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Universidade Federal do Pará

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Academic year: 2023

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Neste sentido, destaca-se a necessidade de construir sistemas museológicos e documentais catalogados que garantam a maximização na recuperação e utilização da informação. Este trabalho foi desenvolvido durante a disciplina de estágio supervisionado realizado na Reserva Técnica de Paleontologia do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), quando se descobriu que não existia ficha de catalogação da coleção de paleoinvertebrados. Uma coleção de paleoinvertebrados também possui um livro de registro, mas os fósseis listados geralmente não possuem uma folha de catálogo manual individual.

Dado que a falta de uma forma de catalogação individual e manual acaba por cumprir um dos objetivos primordiais dos museus, que é proteger o seu acervo, não só fisicamente, mas também a sua memória, preservando, tornando acessível e transmitindo a informação, inclusive nela. aspectos temporais/geracionais. Baseada na adição contínua de informações que um objeto pode receber em um museu, a ficha catalográfica é uma das melhores formas de pensar em agregar e preservar informações armazenadas para o futuro. Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de desenvolvimento de um template para catalogação/registro de materiais da Coleção Paleoinvertebrados do MPEG, bem como a produção de seu manual complementar, traçando os diálogos entre Paleontologia e Museologia.

O terceiro capítulo demonstra uma proposta de catalogação da coleção Paleoinvertebrados, mostrando como foi feita a seleção dos elementos pertinentes ao formulário e como ele é preenchido.

  • O que são fósseis?
  • Patrimônio Paleontológico
  • Documentação Museológica
  • Catalogação em Museus

O ato de preservação inclui a coleta, aquisição, acondicionamento e preservação desses bens; a missão de comunicar realiza-se através de exposições, publicações, projetos educativos e culturais; e o exercício de investigar permeia todas as atividades de um museu, fundamenta-as cientificamente (CÂNDIDO, 2006). III Recristalização, quando há um rearranjo da estrutura cristalina de um mineral, conferindo-lhe mais estabilidade, como a transformação da aragonita em calcita, ambos os minerais possuem a mesma fórmula química (CaCO3), cuja alteração é o seu arranjo espacial. Os fósseis tratados neste trabalho, por exemplo, ao entrarem no acervo, tornam-se fragmentos de um universo estratigráfico e de biodiversidade do qual foram retirados, mas que ainda são representativos (PINTO, 2009).

A documentação museológica faz parte de um processo maior denominado musealização, que se inicia quando o acervo é selecionado e inserido no universo museológico. Segundo Ferrez (1994), a documentação de um acervo museológico é essencial dentro de um museu, pois consegue apresentar as informações contidas no objeto por meio de texto e imagem. Nos museus, cada peça de uma coleção é única, mesmo que falemos de fósseis, principalmente se entendermos que provêm de um organismo vivo e sabemos que cada código genético de um determinado indivíduo é único.

Portanto, a documentação de um acervo necessita de uma estrutura organizacional que contenha um “conjunto de informações sobre cada um dos itens e, consequentemente, sua representação por meio de palavras e imagens” (FERREZ, 1994).

As Coleções Científicas do MPEG e o Acervo de Paleontologia

O MPEG possui os mais extensos acervos da Amazônia nos temas: arqueologia, zoologia, botânica, paleontologia (TOLEDO et al. 2006) entre outros, com itens de interesse científico e histórico, incluindo milhares de tipos nomenclaturais, além de artefatos listados como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Coordenação de Botânica (CBO): onde fica o Herbário João Murça Pires, o terceiro mais antigo do Brasil, com mais de 174 mil amostras de plantas desidratadas. É heterogêneo quanto à sua origem geográfica (Brasil, África, Peru e Suriname) e à sua composição material, que inclui todas as categorias de artesanato.

O acervo linguístico contém documentos de 70 línguas indígenas com gravações digitalizadas de 1.300 fitas e discos, atualmente organizados de acordo com padrões internacionais de arquivamento linguístico. E a Coleção Arqueológica que reúne mais de 81 mil peças e fragmentos cerâmicos, artefactos líticos e outros vestígios recolhidos em vários sítios arqueológicos da região. Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (CCTE): Sede da Coleção de Paleontologia, Minerais e Rochas, fundada em 1896 por Friedrich Katzer, contendo aproximadamente 9.000 amostras de fósseis.

