DAS LUTAS QUILOMBAS PARA ACESSAR A UNIVERSIDADE: A PERMANÊNCIA DE ALUNOS QUILOMBOS NO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CAMPUS DO PARÁ/GUAMÁ. O trabalho de conclusão de curso (TCC) denominado “Da luta do quilombo ao acesso à universidade: a permanência dos estudantes quilombolas no curso de engenharia civil da Universidade Federal do Pará/Campus Guamá” é a conclusão de um ciclo de estudos em graduação no curso completo de Pedagogia e atividades de pesquisa, extensão e ensino desenvolvidas em comunidades remanescentes quilombolas e no Projeto Extensão Educacional e Ludicidade Africana e Afro-Brasileira - LAAB, projeto coordenado pela professora Dra. Débora Alfaia da Cunha. Em 2012, quando ingressei na Universidade Federal do Pará (UFPA) Campus Castanhal, descobri o projeto de extensão: Educação e Brincar Africanos e Afro-Brasileiros (LAAB).
Analisando a sustentabilidade dos estudantes quilombolas do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará/Campus Guamá.
Quilombos: da resistência à universidade
Então fica claro que esta opinião não surge como resultado da solidariedade da colônia com a situação de vida dos negros e mulheres escravizados, mas também como resultado do esforço dessas pessoas, tanto negros escravizados quanto homens e mulheres livres. . A libertação dos negros foi apenas para o corpo, sua alma permaneceu aprisionada pela condição a que estavam submetidos, sem trabalho, sem casa, sem dignidade, vivendo à margem da sociedade, privados de seu destino.
As políticas afirmativas voltadas ao povo negro: O PSE quilombola da
1° É concedida aprovação à reserva de 50% (cinquenta por cento) das vagas nos cursos de graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA), oferecidas em Processo Seletivo Seriado (PSS) aos alunos que cursam todo o ensino médio cursado em escola pública . 1º Do percentual de vagas de que trata o caput deste artigo, no mínimo 40% (quarenta por cento) serão destinados a candidatos que se declararem pretos ou pardos e optarem por concorrer ao sistema de cotas aplicável a candidatos negros. 2° A reserva de vagas de que trata o capítulo deste artigo aplica-se pelo prazo de 5 (cinco) anos, findo o qual será avaliada.
A resolução acima surgiu como resultado de proposta da Pró-Reitoria de Ensino e Administração Acadêmica (PROEG), denominada “Proposta de Ações Afirmativas da Universidade Federal do Pará para Integração de Étnias”, acompanhada de projeto de resolução, encaminhado à apreciação da plenário do Conselho de Ensino Superior e Pesquisa (CONSEPE), sugerindo a reserva de 20% (vinte por cento) das vagas dos cursos universitários oferecidos no processo seletivo para ingresso na UFPA para estudantes de cor, em todos os seus cursos , pelo período de 10 (dez) anos (UFPA, 2005, p. 01-02). Cotas para deficientes, negros e indígenas na pós-graduação em Direito. Sistema de cotas no processo seletivo diferenciado para alunos da rede pública de ensino e alunos negros.
Programa de bolsas de assistência financeira contínua a estudantes de graduação da UFPA em condições socioeconômicas v. Como pode ser observado na tabela acima, a proposta de reserva de vagas para quilombolas em 2011 foi aprovada após reunião do CONSEPE na qual a resolução nº. 1. Fica aprovada a reserva de 2 (duas) vagas, com acréscimo, em favor dos quilombolas, no processo seletivo (PS) para ingresso nos cursos de graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Abordagem do estudo
A pesquisa foi um estudo de caso, pois tem como foco o aprofundamento de uma investigação bastante específica, no nosso caso, a retenção de estudantes quilombolas na reserva de vagas no processo seletivo especial da UFPA para o curso de engenharia civil. Como complemento, utilizamos também as diretrizes da pesquisa bibliográfica, que nos ajudaram a coletar fontes bibliográficas que apoiaram a discussão teórica da pesquisa. Os participantes foram três (03) estudantes de engenharia civil da UFPA, Campus Guamá na cidade de Belém do Pará.
Os alunos foram selecionados através da associação de estudantes quilombolas (ADQ) da UFPA, através de contato inicial realizado em 5 de maio de 2017. Civil, e o aluno me indicou outro aluno, e ele recomendou outro aluno, fechando assim os três alunos da pesquisa ( Bola de neve) ). A escolha de três alunos se deu pela dificuldade de contato com outros alunos devido aos horários dos alunos dentro de seus cursos e às idas e vindas das comunidades locais.
Os entrevistados estão matriculados em anos diferentes e estão em diferentes fases da graduação em Tecnologia e, além disso, esses alunos, apesar da decisão inicial de estudar no período noturno, estudam em turnos diferentes e em horários diferentes, o que significa que a pesquisa inclui diferentes perspectivas de suas experiências com estudantes quilombolas. Por questões éticas, os alunos receberam nomes fictícios na ordem alfabética em que ocorreram as entrevistas.
