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Academic year: 2023

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A normatização do Conselho Federal de Medicina (CFM) seria suficiente para regulamentar a técnica de reprodução assistida e a prática do útero de aluguel. Como a barriga de aluguel, do ponto de vista filosófico e jurídico, ressignifica os conceitos de maternidade, paternidade e família.

Breve histórico sobre reprodução assistida

Espécies de técnicas de reprodução assistida

Inicialmente é importante definir a inseminação artificial para que se possa entender quais são os tipos de técnicas de reprodução assistida. Contudo, a literatura descreve a inseminação artificial e a fertilização in vitro, que são as técnicas de fertilização assistida mais utilizadas e, portanto, as mais conhecidas.

Inseminação artificial homóloga

No entanto, existem diversas questões jurídicas que envolvem esta questão, incluindo o direito à descendência e à sucessão (artigo 1.597, inciso III do Código Civil). A secção III desta disposição diz respeito à fecundação artificial homóloga post mortem, que corresponde à resultante da manipulação dos gâmetas do marido (espermatozoide) e da mulher (óvulo).

Inseminação artificial heteróloga

Somente a Resolução CFM nº. que aprova normas para a utilização de técnicas de reprodução assistida. Como já mencionado, atualmente, as técnicas de reprodução conceitual são ferramentas que possibilitam a reprodução humana, incluindo a inseminação artificial (homóloga ou heteróloga) e a fertilização in vitro.

Útero de substituição

Casos contemporâneos

O abandono de um bebé criado através de barriga de aluguer na Tailândia mobilizou actos de solidariedade em todo o mundo. Portanto, 400 a 500 casais recorrem à barriga de aluguel anualmente, principalmente na Índia, Tailândia e Estados Unidos (REVISTA VEJA online, agosto de 2014).

Útero de Substituição: Entre o Natural e o Fabricado

Isto, por sua vez, acentuou os problemas causados ​​pela reprodução assistida, tais como: quem é a mãe no caso de mãe substituta. Em última análise, os “não-humanos” permitem e impedem certas ações e, quando o fazem, são tão comuns e mundanos que “já não notamos os seus movimentos”. Bruno Latour tenta suprimir a distinção clássica entre humanos e “não-humanos” e defende a necessidade de implementar o que chamou.

Essa teoria evoca a “ideia de rede que se refere a alianças, fluxos e mediações”; refere-se ao entendimento de que uma rede de atores não se limita a um único ator, mas sim a um conjunto de elementos heterogêneos conectados, sejam eles humanos ou “não humanos” (MAIA; SERAFIM, 2011, p. 123). Entre o natural e o artificial vivemos num estado de constante turbulência, elevado, em geral, entre a criação e a invenção, entre o natural e o “não natural”, entre a moral e a ética. Então tudo o que existia entre os dois desaparecerá, pois vivemos de fato neste espaço, ou seja, entre esta prótese intermediária – entre o humano e o “não-humano”.

Maternidade: Natural ou Social?

Obviamente, o conceito de maternidade inclui não apenas a função reprodutiva, mas também a função social e educativa, fatores relacionados a cada uma delas e visando a relação parental com o filho. A ideia de maternidade e a formação do conceito de maternidade antecedem a maternidade: “a maternidade não deve ser reduzida apenas à experiência da reprodução, à sua dimensão ginecológica; que inclui toda a vida de uma mulher”20 (BOYKO, 2011, p. 15). Por outro lado, a ideia de maternidade de substituição ou outros nomes próprios como “barriga de aluguer”, “insuficiência uterina temporária” deve ser considerada.

O conceito de “barriga de aluguel”, para o autor, é o completo oposto do conceito de maternidade, tendo em vista que para ele a maternidade pressupõe a doação de si mesmo, enquanto a “barriga de aluguel” serve ao desejo de ter, ou seja, de um específico, de satisfazer. interesse. O conceito de maternidade está sendo atualmente entendido de uma nova forma, mas que ainda observa a “lógica ancestral de que o feminino se realiza no materno. Quanto a uma das diferentes implicações, dada a sobreposição entre o natural e o fabricado, e a dificuldade de estabelecer um novo conceito de maternidade a partir do útero substituto, veremos no próximo item que se trata da redefinição do conceito de maternidade. parecem parentes desta nova prática.

Famílias híbridas

A grande diferença entre essa “cadeia sempre repetida” e as novas concepções de família está nos detalhes, que geralmente estão no pai (quem é?), na mãe (quem é?), ou em quem quer que seja. Essa ideia, ou seja, o conceito de família do mesmo sexo, tornou-se plenamente possível após a decisão25 do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em 5 de maio de 2011, quando da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 4.277, que foi proposta a Procuradoria-Geral da República e a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 132, respectivamente, conforme afirmou o então Governador do Estado do Rio de Janeiro. Embora esse tipo de família comece a ser percebido como algo natural aos olhos da sociedade, o assunto ainda requer debate, tanto jurídico quanto socialmente envolvido.

A partir da constituição de 1988, o conceito de família sofreu modificações, bem como alterações no código civil que acompanharam os novos modelos de família, mudanças de hábitos e costumes, bem como no plano jurídico trouxeram um novo modelo de família. Vale destacar que nas constituições anteriores e no Código Civil de 1916, a família (conceitual e juridicamente) era formada exclusivamente pelo casamento, constituindo assim o centro do direito de família. Exemplo disso é o conceito de família, que tradicionalmente pode ser associado a pai, mãe e filhos.

