Portanto, vemos a urgência de conhecer a realidade que envolve a Lei 9.714/98 e questionar a aplicação da pena privativa de liberdade e o sistema prisional brasileiro, analisar a aplicação de penas alternativas, buscar soluções para a grave e caótica situação de nossas cadeias, bem como se para ajudar a fiscalizar a aplicação das novas penas alternativas. Ressalta-se que, embora se trate de assunto polêmico e atual, a aplicação de penas alternativas já era preconizada no Código Penal Brasileiro de 1984, levando em consideração as tendências do direito penal moderno.
DO SURGIMENTO A CRISE DA PENA DE PRISÃO
Passaremos agora a considerar o papel dos sistemas penitenciários na história da punição, especialmente no que diz respeito às penas de prisão. A Ineficácia da Prisão e o Sistema Ideal de Recuperação de Delinquentes, Rio de Janeiro: Editora Carioca Ltda., p.
Da mesma forma, outros países persistiram na aplicação de penas alternativas ao encarceramento devido ao sucesso alcançado em diversas legislações. Assim, verifica-se que as penas alternativas ao encarceramento ganharam destaque no direito penal mundial, substituindo gradativamente o encarceramento decadente.
A APLICABILIDADE DAS PENAS ALTERNATIVAS
Assim, o sucesso das penas alternativas à prisão ainda está sujeito à etapa de superação do preconceito e conquista de credibilidade. No campo jurídico, a Lei 9.714/98 alterou a redação dos artigos 43 e seguintes do Código Penal, estabelecendo regras para penas alternativas à prisão, com a nomenclatura "penas restritivas de direito". Refira-se que as penas alternativas previstas no artigo 43.º do Código Penal são autónomas e não “acessórias”, razão pela qual não podem ser aplicadas cumulativamente com a pena privativa de liberdade.
Além disso, com a Lei 9.714/98, as penas alternativas à prisão deixaram de ser mera prerrogativa do magistrado e passaram a ser um direito do condenado, desde que preenchidos os requisitos legais. A aplicabilidade e exigibilidade das penas substitutivas da prisão são disciplinadas no artigo 44 e seguintes do Código Penal e vinculam a decisão do magistrado às disposições legais. Quanto à escolha da pena alternativa aplicável, o n.º 2 do artigo 44.º refere claramente que, para as penas não superiores a um ano de prisão, a substituição pode ser feita por multa ou pena restritiva.
Também é preciso analisar a transformação das penas alternativas em penas privativas de liberdade, já que como lei substitutiva é a pena privativa de liberdade, que passou a prevalecer nos casos de descumprimento das condições das primeiras penas. Os pedidos de apreciação do uso de penas alternativas, portanto, merecem ser acolhidos e analisados, uma vez que o benefício não é competência do juiz, mas direito do acusado. No entanto, importa referir que a liberdade condicional só deve ser considerada na impossibilidade de aplicação de penas restritivas mais favoráveis ao arguido.
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS: ESPÉCIES
Por analogia in bonam partem, o juiz deve abater algo da pena de prisão a ser executada, aplicando, na falta de outro critério mais adequado, a equidade". pagamento de outra natureza", dificultando a determinação de multa ou extravio de bens e valores, por serem também de natureza pecuniária.
A lei exige a aplicação da pena de prestação de natureza diversa daquela que houver consentimento – ou consenso celebrado entre a autoridade judiciária e o beneficiário, ou seja, aquele que usufruirá do benefício. A pena de perda de bens e valores, por ser uma espécie de sanção, é pessoal, individual, intransferível e vinculada à pessoa do condenado, o que esgota o vínculo jurídico penal com a morte do réu. No que diz respeito ao descumprimento dessa modalidade de pena, parte da doutrina entende que podem ser aplicados ao caso os dispositivos da Lei 9.268/96, que determina a irreversibilidade da pena pecuniária em regime prisional.
O primeiro tipo de punição por interdição temporária de direitos refere-se à interdição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como ao mandato facultativo. Em todo o caso, refira-se que se esta pena fosse efetivamente aplicada, poderia ser convertida em prisão nos mesmos moldes da já apresentada para a pena de prestação de serviços à comunidade. A competência para mover a execução da multa cabe, a meu ver, ao Tesouro Estadual, como dívida de valor.
Ressalte-se, ainda, que a pena de multa em sua modalidade substitutiva apenas substitui a pena de prisão, deixando indisponível a pena de multa original. A substituição por pena alternativa incidirá apenas sobre o valor da detenção especificado, com a obrigatoriedade do pagamento da multa remanescente.
OS CONFLITOS APARENTES DE NORMAS E A LEI 9.714/98
Já a nova lei 9.714/98 segue em sentido totalmente antagônico e defende a política criminal de aplicação de penas alternativas à prisão. No entanto, há jurisprudência que entende que a aplicação de penas alternativas a esses crimes não é totalmente incompatível, uma vez que o regime prisional não está entre os pressupostos para a aplicação da Lei 9.714/98. 44 do Código Penal, com alterações da Lei 9.714/98, não há impedimento para que a pena privativa de liberdade, quando for crime de tráfico de pessoas, seja substituída por direitos.