Apresentação dos resultados
A Caracterização dos estudantes
Augusto tem 27 anos, nasceu na comunidade remanescente de quilombo de Igarapé Mirindeua, localizada no município de Moju, nordeste do Pará. Estudou em sua comunidade até a 8ª série do ensino fundamental em turmas multisseriadas, concluindo o ensino médio na cidade de Moju/PA. Breno tem 25 anos, nasceu na comunidade remanescente de quilombo de São Pedro, localizada no município de Tomé-açu, nordeste do Pará.
Estudou até a 8ª série no ensino fundamental de sua comunidade, mas até a 2ª série estudou em turmas multisseriadas e concluiu o ensino médio na cidade de Tomé-açu/PA. Carlos tem 29 anos, nasceu na comunidade quilombola do Baixo Itacuruça, localizada no município de Abaetetuba, região do Baixo Tocantins. Os estudantes estudados pertencem a diferentes comunidades residuais de quilombos dos municípios de Abaetetuba, Tome-açu e Mojú, todos pertencentes ao estado do Pará (conforme mostrado na Tabela 2), mostrando a extensão geográfica das políticas de cotas quilombolas.
Disto podemos concluir que existe algum tempo entre a conclusão do ensino médio e o ingresso na Universidade Federal do Pará, o que é confirmado pelo fato dos entrevistados terem concluído o ensino médio entre os anos dois mil e oito (2008) e dois mil. e nove (2009). A idade de conclusão do ensino médio varia de dezoito (18) a vinte e um (21) anos, indicando conclusão tardia do ensino médio, e a idade média gira em torno de dezoito (18).
O processo de escolarização
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) de 2007, o Brasil possui 1.253 escolas em comunidades com remanescentes quilombolas, das quais 181 só no estado do Pará são fundamentais para esse processo de escolarização na própria comunidade . , dados do Censo Data Escola Brasil, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2014, nos mostram que o Brasil possuía 2.248.298 no estado do Pará, escolas localizadas em Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQ ), como podemos ver na Figura 1 abaixo. Breno estudou em sua comunidade até a segunda série (atualmente 3º ano) e também teve que utilizar o transporte escolar desde a terceira série (atualmente 4º ano) até o final do ensino médio.
De acordo com a lei nº. 10.880 (BRASIL, 2004), que institui o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar – PNATE. 2. O programa é criado no âmbito do Ministério da Educação e é implementado pelo Fundo da República da Eslovénia para o Desenvolvimento da Educação. De acordo com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, existem dois programas específicos para o transporte de estudantes residentes em zonas rurais: o Caminho da Escola e o Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE), oferecido pelo Ministério da Educação.
O Caminho da Escola foi instituído pela Resolução nº. 3º, de 28 de março de 2007 e consiste na aprovação de linha de crédito especial pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aquisição de estados e municípios, novos ônibus, micro-ônibus e micro-ônibus e novas embarcações. O Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) foi instituído pela Lei nº. 10.880, de 9 de junho de 2004, com o objetivo de proporcionar acesso e permanência em instituições escolares a alunos do ensino fundamental público residentes na zona rural que utilizem transporte escolar, por meio de auxílio financeiro adicional aos estados, distritos federais e municípios. O enfrentamento dessas dificuldades permitiu que Carlos fosse o primeiro de 10 (dez) filhos a concluir o ensino médio e matricular-se na Universidade Federal do Pará.
Moradia e retorno a comunidade quilombola
Quando desenvolvemos a primeira parte do nosso projeto em maio, notamos um sorriso no rosto de nossos familiares e amigos e eles vieram até nós para nos agradecer por estarmos em uma Universidade Federal e ainda assim não esquecermos nossas raízes (Carlos, entrevista realizado em maio de 2017). Conforme explicitado nas falas dos sujeitos, fica claro que essas políticas de formação inicial e continuada de professores devem ser efetivas na implementação, para que haja uma melhor formação desses alunos. Notamos que os estudantes quilombolas possuem um bom relacionamento com seus colegas de curso, o que é até um mecanismo básico que os ajuda a permanecer na universidade, porém, ainda há colegas que não aceitam que esses estudantes recebam algum tipo de auxílio estudantil para continuar os estudos.
Do quilombo à universidade: trajetórias, relatos, representações e desafios de estudantes quilombolas da Universidade Federal do Pará-Campus Belém em relação à permanência. Estabelecer regras para reserva de vagas para estudantes quilombolas, contemplando duas vagas nos cursos de graduação da Universidade Federal do Pará – UFPA. Estabelecer normas de acesso de alunos egressos de escolas públicas, incluindo cota para negros, aos cursos de graduação da Universidade Federal do Pará.
Políticas de ação positiva, um novo ingrediente na luta pela democratização do ensino superior: a experiência da Universidade Federal de Ouro Preto. Sem Esmola”: o processo seletivo especial de quilombolas da Universidade Federal do Pará na concepção dos alunos aprovados entre os anos de 2012 e 2014 para o campus universitário de Castanhal. Dissertação de mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED), Instituto de Ciências da Educação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2018.
Convidamos você a participar como voluntário do estudo “Percepções de estudantes quilombolas sobre a residência no curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará - UFPA/Campus Guamá”, que tem como objetivo analisar as políticas de estabilidade para estudantes quilombolas. Quais foram os principais problemas que você encontrou ao chegar na Universidade Federal do Pará e iniciar a graduação.
O ingresso, as dificuldades iniciais e os auxílios para permanecer na graduação