Coordenação de Zoologia (CZO): onde estão localizadas a coleção entomológica, coleção de invertebrados não artrópodes, coleção de aracnologia e miriápodes, coleção carcinológica, ictiológica, herpetológica, ornitológica e mastozoológica. A coleção existe desde 1871 e tem como objetivo documentar e preservar fósseis, principalmente da região amazônica. Esta coleção possui poucos exemplares que não seguem uma classificação geral formal (RAMOS et al., 2009).

Dado que o foco deste trabalho está na coleção de paleoinvertebrados do MPEG, a sua caracterização torna-se imperativa. A maior parte dos fósseis preservados do acervo está armazenada em caixas de aço (Fig. 5) localizadas na Reserva Técnica de Paleontologia, e os grandes exemplares são colocados em prateleiras ocas de aço. Basicamente, o registro desse acervo é feito diretamente nos livros tumulares (Figura 6), que possuem apenas campos básicos como identificação taxonômica e procedência, e que na maioria das vezes não contém todos os dados necessários para esse tipo de acervo.

Com base nesses pontos, foi elaborada uma ficha catalográfica para o registro documental da coleção de paleoinvertebrados a fim de cumprir os requisitos necessários para o melhor aproveitamento desses fósseis. As fichas catalográficas contêm dados básicos e especiais, tais como: número de identificação no livro de registro; idade; Origem; Treinamento; Data da coleta; Colecionador; Data de registro; comentários; além de fotos individuais e identificação, entre outros.

Figura 4. Grupos da Coleção de Paleontologia do MPEG. A. Paleoinvertebrados B. Paleobotânica  C
Figura 4. Grupos da Coleção de Paleontologia do MPEG. A. Paleoinvertebrados B. Paleobotânica C

Sistemática

  • Poríferos
  • Briozoários
  • Braquiópodes
  • Cnidários
  • Artrópodes
  • Moluscos
  • Equinodermos

Os primeiros vestígios de organismos porosos aparecem nas rochas do Baixo Cambriano (há 541 milhões de anos) e existem até hoje (FERNANDES, 2011). Os braquiópodes (Fig. 9) representam um grupo de animais exclusivamente marinhos, possuem um órgão especial para captura de alimentos, o lofóforo, ao redor da boca e com muitos tentáculos ciliados. Os primeiros registros de braquiópodes datam do Cambriano com o aparecimento de amêijoas e conchas em invertebrados marinhos.

Os pica-paus (Figura 10) são os primeiros animais a apresentarem no corpo uma cavidade digestiva, o que lhes permite ingerir porções maiores de alimento, pois desta forma o alimento é digerido e reduzido a pedaços menores antes de ser absorvido pelas células. Ilha de Fortaleza, Município de São João de Pirabas; Mina B-17, CIBRASA, Município de Capanema, PA. Esse tipo de animal é o mais diversificado do planeta, com mais de um milhão de espécies conhecidas.

Os trilobitas são encontrados nas rochas do Baixo Cambriano (há cerca de 541 milhões de anos) e foram extintos no Alto Permiano (entre 260 e 252 milhões de anos atrás) (CARVALHO et al., 2011). Os moluscos possuem registros fósseis nos depósitos cambrianos mais antigos (aproximadamente entre 541 milhões e 485 milhões de anos atrás). Os equinodermos (Figura 13) constituem um grupo exclusivamente de animais marinhos, dotados de um endoesqueleto calcário13, muitas vezes dotado de espinhos salientes.

De acordo com a conceituação atual, os equinodermos aparecem no registro fóssil desde o início do Cambriano (há cerca de 541 milhões de anos) SOUZA-LIMA & MANSO, 2011). pedreira B-9, CIBRASA, município de Capanema; Ilha de Fortaleza, Município de São João de Pirabas, PA.