Igualmente, o fato de o regime de cumprimento da pena estar totalmente encerrado não constitui obstáculo à referida substituição (Lei 8.072/90, art. 2º, § 1º). José Roberge, que julgou pela supremacia da Lei 9.714/98 sobre a Lei 8.072/90, que permitia a substituição da pena privativa de liberdade do crime de tráfico de drogas por pena restritiva de direitos.56. O artigo 59.º do Código Penal, enquanto expediente de substituição da prisão flexível por restritiva, deve ser obrigatoriamente verificada e posteriormente, ex officio (ponto IV), para só então quantificada e determinado o seu regime (ponto III).
A Lei dos Crimes Graves regula assim a “execução de penas privativas de liberdade” de forma pormenorizada, sem fazer referência aos pressupostos para a aplicação de penas alternativas. Substituição da pena privativa de liberdade quando satisfeitas as condições objetivas e subjetivas do art. O Código de Trânsito Brasileiro, Lei 9.503/97, prevê a aplicação de penalidades limitadoras de direitos de forma principal ou cumulativa e não subsidiariamente, como na Lei 9.714/98.
POLÍTICA CRIMINAL
Isso é fruto da constatação histórica de que o problema da criminalidade deve ser tratado em seu verdadeiro conteúdo, pois a mera tipificação e punição de condutas, esquecendo-se do aspecto humano que engloba o problema, torna o direito penal um instrumento ineficaz e acelerador de criminalidade. um crime. A política criminal brasileira nunca foi muito bem definida, pois a legislação sempre se mostrou sem um direcionamento adequado, navegando entre os princípios do direito penal clássico e moderno. Isso fica clara e precisamente evidente nas reformas específicas que complementam a legislação nacional e trazem inovações legais, que ora tendem a usar o mínimo de direito penal e idéias liberais, enquanto outras vezes levam a um aperto excessivo das instituições penais. .
Embora o país demonstre boa vontade e interesse em modernizar e modernizar o direito penal, adequando-o aos anseios da seguridade social e humanizando o sistema penal, os legisladores imbuídos do dever de responder à sociedade criam leis para tratar dos processos criminais. com a conjuntura imediata, a instauração de novas tipificações penais, com penas e regimes prisionais cada vez mais rígidos, a sobrecarga das vias judiciais com casos que nem sequer têm relevância no campo do direito penal. Assim, enquanto o Estado caminhar na “calçada” sem definir o tratamento que pretende dar aos infratores e à criminalidade, qualquer esforço de implementação de um direito penal de caráter fragmentado e mínima intervenção estatal, como no uso de penas alternativas, retrocederá excessivamente penal intervencionista que utiliza medidas extremamente duras. Assim, leis que seguem a tendência do direito penal moderno permanecem suprimidas porque contrariam reformas específicas que fortalecem o sistema, ainda que já tenha sido comprovado que as penas privativas de liberdade não predispõem os condenados à recuperação.
Como exemplo disso, podemos destacar o novo anteprojeto do Código Penal Brasileiro que tramita no Congresso, apontando inúmeras alterações legislativas contrárias aos modernos princípios do direito penal. Para isso, outros meios de controle teriam que atuar de forma mais intensa, retirando do salário da lei penal a responsabilidade quase absoluta pelo resultado efetivo da prevenção e reabilitação criminal, tornando o papel da igreja, da família, da escola, entre outros outros, necessários. É importante que a legislação deixe de vaguear entre a política criminal intervencionista e a não intervencionista, pois somente quando o país identificar através da política criminal o perfil de seus delinquentes e encontrar a forma de intervenção mais adequada para lidar com o causas da criminalidade, poderão travar uma árdua e eficaz batalha pelo êxito do direito penal.
A EXPERIÊNCIA CONCRETA DAS PENAS ALTERNATIVAS
É interessante observar ambos para que possamos comparar as experiências ao longo do tempo. Testaremos também as hipóteses de descumprimento da pena, a fim de termos uma visão realista e crítica da implantação desse serviço no órgão da Prefeitura de São Paulo, onde foi realizada a pesquisa empírica, em um maneira organizada. O condenado, um comerciante de profissão que não havia sido processado antes, compareceu a Fabes em 17 de janeiro de 1990 para cumprir sua pena.
Ao associar a Lei 9.714/98 à moderna política de justiça criminal, deve-se garantir que a pena privativa de liberdade seja aplicada apenas em último caso, de forma puramente subsidiária. Mandar um infrator para a prisão tem uma probabilidade incomparavelmente maior de torná-lo pior do que se ele permanecesse em liberdade. Quanto aos demais, penas alternativas, outras formas de tentar reinserir-se na sociedade ou manter os que se comportam desviantes e corrigíveis”.
No entanto, as penas alternativas, aparentemente inócuas, têm suscitado inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais, como se pode observar no corpo deste documento. É claro que na redação dos decretos penais mais recentes se percebe a ampliação da aplicação de penas como prestação de serviços à comunidade, pagamento em dinheiro em favor da vítima e multas substitutivas. Entende-se que as penas alternativas podem alcançar pleno êxito desde que o ideal de reversão do problema criminal ultrapasse a barreira da punição, pois a punição é apenas um dos passos para se repensar o problema criminal.