui um devir dinâmico, mutável e inconstante". Neste contexto, a estrutura de um campo é “um estado da relação de forças entre os agentes ou instituições envolvidas na luta, ou, se preferirmos, a distribuição do capital específico que, acumulado durante lutas anteriores, orienta estratégias subsequentes ”(BOURDIEU, 1983, p. 90).
Para compilar o corpus, realizamos um levantamento bibliométrico da produção científica na área de formação de professores, com base em artigos publicados no Brasil de 2014 a 2016, disponíveis na base de dados Scopus, do Banco de Dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. (CAPES).
Caracterização da amostra
Consideramos as seguintes palavras-chave com base em André (2010): “formação de professores”, “formação de professores”, “formação inicial”. Não foram encontrados trabalhos com as palavras-chave “formação de professores alfabetizados”, “condições de trabalho dos professores”. Esta pesquisa procurou analisar o percurso constitutivo da formação docente como campo de pesquisa autônomo.
Vimos que a produção científica sobre formação de professores esteve durante algum tempo vinculada ao campo da didática devido à falta de um espaço especial. Quando discutimos a formação de professores como disciplina de ciências, consideramos a importância de nos voltarmos para outros estudos, organizando dados que se relacionam com outras pesquisas. Neste contexto, defendemos a importância de professores e investigadores assumirem posições claras e consistentes destinadas a fortalecer a formação de professores como um campo de estudo autónomo, ao mesmo tempo que reconhecem as tensões existentes entre os campos.
Produção acadêmica sobre formação de professores: um estudo comparativo entre dissertações e teses defendidas nas décadas de 1990 e 2000. Nada substitui um bom professor: propostas para uma revolução no campo da formação de professores.
Resultados e discussões