Figura 7. Esponjas Calcárias. MPEG 1253-I. Aricuru, município de Maracanã, PA. Formação Pirabas,  Mioceno Inferior
Figura 7. Esponjas Calcárias. MPEG 1253-I. Aricuru, município de Maracanã, PA. Formação Pirabas, Mioceno Inferior

Manual de Preenchimento

Deve ser atribuído pela instituição proprietária, deve respeitar o sistema de numeração adotado para as demais coleções e deve estar permanentemente anexado à obra. Identificação taxonômica – Refere-se à identificação taxonômica do fóssil e deve ser escrita de acordo com as normas da sistemática zoológica. Data de Coleta (DC), Coletor e Data de Despejo (DT) - Registro da data de coleta do material original, nome da(s) pessoa(s) que realizou(m) a coleta e depósito do fóssil.

Unidade litoestratigráfica (formação geológica) – Neste campo deve ser registrada a unidade litoestratigráfica, como uma bacia sedimentar, e principalmente a formação geológica de origem do fóssil. Determinador – Neste campo deverá ser informado o nome do pesquisador que confirmou a autenticidade dos dados do registro. Localização/Coordenadas Geográficas - Neste campo deverá ser registrada a localização de origem do fóssil, incluindo seu Sistema de Posicionamento Global (GPS).

Este campo deverá conter a descrição física do fóssil, informações sobre todos os seus componentes, completos ou fragmentados, e todos os detalhes essenciais para sua identificação, além de suas dimensões (altura x largura x profundidade). Estado de Conservação e Preservação - Nesta área deve ser registrado o estado de conservação física do fóssil, que está dividido em cinco opções: Excelente, se estiver em perfeitas condições; Bom, com poucos problemas de manutenção. Regularmente, caso não tenha problemas de preservação muito sérios (como pequenas fragmentações); Mau, em caso de problemas graves de conservação; e Terrível, se você tiver problemas muito graves e precisar de intervenção urgente.

O estado de preservação do fóssil também é mencionado caso haja alguma deformação, achatamento, etc., que pode ser detalhado no campo de observações. Observações - Neste campo deverão ser colocadas informações que o catalogador considere importantes para o fóssil, mas que não cabem em nenhum outro campo do formulário, como tipologia, informações naturais sobre a natureza do espécime, sobre embalagem adequada, entre outros. Reprodução fotográfica – Neste campo deverá ser colocada uma reprodução fotográfica do material nas suas vistas principais para facilitar a sua identificação.

No caso de fósseis de invertebrados, as principais vistas para identificação (basal, frontal e apical). A data de preenchimento do formulário e a data de adição ou modificação também devem ser informadas.

Ficha de Coleta de Amostras

Trabalho de conclusão de curso apresentado na Faculdade de Artes Visuais e Museologia da Universidade Federal do Pará Coordenação do Sistema Estadual de Museus, Secretaria de Estado da Cultura. http://www.cultura.pr.gov.br/arquivos/File/downloads/p_museologia.pdf>. Disponível em: .

Artigo 2º dos Estatutos do ICOM (2001) Disponível em: . Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Ciência da Informação, Cultura e Área de Concentração, Difusão e Pesquisa-Ação Cultural da Informação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciências da Informação. Acervo paleontológico do Museu de Ciências da Terra/DNPM-RJ: legado da paleontologia brasileira.

In: FREIRE, Gustavo Henrique de Araújo (org.) E-book da Assembleia Nacional da Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. As origens do Museu Paraense Emílio Goeldi: Aspectos Históricos e Iconográficos Org) Culturas de História Natural. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Imagem

Figura 1. Tratado Museographia de Gaspar F. Neickel. Fonte:
Figura 2. Fachada do Musei Wormiani Historia, mostrando o quarto das maravilhas de Worm.
Figura 3. Museu Paraense Emílio Goeldi – Parque Zoobotânico.
Figura 4. Grupos da Coleção de Paleontologia do MPEG. A. Paleoinvertebrados B. Paleobotânica  C
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Referências

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