Reprodução Assistida e Eugenia

Mas quem tem o direito de escolher as qualidades desejadas de um ser ainda está por vir. O homem age de acordo com a lei, mas segundo Habermas (2010, p. 29), nessa perspectiva, “o homem está prestes a desencadear diferentes questões com os fundamentos biológicos de sua existência, dentro de um mesmo contexto”. Parece não haver limite entre a prevenção de uma criança nascida naturalmente mas com deficiência e, por outro lado, uma criança tecnicamente prevista e sem quaisquer distúrbios.

Por um lado, o ser orgânico que cresceu naturalmente funde-se com o ser tecnicamente produzido; por outro lado, a produtividade do intelecto humano está separada da subjetividade vivenciada (HABERMAS, 2010, p. 58). O que resta dessa situação é a semelhança com a do clone, “que é privado de seu futuro pelo olhar modelador centrado na pessoa e na história de vida de um “irmão gêmeo” falecido (HABERMAS, 2010, p. 87). Uma mãe negra, que recebeu um óvulo de uma mulher branca inseminada com esperma de um homem branco, coloca uma criança branca no mundo para, como ela diz, protegê-la do racismo (LE BRETON, 2013, p 81).

A “Nova” Maternidade Frente ao Ordenamento Jurídico

Discutimos também os tipos de reprodução assistida (homóloga e heteróloga), e seus principais tipos (fertilização in vitro e inseminação artificial). O termo de consentimento livre e esclarecido será lavrado em formulário especial e será preenchido com o consentimento por escrito das pessoas a serem submetidas às técnicas de reprodução assistida (BRASIL, 2015, p. 3). Refere-se a uma ação ocorrida na 1ª Vara de Família de Camaçari, BA, na qual a juíza Fernanda Karina Símaro proferiu sentença que concedeu ordem inédita no estado, que determinou que a declaração de nascimento vivo de criança nascido no ventre da avó materna (útero substituto) foi emitido em nome dos pais biológicos, que utilizaram a técnica de reprodução assistida com material genético próprio.

Nos casos em que sejam utilizadas técnicas de reprodução assistida, o parto será determinado em favor de quem forneceu o material genético, ou que, após planejar a gravidez, utilizou a técnica de reprodução assistida heteróloga” (CJF, 2012, p. 32). 1.597 autoriza homens inférteis ou estéreis a utilizar técnicas de reprodução assistida para superar sua deficiência reprodutiva, o Código Civil não pode deixar de prever tratamento idêntico para as mulheres. O dispositivo dará abrigo às mulheres que podem engravidar, abrangendo quase todas as situações concebíveis, como as técnicas de reprodução assistida homóloga e heteróloga, em que a gravidez será realizada pela mulher que será a mãe socioevolutiva da criança. nasce (CJF, 2012, p. 32).

Útero de Substituição e Legislação no Brasil

A Declaração 108, da Primeira Conferência de Direito Civil de 2006, já havia reconhecido que “no fato jurídico do nascimento previsto no art. Na verdade, há um impasse na fixação/regulamentação da idade gestacional, pois para muitos reside no fato de o ordenamento jurídico brasileiro não aceitar a celebração de contrato cujo objeto seja humano, recusa fundamentada no princípio da dignidade humana. Além disso, este tipo de contrato, o de mãe de aluguer, é do ponto de vista contratual (art. 166.º do Código Civil/2002) de “nulidade absoluta”, uma vez que “recai sobre realidades incapazes de comércio, como a maternidade e licença maternidade. linhagem, independentemente de serem gratuitos ou caros” (KRELL, 2006, p. 195-196).

Contudo, contrariamente a esta afirmação, um princípio constitucional relativo às mães de aluguer, como o princípio da dignidade, não pode ser interpretado por analogia. Por outro lado, diferentes posicionamentos tratam a maternidade no caso de útero substituto, como no direito comparado. Num cenário tão vasto como o do direito comparado, parece-nos que existem posições contrárias à prática da barriga de aluguel, ou como disse Sérgio Ferraz (1991).

Contrato de gestação em útero de substituição

Útero de Substituição e Legislação no Mundo

No entanto, em 2006 esta lei foi revogada pela Lei 14/06, bem como todas as disposições anteriores sobre técnicas de reprodução humana assistida naquele país. Pela nova lei, qualquer mulher, independentemente do estado civil e da orientação sexual, maior de 18 anos, gozando de boa saúde e desde que livremente consinta, pode utilizar técnicas de reprodução humana assistida para fins de áreas exclusivas de reprodução ‖ (art. 6º) (FERRAZ, 2011, p. 71). Esta lei não lista em seu texto técnicas de reprodução humana assistida, deixando espaço para que novas técnicas ou variantes das existentes sejam testadas, mediante autorização prévia das autoridades competentes daquele país (FERRAZ, 2011).

A legislação espanhola, mesmo com tendência liberal, não se estendeu ao útero de substituição, proibindo, portanto, a utilização de técnicas de reprodução assistida destinadas a gravidezes de aluguer. Devido à grande influência da Igreja Católica e do Estado do Vaticano, o uso de técnicas de reprodução assistida é muito limitado na Itália. À luz do acima exposto, estamos cientes de que a legislação dos EUA é geralmente bastante flexível no que diz respeito à utilização de técnicas de reprodução assistida e, portanto, é permitida, tal como a legislação espanhola.

Bioética e Biodireito: Possíveis Saídas para os Avanços da Biotecnologia?

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Referências

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